O prazer de jogar, Mané Garrincha
Ângelo Rodrigues
Xilogravura, 7,2 x 12 cm
Uma boiada vinda do norte.—-
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Henrique Silva
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Transcrevo abaixo o artigo sobre Goiás, colocando a grafia como usamos hoje em dia. As fotos são algumas das fotos que ilustram o artigo original. No entanto, não consegui digitalizar todas elas sem que algumas perdessem a qualidade. Assim mesmo, as que coloquei aqui ainda estão com um tom azulado que não existe na impressão preto e branca das fotos originais. Não há indicação do fotógrafo. É possível que sejam do próprio autor do texto. Artigo na íntegra.
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Goiás é um estado singular, à parte , no convívio nacional. Susulado [sic] na gema deserta do Brasil, sem alento e sem vigor, tão distante da orla marítima onde mais intensivamente a vida ativa do país vibra e se agita, tal como a seiva estuante que circula na periferia dessas grandes árvores da floresta — outra, certo, não poderia ser a sua situação no concerto da nossa nacionalidade.
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Sem um palmo de via férrea, não possuindo ao menos uma lancha a vapor a sulcar sequer um só de seus grandes e muitos rios navegáveis — o futuroso estado apenas dispões, ainda em nossos dias, como meios de transporte, desses pesados e patriarcais carros de bois — sobrevivências da metrópole, e que uma das nossas gravuras reproduz no flagrante de seu rodar pela fita intermina das estradas salineiras em fora…
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” Os carros puxados a bois, diz Bernardo Guimarães, com seu eixo móvel, pesados e vagarosos, são por certo grosseiros veículos, que bem denunciam o atraso dos meios de condução no interior do nosso país. Mas talvez por isso mesmo que revelam a infância da indústria da viação, têm um não sei que de primitivo e poético, que enleva a imaginação.
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Eu nunca pude ver sem um singular e indizível sentimento de melancolia, essas grandes e pesadas máquinas cobertas de couro, arrastadas por vinte ou mais bois, quebrando com seu chiar agudo e monótono como o canto da cigarra, o silêncio das solidões, atravessando os desertos em lentas e peníveis jornadas”.
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Outra fotogravura nossa representa uma boiada no momento mesmo em que a forçam a se precipitar a nado através de um desses largos rios que tanto dificultam a marcha do gado vacum procedente dos sertões interiores com destino aos centros consumidores de Minas, S. Paulo e Rio.
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Vem dos confins de Goiás e vai ainda fazer um penoso e fatigante percurso de mais de duzentas léguas, nossa boiada, composta, quase toda de Curraleiros — essa raça por excelência, de bovídeos genuinamente nacionais.
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Já fora dos incomparáveis campos nativos de Goiás onde se criaram e viviam nativos de Goiás onde se criaram e viviam acarenciados — vêm todos nostálgicos dos barreiros que as virentes palmas dos coqueiros da mata encombram, (vide gravura)
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Papas Stéfanos ( Rhodes, Grécia, 1948, radicado no Brasil)
Óleo sobre tela, 60 x 80 cm
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Paulo Setúbal
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A Luiz Piza Sobº
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É noite… O santo famoso,
O doce, o meigo S. João,
Tivera um dia glorioso,
Dia de festa e de gozo,
Que encheu de estrondo o sertão.
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Já cedo, em meio aos clamores,
Aos vivas do poviléu,
Lindo, enramado de flores,
Um mastro de quentes cores,
Subira em triunfo ao céu!
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E agora, enquanto, alva e lesta,
Palpita a lua hibernal,
Na fazenda, toda festa,
Referve a alegria honesta
Da noite tradicional.
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Dentro, com grande aparato,
Brilha enfeitado o salão:
Que há, nessa festa do mato,
Pessoas de fino trato,
Chegadas para o S. João…
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Destaca-se entre essa gente
A flor do mundo local:
O padre, o juiz, o intendente,
— O próprio doutor Vicente
Que é deputado estadual!
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Ante o auditório pasmado,
Que, num enlevo, sorri,
A Isabelinha Machado
Batuca, sobre o teclado,
Uns trechos do Guarani…
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Tudo o que toca e assassina,
Recebe imensa ovação;
Todos, quando ela termina,
Põem-se a exclamar: ” Que menina!
Dá gosto! Que vocação!”
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E ela, entre ingênua e brejeira,
Com ares de se vingar:
” Agora, queira ou não queira,
Seu Saturnino Pereira
Há de também recitar.”
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Surge, à força o Saturnino…
Rugem palmas ao redor!
É um tipo, esgalgado e fino,
Que sabe desdde menino,
Dizer Castro Alves de cor.
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Na sala, muda e tranquila,
Tombam, com chama, os versos seus;
E ele, o letrado da vila,
Ao som da velha Dalila,
Lá vai: ” Foi desgraça, meu Deus...”
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Após ouvir a estupenda
Flamância do seu falar,
No amplo salão da fazenda,
Os velhos jogos de prenda
Reclamam o seu lugar.
