Parecia ter sotaque
aquele relógio chique:
— Soltava o tique no taque,
e vice-versa no tique!
(Eno Teodoro Wanke)
Parecia ter sotaque
aquele relógio chique:
— Soltava o tique no taque,
e vice-versa no tique!
(Eno Teodoro Wanke)
Finalmente! Estou em processo de mudança. Agentes imobiliários não acreditavam toda vez que eu dizia: “Este apartamento não serve. Tem armários demais e poucas paredes para colocar estantes para os meus livros. Poucas paredes para os meus quadros.” Levei oito meses procurando minha nova “caverna”. Poucas foram as pessoas que entenderam o meu dilema:
1 – Preciso sim, deste grande número de livros.
2 – Não, ainda não li todos eles.
3 – Alguns deles jamais serão lidos de ponta a ponta, assim como dicionários, há outros livros que são mantidos pela simples necessidade da referência!
Então, finalmente, de posse do novo “refúgio”, chamei um marceneiro para remodelar as estantes que cobrem duas paredes do meu atual escritório. Quero que elas venham a cobrir outras paredes no novo endereço. E como nenhum espaço é igual a outro, teremos que ajustar as dimensões.
É evidente, também, que as estantes que tínhamos já não eram suficientes. Mesmo depois de oito visitas que fizemos ao sebo mais próximo para “desovar” livros de entretenimento e alguns outros mais, que, como alimento que são para nossas almas, têm data de validade! Exemplos: Dude, where´s my country? de Michael Moore ou O Mundo é plano de Thomas Friedman. Temos agora que pensar na adição de uma nova estante.
Como esta nova estante não caberá no próximo escritório hoje passamos um tempinho de manhã, calculando o melhor lugar para a nova adição. O marceneiro que contratei, que veio com boas recomendações, e cujo trabalho parece satisfatório, achou que poderia dar sua opinião enquanto debatíamos o melhor lugar para as novas prateleiras. Depois que apontei para uma boa parede da sala, ele pediu desculpas e disse:
— A Sra. não se incomode, mas vou dar uma opinião, trabalho há 25 anos fazendo armários e estantes, e, se eu fosse a Sra., não colocaria a estante logo nesta parede. Esta é a parede mais importante da sala. Não vai ficar bonito, mostrar esses livros todos logo aqui…. Escolha outra parede, menos importante. Aqui a Sra. deveria colocar um aparador, com um grande espelho…
A lanterna de Kyle, s/d
Denyse Klette (Canadá, contemporânea)
Acrílica sobre tela
60 x 120 cm
Tive que contar até 10 antes de responder. Olhei para meu marido. Um olhar divertido encheu a sala. Mudamos de assunto. E eventualmente escolhemos uma outra parede. Não foi aquela, mas a parede que meu marido havia originalmente escolhido, logo na entrada. Abre-se a porta do apartamento para uma grande estante. Essa sim, é a arquitetura do meu abrigo.
Há, é claro, implicações culturais a respeito da opinião do marceneiro. Que um espelho seja a escolha para a parede principal não é surpresa para a cultura narcisista que adotamos. Mas achar que livros podem ser feios, é falta de hábito, inclusive, falta de se ver nas casas “chiques” dos programas televisivos bibliotecas que não estejam ligadas a trabalho. Os móveis-estante, dos programas de TV, das casas de decoração, das revistas de decoração, em geral abrigam alguns volumes e uma escultura; 6 ou 8 volumes e um quadrinho dentro da estante. São porta-retratos e alguns livros; troféus esportivos e alguns livros; pratinhos de porcelana em tripés e alguns livros. São três volumes de arte, do pintor ou do escultor da moda, empilhados ao lado de um vaso com tulipas. Ou na mesa de centro ao lado de uma curiosa escultura africana de alguma deusa da fertilidade. Isso é o que passa por “sofisticação” e “ cultura”. Raramente quem faz as decorações vê em livros – os troféus que são de uma mente em ebulição, de uma idéia genial. Pena! Perdemos todos….
