O dicionário digital, nosso espelho

24 03 2013

Luca_signorelli,_cappella_di_san_brizio,_poets,_dante_01 fresco

Dante Alighieri, 1499-1502  [DETALHE]

Luca Signorelli (Itália, 1445-1523)

Afresco,  Capela de San Brizio

Catedral de Orvieto, Itália

Fiquei encantada com o curioso artigo de Jennifer Howard, In the Digital Era, our Dictionaries read us, [Na era digital, nossos dicionários nos lêem], publicado esta semana no The Chronicle of Higher Education.  Foi só lendo esse artigo que percebi a facilidade com que um dicionário pode hoje ser e estar atualizado. Mas, muito mais interessante do que isso, descobri que os dicionários online, além de monitorar as palavras procuradas pelos visitantes,  conseguem saber  por  que esses leitores procuram, desenvolvendo assim um retrato preciso das preocupações humanas num determinado momento.

Essa interação digital permite que os dicionários se atualizem quase instantaneamente.  Além disso oferece um retrato da sociedade, do momento por que as pessoas passam.   Desse modo, os dicionários se transformam também em um espelho cultural das sociedades a que servem.  Quando grandes calamidades públicas, por exemplo, afetam uma área do planeta a busca por palavras referentes ou usadas nas descrições dos noticiários do acontecimento  aumenta.  Assim, usando como exemplo os deslizamentos de terra durante a estação das chuvas, poderíamos encontrar procuras no dicionário por palavras tais como:  erosão, terraço, fluxo de detritos, e assim por diante.   Com esses dados é fácil perceber quando o interesse por um assunto começa assim como o momento em que naturalmente começa a ser esquecido.

Esse retrato da sociedade, de seus interesses e de suas preocupações é de grande valia para os estudos sociológicos. Mas também tem conseqüências que ainda não foram medidas para ações sociais, para política e para o marketing de produtos e idéias.   Um bom assunto para não se deixar de lado.





Velho tema, III, poema de Vicente de Carvalho

23 03 2013

João Fahrion – O vestido verde, 1949. O Museu de Arte do Rio Grande do Sul ...

O vestido verde, 1949

João Fahrion ( Brasil, 1898-1970)

óleo sobre tela, 75 x 98 cm

Museu de Arte Ado Malagoli, Porto Alegre, RS

Velho Tema,  III

Vicente de Carvalho

Belas, airosas, pálidas, altivas,
Como tu mesma, outras mulheres vejo:
São rainhas, e segue-as num cortejo
Extensa multidão de almas cativas.

Tem a alvura do mármore; lascivas
Formas; os lábios feitos para o beijo;
E indiferente e desdenhoso as vejo
Belas, airosas, pálidas, altivas…

Por quê? Porque lhes falta a todas elas,
Mesmo às que são mais puras e mais belas,
Um detalhe sutil, um quase nada:

Falta-lhes a paixão que em mim te exalta,
E entre os encantos de que brilham, falta
O vago encanto da mulher amada.



Em: Cancioneiro do Amor – os mais belos versos da poesia brasileira, antologia organizada por Wilson Lousada, Rio de Janeiro, José Olympio: 1952, 2ª edição.





Um exemplo a ser seguido no Congresso Nacional

23 03 2013

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“Old King Cole”, Ilustração de Roberta.

Franqueza e Prudência

Salvador de Mendonça – Artigo no O Imparcial, 1913

Professor das princesas, filhas de D. Pedro II, Joaquim Manuel de Macedo, o célebre autor de A Moreninha, desempenhava o seu mandato de deputado geral, quando o conselheiro Francisco José Furtado, organizador do gabinete Liberal de 31 de agosto de 1864, o convidou para a pasta dos Estrangeiros.

Recusada a honra, mandou o Imperador chamar o escritor à sua presença, e indagou o motivo do seu gesto, quando possuía tantas qualidades para ser um bom ministro.

— Admita-se que eu tenha as qualidades que Vossa Majestade me atribui, — respondeu Macedo: — mas eu não sou rico, requisito indispensável a um ministro que queira ser independente.

E decidido.

— Eu não quero sair do Ministério endividado ou ladrão!