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Começa então a berlinda.
Risos. Cochichos. Zum-zum.
— De pé, donairosa e linda.
Pergunta a D. Florinda
Os dotes de cada um:
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Por que razão, seu Martinho,
Foi à berlinda a Lelê?
— ” Porque olha muito ao vizinho”;
“Porque é má; porque é um anjinho”;
“Porque é vaidosa”; “porque…”
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E todo o mundo, a porfia,
Põe farpas na indiscreção…
E enquanto, ingênua e sadia,
Essa campônea alegria
Faz tumultuar o salão.
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Lá fora, alegre e gabola,
Nun terreiro de café,
Ao rude som da viola,
A caboclada rebola
Num tremendo bate-pé!
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A filha do Zé-Moreira
É o mimo deste São João;
À luz da rubra fogueira,
Requebra a guapa trigueira
Ao lado de Chico Peão.
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Candoca, a noiva do Jango,
Baila num passo taful;
É a flor que, nesse fandango,
Tem lábios cor de morango,
Vestido de chita azul.
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No sapateio se nota,
Aos risos dos que lá estão,
Nhô Lau, de esporas e bota.
Dançando junto à nhá Cota,
Viuva do Conceição….
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A voz do pinho que chora,
Por sob a paz do luar,
Fremindo vai, noite afora,
Essa alegria sonora
Da caboclada a bailar!
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E do salão, qua ainda brilha
Num faiscante esplendor,
Chegam os sons da quadrilha,
Que alguém ao piano dedilha
Com indomável furor.
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E no sarau campezino,
Nessa festa alegre e chã
Ruge a voz do Saturnino,
Que grita, esgalgado e fino:
“Balancez! Tour! En avant...”
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Em: Alma cabocla, Paulo Setúbal, São Paulo, Ed. Carlos Pereira:s/d, 5ª edição [ Primeira edição foi em 1920]
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Paulo Setúbal
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Paulo de Oliveira Leite Setúbal (São Paulo, 1893 — São Paulo, 1937), advogado, escritor brasileiro, trabalhou como colaborador do jornal O Estado de S. Paulo, deputado estadual de 1928 a 1930, renunciamdo ao mandato por ter agravada sua tuberculose.
Obras:
Alma cabocla, poesia, 1920
A marquesa de Santos, romance-histórico, 1925
O príncipe de Nassau, romance histórico, 1926
As maluquices do Imperador, contos-históricos, 1927
Nos bastidores da história, contos, 1928
O ouro de Cuiabá, história, 1933
Os irmãos Leme, romance, 1933
El-dourado, história, 1934
O romance da prata, história, 1935
O sonho das esmeraldas, 1935
Um sarau no Paço de São Cristóvão, 1936
A fé na formação da nacionalidade, ensaio, 1936
Confiteor, memórias, 1937
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Henriqueta Lisboa
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Caminho de formiguinhas,
fiozinho de caminho.
Caminho de lá vai um,
atrás de uma lá vai outra.
Uma, duas argolinhas,
corrente de formiguinhas.
Corrente de formiguinhas,
centenas de pontos pretos,
cabecinhas de alfinete
rezando contas de terço.
Nas costas das formiguinhas
de cinturinhas fininhas
pesam grandes folhas mortas
que oscilam a cada passo.
Nas costas das formiguinhas
que lá vão subindo o morro
igual ao morro da igreja,
folhas mortas são andores
nesta procissão dos Passos.
Em: O mundo da criança: poemas e rimas, vol I, Rio de Janeiro, Delta: s/d.
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Henriqueta Lisboa (MG 1901- MG 1985), poeta mineira. Escritora, ensaísta, tradutora professora de literatura, Com Enternecimento (1929), recebeu o Prêmio Olavo Bilac de Poesia da Academia Brasileira de Letras. Em 1984, recebeu o Prêmio Machado de Assis da Academia Brasileira de Letras pelo conjunto de sua obra.
Obras:
Fogo-fátuo (1925)
Enternecimento (1929)
Velário (1936)
Prisioneira da noite (1941)
O menino poeta (1943)
A face lívida (1945) — à memória de Mário de Andrade, falecido nesse ano
Flor da morte (1949)
Madrinha Lua (1952)
Azul profundo (1955);
Lírica (1958)
Montanha viva (1959)
Além da imagem (1963)
Nova Lírica ((1971)
Belo Horizonte bem querer (1972)
O alvo humano (1973)
Reverberações (1976)
Miradouro e outros poemas (1976)
Celebração dos elementos: água, ar, fogo, terra (1977)
Pousada do ser (1982)
Poesia Geral (1985), reunião de poemas selecionados pela autora do conjunto de toda a obra, publicada uma semana após o seu falecimento
Ilustração Maurício de Sousa.—-
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Na semana passada o jornal The New York Times publicou um artigo interessante sobre Robert K. Wittman, um agente do FBI especializado na investigação e recuperação de objetos de art e antiguidades roubados. Tendo se aposentado, o antigo X-9, está no momento correndo livrarias em noites de autógrafo desde o lançamento de seu livro Priceless: How I Went Undercover to Rescue the World’s Stolen Treasures [Não tem preço: como me tornei um agente secreto para recuperar os tesouros roubados do mundo]. Vindo de uma família de classe média em Baltimore, no estado de Maryland, filho de sargento da aeronáutica que se casou com uma jovem coreana durante a Guerra da Coréia, Robert Wittman não havia pensado em se tornar um detetive de arte, e ao que tudo indica ele conta em seu livro não só como isso aconteceu como diversas de suas maiores capturas e aventuras no mundo do crime da arte e da antiguidade.