O livro azul, 1994
Silvana Cimieri ( Itália, 1964)
Óleo sobre tela, 50 x 70 cm
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Silvana Cimieri tornou-se assistente e aluna de Lorenzo Alessandri em1987. Em 1991 participou de sua primeira exposição, uma coletiva na Galeria La Telaccia em Torino. Dois anos mais tarde, em 1993, Silvana Cimieri passou a estudar com Antonio Nunziante. Desde então produz regularmente e em suas obras pode-se definir influências e aproximação estética de outros artistas italianos contemporâneos: Aldo Salvatori e Américo Mazzota. Dona de um estilo próprio Silvana Cimieri continua trabalhando e expondo regularmente.
Santo Antônio de Pádua, 1941*
Cândido Portinari, ( SP, 1903 – RJ, 1962)
Pintura mural à têmpera – 180 x 75 cm
Casa de Portiinari, Brodowski, SP
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NOTA: Uma amiga da peregrina mandou a seguinte informação depois de visitar Brodowski, terra natal de Cândido Portinari sobre a tela que ilustra a poesia abaixo. Em suas palavras: “A guia nos contou que Portinari pintou Santo Antônio como pagamento por uma promessa feita, quando seu filho se encontrava muito doente. O quadro foi doado à pequena igreja da praça, em frente à casa dos Portinari, com a promessa de que nunca seria retirado da igreja (e nem vendido)”. Achei essa informação muito interessante e passo para vocês. Obrigada, Marilda.
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Chegamos ao dia 30 de junho e não postei nada, absolutamente nada, sobre as festas juninas. Que vergonha! Gosto muito delas. Principalmente daquelas mais singelas, de cidade do interior, sem lantejoulas nem paetês, sem competição de grupos de quadrilhas, sem essa grandiosidade de escola de samba que anda invadindo as comemorações de época. Gostava mais quando essas festas estavam mais relacionadas ao fim da época da colheita e ao início de um inverno abarrotado com os produtos da terra. Mas este ano não me lembrei de postar coisa alguma para a época. Portanto, acabo o mês, tocando vagamente no assunto, com uma poesia do poeta paulista Walter Nieble de Freitas, que de relacionamento com as festas juninas só tem mesmo o santo… Divirtam-se:
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Walter Nieble de Freitas
–
Para comprar uma imagem
De Santo Antônio, um caipira
Entra na loja de um árabe,
É atendido e se retira.
Leva o precioso objeto,
Muito contente e feliz,
Sem saber que o esperto sírio
Lhe vendera um São Luiz.
Dali dirige-se ao templo
E ao padre, diz comovido:
Aqui trago um Santo Antônio
Para que seja benzido.
— Santo Antônio, explica o padre,
Traz consigo uma criança;
O que você trouxe é a imagem
De São Luiz, o rei de França.
Desapontado, o caboclo
Dispara feito uma bala;
Entra na loja do árabe
E deste modo lhe fala:
— O senhor é um mentiroso
Que nunca sabe o que diz.
Em lugar de Santo Antônio
Me vendeu um São Luiz!
Nunca mais queira fazer
Seus fregueses de palhaços:
Santo Antônio sempre teve
Uma criança nos braços!
— Eu sei disso exclama o sírio,
Muito seguro e matreiro:
Você levou Santo Antônio
Quando ainda era solteiro!
–
Em: Poetas Paulistas: antologia, ed. Pedro de Alcântara Worms, Rio de Janeiro, Conquista:1968.
–
Walter Nieble de Freitas ( Itapetininga, SP) Poeta e educador, foi diretor do Grupo Escolar da cidade de São Paulo.
Obras:
Barquinhos de papel, poesia, 1963
Mil quadrinhas escolares, poesia, 1966
Desfile de modas na Bicholândia, 1988
Simplicidade, poesia, s/d
Chico Vagabundo e outras histórias, 1990
Caso algum dos temporais ferozes que costumam caracterizar o mês de junho se desenvolva em tempestade mais grave e venha a resultar em ameaça mais séria de inundação, os moradores do Colorado contarão com um serviço de alerta antecipado acionado por uma ampla rede de 1,2 mil voluntários espalhados pelo Estado. Os participantes da rede permitiram que fossem instalados nos terrenos de suas casas uma série de medidores de chuva.
