Egito: florestamento de uma área igual à do Panamá!

13 11 2010
Ilustração Maurício de Sousa.

No dia 9 de novembro foi noticiado que o governo egípcio está desafiando a natureza ao regar áreas desérticas com água reaproveitada para convertê-las em florestas.  O sucesso da operação já arborizou uma superfície equivalente ao território do Panamá, na América Central.   A diferença verificada após a intervenção humana é dramática: onde antes havia uma paisagem desértica e inóspita, agora há áreas verdes cobertas de árvores de alto valor econômico como álamos, papiros e eucaliptos.

Tudo isso foi possível graças à água.  Esta é uma água especial, pois é re-aproveitamento da água que os80 milhões de egípcios poluem e desperdiçam todos os dias.  Ironicamente, esta é a melhor opção para as chamadas “florestas feitas à mão”. “A água residual pode transformar o que não é fértil, como o deserto, em algo fértil, já que contém nitrogênio, micronutrientes e substâncias orgânicas ricas para a terra“, disse o professor do Instituto de Pesquisa de Solo, Água e Meio Ambiente Nabil Kandil, especializado na análise de terrenos desérticos adequados para florestamento.

A opinião é compartilhada pelo professor do Departamento de Pesquisa de Contaminação da Água, Hamdy el Awady, que até ressalta a superioridade das plantas regadas com água reaproveitada. “Esse tipo de água tem muito mais nutrientes do que a água tratada e, por isso, é uma fonte extra de nutrição que pode fazer com que as plantas resistentes aos climas hostis cresçam mais rápidas e tenham até olhas mais verdes“, explica El Awady.

Os dois professores sabem bem a importância de equilibrar a oferta e a demanda em um país que produz 7 milhões de m cúbicos de água residual ao ano e que, ao mesmo tempo, tem 95% de seu território coberto por desertos estéreis ou com pouca vegetação.

O Egito transforma o deserto em florestas.

Ao todo, há 34 florestas ao longo do país, localizadas em cidades como Ismailia e Sinai, no norte, e em regiões turísticas do sul, como Luxor e Assuã, num total de 71,4 mil km quadrados que equivalem à superfície total do Panamá. De acordo com o Governo egípcio, há outras dez florestas em processo de “construção”, em uma área de 18,6 mil quilômetros quadrados.

Os mais de 71 mil quilômetros quadrados de floresta plantados até agora são resultado das análises de solo, clima e água que possibilitaram a escolha das espécies de árvores capazes de sobreviverem em condições extremas. “A boa notícia é que as plantas são seletivas. São elas que selecionam a quantidade de água e os nutrientes necessários para sobreviver“, explica El Awady.

A maioria das espécies cultivadas até agora são árvores como álamos, papiros, casuarinas e eucaliptos, semeadas para responder à demanda de madeira do país, além plantas para produzir bicombustíveis como a jatrofa e a jojoba, e para fabricar óleo, como a colza, a soja e o girassol.

Para Kandil, estes resultados são a prova de que “o problema não é a terra, pois no Egito há de sobra, mas de onde extrair a água“. E obtê-la das estações de tratamento primário – onde são eliminados os poluentes sólidos – foi a saída mais barata, especialmente porque os sistemas de irrigação que transportam e bombeiam o líquido são os mesmos utilizados há anos pelos camponeses egípcios.

Apesar de esta água exigir precaução devido à presença de poluentes e os impactos da mudança no ecossistema para a biodiversidade sejam desconhecidos, o projeto, implementado pelo Ministério de Agricultura em parceria com o de Meio Ambiente, parece ter obtido sucesso.

De acordo com Kandil, as “florestas feitas à mão” não só combatem as secas, a desertificação e a erosão, mas “aproveitam a água residual, maximizam o benefício para os agricultores e satisfazem as necessidades de madeira do Egito, gerando benefícios econômicos para o país”, acrescenta.

Ilustrador desconhecido.

O uso sustentável dos recursos do solo e da água está diretamente ligado à segurança alimentar, saúde pública, e aos benefícios econômicos e sociais de um país. Em muitos casos, o efluente municipal tratado representa um importante recurso hídrico que poderia se constituir em um recurso valioso se adequada e eficazmente utilizado.

