Novas e raras espécies descobertas no Atlântico

8 07 2010

Pesquisadores do programa internacional Mar-Eco descobriram animais raros e mais de 10 possíveis novas espécies em uma viagem que, segundo eles, revolucionou o pensamento sobre a vida nas profundezas do Oceano Atlântico. As informações são da Universidade de Aberdeen, no Reino Unido.

Os cientistas estavam completando a última etapa do programa de pesquisa internacional, que faz parte do Censo da Vida Marinha, quando descobriram as espécies. Entre as criaturas capturadas pela equipe foi encontrado um grupo que se acredita estar próximo da conexão evolucionária que falta entre animais invertebrados e vertebrados.

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A Euryalid Ophiuroid – Gorgonocephalus sp ., conhecida como Star Basket ou Gorgon Head Starfish, foi capturada a cerca de 800m abaixo do nível do mar no Oceano Atlântico.   Foto: David Shale

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A pesquisa está sendo liderada por cientistas da Universidade de Aberdeen e envolve 16 cientistas de vários países, ao longo da crista do meio do Atlântico, que fica entre a Islândia e Os Açores.

A área explorada fica abaixo das águas frias da corrente do Golfo e das águas quentes do sul. Os pesquisadores utilizaram um veículo de exploração submarina operado por controle remoto (ROV, na sigla em inglês) para chegar a profundidades entre 700 m e 3.600 m.

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A Polynoid Polychaete foi localizada há 2.500 m abaixo do nível do mar no Oceano Atlântico. Foto: David Shale

 

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Segundo o professor Monty Priede, diretor do Oceanlab da Universidade, os cientistas envolvidos no projeto ficaram surpresos ao ver quantos animais vivem dos dois lados da crista, e que existem diferenças entre os animais do sul e os do norte.

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FONTE: Terra





O homem foi da África para a Grã-Bretanha há 950.000 anos

8 07 2010

Representação artística da vida há 800.000 nas margens do Tâmisa.
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Arqueólogos britânicos apresentaram nesta quarta-feira um tesouro em ferramentas de pedra e restos fossilizados de plantas e animais que foram encontrados em Norfolk, Reino Unido. Segundo os pesquisadores, os achados indicam que os primeiros seres humanos chegaram à região há 950 mil anos, vindos da África, e estabeleceram-se na região de Happisburgh, que seria o berço da civilização britânica.

Pelas peças encontradas, os arqueólogos afirmam que a população na época não era pequena e sim formada por milhares de indivíduos. Com testas baixas e grossas sobrancelhas, esses seres humanos primitivos caçavam grandes animais como mamutes, veados e alces gigantes, além de praticar a pesca.

 

Arqueólogos na costa de Norfolk.

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Pela similaridade com outro homem pré-histórico encontrado na Espanha, que era canibal, os cientistas suspeitam que essa população também tivesse essa característica. O homem  pré-histórico teria entrado na Grã-Bretanha através de uma ponte de terra extensa que, em seguida desapareceu, mas que ligava a Inglaterra à  Europa continental.

De acordo com os arqueólogos, os achados, provavelmente, levarão a uma reavaliação dos conhecimentos sobre a adaptação e os recursos dos primeiros seres humanos na região, pois mostram que eles tinham conhecimento e tecnologia para sobreviver em climas mais rigorosos.

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 Entre os fósseis encontrados, um dente de mamute (à esquerda), restos de uma hiena (centro) e uma mandíbula de castor gigante extinto. As peças foram exibidas no Royal Institution, em Londres.  Foto AP.
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Os artefatos de pedra são extremamente importantes porque eles não só são muito mais antigos do que outros achados na região, mas estão associados a um único conjunto de dados ambientais, que dá uma imagem clara da vegetação e clima da época. Isso indica que os primeiros seres humanos que viveram no Reino Unido sobreviveram em um clima mais frio do que a região apresenta hoje“, afirma o Dr. Nick Ashton, um dos responsáveis pela descoberta.

O sítio das descobertas se encontra a 135 milhas a nordeste de Londres e está localizado num  antigo curso do rio Tâmisa.   Os planos de densa lama e os pântanos do seu antigo estuário e existentes também na costa funcionavam como enorme área para  caça. Na época as margens do rio eram cobertas  por uma floresta de coníferas e habitadas  por uma grande quantidade de animais: mamutes, rinocerontes, elefantes, tigres dente de sabre, cavalos, alces, veados, ratazanas e hienas,  tão  grandes  quanto  leões;  todos percorriam os bancos de areia do rio.  Quando a caça era escassa, algas, tubérculos e mariscos teriam ajudado na alimentação diária.  Além disso, o homem em Norfolk provavelmente não hesitou  em  se servir das  carcaças descartadas pelos  grandes felinos.  Mas o caçador também foi caça; com tigres dente de sabre e hienas tão grandes como leões provando serem formidáveis predadores.