Em: O Brasil anedótico, Humberto de Campos, São Paulo, W. M. Jackson: 1941





Mulheres pintoras séculos XVI e XVII — homenagem ao Dia Internacional da Mulher

8 03 2013

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Autoretrato, 1548

Catharina van Hemessen ( Bélgica, c,1527– c. 1560)

Têmpera sobre madeira, 32 x 35 cm

Museu de Arte de Basel, Suíça

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Senhora com roupagem do século XVI, c. 1550-60

Catharina Van Hemessen (Bélgica, 1528-1581)

Óleo sobre madeira

Bowes Museum, Durham, England

lucia-anguissola-autorretrato

Autoretrato, 1557

Lucia Anguissola (Itália, c. 1536- c. 1565)

Óleo sobre tela 28 x 20 cm

Pinacoteca Castello Sforzesco, Milão

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Autoretrato com cavalete, 1556

Sofonista Anguissola  (Itália, 1530-1625)

Óleo sobre tela,  66 x 57 cm

Palácio Lancut, Polônia

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Rainha Elizabeth I da Inglaterra, c. 1565

Levina Teerlinc (1510-1520–1576)

Retrato em miniatura

selftond

Autoretrato em tondo, 1579

Lavinia Fontana (Itália, 1552-1614)

Óleo sobre cobre, 16 cm de diâmetro

Galleria degli Uffizi, Florença

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Autoretrato, ou Sra. Kello, 1595

Esther Inglis (França/Escócia, 1571-1624)

Adotou o nome Kello depois de casada.

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Judith with the head of Holoferness

Fede Galizia (Itália, 1578–1630)

Óleo sobre tela,

Ringling Museum of Art, Sarasota, Fla

maria van oosterwijck vanité 1668

Vanitas, 1668

Maria Van Oosterijk ( Holanda, 1630-1693)

Óleo sobre tela

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Autoretrato

Marietta Robusti (Italia, 1554-1590)

Óleo sobre tela, 77 x 65 cm

Museu do Prado, Madri

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Autoretrato como mártir, 1615

Artemisia Gentileschi (1593–1653)

Óleo sobre tela

Coleção Particular

Sirani, Madonna and child

Virgem com Menino Jesus, s/d

Elisabetta Sirani (Itália, 1638-1665)

Desenho sobre papel

Barbara Longhi

Virgem com Menino Jesus, 1580-85

Barbara Longhi (Itália, 1552-1638)

Óleo sobre tela, 44 x 29 cm

Museu de Arte de Indianápolis, EUA

JosefaObidos4

Natureza Morta com doces e barros, 1676

Josefa de Ayala  ou Josefa de Óbidos (Portugal, 1630-1684)

óleo sobre tela

Biblioteca Municipal Anselo Braamcamp Freire de Santarém

Judith_Leyster_-_Self-Portrait_-_Google_Art_Project

Autoretrato com cavalete, c. 1630

Judith Leyster ( Holanda, 1609–1660)

Óleo sobre tela, 74 x 65 cm

National Gallery of Art, Washington DC

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A vendedora de frutas e legumes, 1631

Louise Moillon ( França, 1610–1696)

Óleo sobre tela,  48 x 65 cm

Museu do Louvre, Paris

Clara Peeters 1594 - 1589- 1657 nature morte au verre vénitien et à la chandelle 1607

Natureza morta com taça veneziana e castiçal, 1607

Clara Peeters ( Holanda, 1589-1657)

óleo

Giovanna_Garzoni

Natureza Morta com limões, 1640

Giovanna Garzoni ( Itália, 1600–1670)

Tempera sobre papel

431px-RRuysch

Natureza morta com buquê de flores e ameixas, s/d

Rachel Ruysch (Bélgica, 1664-1750)

Óleo sobre tela, 92 x 70 cm

Museus Reais de Belas Artes da Bélgica

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Autoretrato, c. 1675-1680

Mary Beale (Inglaterra, 1632–1699)

Óleo sobre tecido, 89 × 73 cm

1638-1665-elisabetta-sirani-1660

Autoretrato, 1660

Elizabetta Sirani (1638-1665)

Óleo sobre tela





Feliz aniversário, RIO DE JANEIRO!

1 03 2013

Digital StillCameraPão de Açúcar,  Enseada de Botafogo, Baía de Guanabara, Rio de Janeiro.

1º de março

Rio de Janeiro, 448 anos!

Cidade Maravilhosa!





Quadrinha do caminho da vida

26 02 2013

primeira flor do jardim, ilustração martyPrimeira flor do jardim, ilustração de A. E. Marty.

Do berço à tumba há um caminho,

que todos têm de transpor:

de passo a passo – um espinho,

de légua em légua – uma flor.

(Belmiro Braga )





Palavras para lembrar — C.S. Lewis

18 02 2013

Min Li

Antes do concerto, 1998

Min Li (China, contemporâneo)

Óleo sobre tela, 77 x 77 cm

www.minlifinearts.com

“Lemos para saber que não estamos sós.”

