Ilustração. Desconheço a autoria.
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Logo que bota o seu ovo,
A galinha que é a tal,
Para fazer propaganda
Arma um barulho infernal!
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(Walter NIeble de Freitas)
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Logo que bota o seu ovo,
A galinha que é a tal,
Para fazer propaganda
Arma um barulho infernal!
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(Walter NIeble de Freitas)
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Homem de Estado, cientista,
Padre, engenheiro, doutor…
Nenhum deles haveria,
Se não fosse o Professor.
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(Walter Nieble de Freitas)
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Costurando, s/d
Oscar Pereira da Silva ( Brasil, 1867-1939)
óleo sobre tela
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Laura Esteves
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Queria minha avó de volta,
ligeirinha, caminhando
pela antiga alameda.
As balas de limão e laranja
envoltas em papel de seda.
As rezas do ventre-virado,
Simpatias, mau-olhado:
“Deus te fez,
Deus te criou,
Deus tire o mal
que em ti entrou.”
Galho de arruda murcho,
doente já sorrindo,
moeda na palma da mão.
“Precisa não”.
“É só uma ajuda”.
Lá ia o rico dinheiro
Para a fezinha do bicho.
“Sonhei com leque, vai dar pavão.
Grande falseta: leque de ar e cor,
Só podia mesmo ser borboleta”.
Minha avó, matreirinha,
arrumava um jeito de ser feliz.
Foi ela quem me ensinou sobre
alegria, astúcia e sorte.
Foi ela quem demonstrou:
Mulher é sempre mais forte.
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Em: Poesia simplesmente, ed. Roberto Pontes, Rio de Janeiro, ed. autor: 1999.
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Laura Esteves nasceu no Rio de Janeiro. É escritora e poeta. Faz parte do Grupo Poesia Simplesmente.
Mônica e Magali no cinema, ilustração Maurício de Sousa.–
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Se Deus nos deu dois ouvidos
e um só meio de falar,
sejamos, pois, comedidos
mais no dizer que escutar.
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(Amilton Monteiro)
Leitura à luz da lâmpada, 1973
Daniele Akmen (França, 1945)
acrílica sobre tela, 116 x 89 cm
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Nos momentos de alegria,
Ou nas horas de aflição,
O livro é um companheiro,
É um amigo, um irmão.
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(Walter Nieble de Freitas)
O governo do Rio de Janeiro lançou ontem, dia 23, a campanha “Defesa das Espécies Ameaçadas – Abrace essas Dez“. O objetivo é preservar dez espécies de animais ameaçadas de extinção no estado. Entre elas, estão o mico-leão-dourado, a preguiça-de-coleira e a jacutinga. O governo distribuirá cartilhas em escolas, universidades, prefeituras e delegacias de polícia. Cartazes com fotos dos animais também serão afixados nesses locais.
Segundo o secretário estadual do Ambiente, Carlos Minc, a campanha vai apoiar pesquisadores que estudam as dez espécies ameaçadas e traçar um plano para preservá-las. O governo, assinalou, também está preocupado com mais 267 espécies que correm o risco de extinção. A lista dos dez animais ameaçados de extinção inclui, além do mico-leão-dourado, da preguiça-de-coleira e da jacutinga, o cágado-do-paraíba, formigueiro-do-litoral, boto-cinza, lagarto-branco-da-areia, muriqui, surubim-do-paraíba e o tatu canastra.
Boto-cinza, foto Faperj.
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Cágado do paraíba, foto Caraplatrugas.
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Formigueiro-do-litoral, foto Ciência Hoje.
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Jacutinga, foto Cracids.
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Lagarto-branco-da-areia, foto Ciência Hoje.
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Mico leão dourado, foto Ecobiologados.
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Muriqui, foto Meliponario Mantiqueira.
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Preguiça de coleira, foto Ciência Hoje.
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Tatu canastra, foto Portal São Francisco.
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Surubim do paraíba, foto Tudo leva à perícia.
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A verdadeira Poesia
não se prende a nenhum laço:
na tristeza, ou na alegria,
ela ocupa o mesmo espaço.
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(Moysés Augusto Torres)
Ilustração: Bolinha posa para fotografia subindo na árvore.–
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Martins D’Alvarez
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Meninos, amai as árvores!
Pois elas são como nós…
Têm coração nas raízes
E as folhas falam, têm voz.
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Não devemos machucá-las;
Elas também sentem dor.
E são tão boas… Dão sombra,
E os seus frutos nos dão cor.