Não existem cavernas na área investigada, o que sugere que este homem construiu abrigos primitivos para se manter protegido do frio. Algumas das pedras descobertas tinham entalhes, sinal de que eles conseguiam trabalhar bem com a madeira. E apesar de vestígios das caçadas e dos animais abatidos estejam às margens do rio, locais de habitação ainda estão para serem descobertos.

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Milhares de ancestrais do ser humano caçavam e pescavam animais como mamutes, alces gigantes e veados.

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O clima da época era semelhante ao encontrado hoje no sul da Escandinávia.  As temperaturas no verão eram tão quentes quanto as da Grã-Bretanha atual, mas os invernos eram prolongados  com temperaturas  variando entre  0 ° C  e 3C .  É possível que o cabelo do corpo possa ter ajudado esses nossos antepassados a se manterem aquecidos, mas é provável que eles tenham usado peles de animais como roupas e que já dominavam o uso do fogo — embora essa evidência ainda está por ser encontrada.

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FONTES:  Terra, The truth behind the scenes





Filhotes fofos: tartarugas

5 07 2010

Foto, Bob Couey/ Sea World San Diego/ AP.

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Filhotinhos de tartaruga marítima  são transferidos para a piscina de crescimento do Sea World, em San Diego, EUA.   A população de tartarugas do mar verdes, uma espécie em perigo de extinção,  aumentou por  82 novos bebês que saíram dos ovos de tatarugas  na Praia de Shipwreck, há 8 meses.  Nasceram sem intervenção do homem.





Impressionando as dinossauras com cristas e velas!

30 06 2010
Pterossauro, ilustração.

O objetivo das cristas exageradas e “velas” encontradas em muitos animais fósseis tem sido controverso. Alguns cientistas afirmam que as “velas” nas costas ajudavam a regular a temperatura corporal e que as cristas na cabeça auxiliavam a orientar os répteis alados durante o vôo.  Agora, um novo estudo diz que esses atributos se tornaram tão grandes por causa da competição sexual. Os resultados, descobertos por uma equipe internacional de pesquisadores, foi publicado na revista American Naturalist.

Uma das classes de animais pré-históricos analisados pelos pesquisadores foi a dos pterossauros – répteis voadores extintos na época dos dinossauros.  O estudo sugere que o tamanho da crista da cabeça em relação ao corpo do pterossauro era grande demais para ter sido dedicado ao controle da temperatura corporal ou da direção de voo.   Os pesquisadores também investigaram criaturas semelhantes a mamíferos, chamados eupelicossauros, que viveram antes dos dinossauros. Esse grupo, que incluía os animais dimetrodon e edaphossauro, carregava grandes e elaboradas “velas” ao longo das costas.

Por meio de relações conhecidas entre o tamanho corporal e a atividade metabólica nos organismos vivos – o processo por trás da geração de calor -, os cientistas concluíram que as “velas” eram muito exageradas para terem desempenhado um papel no controle da temperatura corporal.   “Uma das poucas coisas que não mudou ao longo dos últimos 300 milhões anos foi as leis da física“, disse o coautor do estudo, dr. Stuart Humphries, da Universidade de Hull. “Por isso, tem sido bom usar essas leis para compreender o que realmente poderia estar dirigindo a evolução dessas grandes cristas e velas.”

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Pelicossauro, ilustração.

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As velas do eupelicossauro estão entre os primeiros exemplos conhecidos de características sexuais secundárias exageradas na história da evolução dos vertebrados.  “De fato, a vela do dimetrodon é uma das maiores características sexuais secundárias de qualquer animal“, disse Tompkin um dos  coautores junto com  Dave Martill, da Universidade de Portsmouth, que acrescentou: “Pterossauros fizeram um esforço ainda maior para atrair um companheiro que os pavões, cujas grandes penas são consideradas a estrutura mais elaborada de seleção sexual nos dias de hoje. Pavões se desfazem de sua fantástica plumagem a cada ano, então é um fardo temporário, mas os pterossauros tinham que carregar sua crista o tempo todo”.