Por outro lado, o lançamento no solo de efluentes urbanos descontroladamente é uma das formas mais graves de poluição ambiental, e representa uma clara ameaça à saúde humana e ao desenvolvimento sustentável. Na maioria dos países de baixa renda em todo o mundo, os efluentes de esgoto normalmente são eliminados através de descargas diretas em canais locais, rios, lagos ou no mar, às vezes sem nenhum tratamento.

Portanto, enfrentar as ameaças de descontrole do despejo de esgoto tem sido uma prioridade desde 1995 com o  Programa Global de Ação (GPA) para a Proteção do Ambiente Marinho de Atividades Terrestres.

O Egito produz um total estimado de 2,4 bilhões de metros cúbicos de águas residuais municipais a cada ano. O tratamento parcial desta grande quantidade custa para saneamento, 600 milhões libras egípcias (o equivalente de EUA $ 100 milhões) anualmente, ao governo.  Além disso, o Egito tem cerca de 90% de sua área de terra deserto, e sofre de uma evidente falta de cobertura vegetal.  A cobertura vegetal é necessária por razões ambientais (mudanças climáticas, desertificação), e as florestas por razões econômicas (O Egito importa madeira para a sua indústria [alor estimado: US$ 900 milhões/ano).

Até recentemente  no Egito havia duas maneiras de lidar com o problema do esgoto: (a) a água de esgoto tratada era descarregada em terra deserta nas proximidades  — o que constitui um alto risco de poluição do solo e da água subterrânea;  (b) descarregamento do esgoto tratado no mar e lagoas costeiras, [diretamente ou indiretamente]  através de vias navegáveis e canais de drenagem — também uma proposta de alto risco para a saúde e o meio ambiente marinho.

 

Ilustração Walt Disney.

No entanto, o Egito optou por uma abordagem inovadora para responder aos assustadores desafios ambientais que aumenta  a proporção verde de sua área territorial.   O governo egípcio, desde o início de 1990, introduziu um plano nacional de reutilização de águas residuais.   Desenvolveu o estabelecimento florestas plantadas pelo homem, com árvores madeireiras.  Essas florestas são irrigadas com água de esgoto tratada vinda de vários locais no deserto.  O plano é de âmbito nacional e atualmente é empregado junto a algumas cidades de alta ou média densidades populacionais.

Experimentos de florestamento foram realizadas em vários locais, em planos pilotos baseados em diferentes solos, climas e condições ambientais. No momento, 13 florestas foram estabelecidas em diferentes áreas nas províncias de Ismailia, Menoufia, Gizé, Alexandria e Dakahlia, no Baixo Egito; e em Luxor, Assuã e Qena, no Alto Egito.  Também focaram no deserto ocidental e no Sul do Sinai, com uma área total prevista de cerca de 6.000 Feddan (equivalente a cerca de 2700 hectares). As experiências-piloto realizadas até agora têm sido extremamente bem sucedidas, e mostraram resultados promissores, com inúmeros benefícios ambientais, econômicos e sociais.

Várias instituições e órgãos do governo estão à frente dos projetos: Ministério Egípcio de Estado para Assuntos Ambientais, Ministérios da Agricultura e reclamação de terras, Governo Local, Eletricidade, Recursos Hídricos e Irrigação.  As comunidades locais e agricultores estiveram ativamente envolvidos nas diferentes fases da criação e da operação dessas florestas.

A abordagem egípcia tem a seguinte fórmula:

ÁGUAS DE RESÍDUOS + TERRA = ÁRVORES VERDES

Esta abordagem prática, além de lidar com os problemas de esgoto e com a desertificação – além dos óbvios benefícios econômicos — trata eficazmente de vários elementos importantes de desenvolvimento ambiental e sustentável:

– Redução das cargas poluentes para o ambiente marinho, costeiro e deserto

– Proteção dos habitats marítimos e costeiros e da biodiversidade.

– Aumento da disponibilidade de água para o desenvolvimento

– Redução das concentrações de CO2 na atmosfera

– Construir e melhorar a capacidade dos peritos locais e nacionais

– Utilização de abordagens inovadoras e eficazes na gestão municipal de águas residuais

– Chegada aos objetivos da GPA e do Plano de Ação Estratégica de Águas Residuais Municipais a nível nacional.

– Garantia de sustentabilidade a longo prazo através do uso da renda gerada a partir de madeira das florestas e dos projetos associados complementares.

