As formigas — texto de Coelho Neto [trecho]

17 03 2009

krakatoa-butterfly_net-jason-chinIlustração: Jason Chin

 

 

 As formigas

        A sombra d’uma faia, no parque, enquanto o príncipe, que era um menino, corria perseguindo as borboletas, abriu o velho preceptor o seu Virgílio e esqueceu-se de tudo, enlevado na magia dos versos admiráveis.

        Os melros cantavam nos ramos, as libélulas esvoaçavam nos ares e ele não ouvia as vozes das aves nem dava pelos insetos: se levantava o s olhos do livro era para repetir com entusiasmo, um hexâmetro sonoro.

         Saiu, porém, o príncipe a interrompê-lo com um comentário pueril sobre as pequeninas formigas que tanto se afadigavam conduzindo uma folhinha seca; e disse:

         –– Deus devia tê-las feito maiores.  São tão pequeninas que cem delas não bastam para arrastar aquela folha que eu levanto da terra e atiro longe com um sopro.  

 

  

 

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Ilustração:  Christine Penkuhn

 

        O preceptor que não perdia ensejo de educar o seu imperial discípulo, aproveitando as lições e os exemplos da natureza, disse-lhe:

        — Lamenta V.A. que sejam tão pequeninas as formigas…  Ah! Meu príncipe, tudo é pequeno na vida: a união é que faz  a grandeza.  Que é a eternidade?  Um conjunto de minutos.  Os minutos são as formigas do Tempo.   São rápidos e a rapidez com que passam fá-los parecer pequeninos, mas são eles que, reunidos, formam as horas, as horas os dias, os dias compõem a semana, as semanas completam os meses, os meses perfazem os anos, e os anos, Alteza, são os elos dos séculos.

        Que é um grão de areia?  Terra; uma gota d’água?  Oceano; uma centelha?  Chama; um grão de trigo?  Seara; uma formiguinha?  Força.

        Quem dá atenção à passagem de um minuto?  É uma respiração, um olhar, um sorriso, uma lágrima, um gemido; juntai, porém, muitos minutos e tereis a vida.

        Ali vai um rio a correr – as águas passam aceleradas, ninguém as olha.  Que fazem eles na corrida?  Regam, refrescam, desalteram, brilham, cantam e lá vãp, mais ligeiras que os minutos.

       Quereis saber o valor de um minuto, disso que não sentis como não avalias a força da formiga?  Entrai de mergulho n’água e tende-vos no fundo – todo o vosso organismo, antes que passe um minuto, estará protestando, a pedir o ar que lhe falta.  Ora!  O ar de um minuto, que é isso?  Direis.  É a vida, Alteza.

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EM: Coelho Neto e a ecologia no Brasil 1898-1928, ed. Eulálio de Oliveira Leandro, Imperatriz, MA, Editora Ética: 2002,

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Outros textos sobre formigas neste blog:

Olavo Bilac,





Novas descobertas em tumba egípcia

17 03 2009

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O egiptólogo espanhol José Manuel Galán descobriu uma câmara funerária pintada de 3,5 mil anos em Luxor, sul do Egito, anunciou o Conselho Superior de Pesquisas Científicas (CSIC).

 

A câmara, que faz parte do cemitério de Dra Abu El-Naga, tem as paredes e o teto completamente pintados com desenhos e hieróglifos do Livro dos Mortos e seria de Djehuty, uma autoridade da época.  Djehuty viveu na região por volta do ano 1.475 a.C. e recebeu um túmulo “muito especial” porque foi servente de uma das poucas mulheres que atuou como faraó na história do Egito, a famosa Hatshepsut, exercendo os cargos de chefe do Tesouro da rainha e também chefe dos artistas.  Hatshepsut  era filha de Tutmosis I (dinastia XVIII), cujo reinado aconteceu entre 1.479 e 1.457 a.C.

