Esmerado: par de fivelas do século VI

12 11 2014

 

 

 

Visigothic_-_Pair_of_Eagle_Fibula_-_Walters_54421,_54422_-_GroupVisigothic - Pair of Eagle Fibula - Walters 54421, 54422 - GroupPar de fivelas [fíbulas] no formato de águias, século VI

ouro sobre bronze com pedras preciosas, 14 x 7 x 3 cm

The Walters Art Museum, Baltimore, Md, EUA

 

Encontradas na Tierra de Barros, próximo a Badajoz, no sudoeste espanhol, essas fivelas de origem visigóticas são feitas de bronze banhado a ouro, decoradas com granadas, ametistas e vidro colorido. Usadas também como pendentes pendurados por argolas. A águia uma ave favorita dos romanos, usada na insígnia imperial, foi um dos motivos favoritos dos Godos que invadiram a península ibérica depois da queda do império romano.  Provavelmente usadas para segurar a vestimenta junto ao ombro.

 

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Minutos de sabedoria — Diderot

12 11 2014

 

 

nattier012Retrato da Princesa de Rohan

Jean-Marc Nattier (França, 1685-1766)

óleo sobre tela, 71 x 91 cm

Coleção Particular

 

 

“Em qualquer país em que o talento e a virtude não produzam progresso, o dinheiro será a divindade nacional.”

 

 

Denis_Diderot_111Diderot





Ruminações de Ercília, texto de Ondina Ferreira

11 11 2014

 

Murman KutchavaRepouso, 2003

Murman Kutchava (Geórgia, 1962)

óleo sobre tela

 

“Ercília estendeu as mãos para sentir na pele a mordida lenta do sol. Mas o sol naquela manhã de inverno, oferecia mais luz que calor. Sem aquecer, ele avivava as cores, multiplicava reflexos, recortava sombras. Ercíllia enfiou as mãos nos bolsos do roupão e recolheu dentro dos olhos um pouco da paisagem colorida: o azul do céu, o verde violento de uma carrosseria, lá embaixo, o vermelho que transbordava de um caminhão carregado de terra. Depois aspirou com força o ar que, de tão fino e tão leve, parecia nunca ter atravessado outros pulmões… Os melhores momentos de sua vida eram esses, quando em nada pensava, entregue a uma sensação puramente física de bem-estar. Momentos breves e raros. Bem depressa, a roda do pensamento recomeçava a trabalhar, moendo lembranças, preocupações e rancores. “Berenice, Nelson, indiretas do chefe, faturas, mexericos de auxiliares, Nelson, Berenice”. Mas ela viera ao terraço cuidar de suas begônias. Fora Berenice quem a presenteara com aquelas plantas: “São para você começar um jardim suspenso”. Até agora, porém, o jardim suspenso resumira-se a dois vasos de cerâmica. “Sei lá se vou continuar aqui!” Endireitou uma haste florida, cortou algumas folhas secas. Um impulso irrefletido fê-la enterrar os dedos na terra fofa e úmida. E a mó do pensamento triturou uma farinha diferente: “Que bom se eu tivesse nascido numa fazenda!” Por um momento, imóvel, ela escutou o chamado da terra. Veio-lhe um desejo quase doloroso, de contato maior com a natureza.  “O cheiro do capim gordura, o canto das cigarras! Alimentar-se de sol, como as plantas! Ah! se pudesse trocar aquele fundo comprimido de cidade por horizonte mais aberto e nele purificar seus olhos, olhos que tinham visto tanta coisa triste, tanta coisa feia… ” Pressentiu, porém, os passos de Berenice e retirou precipitadamente as mãos para escondê-las contra o corpo. Não queria ser surpreendida em pleno devaneio e quebrar o sortilégio que a tornava incomunicável.”

Em: Navio Ancorado, Ondina Ferreira, São Paulo, Edição Saraiva, 1948,pp: 120-121.