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Este artigo é a edição, corte e tradução livre de de dois artigos:

Terra   Andrew K Fletcher





Você sabia que aprender a ler modifica o cérebro?

11 11 2010

O aprendizado da leitura, um fenômeno recente demais para ter influenciado nossa evolução genética, tem um impacto importante sobre o cérebro, que se adapta e utiliza, independente da idade da alfabetização, regiões cerebrais destinadas a outras funções.  “Não existe um sistema cerebral inato especializado na leitura, temos que fazer uma colagem, utilizar sistemas que já existem“, explicou à AFP Laurent Cohen, do Instituto Nacional de Saúde e Pesquisa Médica da França (Inserm) e um dos coordenadores, ao lado de Stanislas Dehaene, do estudo publicado nesta quinta-feira na revista Science.

Os pesquisadores conseguiram medir, através de um IRM (imagem por ressonância magnética), a atividade cerebral de 63 adultos voluntários com diferentes índices de alfabetização: 10 analfabetos, 22 pessoas alfabetizadas na idade adulta e 31 pessoas alfabetizadas na infância.   O estudo foi feito entre o Brasil e Portugal, países onde crianças analfabetas eram algo “relativamente frequente” há apenas algumas décadas.  Os adultos foram submetidos a diferentes estímulos, tais como frases orais e escritas, palavras, rostos, etc.

Os pesquisadores constataram que o impacto da alfabetização sobre o cérebro “era maior do que os estudos anteriores davam a entender”, e afeta tanto áreas visuais do cérebro quanto setores dedicados à fala.  “O aprendizado da leitura ativa o sistema visual nas regiões especializadas na forma escrita das letras, o que é normal, mas também nas regiões visuais primárias, onde chega toda a informação visual“, afirmou Cohen.

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Assim, para pessoas que aprendem a ler, as respostas aumentam também nas regiões primitivas “quando apresentamos quadros horizontais, já que nossa leitura é horizontal, mas não quando apresentamos quadros verticais“, segundo o especialista.  O cérebro recorre também a zonas especializadas na língua escrita, uma vez que a leitura “ativa o sistema da fala” para tomar consciência dos sons, e permite “estabelecer relações entre o sistema visual e o sistema de fala, as letras escritas e os sons“, destacou Cohen.

Aprender a ler, mesmo na idade adulta, provoca no cérebro uma redistribuição de uma parte de seus recursos. Deste modo, o reconhecimento visual dos objetos e de rostos cede parcialmente terreno à medida em que aprendemos a ler, e se desloca “parcialmente para o hemisfério direito”. Os cientistas ainda não sabem se aprender a ler tem consequências negativas sobre nossa capacidade de reconhecimento de rostos.

Os pesquisadores também constataram que a alfabetização na idade adulta tem o mesmo impacto sobre o cérebro que o aprendizado durante a infância. Nos adultos que aprendem a ler, “as mudanças que isto provoca são quase as mesmas” verificadas em pessoas que foram alfabetizadas na infância.

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FONTE:  Terra





Água mole em pedra dura, poesia infantil de Evelyn Heine

4 11 2010

Água mole em pedra dura

                                    Evelyn Heine

O totó não quer saber

de água nem de sabão.

Meu cachorro e meu peixinho

Não combinam nisso, não!

Mas eu pego ele de jeito,

Dou um banho bem morninho.

Tudo é bom e sai perfeito

Quando é feito com carinho!

 

Em: Animais de estimação, da coleção Poesias para Crianças, São Paulo, Brasileitura, Editora Todolivro, sem data.





Reflexões sem compromisso sobre o dia de hoje: Todos os Santos

1 11 2010

Cristo glorificado rodeado por santos e anjos, 1423-24

Fra Angélico ( 1387-1455)

Têmpera de ovo sobre madeira [álamo]

Predela central do altar do Convento de Fiesole

National Gallery, Londres

Nada melhor a fazer no Dia de Todos os Santos  do que expiar as nossas culpas e pedir interferência de TODOS OS SANTOS a nosso favor. Redimindo-me: mea culpa, mea culpa, mea culpa —  deveria ter guardado as notas de aula do curso de Arte Bizantina que freqüentei na Universidade de Maryland, uma versão pálida da extensão do conhecimento passado pela Profª. Marie Spiro.  Sim, porque agora, algumas décadas mais tarde, dando aulas sobre adornos no Clube dos Decoradores do Rio de Janeiro, senti muita falta das detalhadas informações sobre os mosaicos bizantinos que me lembro terem sido copiosas e importantes.