Tompkins acrescentou: “Nossa análise sugere que o pteranodonte masculino competiam uns com os outros em batalhas por domínio usando suas cristas – de forma semelhante aos animais com chifres ou galhos. As fêmeas possivelmente avaliavam os machos pelo tamanho de suas cristas, de forma semelhante ao que as fêmeas do pavão fazem hoje“.

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Fonte: Estadão on line





Macaúba: uma solução para a preservação do meio ambiente em SP

29 06 2010

Macaúba, 1860

Ambroise Verschaffelt ( Bélgica 1825-1866)

Do livro L’ Illustration Horticole

Uma pesquisa coordenada pela Universidade de São Paulo (USP) sugere a plantação de macaúbas como uma forma rentável de preservar a reserva ambiental. As primeiras experiências estão sendo realizadas a oeste do estado de São Paulo,  na região do Pontal do Paranapanema.

Lá o fruto da macaúba, uma palmeira nativa da região que chega a produzir até dez vezes mais óleo do que a soja por hectare, está sendo considerada como uma opção viável para a produção de biodiesel. Por causa de grande potencialidade de produção de óleo, a macaúba foi  a espécie foi escolhida para recuperar áreas degradas de pastagem e prover o sustento das famílias da região.

O objetivo de nossa pesquisa é construir um sistema de produção agrícola em que a gente tenha uma espécie de carro-chefe para produzir energia”, explica o professor Paulo Kageyama, da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq-USP). Isso seria além de outros produtos que garantiriam o sustento do produtor.   Pelo projeto, a macaúba deve ser cultivada em conjunto com outras espécies, algumas alimentícias, que darão retorno financeiro e alimentício,  mais imediato aos produtores.  Esse processo auxilia o produtor a se estabelecer e a sobreviver no período de crescimento das palmeiras.  Estas levam cerca de cinco anos até darem os primeiros frutos. “É uma agricultura associando árvore com arbusto e espécies agrícolas, principalmente frutíferas tropicais“, ressalta Kageyama.

Tudo indica que este modelo de plantio poderia ser aplicado a outras regiões do Brasil com espécies naturais de outras regiões.  Um exemplo seria a palmeira do dendê. A conciliação entre a preservação e a produtividade é o melhor caminho para conservação da biodiversidade.

Para mais informações:  TERRA





Filhotes fofos: tigre siberiano

28 06 2010

Aqui está Antares, um filhotinho fofo, um tigre siberiano, na sua primeira apresentação ao público no Zoológico de Berlim, na Alemanha.





A fenda africana continua… Nova ilha no Oceano Índico

26 06 2010
Fenda no continente africano.

O continente africano deve ser dividido em duas partes pelo aparecimento de um novo oceano em dez milhões de anos.  Um grupo de cientistas britânicos, que vêm monitorando mudanças geológicas na região de Afar, na Etiópia, descreveu o processo na conferência da Royal Society, de Londres.   A fenda de 60 km de comprimento se abriu a região em 2005 e vem crescendo sistematicamente. 

Normalmente rios, novos mares e montanhas nascem em câmera lenta. Mas no “Chifre da África” a coisa é diferente.  O monitoramento num período de apenas dez dias verificou a expansão da fenda em oito metros, alertou o sismólogo James Hammond, da Universidade de Bristol, um dos coordenadores do estudo.   Os pesquisadores dizem que o processo acabará dividindo a África em duas áreas, transformando parte da Etiópia e da Somália em uma grande ilha no Oceano Índico.

Outra visão da fenda em solo africano.

Partes de Afar estão abaixo do nível do mar, e o oceano está separado por apenas uma faixa de 20 metros de terra do território da Eritréia“, afirmou Hammond. “Então essa terra cederá eventualmente, o mar entrará e começará a criar esse novo oceano“.   Com o tempo esse oceano crescerá até separar de vez a região do chamado “Chifre da África” do restante do continente, criando assim “uma África menor e uma ilha muito grande no Oceano Índico“.

A fenda apareceu em 2005, após a erupção do vulcão Dabbahu, na região de Afar. E dará lugar a um novo oceano, que  está se formando com uma velocidade incrível – pelo menos pelos padrões geológicos.  O local está abaixo do nível do mar. Não tem água porque se encontra fora da costa do continente. Os sismólogos dizem que estão presenciando um processo que normalmente só ocorre debaixo dos oceanos.