Uma rede de avaliação da chuva, chuva de granizo e neve que está em operação em 46 Estados norte-americanos sob a coordenação da Universidade Estadual do Colorado recebeu mais de 800 relatórios instantâneos sobre as precipitações acontecidas em um recente dia de chuva de junho.
A Rede Colaborativa Comunitária para a Chuva, Granizo e Neve, apesar de seu nome desajeitado, oferece aos pesquisadores do clima dados inestimáveis sobre a tendências climáticas práticas.
A rede distribuída por 46 Estados espera estender suas atividades a mais três do Estados norte-americanos este ano, elevando seu total de monitores voluntários dos padrões de precipitação a 14,5 mil pessoas em todo o país.
Quando os voluntários saem aos quintais de suas casas em meio a fortes temporais a fim de verificar o nível registrado nos medidores de chuva, quaisquer resultados definidos como perigosos que eles encontrem são encaminhados imediatamente aos escritórios do Serviço Nacional de Meteorologia nas áreas sob ameaça.
E boa parte desse esforço deriva do sentimento de culpa persistente que Nolan Doesken, um climatologista da Universidade Estadual do Colorado, continua a sentir devido a uma devastadora inundação acontecida em 1997 em Fort Collins, Colorado, a sede da universidade. Cinco pessoas morreram quando as ruas da cidade foram inesperadamente tomadas pela água de uma inundação.
Doesken afirmou que estava ciente de que as chuvas do dia eram pesadas no bairro em que vive, mas não entrou em contato com as autoridades para reportar o fato – e nenhum outro morador local o fez, tampouco.
O Serviço Nacional de Meteorologia dispunha de imagens de radar que mostravam sérias concentrações de chuva ao longo do dia, mas não estimava que o temporal que desabaria sobre Fort Collins viesse a se provar pior do que as demais tempestades que estava acompanhando, afirma Doesken.
Caso houvesse um sistema de informação sobre a intensidade da chuva operando em tempo real na cidade, o Serviço Nacional de Meteorologia e as autoridades policiais poderiam ter lançado alertas mais urgentes quanto à ameaça de inundação. Agora, Doesken se preocupa menos, porque sabe que conta com uma rede de voluntários dedicados para cuidar desse tipo de situação.
“Quando as pessoas sabem que podem realizar uma tarefa simples, sem que precisem sair de casa, e com isso ajudar suas comunidades e a ciência, muita gente se interessa por participar“, afirmou o pesquisador.
“Eu gostaria que tivéssemos um número maior de voluntários prontos a reportar sobre a região de Denver a cada manhã“, ele disse. “Caso tivéssemos um voluntário a cada dois quarteirões, o número não seria excessivo“.
Moça no trigal, 1913
Eliseu Visconti ( 1866-1944 )
Óleo sobre tela, 65 x 80 cm
Como postei no dia 3 de maio estou elaborando algumas notas sobre as excelentes informações do Professor Vanderlei Vicente sobre os 5 livros do romantismo necessários para o vestibular, publicado no Portal Terra. Meu objetivo é ajudar aqueles que precisam destas leituras: não só a entenderem um pouquinho mais do romantismo no Brasil, mas conseguirem se lembrar de alguns detalhes das obras mencionadas. O artigo original estará sempre em itálico azul.
A Escrava Isaura (1875), de Bernardo Guimarães – “Este romance apresenta a trajetória de Isaura, escrava paradoxalmente clara que é perseguida por seu senhor, Leôncio. Após fugir para o Nordeste, Isaura conhece e apaixona-se por Álvaro. O desfecho do romance é mais que feliz: Álvaro liberta Isaura das mãos de Leôncio ao pagar dívidas deste e tomar-lhe os bens. Vale lembrar que a obra obteve importância em sua trajetória por tratar de um tema polêmico para a época: a escravidão”.