 

 

 

 

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Há sete anos que a equipe chefiada por Galán trabalha nas escavações ao redor das entradas de cemitérios na colina de Dra Abu el-Naga, em Luxor, Egito.  A equipe de arqueólogos espanhóis que penetrou na tumba do alto dignatário Djehuty, servente há cerca de 3,5 mil anos da rainha Hatshepsut, já foi responsável por um grande número de descobertas sem precedentes, inclusive a do primeiro retrato conhecido de um faraó visto de frente – provavelmente Tutmés III ou sua mãe, Hatshepsut — e não de perfil.  .  Em 2007, esta descoberta trouxe bastante interesse na comunidade de egiptólogos porque fora um achado é incomum porque os egípcios sempre se retratavam de perfil. Os únicos retratos frontais eram os de estrangeiros, de demônios e do deus anão Bes, que seria uma importação cultural.

 

 

 

 

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Agora novas riquezas se fazem conhecidas.  A câmara encontrada e devidamente anunciada hoje é nada mais nada menos do que uma sala quadrada de 3,5 metros de largura e 1,5 metro de altura.  O que a torna fora do  comum é a decoração total, incluindo todas as paredes e o teto com pinturas da época.





ONG recupera árvores nativas da Mata Atlântica

14 03 2009

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Paisagem, s/d

Francisco Rebollo Gonsales (Brasil 1903-1980)

Óleo sobre duratex  46x 33 cm

Vi na televisão na semana passada um pequeno vídeo sobre a recuperação de um terreno que havia sido um pasto, na região da cidade de Itu.  A recuperação da Mata Atlântica neste lugar  começa com o plantio de 120 mudas de árvores.  Este plantio deve surtir bons resultados já que acontece com apoio da Fundação SOS Mata Atlântica, que tem grande experiência em atividades de restauração florestal no Bioma Mata Atlântica, que

está com uma ampla programação de plantios de mudas nativas sendo concretizada neste início de ano.

 

Outros locais agraciados com programas de recuperação e restauração florestal são Piracicaba e Campinas.

 

 

Se você quiser participar das campanhas de recuperação ambiental e reflorestamento da Mata  Atlântica, faça do SOS Mata Atlântica a sua página inicial no computador, cadastre-se e toda vez que ligá-lo click no CLICKARVORE, uma árvore será plpantada para cada click que você der.  

 

 

 

 

 





Algumas novidades velhinhas, velhinhas…

14 03 2009

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Ilustração: Walt Disney

 

 

 

 

 

Você sabia que há no mundo alguns animais que mudaram muito pouco em milhões e milhões de anos?  Que sua evolução está praticamente estacionária?  Pois há pelo menos doze destes animais.  Alguns mais conhecidos que outros, entre eles estão o crocodilo, o nautilus e o ornitorrinco.   Para ver a lista e as fotos de todos eles, clique aqui:  WIRED

 

Abaixo duas imagens de alguns belos exemplares destes fósseis com vida!

 

 

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 Foto: Flicker/Kevin Law

 

 

O mais comum e numeroso dos fósseis vivos, o crocodilo, que quase não sofreu nenhuma mudança desde que os dinossauros viviam na Terra, ou seja, não mudaram praticamente nada em 230 milhões de anos.

 

 

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 Foto: Flicker/Ethan Hein

 

 

A beleza, a exatidão do desenho da concha do nautilus, que na antiga Grécia era um símbolo de perfeição, mudou muito pouco nos últimos 500 milhões de anos. 

 

 

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Um dos poucos mamíferos muito antigos é o ornitorrinco, que há mais de 110 milhões de anos, mantem a aparência estranha: mamíferos com bico de pato, que põem ovos e tem veneno nas esporas das patas!





Lan houses refletem familiaridade com a internet?

26 02 2009

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Opção: cartum de Máucio,  Livro: Edição de risco, 2006, Porto Alegre

 

 

 

Ando atrasada nas minhas leituras semanais e mais ainda nas notas para este blog.  Mas durante o longo fim de semana do Carnaval, voltei a dar uma limpeza na papelada que junto para futura referência e encontrei um artigo O novo astro pode ser você, que foi publicado originalmente na revista New Scientist, e traduzido e publicado no Brasil pela revista Época de 9 de janeiro de 2009.  