Mas o que me leva a fazer esse registro no blog, além de estar interessada em ler o seu livro, foi a citação do New York Times, de uma observação do Sr. Wittman, que traduzo aqui livremente.
” Ladrões de arte roubam mais do que belos objetos; eles roubam memórias e identidade. Eles roubam a história“. [“Art thieves steal more than beautiful objects; they steal memories and identity. They steal history.” ]
Concordo com essa afirmação e vou ampliá-la. O descuido com o patrimônio cultural — como vemos nos nossos prédios desabando, mesmo que “protegidos”, a falta de cuidado e identificação do que temos — como mostrei nas observações que fiz sobre as esculturaas dos jardins do Palácio do Catete, aqui mesmo nesse blog, – tudo isso funciona da mesma forma, como um roubo das nossas memórias, da nossa identidade e da nossa história.
Muito cedo, 1853
James Tissot ( França 1836-1902)
óleo sobre tela
The Guildhall Art Gallery, Londres, Inglaterra
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M. de Azevedo
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Não há moça de mão delicada, nem rapaz do tom, que deixe de trazer a sua luva de pelica.
É possível em um baile encontrar-se alguma moça com os braços descobertos, com o cabelo sem enfeite, com o colo despido, com um vestido simples, porém com as mãos nuas, sem luvas, isso não, é coisa que não se vê, nem em qualquer casa, em que haja uma simples contradança.
A luva pois é tão necessária para quem vai ao baile, como é preciso o lenço para quem tem defluxo.
Na verdade, a mão mimosa e peqienina, como a de uma boneca, coberta com uma luva de pelica, que fique justa aos dedos, parecendo constituir uma nova pele formada pela arte, adquire tanta graça, tanto feitiço, que obriga, às vezes, a meia dúxia de namorados a andar de beiço caído e de cabeça tonta.
Ah! que bela invenção não foi a luva!
Antigamente usavam-se luvas de couro, depois começaram a aparecer as de algodão; hoje as que estão mais em moda são as de Jouvin, que é um Monsieur, que sabe fazer luvas melhor do que ninguém.
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No Baile, 1875
Berthe Morisot ( França, 1841-1895)
óleo sobre tela
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Em França as luvas começaram a ter voga no reinado de Henrique III, porque uma fidalga que tinha influência nessa corte, principiou a usar desse enfeite, e então todos quiseram imitar a favorita do rei!
E é assim que quase todas as modas têm aparecido.
Uma dama de Henrique IV foi a uma caçada, o ginete atirou a cavaleira no chão, com a queda foi-se o penteado da dama; então um fidalgo deu à duquesa algumas fitas para ela atar o seu cabelo; e desde então ficou sendo moda trazer fitas ao cabelo!
Outrora quando qualquer valentão queria fazer algum desafio, arremeçava a sua luva ao chão, e aquele que a apanhava dava a entender que queria brigar, que aceitava o duelo.
Na Inglaterra fazem-se luvas de goma elástica, com as quais se pode lidar sem perigo com ácidos, alcalis, e sais, que mais vivamente atacam a pele.
Assim como a cabeleira esconde, à vezes, uma calva carunchosa e feia, assim as luvas ocultam também a mão grossa e rude como um pé de boi!
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Senhora com luva, 1870
Adolphe William Bouguerreau ( França, 1825-1905)
óleo sobre tela
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— Tem luvas de lã de senhora? disse um moço entrando em uma loja.
— Dessa lã não tenho, respondeu o caixeiro.
Quando algum vestido lhes fica justo, e assenta no corpo, dizem logo:
— Está que é uma luva.
Quando se quer obter uma casa em alguma rua importante, para se alcançar a chave, é preciso dar uma boa quantia, a que se chama — luvas.
A luva é um enfeite precioso; no baile torna bela e macia a mão da moça, e oculta muitas vezes a cartinha de namoro.
É um enfeite, que a etiqueta não dispensa; fazer uma visita de cerimônia sem levar luvas, é o mesmo, que sair se casaca sem gravata ao pescoço.
Vivam, pois, as luvas, quer as de Jouvin, quer as de outro qualquer Monsieur, que houver por aí.
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Em: O Espelho: revista semanal de literatura, modas, indústria e artes, Rio Janeiro, 4 de setembro de 1859, vol. I, nº 1.
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