Na extensão do meu curso como historiadora da arte, minha especialidade, meu maior interesse tinha a ver com a pintura européia moderna, do final do século XIX até a Segunda Guerra Mundial.  Isso não desabona a minha segunda área de especialização – que na época era obrigatória – desenhos e gravuras do barroco holandês – quando fui aluna do Prof.  Arthur Wheelock, curador da National Gallery de Washington DC de Pintura Holandesa, nem o meu interesse perene na arte africana, de onde saiu minha monografia para minha primeira graduação em história da arte.   Mas, minha ênfase, por gosto e afinidade, durante os 10 anos que me dediquei ao estudo da História da Arte, tinha tudo a ver com o Dadaísmo e o início do Surrealismo: movimentos de arte e literatura, dois pólos sempre presentes no meu horizonte e completamente dependentes um do outro, de acordo com o meu entendimento do mundo naquela época.  Com isso em vista, a arte bizantina, magnífica sem dúvida, me parecia rígida demais, na sua representação do mundo. 

Painel dos santos e precursores de Cristo, 1423-24

Fra Angélico ( 1387-1455)

Têmpera de ovo sobre madeira [álamo]

Painel do altar de San Domenico do Convento em Fiesole

National Gallery, Londres

Foi necessário que eu deixasse o magistério e enveredasse para “o mundo real” gerenciando uma galeria de arte contemporânea, e mais tarde, abrisse a minha própria versão de uma galeria de arte/antiquário para que eu voltasse à história e à arte pelo mero prazer, sem as necessidades impostas por testes, provas escritas e orais, defesas, para vir a compreender a imensa importância da “rígida” arte bizantina, não só para as artes, mas sobretudo como meio de estender o conhecimento do mundo medieval, parte da história da civilização ocidental que através das duas últimas décadas tornou-se um verdadeiro ponto de interesse para mim,  um hobby, um cacoete de leitura digamos assim, do qual não consigo escapar.

Dizem que não há coincidências.  E apesar de não saber o que algumas coincidências possam significar, reconheço que nas duas últimas semanas, vira e mexe, a arte bizantina, em diversas de suas versões, preencheu os meus pensamentos e as minhas recordações.  Comecei com os preparativos para três horas de aulas sobre mosaicos no Clube dos Decoradores  — e não se fala em mosaicos sem se pelo menos passar os olhos nos mosaicos bizantinos; foram dois ícones na exposição de um leilão residencial que visitei nas Laranjeiras; foi a exposição do Islã que visitei no CCBB no centro do Rio de Janeiro – onde a LINHA DO TEMPO estampada na parede – lembra aos visitantes da longevidade do Império Otomano.  Na sexta-feira à noite, na casa de amigos, cheguei a falar da minha frustração quando passei dez dias na Grécia, e fui barrada de dois diferentes monastérios cujos mosaicos eu conhecia por fotografia, pelo simples fato de ser mulher e não poder visitar esses locais.  E hoje, dia 1º de novembro, quando pensei: não conheço nenhuma iconografia específica sobre a representação de TODOS OS SANTOS.

O último julgamento, 1431

Fra Angélico ( 1387-1455)

Têmpera de ovo sobre madeira [álamo]

Museu de San Marco, Florença

Uma rápida busca na internet mostra o que eu intuitivamente já sabia: a representação visual de todos os santos é em geral associada aos santos representados nas imagens da Glória de Cristo, onde Cristo é em geral representado no centro da pintura com um grande número de santos abaixo.  É o caso de Glória de Cristo rodeado de santos e anjos, 1423-1424,  de Fra Angelico (1385-1455 ), predela central do altar do Convento de Fiesole, hoje na National Gallery em Londres, primeira ilustração desta postagem.  Ou como me pareceu mais corriqueiro o uso da imagem de um outro painel do mesmo altar de Fra Angélico, de San Domenico, desta vez representando Os santos e precursores de Cristo  [ segunda ilustração da postagem].   Às vezes os santos de Todos os Santos são representados por um detalhe – do lado dos bons –  [note-se: sempre o lado direito de Cristo, nunca no lado esquerdo ou sinistro] em qualquer cena do Último Julgamento, como acontece  com a representação também popular de Fra Angélico.