 

Eu o havia separado, não só porque é um artigo sobre um assunto interessantíssimo: Centros de pesquisa estão transformando os enigmas científicos, como a identificação de galáxias, em games viciantes.  Qualquer um pode ajudar a desvendá-los.   Como mostra o artigo, mas principalmente porque a fotografia de um jovem chinês em uma Lan house em Pequim simplesmente me deixou de cabelo em pé!

 

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Lan house em Pequim. Foto: Teh Eng Koon,  AFP

 

 

 

Há alguns meses que venho sentindo que andamos nos enganando no Brasil ao repetirmos que o acesso à internet está cada vez mais difundido.  Talvez eu tenha me enganado ao interpretar as notícias vindas pelos porta-vozes do governo.  Há exatamente dois anos, em março de 2007, a Agência Brasil do governo brasileiro declarava que o Brasil ocupava a 62ª posição mundial em relação ao uso da internet quando consideramos o número de internautas em relação à população do país.  Não era um dado para nos orgulharmos, afinal estar entre as 20 maiores economias do mundo e estar nessa colocação em uso da internet é um pouco encabulante… Mas, simultaneamente a mesma agência divulgava que 32,1 milhões de brasileiros, cerca de 21,9% da população acima dos 10 anos de idade, utilizaram a rede mundial de computadores, a internet, no país. Isso nos colocava com aparente orgulho nacionalista: o Brasil como o primeiro país da América Latina e o quinto no mundo no uso da internet.

 

Ora, talvez eu tenha através do ano e meio seguinte continuado a acreditar — como o nosso governo gostaria que o fizéssemos — que tudo estava muito bem sob um céu azul de bolinhas brancas.  Mas nos últimos seis meses, prestando maior atenção às notícias mundiais comecei a ter esta sensação esquisita, de que as coisas andavam mudando muito rapidamente e que, a não ser em revistas e portais especializados,  a não ser entre os aficionados, não se fala no progresso fora do Brasil. 

 

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Lan House em Copacabana

Eis que me deparo com este artigo na revista Época.  Não necessariamente o artigo que por si só já dava para levantar os cabelinhos da nuca quando pensamos em números: quantos brasileiros, adolescentes ou adultos, passam horas com jogos na internet que possam ajudar a resolver grandes enigmas da ciência?  Não quero nem pensar.  Tenho certeza de que a percentagem será mínima.  Mas o que me chamou a atenção foi um detalhe muito mais prosaico, foi a foto da Lan house ilustrando o artigo.

 

Ora, ora, moro no Rio de Janeiro, que apesar de não ser a capital das finanças brasileiras, ainda é uma senhora cidade com muita força econômica.  Moro também no bairro de Copacabana um dos bairros mais populosos da cidade, um bairro da zona sul do Rio de Janeiro, onde há muitas, muitas Lan houses.  Mas das que conheço – umas 8,  numa área de um raio de 4 quarteirões em volta da minha residência – não há Lan houses com o equipamento mostrado na fotografia da Lan house de Pequim.  Não há Lan houses com monitores modernos, com a quantidade de computadores vistos nesta foto.  E olha que o pessoal por aqui capricha por que tem que dar cobertura aos turistas.

 

 

 

 

De modo que fica a pergunta: o que estamos REALMENTE fazendo para acertarmos o passo com o resto do mundo?

 

 





Música para os ouvidos?

24 02 2009

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Você sabia que aquele cantar horripilante da fêmea do mosquito, aquele barulho semelhante a um violino desafinado, que não nos deixa dormir, é um verdadeiro poema de amor para os mosquitos machos que os ouvem? É um sinal de preparação para uma grande noite de amor!  Mas nem tudo está perdido em termos de música para os nossos ouvidos!

 

A esperança vem com os cientistas da Universidade de Cornell, nos EUA, que descobriram que, contrário ao que se pensava, os mosquitos Aedes Aegypti têm uma outra música, distinta, só deles.  E acreditam que é que isso venha a trazer os meios para que possam desenvolver cientificamente novas idéias de combate à reprodução desses mosquitos.  Na verdade, procuram também um novo estilo de combate à reprodução dos mosquitos Anopheles gambiae que transmitem a malária. 