C.S. Lewis





Lorenzo Durán, arte com natureza

17 02 2013

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Lorenzo Durán Manuel Silva nasceu em Cáceres em 1969.  Hoje vive em  Guadalajara, próximo a Madri, capital da Espanha.  Depois de tentar várias formas de expressão artística,  desenvolveu uma técnica especial,  semelhante à usada  há séculos no Oriente e também na Europa central, de recorte de papel, para produzir trabalhos em folhas secas, de grande minúcia.

http://www.naturayarte.es

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Lorenzo Duran, 231

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Lorenzo Duran, 162

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Lorenzo Duran, 26

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Lorenzo Duran, article-2219024-158B24BE000005DC-216_966x611Lorenzo Durán.




Palavras para pensar — Christian Bobin

9 02 2013

jaskiewicz (Polonia) menina lendo

Menina lendo, 1998

Barbara Jaskiewicz-Socewicz  (Polônia, contemporânea)

Óleo sobre tela com espátula, 65 x 50 cm

www.barbarajaskiewicz.pl

“O que aprendemos com os livros, é a gramática do silêncio”.

Christian Bobin





As Florestas texto de Afonso Celso

9 02 2013

ANDERSON CONDE - manhã com neblina,2008, ost, 60x80.andersoncondecombrManhã com neblina, 2008

Anderson Conde (Brasil, contemporâneo)

óleo sobre tela, 60 x 80 cm

www.andersonconde.com.br

As Florestas

Afonso Celso

Não é monótona a selva brasileira. Cada árvore exibe fisionomia própria, extrema-se da vizinha; circunspectas ou graciosas, leves ou maciças, frágeis ou atléticas. Conforme reflexão de ilustre viajante, as matas brasileiras, tão compactas que se lhes poderia caminhar por cima, representam a democracia livre das plantas, democracia cuja existência consiste na luta incessante pela liberdade, pelo ar, pela luz. Preside a essa democracia perfeita igualdade. Não há família que monopolize uma zona com exclusão de outras famílias ou grupos. Espécies as mais diversas medram conjuntamente, fraternizam, enleiam-se. Daí a variedade na unidade, múltiplas e diversas manifestações do belo.

Notabiliza-se ainda a floresta brasileira pela ausência relativa de animais ferozes. É muito menos perigosa do que as da Índia. Habitam-na incalculáveis populações de mamíferos, abelhas, vagalumes, miríades de borboletas com asas de inefável colorido. Em lindas aves é a mais opulenta terra.

Garridos regatos deslizam por ela, derramando frescor. Cortam-na caudalosos rios, tão coalhados de plantas aquáticas que, apesar de profundos, não são navegáveis. O sol doura simplesmente o cimo das árvores. Não penetra através das grossas cortinas verdes senão de modo crepuscular, produzindo a grave penumbra das catedrais, ou  o lusco-fusco das grutas marinhas. Só em espaçadas clareiras, avistam-se nesgas de azul. Em geral, a luz soturna e misteriosa empresta às coisas feições sobrenaturais. O conjunto é sublime.

Todos os sentidos aí ficam extasiados. Gozam todos os nossos sentidos artísticos. Com efeito, deparam-se-nos na floresta brasileira primores de arquitetura, de pintura e, sobretudo, de divina poesia.

Em: Criança brasileira: quinto livro de leitura, Theobaldo Miranda Santos, Rio de Janeiro, Agir:1949.

AAA

Afonso Celso de Assis Figueiredo Júnior, titulado Conde de Afonso Celso pela Santa Sé, mais conhecido como Afonso Celso, (Brasil, MG, 1860 — RJ, 1938) professor, poeta, historiador e político brasileiro. É um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras, onde ocupou a cadeira 36.

Obras (lista parcial)

Prelúdios –  poesias, publicado aos quinze anos de idade (1876)

Devaneios (1877)

Telas sonantes (1879)

Um ponto de interrogação (1879)

Poenatos (1880)

Rimas de outrora (1891)

Vultos e fatos (1892)

O imperador no exílio (1893)

Minha filha (1893)

Lupe (1894)

Giovanina (1896)

Guerrilhas (1896)

Contraditas monárquicas (1896)

Poesias escolhidas (1898)

Oito anos de parlamento (1898)

Trovas de Espanha (1899)

Aventuras de Manuel João (1899)

Por que me ufano de meu país (1900)

Um invejado (1900)

Da imitação de Cristo (1903)

Biografia do Visconde de Ouro Preto (1905)

Lampejos Sacros (1915)

O assassinato do coronel Gentil de Castro (1928)

Segredo conjugal (1932)