Cláudio Tozzi (Brasil, 1944)
acrílica sobre tela colada em madeira, 150 x 100 cm
Domenico Ghirlandaio (Florença, 1449-1494)
têmpera sobre painel de madeira, 44 x 32 cm
Museu Calouste Gulbenkian, Lisboa
“A conquista da riqueza por meio do trabalho sempre foi louvada e admirada pelos florentinos, mas a ostentação do dinheiro era condenada. Ela suscitava inveja e era incompatível com o espírito republicano. Havia, por exemplo, leis rigorosas que ditavam as regras da moda na cidade. Os homens deveriam usar um simples manto preto, mas os nobres e pessoas ilustres, como advogados e ricos comerciantes, podiam vestir-se com mantos coloridos. As mulheres também deveriam vestir-se de forma simples. Roupas de tecidos finos tinham de ser evitadas. Botões eram proibidos, assim como maquilagem e até algumas joias. Havia uma polícia da moda que percorria as ruas para verificar se as regras estavam sendo cumpridas. Ela agia principalmente à noite, quando as pessoas se vestem para ir a festas, jantares e recepções. As denúncias anônimas suscitavam incertas da polícia da moda para flagrar transgressores. A violação das leis implicava multas e, em certos casos recorrentes, processos e punições mais severas. Mas essa austeridade começou a ser negligenciada quando Florença voltou a viver uma nova era de prosperidade econômica.
A riqueza e o desejo de esbanjá-la deturparam o gosto dos florentinos pela simplicidade. As leis que procuravam restringir a moda tornaram-se anacrônicas. Os policiais da moda proibiam o uso de um tecido, e os criadores da moda inventavam uma maneira de burlar a lei. Proibia-se o uso de botões, mas criavam-se falsos botões, que serviam apenas para enfeitar a roupa. Condenava-se o colar de pérolas, mas usava-se uma pérola na roupa como acessório. Em pouco tempo a polícia da roupa perdeu a guerra contra a indústria da moda….”
Em: Cosimo de Médici: memórias de um Líder Renascentista, Luiz Felipe D’Avila, São Paulo, Ediouro: 2008, pp. 45-6
Ilustração Maurício de Sousa.
Pela calçada ela passa…
e a rua, nos passos dela,
tocada de luz e graça,
transforma-se em passarela.
(Jacy Pacheco)
Par de garrafas em opalina branca com as partes superiores do bojo e pescoço esmaltadas em policromia. Ornadas por flores de muitas pétalas em lóbulos, motivos florais estilizados, final do século XIX, com 26 cm de altura, Beykoz Turquia.
Jean-Claude Götting (Paris, 1963)
Jules Renard
Olavo Nunes
Brincam alegres, faceiros,
Pelos jardins, descuidosos,
Os dois priminhos formosos,
Trocando ditos brejeiros.
Depois estacam ligeiros
A contemplar desejosos
Os belos frutos cheirosos
Dos pendentes cajueiros.
Diz ele maliciosamente,
Por entre um riso de gozo:
Trepa, priminha… e os colhe…
– E ela, ingênua, as faces ternas,
Prende o vestido entre as pernas
E diz, subindo: – Não olhe…
Em: A lira na minha terra: poetas antigos e contemporâneos no Pará, Clóvis Meira, Belém: 1993, p. 315
Francisco Olavo Guimarães Nunes, pseudônimos: José-Boêmio, José do Egito, Carlos Heitor, Carlos Augusto. Promotor público e poeta. Nasceu no Pará em 1871, faleceu em 1942.
Obras:
Musa Vadia, poesia, 1929
Sua obra ainda se encontra esparsa pelas muitas publicações para as quais foi contribuinte.
Café e notícias no mercado de Riverside, 2011
Vicki Shuck (EUA, contemporânea)
óleo sobre madeira, 35 x 45 cm