 

 O que eles descobriram é que a fase do namoro, a chamada para a reprodução dos mosquitos que transmitem dengue é feita numa frequência de 1200 hertz que é um múltiplo simultâneo de 400 hertz – a freqüência das fêmeas e de 600 hertz a freqüência dos machos.   Este conhecimento talvez venha a servir de inspiração para novas maneiras de se controlar a população de mosquitos.   Tradicionalmente os mosquitos que transmitem a malária e a dengue são combatidos, sem grande sucesso, com inseticidas.

 

Nota baseada em notícia da BBC.





Romances celulares, você leria?

22 02 2009

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Há dois meses, no final de 2008 li uma reportagem de Dana Goodyear na revista The New Yorker que me deixou ao mesmo tempo feliz e preocupada.  O artigo chamado Carta do Japão: eu romances, considera que em 2007 quatro dos cinco romances mais vendidos no Japão haviam sido escritos em telefones celulares.  

 

Dana Goodyear centralizou seu artigo na experiência de Mone uma jovem de 21 anos que em março de 2006, achando-se casada, sem muito o que fazer, começou a escrever um romance, em grande parte baseado nos seus próprios diários de adolescente.  Na casa de sua mãe, à espera do marido completar um curso em Tóquio,  Mone se acomodou em sua antiga cama e começou a escrever seu romance no telefone celular.  Neste mesmo dia ela começou a postar o que escrevia num portal japonês chamado Maho i-Land ( A Ilha Mágica), sem nunca dar uma segunda olhadela no que havia escrito nem pensando num roteiro.  No terceiro dia de postagem Mone começou a ter contato com leitores de sua prosa que já se encontravam intrigados com as aventuras de Saki, personagem que narra o romance em questão.  O Sonho Eterno, nome que dera aos seus escritos, havia conquistado leitores que lhe pediam mais capítulos.

 

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Em meados de abril Mone havia terminado seu primeiro romance, dezenove dias depois de ter iniciado o trabalho.  Nesta altura, seu marido também acabara o curso e ela voltou a Tóquio.   Eis que de repente ela se vê procurado por uma casa editorial que queria publicar seu romance como um livro comum.  Em dezembro de 2006, o livro,  O Sonho Eterno, com aproximadamente 300 páginas foi lançado e distribuído pela Tohan, transformando-se imediatamente num dos dez mais vendidos livros do Japão em 2007.  No final daquele ano, romances escritos em telefones celulares haviam tomado 4 dos 5 primeiros lugares de mais vendidos em ficção.  O romance Linha vermelha de Mei, vendeu 1.800.000 exemplares, e ficou em segundo lugar para o romance Céu de Amor, de autoria de Mike, conseguiu o primeiro lugar em vendas.  

 

Estes escritores hoje em dia chamados de escritores de celulares conseguiram depois deste sucesso serem completamente reconhecidos como parte de um movimento cultural.  Inicialmente houve um grande rebuliço nas letras japonesas.  Muitos temiam que esta literatura, em grande parte direcionada a adolescentes viesse a acabar com a tradicional arte da escrita japonesa.  Mas logo descobriram que este não é o caso. 

 

Para jovens japoneses, e especialmente para meninas, os celulares são sofisticados, baratos e há mais de dez anos facilmente conectáveis com a internet.  Na verdade, 82% dos japoneses entre 10 e 21 anos de idade usam telefone celular.  Há uma geração inteira crescendo acostumada ao uso do celular como um mundo deles portátil, por onde eles compram, usam a internet, jogam videogames, vêem televisão em portais na web explicitamente dedicados aos celulares. 

 

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Este fenômeno daqui a pouco deixará de ser só japonês.  Com os novos IPhone e com serviços de entrega de textos como Twitter, os hábitos americanos estão no momento se desenvolvendo paralelamente aos japoneses.  Há nos EUA dois portais Quillpill e Textnovel, ambos ainda em beta, que oferecem modelos para a escrita e a leitura de ficção em celulares.  

