Poema de Natal, Jorge de Lima

21 12 2014

 

Aldemir Martins, natividade, ost, 1969Natividade, 1969

Aldemir Martins (Brasil, 1922-2006)

óleo sobre tela

 

 

Poema de Natal

Jorge de Lima

 

 

ERA UM POEMA frequente,

repetido,

com o menino nos braços

de uma virgem.

Desse poema presente

e sempre ouvido,

os tempos e os espaços tinham origem,

 

pois à origem do poema

sempre havia

essa virgem e o infante

e a poesia.

E era o início e era a extrema

da criação,

era o eterno e era o instante

da canção.

 

Publicado em Rio, Rio de Janeiro, 1951

 

Em: Poesias Completas, Jorge de Lima, vol. IV, Rio de Janeiro, Cia. José Aguilar Editora: 1974.p. 58





Alguém em quem se espelhar…

20 12 2014

 

monroe-pop-art-roy-lichtensteinNão me importo em viver em um mundo de homens, desde que eu possa ser uma mulher nele…” Ilustração à maneira de Roy Lichtenstein.

[Não consegui nenhuma referência idônea sobre a autoria dessa obra].

 

 

A conversa entre amigas questionava em quem nos espelhamos quando adolescentes.  O grupo de mulheres de idades e experiências variadas, entre elas umas que haviam quebrado paradigmas e sucedido onde anteriormente acreditava-se que não poderiam, constatou que teria sido muito bom, se na nossa juventude tivéssemos tido exemplos de mulheres, que pensando fora da “caixa social”, tivessem servido de modelo para o caminho do sucesso. Ninguém confundiu sucesso com fama, o que acontece com frequência. Falávamos de sucesso como realização pessoal ou profissional, atingindo gols e preenchendo sonhos que vão além do que é esperado do sexo feminino na nossa sociedade. Surpreende que nenhuma das presentes teve o apoio de um exemplo a seguir, de uma pessoa em quem se espelhar.

Nas últimas décadas, ocasionalmente, ao terminar um livro ou ver um filme, ponderei: “Se eu tivesse tido acesso a essa informação…; se eu tivesse tido conhecimento de que mulheres podiam…”  minha vida talvez tivesse sido diferente. Não que eu fosse rodeada de maus exemplos. Não é isso, mas o meu temperamento aventureiro e rebelde encontrou pouca repercussão na família, quase nenhum entendimento e raríssimas palavras de incentivo. Nossos valores eram por demais tradicionais, enraizados na classe média carioca. Além do mais, era mais fácil para a família não dar permissão do que ter que se questionar sobre atitudes tomadas automaticamente. Essa falta de “aprovação familiar” muito me custou em termos de timidez e coragem para enfrentar sozinha os tabus que me rodeavam.

Era difícil imaginar uma reprovação familiar maior do que minhas atitudes e desejos já incitavam. Permanecer no seio familiar e enfrentar um estresse diário por querer um rumo divergente daquele para o qual eu havia sido programada, teria sido mais fácil, muito mais fácil, se eu tivesse tido um exemplo de sucesso à minha frente, que houvesse de alguma maneira quebrado tabus, superado dificuldades. Não que eu quisesse fazer coisas do arco da velha, mas havia muita circunscrição às profissões possíveis, aos namorados, aos amigos, ao ir e vir. Tudo, uma grande bobagem que não levava em consideração a jovem de dezesseis, dezessete anos, mas unicamente os medos e preocupações sociais dos mais velhos. Hoje, não sei se teria sido uma boa médica. É provável que não. É provável que tivesse, enfim, depois de erros e acertos, encontrado o meu caminho nas ciências humanas como de fato o fiz, mas voltando os olhos para o passado, acredito que teria sido mais satisfatório, e muito menos dramático, ter tido a oportunidade de errar por mim mesma.

Essa longa divagação sobre as escolhas que jovens mulheres fazem tem muito a ver com uma sincronicidade de eventos, todos na mesma semana: o encontro com essas amigas, a leitura do livro de Maria Thereza Wolff, Minha vida em Ipanema, o filme O Sorriso da Monalisa e o conhecimento recentemente adquirido de algumas ONGs americanas dedicadas a dar exatamente esse tipo de apoio a jovens que queiram expandir os papeis para os quais estão programados. Ter conhecimento de pessoas que passaram por dificuldades semelhantes pode certamente abrir as portas da mente, deixar entreabertas as passagens, para que a coragem de enfrentar as lutas se faça sentir.  Essas lutas fazem parte do crescimento emocional, interior, de um adulto responsável. Como os americanos, acredito que “role models”, pessoas em quem podemos nos espelhar, são importantes para o adolescente e ajudam a que se ultrapasse as barreiras pessoais com maior facilidade.





