“Íntimo” soneto de Luiz Pistarini

2 02 2026
Ilustração, Capa da Revista Figaro Illustré, por Pierre Georges Jeanniot (Suíça-França 1848–1934).

 

 

Intimo

 

Luiz Pistarini

 

Bela, por mim, se vejo-te passando.

Tudo me esquece por estar te vendo

– Sinto o Prazer, no coração cantando,

E a mágoa, enfim, no coração, morrendo …

 

Passas … E, alegre, vou te acompanhando

Pelos lugares por que vais correndo …

E ao ver-te longe, minha flor, – chorando,

Triste suspiro, sem querer, desprendo …

 

Voltas depois, formosamente rindo …

Voltas depois, e o meu pesar te escondo,

Num riso franco de prazer profundo!

 

Ficas. E eu, louco, imerso em gozo infindo,

Grande, – aos teus pés, o coração depondo,

Sinto a mais grata sensação do mundo!

 

Resende – 1895

 

Nota: eu mesma fiz a atualização das palavras para o português corrente no Brasil, hoje.  Exemplo: si > se;

vaes > vais e assim por diante.  Poeta fluminense, natural de Resende.

 

 





Flores, porque hoje é sábado…

31 01 2026

Violetas, 1981

Lully de Carvalho (Brasil, 1929-2017)

óleo sobre eucatex, 23 X 32 cm

 

 

 

 

 

Toalha vermelha

Ana Goldberger (Brasil, 1947-2019)

acrílica sobre tela, 20 x 30 cm





Da janela vê-se o Corcovado…

30 01 2026

Passeio Público, RJ, 1937

Milton Dacosta (Brasil, 1915-1988)

óleo sobre tela, 26 X 35 cm





Hoje é dia de feira: frutas e legumes frescos!

28 01 2026

Natureza morta, 1983

Adelson do Prado (Brasil, 1944 – 2013)

óleo sobre tela colado em chapa de eucatex. 16 x 37 cm

 

 

Natureza morta, 1948

Eugenio de Proença Sigaud (Brasil, 1899-1979)

óleo sobre tela, 38 x 46 cm 





Nossas cidades: Brasília

27 01 2026

Congresso Nacional, 2021

Carlos Bracher (Brasil, 1941)

óleo sobre tela, 100 x 180 cm

 

 





Trova do caminho

26 01 2026

 

 

Estas pedras que me atiram

no decurso da jornada

embora todas me firam,

vão calçando a minha estrada.

 

(Pedro Viana Filho)





Flores, porque hoje é sábado…

24 01 2026

Flores

Douglas Okada (Brasil, 1984)

óleo sobre tela, 50 x 70 cm

Sol na varanda com girassóis

Raquel Taraborelli (Brasil, 1957- 2020)

óleo sobre tela, 85 x 73 cm





Da janela vê-se o Corcovado…

23 01 2026

Marina da Glória com o Corcovado ao fundo

Jorge Vieira (Brasil, 1952) 

óleo sobre tela, 74 x 64 cm





4ª leitura do ano: Maigret e o finado Sr. Gallet, de Simenon

22 01 2026

Talvez vocês não saibam, provavelmente porque não sou muito boa em meu próprio marketing, que tenho uma pífia conta no Instagram [@escritora.ladycewest], recomendação de especialista que contratei há uns três anos. Um pouco antes de enviuvar, eu havia lançado um livro de poemas [À meia voz], resultado de anos de escrita não sistemática, e de uma oficina para escritores que fiz, aqui no Rio de Janeiro, com o escritor e poeta Luís Pimentel.  Passado o primeiro ano de luto (francamente tenho poucas memórias desse período) engajei um serviço de marketing digital para saber o que deveria fazer para impulsionar vendas do livro, já que eu havia perdido a “época quente” do marketing, antes e depois do lançamento.  E poesia, eu soube durante esse período, não é item quente nas vendas.