Até hoje, este é um dos romances favoritos do público brasileiro. Seu sucesso atual não surpreenderia aqueles que testemunharam em 1875 a estrondosa reação do público leitor que se encontrava cada vez mais familiarizado com romances de aventuras num cenário brasileiro.
Solar do Barão de Carapebus, construído em 1846 em Campos dos Goitacazes. Esta construção seria do tipo de fazenda em Campos, retratado no romance de Bernardo Guimarães.
A história se passa numa grande fazenda fluminense na cidade de Campos dos Goitacazes. O romance aparece quatro anos depois da Lei do Ventre Livre. A escravidão serve mais como impedimento no desenvolvimento do romance, do que como assunto a ser abordado contra ou a favor. Bernardo Guimarães, joga com a aceitação da mulher de pele clara, como demonstração do preconceito de raça. Enquanto que a escravidão simplesmente existe. Há algumas poucas falas de estudantes abolicionistas, mas não são mais do que um aceno, uma batida na aba do chapéu, que Bernardo Guimarães dá ao movimento abolicionista. A divisão da sociedade, a mostra da irracionalidade da escravidão, estão centradas na cor da pele da escrava. Bernardo Guimarães remove a máscara da sociedade brasileira e mostra a falsidade de seus preconceitos. Realça a fragilidade e a dualidade da posição pró-escravidão, numa sociedade que já se caracterizava como miscigenada.
Há, no entanto, uma grande novidade: os cenários do romance não são estáticos. O leitor correrá o Brasil seguindo o caminho de Isaura, o romance começa na cidade de Campos dos Goitacazes, mas sua linha de ação se move, do Estado do Rio de Janeiro para Recife, no estado de Pernambuco.
Recife em 1890, rua Vitória, com bonde puxado a uma parelha de burros.
Bernardo Guimarães é um escritor da chamada segunda geração do Romantismo, e se olharmos com cuidado os textos de seus livros, encontraremos um pendor por algumas características que viriam a aparecer nos escritores do movimento realista, principalmente no retrato da miscigenação da sociedade brasileira e também no retrato do homem e dos costumes sertanejos.
Também é um escritor com um grande número de anedotas associadas à sua vida. A maioria das quais puras inverdades mas que serviam para acentuar algumas de suas mais famosas características e o peculiar de modo de encarar a vida. Reproduzo aqui duas anedotas encontradas num artigo de Armelim Guimarães, neto do escritor.
1 – Em 1925, nas suas “Memórias de João Barriga”, José Avelino registrava este caso, de quando era o poeta professor no liceu de Ouro Preto:
“Examinador, a todos aprovava. Conta-se que, numa feita, um bicho [estudante calouro] estava tão cru em noções de Cosmografia que a reprovação seria inevitável no exame oral. Dois examinadores deram logo nota má, e Bernardo deu ótima. Perguntou-lhe um colega:
– Por que deu ótima, doutor, a um examinando que não soube o ponto?
— Porque eu também não sei.”
2 – … vale lembrar um fato contado por Sousa Ataíde:
“Descia o poeta, certa vez, a rua de sua casa, em companhia de dois amigos, quanto, passando por eles três ou quatro pessoas que caminhavam em sentido contrário, uma delas perguntou-lhe:
– Saberá o cavalheiro informar-me onde mora o escritor Bernardo Guimarães?
“Eram pessoas que desejavam visitá-lo, e que ainda não conheciam. Bernardo, tranqüilamente, apontou a sua residência, e deu prontamente a informação pedida:
— É ali, naquele sobrado, ao alto.
“E continuou a descer imperturbavelmente a ladeira. O Bretas espantou-se:
— Que é isso, homem! Eles querem te conhecer!
— Perguntaram-me onde eu moro. Dei, acaso, informação errada?, respondeu o poeta.”
E ao que tudo indica, histórias engraçadas e anedotas diversas são até hoje contadas em Minas Gerias sobre este bem amado escritor mineiro.