Flores para um sábado perfeito!

20 12 2014

 

 

Juliana Marcante, flores-coloridas-2013, acrilica st, 100x 150Flores coloridas, 2013

Juliana Marcante (Brasil, contemporânea)

acrílica sobre tela, 100 x 150 cm





Rio de Janeiro a caminho dos 450 anos!

19 12 2014

 

 

Di Cavalcanto, Rio de Janeiro noturno, 1963, ostRio de Janeiro noturno,1963

Di Cavalcanti (Brasil, 1897-1976)

óleo sobre tela





A formiga e a cigarra, poesia de Afonso Louzada

18 12 2014

 

la cigale et la fourmiIlustração para a fábula de La Fontaine, de Calvet-Rogniat.

 

 

A formiga e a cigarra

 

Afonso Louzada

 

 

Depois de acumular barras e barras de ouro,

a formiga, afinal, sentiu o último alento,

pesarosa, talvez, como bom avarento,

de não poder levar consigo o seu tesouro.

 

–“A minha vida foi um trabalho incessante!

Trabalhei! Trabalhei sem parar um instante!”

 

Naquele mesmo dia, estranha coincidência,

exausta de cantar, a boêmia da cigarra

o derradeiro adeus deu, cheia de eloquência,

à vida que levara, ao léu, sempre na farra.

 

— “Cantei! Cantei, alheia ao mais, despreocupada,

que a vida é só amor; o resto não é nada!”

 

E, juntas, para o céu elas foram subindo.

A cigarra cantava, estuante de alegria:

— “Mas que dia! E que sol! Como tudo está lindo!”

— “O meu ouro ficou…” a formiga gemia.

 

Foi recebê-las Deus: — “Responde-me cigarra;

o que fizeste lá? O que fizeste, narra.”

 

— “Cantei. Sempre cantei, em meio à humana dor,

a alegria da vida, a alegria do amor”.

 

— “E tu?” — “Eu trabalhei. E tudo lá ficou…”

Depois de ouvi-las, Deus bondoso lhes falou:

 

–“O trabalho merece e a glória do Paraíso.

Mas tu, (disse esboçando esplêndido sorriso,

 

sob a fascinação do canto da cigarra)

se levaste, afinal, uma vida bizarra

 

alegraste, porém os corações aflitos

que sangravam de dor, dos humanos precitos”.

 

…  E à flor dos lábios tendo seu melhor sorriso,

abriu para a cigarra as portas do Paraíso.

 

 

Em: Noturnos, Afonso Louzada, Rio de Janeiro, Imprensa Nacional: 1947, pp, 11-12.

 





Hoje é dia de feira: frutas e legumes frescos

17 12 2014

 

 

 

Paulo Porcella,óleo s tela,15 x 15cm,1981Sem título, 1981

Paulo Porcella (Brasil, 1941)

óleo sobre tela,  15 x 15 cm

www.pauloporcella.com





Nossas cidades — Ouro Preto

15 12 2014

 

 

NazarenoAltavillaVista de Ouro Preto comNossa Sra. Das Mercês, 1955,OST50 x60Nossa Sra. das Mercês, Ouro Preto, 1955

Nazareno Altavilla (Brasil, 1921-1989)

óleo sobre tela, 50 x 60 cm





Domingo, um passeio no campo!

14 12 2014

 

 

Rudolf Weigel, (1907-1987) Paisagem, ost, 21x32Paisagem

Rudolf Weigel (Brasil, 1907-1987)

óleo sobre tela, 21 x 32 cm





Domingo, um passeio no campo!

14 12 2014

 

 

 

Roberto Gil, Paisagem, 1963, aquarela, 32 x 38Paisagem, 1963

Roberto Gil (Brasil, 1899-1990)

Aquarela sobre papel, 32 x 38 cm





Flores para um sábado perfeito!

13 12 2014

 

 

 

instituto-tomie-ohtake_guignard_sem-titulo_1936_37_oleo-sobre-tela_615-x-51-cm_colecao-roberto-marinho_foto_pedro-oswaldo-cruzSem título, 1937

Alberto da Veiga Guignard (Brasil, 1896-1962)

óleo sobre tela, 61 x 51 cm

Coleção Roberto Marinho