Minha dificuldade, disse a analista, era que eu “estava mudando de profissão”.  Que sou mais conhecida como historiadora da arte, que sempre fui, galerista, que fui por muitos anos, e que ninguém esperava que eu também escrevesse. Como se as pessoas pudessem ter só um perfil, só um amor! Era preciso que eu me estabelecesse como “intelectual” (palavras dela), como conhecedora de literatura brasileira e de poesia em especial.   Com muita resistência, abri conta no Instagram.  Não sou da geração Tik Tok, e esse negócio de botar a cara lá, para me “estabelecer” era um conceito muito além da minha zona de conforto.  Mas fiz.  E como me estabelecer?  Mostrando que eu sabia do babado.  Que conhecia literatura.  Comecei, então, a postar uma poesia por dia, de segunda a sábado. É exaustivo e limitante, porque o escolhido precisa ser lido em noventa segundos ou menos. Precisa ser entendido por todos, quer a pessoa tenha completado o ensino médio ou não. E realmente, as poesias de mais sucesso são as infantis ou infanto-juvenis. Grande parte do que é escrito não cabe nesses limites.  Além disso os poemas têm que ser “família”, não podem ter palavrões, não podem falar de sexo, nem de temas controversos, nem de religião (fiz duas longas séries sobre Natal, mas o Natal abraça mais do que o religioso), têm que ter um vocabulário acessível, ideias claras.  De fato, qualquer referência à mitologia greco-romana, por exemplo, se torna ininteligível.  Recentemente li um poema que mencionava Penelope.  Pequenino, Direto.  Uma pequena joia. E percebi que a audiência não tinha ideia de quem era Penelope, aquela que tricotava e desfazia o tricô à espera de Ulisses.  Enfim, fomos em frente.  Tenho uma adolescente que faz o vídeo para mim. Comecei em out/novembro de 2023.  E sim, tenho alguns seguidores.  Mas não foi nenhuma avalanche.

Levo uma vida comum.  Não sou dada a expor nada do que faço, porque na verdade não faço nada além do que todos fazem.  Mas uma coisa ficou clara: quando posto no Instagram  fotos com esse ou aquele amigo, num local incomum para minhas postagens, o pessoal nota.  E quando mostro algo sobre minhas leituras, aquele vídeo, mesmo que feito por mim, sem grande profissionalismo, ou talvez por isso mesmo, tem pelo menos o dobro das visualizações que recebo em outras circunstâncias.  Uma de minhas decisões de 2026 foi postar mais sobre o que leio. Desde que o que eu leia seja em português, porque pode ser considerado “esnobismo” postar alguma leitura em outra língua.  Aliás as regras do marketing vieram em grande detalhe: muitas mas simples, entre elas: aparecer sempre de preto, para não distrair o espectador, ou, as pessoas prestarão atenção na sua roupa, nos seus brincos, no seu relógio.   É entrar numa espécie de  mundo paralelo, com códigos esdrúxulos, o que aumenta minha resistência.  Mas estou focando no resultado.  Principalmente porque me preparo para o lançamento de mais um livro.

Minha postagem no Instagram da semana passada, sobre essa quarta leitura do ano, trouxe mais pessoas do que o esperado.  E ao que parece foi porque mencionei não só uma leitura popular, mas a informação de uma segunda veia artística de Simenon, que pouca gente conhece, mas sobre a qual eu já havia me referido aqui no blog: seus “romances  duros”.  Talvez valha lembrar que Simenon foi um dos escritores mais prolíficos de todos os tempos tendo publicado entre 400 a 500 livros, não se sabe exatamente o número, porque publicou sob muitos pseudônimos. Com a ajuda da IA, posso dividir em alguns segmentos: 75 livros do detetive Maigret, fora os 28 contos em que o personagem aparece. 130 “romances duros”, que são romances psicológicos.  20 volumes de memórias.  Mais 200 romances escritos sob pseudônimo.  Vendeu acima de 600 milhões de livros, no mundo inteiro.  Ao contrário do que se imagina, Maigret não é francês.  É belga, mas muito respeitado pelo público francês e também por escritores daquele país, entre eles André Gide, (Nobel de 1947).  Ele foi um dos primeiros grandes intelectuais a reconhecer o valor literário de Simenon, indo além do rótulo de “autor policial”, dizendo que Simenon “talvez fosse o maior e o mais genuíno romancista que tivemos na literatura francesa contemporânea”.  A amizade de Gide e Simenon era genuína, como testemunham as inúmeras cartas trocadas entre eles. 