***
A Escrava Isaura, de Bernardo Guimarães, já se encontra em domínio público. Para lê-lo, clique AQUI.
Bernardo Joaquim da Silva Guimarães (Ouro Preto, MG, 15/8/1825 – Ouro Preto, MG, 10/3/1884). Advogado, juiz, professor, escritor, jornalista, contista e poeta. Bernardo Guimarães é o patrono da Cadeira N.º 5 da Academia Brasileira de Letras.
Obras:
Cantos da Solidão, poesia, 1852
Poesias, 1865
O Ermitão do Muquém, romance, 1871
Lendas e Romances, novelas, 1871
O Garimpeiro, romance, 1872
O Seminarista, romance, 1872
Histórias e tradições de Minas Gerais, 1872
O índio Afonso, romance, 1873
A Escrava Isaura, romance, 1875
Novas Poesias, 1876
Maurício, romance, 1877
A Ilha Maldita, romance, 1879
O Pão de Ouro, romance, 1879
Rosaura, a Enjeitada, romance, 1883
Fôlhas de Outono, poesia, 1883
O Bandido do Rio das Mortes, poesia, póstuma, 1905
O Elixir do Pajé, poesias eróticas, s/d impresso às escondidas, raríssimo.
—–
Eliseu D’Angelo Visconti (Salerno, Itália 1866 – Rio de Janeiro RJ 1944). Pintor, desenhista, professor. Vem com a família para o Rio de Janeiro, entre 1873 e 1875, e, em 1883, passa a estudar no Liceu de Artes e Ofícios, com Victor Meirelles (1832 – 1903) e Estêvão Silva (ca.1844 – 1891). No ano seguinte, sem deixar o Liceu, ingressa na Academia Imperial de Belas Artes – Aiba, tendo como professores Zeferino da Costa (1840 – 1915), Rodolfo Amoedo (1857 – 1941), Henrique Bernardelli (1858 – 1936), Victor Meirelles e José Maria de Medeiros (1849 – 1925). Em 1888, abandona a Aiba para integrar o Ateliê Livre, que tem por objetivo atualizar o ensino tradicional. Com as mudanças ocorridas com a Proclamação da República, a Aiba transforma-se na Escola Nacional de Belas Artes – Enba. Visconti volta a freqüentá-la e recebe, em 1892, o prêmio de viagem ao exterior. Vai à Paris e ingressa na [i]École Nationale et Spéciale[/i] des Beaux-Arts [Escola Nacional e Especial de Belas Artes]; cursa arte decorativa na [i]École Guérin[/i], com Eugène Samuel Grasset (ca.1841 – 1917), um dos introdutores do Art Nouveau na França. Viaja à Madri, onde realiza cópias de Diego Velázquez (1599 – 1660), no Museo del Prado [Museu do Prado], e à Itália, onde estuda a pintura florentina. Em 1900, regressa ao Brasil e, no ano seguinte, expõe pela primeira vez na Enba. Executa o ex-libris para a Biblioteca Nacional, no Rio de Janeiro, e vence o concurso para selos postais e cartas-bilhetes, em 1904. Em 1905 é convidado pelo prefeito da cidade, engenheiro Pereira Passos, para realizar painéis para a decoração do Theatro Municipal do Rio de Janeiro. Entre 1908 e 1913, é professor de pintura na Enba, cargo a que renuncia por descontentamento com as normas do ensino. Retorna à Europa para realizar também, entre 1913 e 1916, a decoração do foyer do Theatro Municipal do Rio de Janeiro e só se fixa definitivamente no Brasil em 1920. Segundo alguns estudiosos, é considerado um praticante do Art Nouveau e do desenho industrial e gráfico no Brasil, com obras em cerâmica, tecidos e luminárias.
A lua branca passava,
Pelo céu devagarinho
E no mar a onda olhava
A lua no seu caminho.
(Maria Dulce Prado Carvalho Rosas)
Sacerdotisa, Meresamun. Reconstutuição.