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Elas morrem para dar
Conforto ao nosso viver…
Do leito, para sonhar,
Ao carvão para aquecer.
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Sejamos irmãos das árvores!
Façamos-lhes festas mil!
A árvore é a fada da pátria…
Foi quem deu nome ao Brasil!
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Joaquim Figueira (Brasil, 1904-1943)
óleo sobre tela, 50 x 60 cm
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Hélio Pellegrino
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Quanto silêncio em tua raiz,
árvore, respiraste,
para chegar a ousar
a doçura que ousaste;
quanta nortada sacudiu,
na fúria rouca de águas bravas,
tua galharia, até que houvesse
esta flor calma em tua haste.
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Em: Minérios domados- poesia reunida, Hélio Pellegrino, Rio de Janeiro, Rocco: 1993
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Hélio Pellegrino nasceu em Belo-Horizonte em 1924 e morreu no Rio de Janeiro em 1988. Cursou a faculdade de medicina em Belo Horizonte, mas terde vindo para o Rio de Janeiro com a família, inicia-se na psicanálise, que praticou por décadas ao mesmo tempo que se dedicava ao jornalismo. Teve também a oportunidade de desenvolver sua carreira de escritor e poeta.
Obras literária :
Poema do príncipe exilado, 1947
A burrice do demônio, 1988
Minérios Domados, 1993
Meditação de Natal, 2003
Lucidez embriagada, 2004
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Coloco aqui uma das muitas passagens evocativas da época de 1930, encontradas no romance de Ronaldo Wrobel, Traduzindo Hannah.
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“Os bairros do Rio de Janeiro eram tão diferentes uns dos outros que se tinha a impressão de cruzar continentes dentro de um bonde. Do Relógio da Glória para o sul, por exemplo, já não se viam as ruas abarrotadas e barulhentas do centro, com seus prédios encardidos e letreiros comerciais. No centro, a pressa não tinha hora; já no Flamengo, a hora não tinha pressa. O silêncio reinava nas ruas sombreadas por árvores onde senhoras puxavam seus cachorrinhos empertigados. Carrões deslizavam suavemente entre palacetes não raro ocupados por embaixadas e repartições de alto nível enquanto, nas praças, babás uniformizadas tomavam conta de suas crianças promissoras.
Max gostava de contemplar as palmeiras que ladeavam a rua Paissandu desde o Palácio Guanabara até a rua Marquês de Abrantes. Aqueles troncos esguios tinham visto coches com marquesas e barões, broches e tiaras antes que o automóvel infestasse a cidade e a monarquia brasileira se exilasse em museus. Pois as palmeiras da rua Paissandu não tinham se curvado à modernidade: nenhuma república saberia roubar sua altivez ou a nobreza daquelas folhagens que se abriam como asas soberanas. Perto dali ficava o campo do Fluminense com suas torcidas estrondosas. A cada gol os pássaros disparavam dos galhos em revoadas que adentravam a saleta onde Max descansava ao fim do dia, instalado em sua bergère, ao som da risonha criançada que as mães só tiravam da rua depois da Hora do Brasil. Então escolhia um Haydn ou Mozart, deixando a agulha da vitrola surtir seus melodiosos efeitos enquanto comia algo leve na mesa da copa. Puxava a manta depois das dez, lendo até adormecer no quarto de fundos, ninado pelos gatos vadios que, lá fora, se enroscavam na escuridão.
Dois andares, a nova casa de Max era grudada nas vizinhas feito irmã siamesa. Custara uma pechincha porque um velho muito velho estava para morrer e os filhos queriam apressar o negócio, tendo aceitado a oficina da Praça Onze como parte do pagamento. Inacreditável! O resto Max ia pagando mês a mês avalizado por ninguém menos que o Capitão Avelar. Perto da bergère, uma estante de jacarandá compunha com a mesa redonda deixada pelo antigo dono. Max comprou quatro cadeiras de palhinha e uma fruteira de porcelana portuguesa sempre cheia de maçãs, laranjas e bananas. Na cozinha mantinha as provisões de sal e açúcar que os vizinhos vinham-lhe pedir em cordiais incursões, para depois revisitá-lo com fatias de bolo ou pudim. Calçava chinelos para não arranhar o parquê bicolor nem estragar o tapete arraiolo em seu quarto. Agora, sim, Max tinha uma casa decente.”
Traduzindo Hannah, Ronaldo Wrobel, Rio de Janeiro, Record:2010, Pp- 151-2