Fernando Corrêa e Castro (Brasil, 1933)
óleo sobre tela, 27 x 35 cm
Almoço ao ar livre, Steven Dohanos.
Amigo, na sua idade,
não conte a idade a ninguém,
mas conte a felicidade
pelos amigos que tem.
(Edmilson Ferreira Macedo)
[O desesperado]
Gustave Courbet (França, 1819-1877)
óleo sobre tela, 45 x 55 cm
Coleção Particular
Outubro de 732, Batalha de Poitiers, 1837
Charles de Steuben (Alemanha, 1788-1856)
óleo sobre tela, 542 x 465 cm
Palácio de Versalhes, França
Há livros que se lê pelo prazer da prosa, da trama, do suspense. Submissão de Michel Houellebecq não é nenhum desses. É um livro que força uma reflexão sobre o momento atual da Europa, da França, especificamente. É uma fantasia tão plausível, tão próxima da realidade, que o leitor se vê forçado a considerar possibilidades improváveis como quase certas, e o impensável torna-se realidade. É chocante. O romance, passado por volta de 2022, ou seja meros 7 anos no futuro, de maneira racional, considera a possibilidade da eleição de um governo muçulmano na França.
Talvez o que seja mais desconcertante nessa narrativa é a lógica. Por exemplo, quando Houellebecq menciona as forças armadas francesas necessitando de milhares de novos recrutas a cada ano e simultaneamente considera que a população tradicional francesa cada vez tem menos filhos, enquanto a muçulmana tem muitos, a lógica nos leva a admitir que em futuro próximo as forças armadas francesas serão em sua maioria muçulmanas. Esse é um aspecto da realidade francesa que nunca havia cruzado os meus pensamentos.
Isso é complexo? Estranho? Desagradável? É. Por que? Porque teocracias como as defendidas pelos regimes islâmicos estão diametralmente opostas à herança cultural do oeste. Temos que considerar se é esse é o futuro que se quer ter. É essa a guinada que queremos dar no nosso presente? O que ganhamos com ela? Como mulher criada no ocidente, com valores de autoconfiança, de respeito próprio, com dedicação a uma profissão, que vota, dirige, se veste como quer, que se acha no direito de escolher o parceiro de vida, não acredito que venha a me adaptar às limitações de qualquer uma das variações das teocracias islâmicas. E não estou exagerando. Basta lermos relatos que aparecem diariamente nos jornais, livros como Infiel de Ayaan Hirsi Ali, entre outros para saber que o conflito cultural seria ou será gigantesco.
Michel Houellebecq
Submissão não é uma obra para ser julgada pelos seus méritos literários. Em geral, romances que defendem uma causa têm a tendência a serem enjoados, porque explicações são necessárias e rapidamente diálogos se tornam solilóquios didáticos. Ainda que Houellebecq flerte com esse pecado, sua habilidade em fazer paralelos entre o escritor Huysmans e a própria vida do professor universitário que narra o romance esvazia um tanto o dogmatismo inerente desse tipo de criação. Mas há passagens bastante aborrecidas, principalmente para leitores não familiarizados com a obra do escritor, ensaísta, crítico de arte francês Joris-Karl Huysmans.
Apesar dessa reserva recomendo a leitura como uma obra que ajuda a compreender parte do dilema europeu deste século. Que haverá um embate entre essas crenças e filosofias de vida parece inevitável. Resta saber quando.
Antônio Rafael Pinto Bandeira (Brasil, 1863-1896)
óleo sobre tela, 55 x 63 cm
Museu Afro Brasil, São Paulo
Ilustração de Rusell Sambrook.
Santos Moraes
Na praça antiga da Matriz havia
Um circo que chegara bem recente.
Eu, menino, julgava-o ingenuamente
O palácio encantado da alegria.
Todas as noites, coração ardente,
Àquele mundo de ilusões corria,
E rindo do palhaço eu me sentia
Um ser extraordinário de contente.
Hoje, o circo perdido na distância
Tantas vezes me vem da alma à tona
Que refloresce em mim a leda infância.
Encantamentos vãos que a mente afaga!
Sonhos que o peito avaro aprisiona
E o coração por alto preço os paga!