Imagem de leitura — Ernst Liebermann

11 11 2014

 

 

Ernst Liebermann (Alemanha 1869-1960) Jovem com livro,osm, 70x59

Jovem com livro

Ernst Liebermann (Alemanha 1869-1960)

óleo sobre madeira, 70 x 59 cm





Nossas cidades — Guarujá

10 11 2014

 

 

 

Diogenes Duarte Paes - Praia das Asturias - Guarujá - Aquarela - 39 x 54 cm - cerca déc. 40Praia das Astúrias, Guarujá, década de 1940

Diógenes Duarte Paes (Brasil, 1896-1964)

aquarela sobre papel, 39 x 54 cm





“O fio da vida” de Kate Atkinson, uma performance fascinante

9 11 2014

 

Salvador Collell,mujer_leyendoMulher lendo

Salvador Collell (Espanha, 1949)

óleo sobre tela

 

Dois leitores e uma mesma obra não leem a mesma história. Cada qual traz uma percepção única. Por isso trocar ideias depois de uma leitura é uma excelente opção para expandir os horizontes, um exercício de ver através dos olhos do outro. Há livros tão ricos que as possibilidades de interpretação são inúmeras, mesmo para um único leitor. Este é um deles.

Uma história de difícil resumo relata vidas paralelas de um mesmo personagem central, nascido no mesmo dia, na mesma família. Só que as variadas existências, desde a primeira, quando o bebê morre ao nascer, parecem ilustrar o conhecido Efeito Borboleta, as consequências impensáveis de a uma pequena variação na história. Essas variações podem ser tão simples quanto um acidente com um animal em uma fazenda vizinha, levar à sobrevivência ou não de uma criança que acabou de nascer, dependendo da interrupção ou não do trajeto do médico que a atenderia. É como a autora diz na página 288, Você às vezes não se pergunta… se apenas uma pequena coisa tivesse sido mudada, no passado, …. as coisas seriam diferentes?

 

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Ao contrário do que a sinopse sugere O fio da vida não oferece uma leitura ilustrativa de vidas passadas, ainda que em alguns momentos alguém se refira a esse fenômeno. Tampouco a história ilustra a ideia de re-encarnação. Não se trata disso. Pelo menos na minha leitura. Nela vejo apenas as possibilidades inerentes a uma mesma vida, realidades paralelas, vividas simultaneamente. Não, não precisamos entender física quântica para ler o livro, mas há paralelos com esse fenômeno e o caminho do entendimento pode se adequar a essa leitura. Não se trata de ficção científica, pelo menos no sentido mais estrito da classificação.

O fio da vida mostra a pluralidade que existe em cada um de nós e como cada uma dessas diferentes pessoas que poderíamos ser se desenvolveria, se qualificaria, se comportaria e até mesmo como morreria quando uma determinada virada do destino se apresenta. São diversas vidas de um mesmo personagem nascido no mesmo dia, e na mesma hora, dos mesmos pais, na mesma cidade, tendo o mesmo lugar entre os irmãos. Pode até parecer confuso, mas é uma leitura fascinante na circularidade e no aprofundamento do conhecimento que temos de Úrsula, personagem principal. Através dela se questiona: se pudéssemos viver diversas vidas em diferentes circunstâncias, o que de nós seria constante? O que faz de nós o que somos? De que é composto o núcleo do que somos? O que é a essencialidade do ser humano? Como se apresenta?