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Uma das surpresas desse processo é que sabemos o momento em que a fenda nasceu.  Em 2005, os geólogos Dereje Ayalew e seus colegas da Universidade de Adis Abeba foram surpreendidos e amedrontados quando ao chegarem às planícies do deserto central da Etiópia, sentiram que o chão começou a tremer. O piloto ainda gritou para os cientistas voltarem para o helicóptero. E aí, aconteceu: fendas apareceram e como um zíper a terra se abriu.  Após alguns segundos, o chão parou de se mover.  Recuperando-se do choque, Ayalew e seus colegas perceberam que tinham sido presenteados com um evento sem igual:  acabavam  de testemunhar um momento da história do planeta.  Nunca antes seres humanos estiveram presentes nos primeiros passos do nascimento de um oceano.  Normalmente, as mudanças ao nosso meio ambiente geológico ocorrem de forma quase imperceptível. O período de uma vida humana é muito curto para ver rios mudarem de rumo, para testemunhar a terra subindo para formar montanhas.

FONTES E MUITO MAIS INFORMAÇÕES:  BBC, SPIEGEL, FOX NEWS 





21 de junho: Solstício de inverno

21 06 2010
Zé Carioca visita o Rio Grande do Sul, ilustração Walt Disney.

Hoje, dia 21 de junho,  às 03h46m (madrugada) tivemos o Solstício de Inverno no Hemisfério Sul e o Solstício de Verão para o Hemisfério Norte. Popularmente falamos que o Inverno começa oficialmente nesta data para nós aqui no Brasil e para todo hemisfério sul.

Época de comer pipoca enrolado em um cobertor e assistir um bom filme, quem sabe um vinho e um bom papo. Ou simplesmente um bom chocolate quente. Mas, você sabe por que isto ocorre? Por que é diferente em cada hemisfério? Algumas pessoas pensam que o Inverno é quando nosso planeta fica mais distante do Sol, ou mesmo porque o nosso hemisfério fica mais afastado. Isto não é verdade.

A causa das estações do ano, Primavera, Verão, Outono e Inverno e o fato de serem diferentes em cada hemisfério, está relacionada ao eixo inclinado da Terra em relação ao plano da eclíptica e sua órbita ao redor do Sol. As estações do ano do Verão e Inverno são os chamados pontos de Solstícios.

As estações do ano da Primavera e Outono são os chamados pontos de Equinócios. Um dos 14 movimentos que nosso planeta executa é o de Translação. Este movimento é a trajetória ligeiramente elíptica que a Terra realiza em torno do Sol. Para dar uma volta completa ela demora aproximadamente 365 dias e 6 horas e o faz a uma velocidade de 30 km/s, ou seja, a cada segundo nosso planeta percorre uma distancia de 30 km no espaço. Rapidinha não é? E você pensou que estava parado sentado no sofá de sua casa…

A diferença de 6 horas é acumulada e compensada a cada 4 anos com um ano bissexto, incluindo um dia no mês de Fevereiro.

Mais informações em SOMOS TODOS UM.





Um tecido único, naturalmente dourado, da seda de um milhão de aranhas

21 06 2010

Tecido de seda de aranha.  Cor natural.  Foto: American Museum of Natural History/R. Mickens.

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Hoje me lembrei de um artigo que eu havia lido no New York Times, sobre um tecido de seda de aranhas e que eu traduzia, quando uma pane no meu computador levou todo o meu trabalho para o éter.  Num sábado com um  único compromisso: ir ao jogo de vôlei Brasil x Coréia do Sul no Maracanãzinho, encontrei tempo suficiente para resgatar o assunto.  Procurei na rede  postagens brasileiras sobre os assunto, mas encontrei uma única enttrada no Boca Aberta.  Por que então postar?  Porque esta é uma oportunidade única de se conhecer um tecido feito de seda de fios de aranha.  Não há outro no mundo.  Mas sua fama é milenar.

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O tecido que foi exibido no Museu de História Natural  em Nova York é raro.  Foi feito com o fio de seda produzido por mais de um milhão de aranhas .  Para produzi-lo  um grupo de 70 pessoas, em Madagascar,  levou  4 anos coletando as aranhas que produzem este fio, enquanto um outro grupo de mais ou menos 12 trabalhadores extraia, cada um deles, aproximadamente 243 metros de cada aranha.  O resultado foi um tecido de 335 cm por  122 cm de largura.  Isso para fazer o único tecido de grandes proporções de seda de aranha no mundo, nos dias de hoje.