Dança Cósmica dos santos e anjos, DETALHE

O último julgamento, 1431

Fra Angélico ( 1387-1455)

Têmpera de ovo sobre madeira [álamo]

Museu de San Marco, Florença

No entanto, o dia de Todos os Santos, não se restringe aqueles santos que aparecem no Último Julgamento, ou aos outros que precederam Cristo, ou a qualquer conglomerado de almas santas da Igreja.  Ele foi provavelmente instituído por volta do século IV, para que todos, TODOS os mártires da igreja, fossem lembrados.  Porque na Igreja, mesmo nos seus primeiros séculos de existência, havia santos mais populares que outros, santos mais queridos, mais milagreiros.  E a Igreja queria uma data em que se comemorasse a todos, populares ou não, mesmo que ainda assim se mantivessem as datas específicas dos santos mais populares.

E foi assim que voltei à arte bizantina.  Porque numa igreja bizantina, a decoração interior do espaço mostra bem a popularidade e a importância de um santo:  quanto maior sua proximidade ao chão, ao nível dos fiéis, menor a importância do representado, na cosmografia do templo.   A altura da representação da imagem dos santos está diretamente relacionada à sua importância naquela igreja.  No topo, quase sempre o Pantocrator [Pantokrator] Deus onipresente, e todo poderoso, rodeado de santos e anjos [os mais chegados].

Pantokrátor [Pantocrator]: Cristo todo poderoso, século XIII

Afresco

Igreja de São Themonianos

Chipre, Turquia

Voltei ao ponto de partida.  Não deveria ter-me desfeito das notas de aula de arte bizantina.  Bem, acho que, talvez, isso sirva de motivo para uma volta aos livros sobre o assunto, e certamente, planos para uma viagem que inclua alguns pontos altos das igrejas bizantinas.  Entre elas, gostaria de ver os mosaicos de San Vitale, em Ravena, [Itália] que nunca cheguei a visitar.  Talvez eu peça uma ajudinha a Todos os Santos, para realizar esse pequeno milagre…





Filhote fofo — sagui bigodeiro

31 10 2010

Gêmeos de sagui bigodeiro nasceram nesta quinta-feira, 28, no zoológico de Hanover, na Alemanha. Na imagem, o pai, Fritz, carrega ambos dentro de sua área no zoo. 

O sagui bigodeiro é uma espécie brasileira, da Amazônia. Vive, em média, 15 anos e chega a pesar, no máximo, 900 g. Corre risco de extinção principalmente por causa do tráfico de animais, além da destruição de seu habitat.

Fonte: Terra





Imagem de leitura — Isolda

31 10 2010

 

Anoitecer com lampadário, s/d

Isolda [ Hermes da Fonseca Chapman] ( Brasil, 1924-2004)

óleo sobre eucatex, 48 x 68 cm

Coleção Particular

 

Isolda Hermes da Fonseca Chapman (Rio de Janeiro RJ 1924 — 2004). Pintora, ilustradora. estuda na Corcoran School of Art e no Art Students League, em Nova York e funda a Galeria Artists Cooperative, em Washington, Estados Unidos, entre 1947 e 1949. Neste mesmo ano, viaja para a Itália, onde é aluna da Academia de Belas Artes de Florença. De volta ao Brasil, estuda com Chamberlain e realiza ilustrações para os jornais Correio da Manhã e O Globo, no Rio de Janeiro.





Troca-se um homem-aranha, poesia infantil de Roseana Murray

26 10 2010

Ilustração:  Homem aranha lendo, da campanha de leitura “Sem inspiração, sem futuro”, Marvel.

Troca-se um homem-aranha

Troca-se um homem-aranha de mentira

por uma aranha de verdade.

Uma aranha competente

que teça belas teias transparentes,

que pegue moscas, mosquitos

e não entenda nada de bandidos.

Uma aranha que seja

uma aranha simplesmente.

Em: Classificados Poéticos, Roseana Murray, Belo Horizonte, Migulim:1998 — 17ª edição.