 

A indústria editorial japonesa que havia encolhido por mais de 20% nos últimos 11 anos, abraçou o fenômeno da ficção celular com gosto.  Editoras já começam a contratar escritores para este tipo de ficção, e a distribuir capítulos dessas histórias por uma pequena taxa.  É a volta dos seriados, tal qual muito livros do século XIX foram escritos, com a diferença de terem sido publicados nos jornais.  Em 2007, 98 romances originalmente produzidos em celulares foram publicados em forma de livro.   Mais uma vez a internet mostra também como o a rede de conhecimentos de uma pessoa pode servir de base para o apoio inicial e para o sucesso mais tarde de um membro da sociedade.  Como Yoshida – um executivo em tecnologia – descreve, é um esforço coletivo.  Seus fãs lhe dão apoio e o encorajam a continuar no seu processo criador,  — eles ajudam na criação.   Depois eles compram o livro para re-afirmar aquela conexão, aquela “amizade” que têm com o autor.  

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Sozinhas estas jovens adolescentes escritoras e leitoras de ficção no celular estão mudando os costumes tradicionais.  Agora, para esta geração o sinal da tribo, é gostar de ler.  

 

Com tanto sucesso em ficção,  por que eu fiquei ao mesmo tempo feliz e preocupada?  Feliz, porque acho que qualquer incentivo à leitura é positivo. A leitura expande os conhecimentos, a imaginação.  Ela fertiliza o cérebro, ela nos mantem flexíveis nos modos de pensar, de ver e de calcular.   Preocupada, bem, fiquei mais com a escala da diferença tecnológica brasileira.  Por mais que tenhamos grandes cérebros trabalhando no Brasil em tecnologia, tenho a sensação de que o abismo entre as sociedades mais desenvolvidas tecnologicamente e nós se aprofunda.  Contrariando muitas projeções de desenvolvimento e de capacitação.  Isso é preocupante.   E muito.

 





Nós e a comida cozida

22 02 2009

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Neste último número da revista The Economist, há um artigo muito interessante sobre a evolução do ser humano.  Nele o professor da Universidade de Harvard, Richard Wrangham considera a probabilidade dos seres humanos terem se desenvolvido em humanos principalmente pelo descobrimento e manutenção do hábito de se comer alimentos cozidos.  Ou seja, depois que aprendemos a cozinhar os alimentos encontrados na natureza, depois que aprendemos a assar a carne dos animais que caçávamos, o desenvolvimento do ser humano  se modificou  muito e facilitou o crescimento dos nossos cérebros da maneira que conhecemos.

 

 

Cozinhar é universal para todos os seres humanos.  Não há uma única cultura, um único grupo humano que não dependa da preparação da comida no fogo.    E há ainda um outro detalhe de grande importância de acordo com a pesquisa de Wrangham:  o consumo de uma refeição em que o alimento é cozido no início da noite, em grupo, com família e amigos, é padrão, é o normal em todas as sociedades conhecidas.  E que sem cozinhar seu alimento o cérebro humano – que consome de 20 a 25% da energia do corpo – não poderia trabalhar o tempo todo.  Ele ainda advoga que a humanidade e a comida cozida nasceram simultaneamente.

 

Com o cozimento dos alimentos há 3 grandes mudanças que favoreceram o desenvolvimento de seres humanos como os conhecemos: 1)  moléculas nos alimentos são quebradas em fragmentos de mais fácil digestão.  2)  As moléculas de proteína quando quebradas revelam cadeias de aminoácidos em que as enzimas digestivas  podem ser mais facilmente processadas.  3) O calor amacia os alimentos.  Isto os faz mais fáceis de digerir.  Assim o corpo usa menos calorias para ingerir e digerir o alimento cozido do que o faz com o alimento cru.

