Henri Jean Guillaume Martin (França, 1860-1943)
óleo sobre tela
Olívia Palito está ansiosa pelo que pode acontecer com Popeye, © E. C. Segar.
Dia dos mortos? Balela!
Finados? Tontos assuntos!…
Nem flor, nem cinza, nem vela,
nós todos estamos juntos.
(Cornélio Pires)
Natureza morta com legumes, 1964
Ettore Federighi (Brasil, 1909-1978)
óleo sobre tela, 80 x 100 cm
Hoje me preparando para uma aula sobre mosaicos paleocristãos encontrei essa curiosa troca de cartas. Espero que também traga a vocês um sorriso ao desvendar um tantinho que seja dos costumes do século IV. A tradução muito liberal é minha, do inglês. Não pude deixar de me lembrar dos emails que trocamos, e ponderar que daqui a séculos poucos poderão se deliciar com as nossas trocas de conselhos, já que a informática não deixa lastro histórico para gerações futuras.
Troca de cartas entre São Basílio o Grande, e Antípater, Governador da Capadócia, meados do século IV.
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I – Carta de São Basílio, o Grande para Antípater, Governador da Capadócia que recuperara sua saúde comendo picles de repolho (chucrute).
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“Como é boa a filosofia, pelo menos por curar até mesmo seus discípulos por um preço módico; porque em filosofia um mesmo e único prato serve tanto para uma guloseima quanto para a dieta de um homem doente. Ouvi dizer que você recuperou sua inapetência comendo picles de repolho. Antigamente eu não gostava disso tanto pelo provérbio como pela lembrança da pobreza que em geral o acompanha. Agora preciso mudar minha opinião e rir do provérbio, e olhar para o repolho como uma esplêndida nutrição para os homens, já que restaurou a saúde ao nosso Governador. No futuro imagino que não haverá nada como o repolho, nem mesmo os lótus de Homero, nem a celebrada ambrósia, seja lá o que isso for, que os olimpianos tinham em sua salada.”
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II – Carta de Antípater, Governador da Capadócia para São Basílio, o Grande respondendo à carta acima.
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“Repolho duas vezes é morte, diz o maldoso provérbio. No meu caso, eu só posso morrer uma vez, quer eu peça repolho muitas vezes, quer eu nunca o saboreie. Então, já que você tem que morrer, não se amedronte de comer um delicioso picles que o provérbio sem justificativa condena.”
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Em: Private Letters Pagan and Christian: an anthology of Greek and Roman private letters from the fifth century before Christ to the fifth century of our era, selecionadas por Dorothy Brooke, New York, E. P.Dutton & Co, Inc. 1930, p: 142
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NOTA: São Basílio o Grande, ou Basílio da Capadócia nasceu no ano 330 na Turquia e faleceu em 379 na sua cidade natal: Kayseri. Foi um influente teólogo do cristianismo.
Cemitério de estrada, próximo a Neuve Église
George Edmund Butler (Inglaterra, 1872 – 1936)
aquarela
Manuel Bandeira
Amanhã que é dia dos mortos
Vai ao cemitério. Vai
E procura entre as sepulturas
A sepultura de meu pai.
Leva três rosas bem bonitas.
Ajoelha e reza uma oração.
Não pelo pai, mas pelo filho:
O filho tem mais precisão.
O que resta de mim na vida
É a amargura do que sofri.
Pois nada quero, nada espero.
E em verdade estou morto aqui.
Em: Antologia Poética, Manuel Bandeira, Rio de Janeiro, José Olympio: 1978, 10ª edição,pp: 88-89.
Fritz Karl Hermann von Uhde, (Alemanha, 1848-1911)
Óleo sobre papel colado em placa, 48 x 61 cm
RISD, Rhode Island School of Design Museum
Capela Mayrink, Floresta da Tijuca
Marie Nivoulies de Pierrefort (França/Brasil, 1879-1968)
óleo sobre tela, 50 x 65 cm
Ilustração de Marie Lawson, Revista Child Life, Outubro de 1935.
Minha sogra, aquela bruxa,
Num fusca mandando brasa,
E eu fico pensando – puxa!
Com tanta vassoura em casa!
(Magdalena Léa)