 

Roseana Murray nasceu no Rio de Janeiro em 1950. Graduou-se em Literatura e Língua Francesa em 1973 (Universidade de Nancy/ Aliança Francesa).

Obras:

Poesia para crianças e jovens

Fábrica de Poesia, ed. Scipionne, 2008

Poemas e Comidinhas, com o Chef André Murray, ed. Paulus, S.P, 2008

Residência no Ar, ed. Paulus, 2007

No Cais do primeiro Amor, ed. Larousse, 2007

Desertos, ed. Objetiva, 2006. ( Finalista do Prêmio Jabuti ) – Altamente Recomedável FNLIJ, 2006

O traço e a traça ed. Scpionne, 2006.

O xale azul da sereia, ed. Larrousse, 2006.

O que cabe no bolso? ed. DCL, 2006.

Paisagens, ed. Lê, 2006.

Pêra, uva ou maçã ed. Scipione, 2005. (Catálogo de Bolonha 2006 e Acervo Básico, F.N.L.I.J).

Rios da Alegria, ed. Moderna, 2005. (Altamente Recomendável, F.N.L.I.J).

Poemas de Céu ed. Miguilim, 2005. (Antigo “Lições de Astronomia”).

Maria Fumaça Cheia de Graça, ed. Larousse, 2005.

Duas Amigas, ed. Paulus, 2005 (reedição).

Lua Cheia Amarela, ed. Dimensão 2004.

Caixinha de Música, ed. Manati, 2004. (Catálogo de Bolonha 2005)

Um Gato Marinheiro, ed. DCL, 2004.

Todas as Cores Dentro do Branco, ed. Nova Fronteira, 2004.

Recados do Corpo e da Alma, ed. FTD, 2003. (Altamente Recomendável F.N.L.I.J)

Luna, Merlin e Outros Habitantes, ed. Miguilim/ Ibeppe, 2002. (Altamente Recomendável, F.N.L.I.J. )

Jardins, ed. Manati, 2001. (Prêmio Academia Brasileira de Letras de Literatura Infantil 2002. )

Caminhos da Magia, ed. DCL, 2001.

Manual da Delicadeza, ed. FTD, 2001.

O Silêncio dos Descobrimentos,  com Elvira Vigna, ed. Paulus, 2000.

Receitas de Olhar, ed. F.T.D, 1997, ( Prêmio O Melhor de Poesia, F.N.L.I.J. )

Carona no Jipe, ed. Memórias Futuras, 1994 e ed. Salamandra, 2006

No final do Arco-Íris, ed. José Olímpio, 1994.

O Mar e os Sonhos, ed. Miguilim,1996, (Altamente Recomendável para a Criança, F.N.L.I.J. )

Paisagens, ed. Lê, 1996.

Felicidade, ed. F.T.D, 1995, (Altamente Recomendável  para a Criança, F.N.L.I.J. )

De que riem os palhaços ed. Memórias Futuras, 1995. Esgotado

Tantos Medos e Outras Coragens, ed. F.T.D, 1994 ( Prêmio O Melhor de Poesia F.N.L.I.J e Lista de Honra do I.B.B.Y. ) Reedição com novas ilustrações em 2007

Qual a Palavra? ed. Nova Fronteira, 1994.

Casas, ed. Formato, 1994. Editado no México, ed. Alfaguara

Dia e Noite, ed. Memórias Futuras, 1994. Esgotado

Artes e Ofícios, ed. F.T.D, 1990, (Prêmio A.P.C.A. e Altamente Recomendável para a Criança, F.N.L.I.J. ) Reedição com novas ilustrações em 2007

Falando de Pássaros e Gatos, editora Paulus, 1987.

Fruta no Ponto, ed. F.T.D, 1986. (Prêmio O Melhor de Poesia. F.N.L.I.J.

Fardo de Carinho, ed. Murinho, 1980 e ed. Lê, 1985.

O Circo, ed. Miguilim/ Ibeppe, 1985.

Lições de Astronomia, ed. Memórias Futuras, 1985. Esgotado

Classificados Poéticos, ed. Miguilim/ Ibeppe, 1984, (Altamente Recomendável para a Criança, F.N.L.I.J, e finalista do Prêmio Bienal. )

No Mundo da Lua, ed. Miguilim/ Ibeppe, 1983.

