Nossas cidades: Porto Alegre

17 03 2026

Doca das Frutas, c. 1880

[Hoje a área ocupada pela Praça Pereira Parobé]

Athayde d’Avila (Brasil, ativo em meados do Século XX)

óleo sobre tela

Acervo do Museu Júlio de Castilhos





Palavras para lembrar: René Descartes

16 03 2026

Andreas lendo, 1882-1883

Edvard Munch (Noruega, 1863-1944)

óleo sobre papelão, 36 x 29 cm 

Coleção Particular 

 

 

A leitura de todos os bons livros é como uma conversa com as pessoas mais honestas dos séculos passados que foram seus autores. 

 

René Descartes

(1596-1650)





Com delicadeza, Roseana Murray

16 03 2026
Ilustração de Becca Stadtlander

 

 

Com delicadeza

 

Roseana Murray

 

Com delicadeza

abrir as gavetas

que guardam

as palavras de seda.

Deixá-las sempre

ao alcance

de um sopro,

prontas para o vôo,

para o ouvido,

para a boca.

Palavras de seda

são como borboletas

douradas

quando pousam

no coração do outro.

 

 

Em:  Manual da delicadeza de A a Z. São Paulo: FTD, 2001.





Em casa: Francine van Hove

15 03 2026

O pequeno lampião de 1930

Francine van Hove (França, 1942)

Óleo sobre tela, 54 x 81 cm





Sobre a cultura ocidental, texto de Roger Scruton

14 03 2026

O livro de Kells, c. ano 800

Autoria: Monges celtas. Provavelmente na ilha de Iona (Escócia) e finalizado na Abadia de Kells, Irlanda.

340 fólios de pergaminho de vitela com desenhos complexos, letras decoradas, animais mitológicos e cenas bíblicas.

Biblioteca Trinity College, Dublin, Irlanda

 

 

 

 

 

“Eu suspeito que a humanidade tenha entrado frequentemente em períodos como o nosso, em que a disciplina do julgamento e a procura do valor intrínseco diminuíram ou desapareceram. Quando isso aconteceu no passado, não ficou, todavia, nenhum registro, pois uma sociedade sem cultura perde a memória e perde também o desejo de se imortalizar em monumentos duradouros. Muito em breve, a barbárie assume o controle e a sociedade é varrida da face da terra. O que é interessante na nossa situação é que temos os meios tecnológicos para sustentar a nossa sociedade para além do momento em que ela poderá perder todo o sentido interno do seu valor e, portanto, perder a capacidade de se sustentar a partir do seu próprio reservatório inerente de fé. Essa é uma situação nova, e nós deveríamos nos perguntar o que poderíamos fazer, em circunstâncias como essas, para garantir a sobrevivência da cultura. Aqueles monges irlandeses que mantiveram acesa a lâmpada do aprendizado durante a Idade das Trevas de nossa civilização tinham uma grande vantagem sobre nós – a saber, que não havia competição de idiotices barulhentas e amplificadas, que tudo ao seu redor era perigo e destruição, e que tão logo eles encontraram refúgio, a paz tranquilamente se apresentou a fim de guiar seus pensamentos, seus sentimentos e suas penas.”

 

Em: A cultura importa: fé e sentimento em um mundo sitiado, Roger Scruton, tradução de Sérgio Kalle, LVM Editora: 2024





Flores, porque hoje é sábado!

14 03 2026

Natureza morta, vaso com flores, 1958 

(papoulas)

Carmélio Cruz (Brasil, 1924-2018)

óleo sobre tela, 34 x 23 cm

 

Um vaso de papoulas no jardim, 2003

Raquel Taraborelli (1957 – 2020)

óleo sobre tela, 80 x 100 cm





Eu, pintora: Djanira da Motta e Silva

13 03 2026

Autorretrato, c. 1940

Djanira da Motta e Silva (Brasil, 1914-1979)

óleo sobre tela, 46 x 35 cm





Da janela vê-se o Corcovado…

13 03 2026

Ciclovia da Lagoa Rodrigo de Freitas, frente à Hípica

Lucia de Lima (Brasil, contemporânea)

acrílica sobre tela,  50 x 70 cm

 

 





Na boca do povo: escolha de provérbios populares

12 03 2026
O bebê escuta, 1957,  ilustração de Eloise Wilkin da série “Little Golden Books”

 

A pontualidade é a polidez dos reis.




Morangos, poema de Rui Pires Cabral

12 03 2026

Natureza morta com morangos

Pedro Alexandrino (Brasil, 1856 – 1942)

óleo sobre tela, 38 x 47 cm

MASP, São Paulo

 

 

Morangos

 

Rui Pires Cabral

 

No começo do amor, quando as cidades

nos eram desconhecidas, de que nos serviria

a certeza da morte se podíamos correr

de ponta a ponta a veia elétrica da noite

e acabar na praia a comer morangos

ao amanhecer? Diziam-nos que tínhamos

a vida inteira pela frente. Mas, amigos,

como pudemos pensar que seria assim

para sempre? Ou que a música e o desejo

nos conduziriam de estação em estação

até ao pleno futuro que julgávamos

merecer? Afinal, o futuro era isto.

Não estamos mais sábios, não temos

melhores razões. Na viagem necessária

para o escuro, o amor é um passageiro

ocasional e difícil. E a partir de certa altura

todas as cidades se parecem.

 

Rui Pires Cabral,  ‘Longe da Aldeia’