Há alguns “romances duros” de Simenon, não sei exatamente quantos, publicados no Brasil. A Cia das Letras fez um esforço na primeira década deste século em publicá-los. Deles li O quarto azul e O círculo dos Mahé, ambos já resenhados no blog. Mas este ano me dei de presente dois volumes das obras de Simenon, publicados pela UNESP, que trazem oito dos romances duros. Há dois outros volumes dedicados às obras com o inspetor Maigret, qua comprarei mais tarde. 

Descobri esses romances duros por acaso.  E me tornei fã.  Veremos o que acho desses outros publicados pela UNESP.  Nesses dois romances que li, ainda tenho outro em casa, A neve estava suja, a temática é completamente diferente daquela encontrada nos casos do inspetor Maigret.  Tanto O quarto azul quanto O círculo dos Mahé tratam de situações emocionais que levam a desfechos inesperados, mas em absoluta fidelidade às características dos personagens.  Simenon, conhecido por não gostar de textos elaborados, bonitos, com adjetivos e floreios, fortalece as emoções suscitadas na leitor justamente por ser lacônico, deixando espaço para que o leitor preencha com imaginação as reticências, o vácuo dos diálogos breves ou inacabados. 

Quanto as leituras de 2026:  Maigret e o finado Sr. Gallet foi ótima.  Final que me surpreendeu e, no entanto, completamente plausível. Adoro um livro de mistério, principalmente os mais tradicionais. Podem ler.  Vale a pena.  E a título de curiosidade: gosto de Agatha Christie (aliás sua autobiografia, que não tem mistério, é uma excelente leitura), Dorothy Sayers, Margery Allingham, Colin Dexter, P.D. James, Ruth Rendell, Louise Penny e muitos outros estão na minha lista de favoritos. Verão, para mim, também é um período de leituras rápidas, leves, em que problemas podem ser solucionados.  Nada melhor do que isso, não é mesmo?





Hoje é dia de feira: frutas e legumes frescos!

21 01 2026

Natureza morta

Benedito José Tobias (Brasil, 1894-1963)

[B. J. Tobias]

óleo sobre tela, 44 x 58 cm

 

 

 

Natureza Morta

Domingos Gemelli (Brasil, 1915-1985)

óleo sobre tela, 54 x 60 cm

 

 

NOTA: são dezoito anos postando, duas vezes por semana, naturezas mortas, nesse blog. E vejo que tanto frutas, legumes, hortaliças, assim como  flores têm moda, têm épocas de apreciação.  Hoje, é raro encontrarmos alguma natureza morta com abóboras, como aparece nessas duas telas acima.  As naturezas mortas (da cozinha) mais recente, se limitam a frutas e legumes mais coloridos, como pimentões, cebolas.  Mas a preferência é sempre por frutas e quase nenhuma hortaliça.  Os verdes, das folhas, da couve, dos chuchus, da taioba, do repolho desapareceram da mesa dos nossos artistas plásticos.  Mesmo a banana já não aparece tanto, e o coco definitivamente pertence aos anos 40-60 do século XX.  Estamos mais restritos na dieta artística.  Pintores continuam a produzir natureza mortas, mas o que é retratado é diferente. Restrição semelhante acontece nos  vasos com flores.