Artistas independentes americanos utilizaram um equipamento em 3D para reconstruir a possível aparência da múmia da sacerdotisa egípcia Meresamun, que viveu há cerca de 3 mil anos. Durante 80 anos, a múmia permaneceu desconhecida em seu sarcófago porque os pesquisadores do Museu Oriental da Universidade de Chicago mantiveram o ataúde lacrado para não danificá-la. Em fevereiro deste ano, uma tomografia computadorizada em um aparelho CT-scan revelou que a múmia era mesmo de Meresamun. As informações são do site científico Live Science.
Meresamun, cantora que viveu em um templo de Tebas (onde hoje fica a cidade de Luxor, no Egito) por volta de 800 a.C, morreu de causas desconhecidas quando tinha cerca de 30 anos. Os pesquisadores criaram modelos digitais em 3D do crânio da mulher com base em tomografias computadorizadas. Em seguida, os dados foram entregues a dois profissionais especializados em arte forense para desenvolver as características faciais da sacerdotisa.
O artista Joshua Harker utilizou uma técnica tradicional e precisa, geralmente usada na identificação de vítimas de crimes, para calcular os contornos do rosto da múmia. Michael Brassell, com experiência em casos de investigação na unidade de desaparecidos da polícia estadual de Chicago, ajudou a finalizar os detalhes do rosto.
“O crânio é a condução da arquitetura facial. Todas as proporções e posições estarão lá, se você souber lê-las”, disse Harker. “Mesmo as formas dos lábios, nariz e sobrancelhas podem ser determinadas, se você souber como procurá-las”, afirmou o especialista.
Conforme Brassell, a múmia foi submetida ao mesmo método de investigação utilizado em casos de homicídio. “As tomografias ficaram muito claras, tornando mais fácil o trabalho”, avaliou. Meresamun era aparentemente alta para a época, tinha olhos grandes e a arcada dentária superior projetada para frente.
Urna de Meresamun.
“Meresamun foi, até o momento de sua morte, uma mulher muito saudável”, explicou Michael Vannier, radiologista da Universidade de Chicago que realizou os exames. O médico disse que alguns indícios encontrados nos ossos indicam que a mulher tinha uma boa alimentação e um estilo de vida ativo.
A reconstrução artística de Meresamun, a múmia e o sarcófago estão expostos no Museu Oriental da Universidade de Chicago até dezembro deste ano.
Fontes: Terra, Live Science
Pantera cor-de-rosa. Ilustração Freleng e DePatiee.
O Menor Esforço
Guiuseppe Artidoro Ghiaroni
Ferreiro e filho de ferreiro,
um dia visitei meu vizinho carpinteiro.
E ao ver quanto a madeira era macia
em relação ao ferro que eu batia,
deixei de ser ferreiro.
Tornei-me carpinteiro e, vendo o oleiro
modelando o seu barro molemente,
cobicei seu oficio de indolente
e larguei meu formão de carpinteiro.
Mas fui depois a casa do barbeiro,
que alisava uns cabelos de menina.
E achando aquela profissão mais fina,
deixei de ser oleiro.
Um dia, em minha casa de barbeiro
entrou um poeta de cabelo ao vento.
E ao ver quanto era livre e sobranceiro,
troquei minha navalha e meu dinheiro
por sua profissão de encantamento…
Meu Deus! Por que deixei de ser ferreiro ?
—
Giuseppe Artidoro Ghiaroni — Nasceu em Paraíba Do Sul, (RJ), no dia 22 de fevereiro de 1919. Jornalista, poeta, redator e tradutor; Depois de ter sido ferreiro, “office-boy” e caixeiro, passou a redator do “Suplemento juvenil ” iniciando-se assim no jornalismo de onde passou para o Rádio distinguindo-se como cronista e novelista. Faleceu em 2008 aos 89 anos.
Obras:
O Dia da Existência, 1941
A Graça de Deus, 1945
Canção do Vagabundo, 1948
A Máquina de Escrever, 1997