Contos para crianças e jovens

Território de Sonhos, ed. Rocco, Altamente Recomendável FNLIJ, 2006.

Sete Sonhos e um Amigo, ed. FTD, 2004.

Pequenos Contos de Leves Assombros, ed. Quinteto, 2003.

Um Avô e seu Neto, ed. Moderna, 2000.

Terremoto Furacão ed. Paulus, 2000.

Um cachorro para Maya, ed Salamandra, 2000.

Uma História de Fadas e Elfos, ed. Miguilim / Ibeppe, 1998, (Acervo Básico da F.N.L.I.J – criança ).

Três Velhinhas tão velhinhas, ed. Miguilim / Ibeppe, 1996

O Fio da Meada, ed. Memórias Futuras, 1994. Ed. Paulus, 2002

Retratos, ed. Miguilim/ Ibeppe, 1990, Altamente Recomendável para a Criança, F.N.L.I.J. )

O Buraco no Céu ed. Memórias Futuras, 1989.

Poesia

Variações sobre Silêncio e Cordas, com desenhos de Elvira Vigna. E-BOOK, edição artesanal Maurício Rosa, Visconde de Mauá, maio de 2008.

Poesia essencial, ed. Manati, 2002.

15 poemas no livro Um Deus para Dois Mil, de Juan Arias, ed. Vozes (em seis línguas) 1999.

Caravana, inédito, vencedor do Concurso Cidade de Belo Horizonte, 1994.

Pássaros do Absurdo, ed. Tchê ,1990, vencedor do Concurso da Associação Gaúcha de Escritores.

Paredes Vazadas, ed. Memórias Futuras, 1988. Esgotado

Viagens , ed. memórias Futuras, 1984.

Revista Poesia Sempre.

Revista Microfisuras, Espanha

Correspondência

Porta a porta, com Suzana Vargas, ed. Saraiva, 1998, ?Acervo Básico da F.N.L.I.J – jovem).





Imagem de leitura — Alexander Oscar Levy

22 10 2010

Hora do jantar, s/d

Alexander Oscar Levy (EUA, 1881-1947)

óleo sobre tela 122 x 122 cm

Coleção Particular

Alexander Oscar Levy  (EUA, 1881-1947):   Pintor, Ilustrador, artista gráfico e designer de livros.  Nasceu na Alemanha e imigrou para os Estados Unidos em 1884.  Estudou no Academia de Arte de Cincinnati de 1894 a 1900 e  na Escola de Artes Aplicadas de Nova York de 1902 a 1903 sob a direção de  Ossip Linde, William Merritt Chase e Robert Henri.   Foi membro da Buffalo Society for Sanity in Art e expos nos Salões da América, Pennsylvania Academy of Fine Art, Albright Art Gallery.





Irmãos e tão diferentes: dois bebês de onça pintada!

22 10 2010
Foto: Agência EFE

O zoológico grego Attica, na Grécia, mostrou ao mundo, ontem, uma bela mamãe jaguar negra com seus dois filhotinhos: uma oncinha pintada negra e uma oncinha pintada de pelo cor de mel.  Como sabemos ambas têm pintas, porque mesmo o jaguar negro tem pintas escuras que são mais difíceis de serem distinguidas de longe, por não oferecerem contraste com a pelagem do fundo.    A aparição desses filhotes de dois meses que têm diferentes cores traz à mente as pequeninas surpresas genéticas com as quais convivemos, no nosso dia a dia.  Nas fotos, distribuídas ontem pela agência de notícias EFE, as oncinhas bebês nem parecem ter a mesma, imponente, mãe em comum.  Mas os dois bebês são verdadeiros irmãos, não pertencem a duas raças diferentes, a diferença entre eles aparece por uma mutação genética na qual os indivíduos produzem mais melanina do que o normal, o que provoca um maior escurecimento da pelagem desses animais.

A onça-pintada é o único membro da família das panteras a ser encontrado nas Américas. Sua pelagem típica é amarelo-dourada com pintas pretas na cabeça, pescoço e patas. Mas também há onças de pelagem escura. “É uma variedade da onça-pintada (Panthera onca), apenas possui uma variedade melânica“, explica Vincent Kurt, biólogo da divisão técnica e de fauna do IBAMA.