A seda da aranha é muito elástica e muito forte, incrivelmente forte mesmo de comparada ao aço ou ao Kevlar “[NT: Kevlar é uma fibra sintética muito resistente — marca registrada da Dupont}. Afirma Simon Peers, que é um dos líderes do projeto.  “ Há pesquisas no mundo inteiro hoje que tentam duplicar as propriedades de tensão do fio da aranha e aplicá-lo a  todo tipo de projeto da medicina à industria.  Mas ninguém ainda teve sucesso em conseguir todos as propriedades da seda da aranha”.

Simon Peers  teve essa idéia depois que soube de um missionário francês, Jacob Paul Camboué,  que trabalhou com aranhas em Madagascar no final do século XIX. Camboué construiu com auxílio de um sócio, M. Nogué,  uma pequena máquina de tecer à mão para extrair a seda de até 24 aranhas ao mesmo tempo, sem machucá-las.  O tecido obtido deu para fazer por esse processo um jogo completo de cama que  foi exposto na Exposição Universal de Paris em 1898, e depois perdido.   Antes de Camboué, na década de 1890, em Madagascar o fio de seda da aranha só era usado, na tradição secular, como fio para redes de pesca bastante rudimentares. 


As aranhas tecedeiras [Nephila madagascariensis] .

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Simon Peers então se propôs e conseguiu fazer uma réplica dessa máquina têxtil para 24 aranhas que foi usada no final do século XIX.  Junto com Nicholas Godley eles coletaram as primeiras 20 aranhas e as colocaram na máquina e começaram a rodá-la.  Para surpresa dos dois um belo e finíssimo fio de ouro começou a ser fabricado. 

O primeiro projeto do Comboué foi feito da maneira mais primitive possível.  As aranhas [Nephila madagascariensis ] eram colocadas numa caixa de fósforo e por um pequena compressão no seu abdome podiam extrair e enrolar num carretel movido à mão o fio que às vezes atingia até 450 metros.  Graças a invenção de M. Nougé que permite o fio de ser enrolado automaticamente e e e suas notas da construção da máquina que foi possível trançar e dobrar o fio de uma maneira prática e rápida.  Isso é feito por uma máquina difícil de descrever em que as aranhas são presas pela garganta, enquanto fabricam o fio.  Elas aceitam esta prisão de maneira bastante passive, e enquanto a seda é retirada elas permanecem completamente imóveis.  Mas para fazer um tecido de um tamanho razoável Peers e Godley tiveram que aumentar bastante o projeto.  14.000 aranhas dão aproximadamente  28 gramas de seda e o tecido exposto no museu, pesa 1.180 gramas.   Os números são gigantescos.  Assim, jovens meninas de Madagascar ião diariamente a um parque próximo à escola que freqüentavam e coletavam 300 a 400 aranhas.  Essas aranhas eram colocadas em cestos com tampas de madeira, para o transporte.   Em geral, depois de serem postas na máquina, e a seda retirada, as aranhas são recolocadas de volta no parque por algumas semanas.  Pode-se retirar a seda da mesma aranha passado algum tempo de Godley menciona que “é como um presente que se renova, que você continua recebendo”.  A seda quando é coletada já vem com a cor dourada e não precisa pentear nem de qualquer outro tipo de tratamento antes de ser usada na trama.  

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Para conseguir a quantidade de seda de que necessitavam,  Godley e Peers empregaram dezenas de pessoas para pegarem as aranhas: coletar e colocá-las na máquina.  “Tivemos que procurar pessoas que se interessassem em trabalhar com as aranhas, porque elas mordem”.   No final do projeto foram usadas mais de um milhão de aranhas fêmeas para conseguirem a seda necessária.  Essas aranhas  são membros da família Nephila genus e encontradas nos trópicos.  São de fácil identificação: grandes teias douradas, que podem ser vistas entre postes de luz ou telefone, ou entre fios de luz e que podem chegar em tamanho à largura de uma estrada para um carro.  Os fios dourados só são produzidos durante a estação das chuvas, por isso os trabalhadores as coletam entre outubro a junho.  O milhão de aranhas usado no projeto,  foi coletado em Antananarivo, capital de Madagascar e  arredores.

Precisa ser dito o quão intrigante é ver que as aranhas usadas no processo parecerem dóceis ao se deixarem ser manuseadas.  Por que elas são conhecidas por sua ferocidade, pelo menos contra os seres de seu próprio meio.  Só aranhas fêmeas produzem o fio de seda.  Elas, em geral, degustam seus parceiros depois do acasalamento e comem também com alguma freqüência, outras aranhas fêmeas mais fracas do que elas mesmas.  Quase toda a seda é feita dos casulos de lagartas da seda, mas de tempos em tempos, as pessoas tentaram fazer seda do fio de aranha.  Um dos grandes problemas é o canibalismo das aranhas que se devoram quando cativas, e colocadas num único ambiente, o que não acontece com as lagartas. 

