Monóculos, texto de Marcel Proust

8 05 2025

O homem com monóculo, 1918

Amedeo Modigliani (Itália, 1884-1920)

óleo sobre tela, 45 x 29 cm

Coleção Particular

 

O monóculo do marquês de Forestelle era minúsculo, não tinha aro e, obrigando a uma crispação incessante e dolorosa o olho onde se incrustava como uma cartilagem supérflua cuja presença é inexplicável e a matéria rara, dava ao rosto do marquês uma delicadeza melancólica e fazia com que as mulheres o julgassem capaz de grandes penas de amor. Mas o do sr. de Saint-Candé, cercado de um gigantesco anel, como Saturno, era o centro de gravidade de um rosto que se ordenava a todo instante em relação a ele, cujo nariz fremente e rubro e o lábio carnudo e sarcástico procuravam, com os seus trejeitos, pôr-se à altura dos mutáveis reflexos de espírito com que fulgurava o disco de vidro, e era preferido aos mais belos olhares do mundo por mulheres esnobes e depravadas, a quem fazia sonhar com encantos artificiais e refinadas volúpias; enquanto, atrás do seu monóculo, o sr. de Palancy que, com a sua grossa cabeça de carpa, de olhos redondos, se deslocava lentamente no meio da festa, descerrando de instante a instante as mandíbulas como para procurar orientação, tinha o ar de apenas transportar consigo um fragmento acidental, e talvez puramente simbólico, do vidro do seu aquário, parte destinada a figurar o todo, que lembrou a Swann, grande admirador dos Vícios e das Virtudes de Giotto em Pádua, aquele Injusto ao lado do qual um ramo folhudo evoca as florestas onde se oculta o seu covil. 

 

Em: No caminho de Swann, volume I da obra Em busca do tempo perdido, Marcel Proust, tradução de Mário Quintana.





Hoje é dia de feira: frutas e legumes frescos!

7 05 2025

Natureza morta, frutas, 1994

Claudio Faccioli (Brasil, 1955)

acrílica sobre tela, 80 x 100 cm

 

 

 

Natureza morta, 1980.

Humberto da Costa (Brasil,1941)

óleo sobre tela, 37 x 45 cm





Soneto de Antero de Quental: Mãe

6 05 2025

Mater

Sérgio Martinolli  (Itália-Brasil, 1938) 

óleo sobre tela, 80 x 60 cm

 

Soneto

 

Antero de Quental

(1842-1891)

 

Mãe — que adormente este viver dorido,
E me vele esta noite de tal frio,
E com as mãos piedosas ate o fio
Do meu pobre existir, meio partido…

Que me leve consigo, adormecido,
Ao passar pelo sítio mais sombrio…
Me banhe e lave a alma lá no rio
Da clara luz do seu olhar querido…

Eu dava o meu orgulho de homem — dava
Minha estéril ciência, sem receio,
E em débil criancinha me tornava,

Descuidada, feliz, dócil também,
Se eu pudesse dormir sobre o teu seio,
Se tu fosses, querida, a minha mãe!





Nossas cidades: Ubatuba

6 05 2025

Praça principal, Ubatuba, 1919

Benedito Calixto (Brasil, 1853-1927)

óleo sobre tela,, 30 x 40 cm





No trabalho: Charles Spencelayh

6 05 2025

Com o tempo em suas mãos

Charles Spencelayh (Inglaterra, 1856-1958)

óleo sobre tela, 47 x 56 cm





Paisagens brasileiras…

4 05 2025

Fazenda com gado, 1916

Pedro Weingartner (Brasil, 1853-1929)

óleo sobre tela, 30 x 48 cm

 

 

 

Paisagem com bois

João Batista da Costa (Brasil, 1865- 1926)

óleo sobre tela, 40 x 54 cm

 





Eu, pintor: John Constable

3 05 2025

Autorretrato, c. 1799-1804

John Constable (Inglaterra, 1776-1837)

lápis e carvão, com detalhes em giz vermelho e branco, 25 x 19 cm

National Portrait Gallery, Londres





A arte do desenho: Tiepolo

2 05 2025

Paisagem com uma vaca e outros animais, séc. XVIII

Giovanni Domenico Tiepolo  (Itália, 1727-1804)

bico de pena e aguada em tom siena sobre papel, 20 x 20 cm

à venda, na Christie’s, Paris  [março de 2025– estimativa: 40.000-60.000 €]

 

 





Flash!

2 05 2025
Antônio Callado (1917-1997)

Antônio Callado [ou Calado], jornalista, dramaturgo e romancista brasileiro.

Algumas obras:  

Romances: A madona de cedro (1957), Quarup (19670, Bar Don Juan (1971)

Teatro: A cidade assassinada (1954), Pedro Mico (1957), Uma rede para Iemanjá (1961),





Vento do mar e o sol no meu rosto a queimar…

2 05 2025

Quadrado da Urca, 2007

Márcio Schiaz (Brasil, 1965)

óleo sobre tela, 100 x 150 cm