Antigamente a onça pintada era encontrada desde o sul dos Estados Unidos até o norte da Argentina.  Mas, este animal está extinto no país da América do Norte, é raro no México,  mas ainda pode ser encontrado na América Latina.  Inclusive no Brasil.   O jaguar ou a onça pintada – dois nomes para o mesmo animal, pode chegar a 135 kg. Sua mordida é considerada a de maior potência dentre os felinos do mundo. Vive em vários tipos de habitat, desde florestas como a Amazônica e Mata Atlântica, até em ambientes como o Pantanal e o cerrado.

É bom lembrar que a onça-pintada (Panthera onca), também pode ser chamada de onça, jaguar ou jaguaretê.  É um grande gato, ou seja, pertence à família dos felídeos e é carnívora [come carne].   E que ela é um dos símbolos da fauna brasileira.

Ela praticamente habita o Brasil inteiro, mas prefere morar em zonas que não sejam descampadas.  Aqui no país, os estados em que a onça-pintada existe são: AC, AM, AP, BA, ES, GO, MA, MG, MS, MT, PA, PI, PR, RJ, RO, RR, RS, SC, SP e TO.

FONTE: Terra





Os pergaminhos do Mar Morto na internet

21 10 2010

Rabino lendo, s/d

Alfred Lakos (República Checa 1870-1961)

Óleo sobre madeira, 17,5 x 24, 5 cm

Os manuscritos do Mar Morto, documentos com mais de 2000 anos de idade e os mais antigos manuscritos conhecidos em língua hebraica, poderão ser vistos em um arquivo online graças a uma nova iniciativa revelada pela Autoridade de Antiguidades de Israel e pelo Google. O projeto vai dar aos usuários da internet a oportunidade de visualizar os pergaminhos, digitalizados em alta definição.

Encontrados por acaso por um pastor beduíno em 1947 nas cavernas localizadas em Qumran, próximas ao Mar Morto, os textos dos pergaminhos contêm fragmentos de todos os livros do Antigo Testamento, exceto Ester, e de vários livros apócrifos e escrituras das seitas.  Esta coleção de textos bíblicos foi um dos achados arqueológicos mais importantes do século XX e é composta por 30 mil fragmentos que juntos formam 900 manuscritos.   A importância desses manuscritos para a história da humanidade é tão grande que eles são mantidos, fortemente policiados,  em Jerusalém, em um prédio do Museu de Israel que é também um abrigo nuclear. O pergaminho e papiros estão escritos em hebraico, aramaico e grego, e incluem vários dos mais antigos dos textos conhecidos da Bíblia, incluindo a cópia mais antiga – que se conhece — dos Dez Mandamentos.

As imagens de alta resolução serão disponibilizadas gratuitamente na forma original e com as traduções. “Este projeto vai enriquecer e preservar uma parte importante e significativa do patrimônio mundial, tornando-o acessível a todos na Internet“, disse o professor Yossi Matias, do Google-Israel.  “Vamos continuar com este esforço histórico para fazer todo o conhecimento existente em arquivos e estoques disponíveis a todos.”

Até agora, apenas uma pequena parte dos fragmentos maiores foi apresentada ao público,  para minimizar os danos.  Quando não estão à mostra, esses fragmentos são mantidos em armazenagem sem luz e climatizada.

Nesse projeto, os fragmentos serão fotografados e digitalizados usando vários comprimentos de onda diferentes. Espera-se que as imagens em infravermelho possam vir a expor caracteres atualmente invisíveis a olho nu.  As imagens serão, então, enviadas para um banco de dados e poderão ser objeto de pesquisa on-line, permitindo que estudiosos de todo o mundo a se debrucem sobre os seus detalhes.   “Estamos estabelecendo um marco significativo entre o progresso e o passado para preservar esta herança cultural, este patrimônio único, para as gerações vindouras”, disse Shuka Dorfman, atual chefe do IAA. “O público com um clique do mouse será capaz de acessar livremente a história em toda a sua glamorosa totalidade.

Os internautas poderão participar do que a autoridade de Antiguidades descreveu como “o jogo final de quebra-cabeças”, já que terão a oportunidade de recompor os pergaminhos, juntando peças e até descobrindo novas formas de ler os textos em hebraico antigo, corroídos e descoloridos com o passar dos anos.

As primeiras imagens entrarão na rede nos próximos meses.

FONTES: TerraBBC