 

Para a defesa de sua tese, Dr. Wrangham, usou de pesquisas em diversos outros campos. Para maior detalhamento do que ele fez, por favor, clique aqui:  THE ECONOMIST.   É importante, no entanto, lembrar que a contribuição que ele faz ao estudo da evolução do ser humano é a ligação entre a comida cozida e a humanidade.





Mais de 300 novas espécies no fundo do mar

19 01 2009
estrela do mar em cores brilhantes a 1 km de profundidade

Tasmânia: estrela do mar em cores brilhantes a 1 km de profundidade

Uma equipe de cientistas australianos e americanos descobriu quase 300 espécies de corais, anêmonas e aranhas marinhas em uma reserva marinha a sudoeste da ilha de Tasmânia, na Austrália.

A equipe fez duas expedições.  Cada uma de duas semanas.  Elas cobriram tanto a Reserva Marinha Tasman Fracture Commonwealth, reconhecendo o terreno  até 4 mil metros de profundidade com um submarino não-tripulado;  quanto a Reserva Marinha Huon Commonwealth, de aproximadamente  185km – ou  100 milhas náuticas – da costa da Tasmânia.

Estas reservas marinhas servem de abrigo a muitos recifes de coral.  Corais em geral se dão muito bem em montanhas submersas, em geral formadas por vulcões em baixo d’água, que se elevam algumas centenas de metros acima do fundo do mar.  Vastos fósseis de coral foram descobertos a menos de 1. 400 metros. Os cientistas acreditam que eles se formaram há mais de 10 mil anos.

Tasmânia, esponja gigante

Tasmânia, esponja gigante

A expedição, liderada pelos cientistas Jess Adkins do Instituto de Tecnologia da Califórnia e Ron Thresher, do CSIRO da Austrália, encontrou também registros de danos ao meio ambiente.

Nós também recolhemos dados para avaliar a ameaça representada pela acidificação do oceano e mudança climática nos recifes de coral únicos das profundezas característicos da Austrália“, disse Thresher.

Os pesquisadores afirmaram que há evidências de que recifes de coral mais novos estão morrendo.  Segundo Thresher, as causas ainda estão sendo analisadas, mas os fatores podem incluir o aumento da temperatura dos oceanos, o aumento da acidez das águas ou doenças.

Este projeto descobriu um leque enorme de novos seres marítimos que eram até hoje completamente desconhecidos.  Ficaram encantados com as novas imagens, principalmente com aquelas mandadas  por um submarino não tripulado.  Ele explorou   uma fenda geológica no fundo do mar, de quase 4 km de extensão, próximo à costa da Tasmânia.  Mas o programa só visitou duas das quatorze reservas marinhas da cadeia de reserva marinhas da região.  É óbvio que ainda há muito a ser descoberto.

Está mais do que na hora de formarmos no Brasil um maior número de cientistas dedicados às formas de vida do mar.





Malandragem não tem vez no formigueiro!

11 01 2009

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Ilustração Chris Shafer.

 

O formigueiro tem muitos diferentes tipos de formigas.  As trabalhadoras em geral não se reproduzem para poderem cuidar dos filhotes da rainha.  Um grupo de pesquisadores da Alemanha e dos EUA descobriu que algumas matérias químicas produzidas por algumas formigas “trapaceiras” deixavam estas formigas férteis.  

 

Eles estudaram a espécie Aphaenogaster cockerelli aplicando um produto sintético (típico das formigas férteis) em formigas trabalhadoras.  Nas colônias em que a rainha estava presente, as formigas com o químico da fertilidade foram atacadas, mordidas, puxadas e aprisionadas por suas colegas.  Mas, o mesmo não aconteceu nas colônias em que não havia nenhuma rainha.  

 

As formigas que não obedecem às regras sociais são punidas.  A restrição à reprodução afeta diretamente na harmonia social do grupo.  Dr. Jürgen Liebid, da Universidade de Arizona, lembrou que o sistema social harmônico depende sobretudo da prevenção e da punição daqueles que queiram burlar o sistema, uma regra que pode ser aplicada às sociedades bem sucedidas.

 

BBC

 

Outros textos neste blog sobre formigas:

 

Olavo Bilac;