Ao fim, passado um grande número de vidas e mortes de Úrsula, somos lembrados que vida e morte podem ser tão casuais quanto qualquer outro evento. Não há garantias. Não há futuro necessariamente, o passado é justamente isso: algo que já desapareceu. Possibilidade perdida. A única coisa com que podemos contar é o momento presente.  A circularidade do universo. O tempo é um constructo, na realidade tudo flui, sem passado ou presente, apenas o agora. (p.502)

 

Kate-Atkinson-002Kate Atkinson

 

Este não é o primeiro romance de Kate Atkinson que leio. Há alguns anos li Por trás das imagens do museu, publicado no Brasil em 1998. Mas aquela obra não me preparou para esperar de O fio da vida a força narrativa da autora e a destreza com que ela consegue gerenciar personagens e tramas tão complexas: a cada curva do caminho um novo mundo se descortina. Além da trama há algo maravilhosamente bem engatado na narrativa: as alusões e citações a obras literárias conhecidas de todos nós: Shakespeare, Bacon, Heráclito, Píndaro, Hawthorne, Keats, Colette, Coleridge e muitos outros. Esses autores demonstram sua atualidade pois as citações, bem tecidas no texto, se mostram relevantes no entendimento do que nos faz humanos.

Se você prefere uma narrativa linear, esse livro não deve lhe seduzir. Mas se você aceita a experimentação literária, vai se deliciar com esse romance.  Recomendo.





Domingo, um passeio no campo!

9 11 2014

 

 

 

ROMANELLI, ARMANDO (1945) - A colheita de fumo, óleo s tela, 35 x 70. Assinado no c.i.d. e datado (1984)A colheita de fumo, 1984

Armando Romanelli (Brasil,1945)

óleo sobre tela, 35 x 70 cm

 

 

 





Trova dos namorados

9 11 2014

 

amorosos, John Millar WattIlustração de John Millar Watt.

 

No portão os namorados

são como barcos no cais,

pelos beijos amarrados,

querem ir e ficam mais.

 

(Cleonice Rainho)

 





Flores para um sábado perfeito!

8 11 2014

 

 

Tulio Mugnaini, Vaso de flores, ost, 34 x 26 cmVaso de flores

Tulio Mugnaini (Brasil, 1895-1975)

óleo sobre tela, 34 x 26 cm

 

Estas rosas, como se colhidas à última hora no fundo do quintal, singelas mas aveludadas, discretas, sedutoras, misteriosas, formam um pequeno ramalhete que ofereço ao fiel leitor Eduardo, que ao fazer anos hoje, me contemplou com um pedido: “Por favor, flores discretas!“.  Digo contemplou, porque me senti, muito honrada de, assim, participar desse momento importante em sua vida.  Eduardo, tem sido um prazer conhecê-lo através de seus oportunos comentários. Essa data, além de seu aniversário, parece marcar mais uma de muitas e boas mudanças em sua vida nos últimos tempos. Que os anos futuros lhe tragam felicidade, paz, saúde e a realização de mais sonhos que virão.  A beleza de se conseguir algo com o qual se sonhava é abrir espaço para que outros sonhos venham e se completem.  Parabéns meu caro amigo e um grande abraço.





Uma inovação de 500 anos, sem a qual não imaginamos viver!

8 11 2014

 

 

place-setting-art-blenda-tyvollPlace Setting Art by Blenda StudioIlustração: gravura da artista Blenda Tyvoll, “Mesa posta”.

 

“O uso de talheres começou a se difundir no século XVI, mas eram totalmente pessoais, em geral dobráveis para facilitar o transporte e evitar os envenenamentos.  Fornecê-los para convidados só a partir do século XVII, entre os aristocratas ocidentais e, no século XVIII entre os burgueses.  A idade dos acessórios é distinta. O mais antigo deles é a faca, que até o século XVI fazia as vezes de garfo, já que além de trinchar os alimentos, espetava e os levava à boca. A colher veio evoluindo desde os tempos mais antigos, mas sua forma atual data do século XV, quando seu cabo foi alongado, em parte devido às gravatas largas e bufantes e aos babados das mangas dos trajes da época. O garfo mais próximo do atual veio da Renascença italiana — mas com apenas três dentes — o quarto dente foi acrescentado pelo franceses no século XVI.”

 

Em: Sempre, às vezes, nunca – etiqueta e comportamento, Fábio Arruda, São Paulo, Arx: 2003, 8ª edição, p: 90.