Em: Tempo e Espuma, Santos Moraes, Rio de Janeiro, Livraria São José: 1956, p. 23-24
Ornamento para cabelo no formato de uma cabra de ouro datando do século I a.E.C. ao século I da nossa era, parte do tesouro descoberto em Báctria no sítio arqueológico de Tillya Tepe. (Foto: Thierry Ollivier/Museé Guimet)
Eu estava procurando uma iluminura medieval, se possível, da cidade de Báctria, hoje no Afeganistão, para ilustrar mais uma postagem sobre as viagens de Marco Polo quando me deparei com essa exposição de tesouros de mais de 2.000 anos de origem afegã, em 2009.
Ornamento chamado Dragão Mestre, em ouro, é um dos objetos encontrados em Tillya Tepe, “a montanha do ouro”. (Foto: Afghanistan; Hidden Treasures)
Fiquei absolutamente encantada com as obras expostas e achei por bem trazê-las para nosso prazer e conhecimento. O norte do Afeganistão foi um grande centro de comércio e trocas na Rota da Seda há mais de 4.000 anos. Tudo vindo da China, da Índia, Pérsia e Mesopotâmia acabou sendo comercializado nessa parte do mundo.
Coroa nômade que colapsa para transporte, em ouro . Tillya Tepe. Século I a.E.C. Foto: Thierry Ollivier / National Geographic
Acreditava-se que esses objetos, esculturas, joias e artigos em ouro tinham sido perdidos para sempre depois da invasão soviética no Afeganistão em 1979 e o aparecimento do Taleban em 1996.
Fivela para bota, com charrete puxada por dragões. Ouro, turquesas e coralinas. Tillya Tepe, Tumba IV, século I. © musée Guimet / Thierry Ollivier
Na verdade, esses tesouros nacionais haviam sido escondidos secretamente em cofres do Museu Nacional de Cabul. Os cofres foram abertos em 2003 e os tesouros reapresentados à nação.
Fragmento de uma vasilha em ouro, decorada com touros barbados de Tepe Fullol, 2200 a 1900 a.E.C. Museu Nacional do Afeganistão, ©Thierry Ollivier / Musée Guimet
Copo com decoração de figuras durante a colheita, ano 200 E.C., vidro pintado, Museu Nacional do Afeganistão ©Thierry Ollivier / Musée Guimet
Antigo artefato do Afeganistão, © ABC News
Taça esmaltada com cena de caça do norte do Egito, © Ollivier Thierry.
Medalhão cerimonial com a imagem da deusa Cibele.© Ollivier Thierry.
Fragmento de marfim esculpido com imagens de duas mulheres de pé na passagem de portões.© Ollivier Thierry.
Cabo de punhal decorada em estilo siberiano. © Ollivier Thierry.
Cinto feito com fios de ouro trançados intercalados com medalhões de ouro. © Ollivier Thierry.
Medalhão em bronze com representação do Deus Silenus, escultura Greco-romana. © Ollivier Thierry.
Grande figura esculpida em marfim, provavelmente perna de uma mesa. © Ollivier Thierry.
Boa terça-feira para vocês.
Alphons Joseph Marie Antoine Grandmont lendo para duas jovens italianas, década de 1900 [DETALHE]
Bramine Hubrecht (Holanda, 1855-1913)
óleo sobre tela, 100 x 100 cm
Rijksmuseum, Amsterdam
“Quando se trata de literatura, a beleza do estilo, a musicalidade das frases têm sua importância; a profundidade da reflexão do autor, a originalidade de seus pensamentos não são de desprezar; mas um autor é antes de tudo um ser humano, presente em seus livros; que escreva muito bem ou muito mal, em última análise, importa pouco, o essencial é que escreva e esteja, de fato,presente em seus livros…”
Submissão, Michel Houellebecq, Rio de Janeiro, Alfaguara: 2015, p.11
Thomas Gainsborough (Inglaterra, 1727-1788)
Óleo sobre tela, 127 x 102 cm
Museu do Prado, Madri
Remanso em trecho do Rio Piabanha, Petrópolis
Benjamin Parlagreco (Itália/Brasil, 1856-1902)
óleo sobre tela, 51 x 70 cm