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Há muito tempo pesquisadores tentam entender as propriedades da seda de aranha que são únicas,que as fazem mais fortes do que se fossem feitas com fios de aço ou Kevlar e ainda por cima muito mais flexíveis, se esticando até 40 % além do seu comprimento normal sem quebrar.  O fio também é mais forte do que o aço e à prova d’água.  Infelizmente a seda de aranha é muito difícil de ser produzida em grande quantidade. 

E é claro que gastar 4 anos produzindo um único tecido de seda de aranha não é muito prático para os cientistas tentando estudar todos os aspectos dessa seda, nem companhias que gostariam de manufaturar um tecido que pudesse ter uso biomédico, — no campo de batalha, nas viagens espaciais, em coletes à prova de bala,  ou como simples alternativa ao Kevlar — poderiam fazer isso.  Alguns pesquisadores tentaram inserir alguns genes de aranha em bactérias ( até mesmo vacas e cabras) para a produção de seda, mas até hoje, essas tentativas têm tido pouco sucesso.

Parte do problema de produzir a seda da aranha em laboratório é que ela começa como uma proteína líquida que é produzida por uma glândula especial no abdome da aranha.   A aranha usa de força em suas pequenas rocas para re-arrumar a estrutura molecular da proteína e torná-la  em seda.

Quando se fala de uma aranha produzir seda, estamos , na verdade, falando em como ela aplica suas forces para produzir a transformação de um líquido em sólido,” disse o conhecedor de seda Todd Blackledge da Universidade de Akron, que não teve participação no projeto do tecido.  “Os cientistas não conseguem duplicar o que as aranhas fazem tão bem.  A cada ano que passa estamos cada vez mais próximo de poder produzir essa seda em grande quantidade, mas ainda falta chegarmos lá”.  

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Tecendo.

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O tecido em exposição foi feito com um desenho e pássaros e flores baseado na longa tradição tecedeira da região montanhosa de Madagascar.  Essa arte tecelã era reservada só para as pessoas da família real e das classes mais altas, como o povo Merina.  Seda natural de lagarta há muito que é utilizada em Madagascar, mas não há lá nenhuma tradição de tecelagem com seda de aranha.   O tecido ficou em exposição em Nova York por seis meses e está agora em Londres onde também ficará exposto ao público por algum tempo antes de passear pelo mundo de museu em museu.





Relato de viagem de George Gardner, 1839-1840 — Goiás

19 06 2010

Distrito da Chapada, 1827

Adrien Taunay ( França, 1803-1828)

Aquarela,  42 x 32 cm

Academia de Ciências de São Petersburgo, Rússia

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George Gardner foi um botânico, zoológo e médico, enfim um naturalista inglês. Nasceu em 1812 e faleceu em 1849.  Chegou ao Brasil em 1836 e passou 3 anos e meio aqui.  Percorreu algumas regiões do Nordeste e do Brasil Central.  Registrou suas impressões no livro Viagens no Brasil cujo título é: Viagens no interior do Brasil: principalmente nas províncias do norte e nos distritos do ouro e do diamante durante os anos de 1836-1841, publicado em 1846, 1849 e em 1973, todas essas edições em inglês, sendo traduzida para o português apenas em 1942 e reeditada em 1975.  Aqui está um trechinho:

          “No dia 10 de fevereiro de 1840 partimos de Natividade, com o intuito de ir até a vila de Arraias, cerca de trinta léguas ao sudeste.  Tínhamos feito todos os preparativos para partir no segundo dia do mês, mas passamos pelo aborrecimento de saber que um dos cavalos desaparecera, o que nos deteve ali por oito dias mais.  Verificamos, afinal, que alguém o levara de empréstimo, porque quatro dias depois de nossa partida foi encontrado perto do lugar donde o haviam tirado, sendo então enviado, para me alcançar em caminho, pelo meu amigo, o juiz de órfãos.

          Saindo de Natividade e contornando a serra em direção do sul, chegamos à margem de pequena corrente chamada riacho Salobro, que corre para o oeste desemboca no rio Manuel Alves;  suas águas são salobras durante o tempo da seca.  Os fardos tiveram de ser passados todos por sobre uma tosca espécie de ponte chamada pinguela, feita do tronco de duas árvores; e, como o rio e suas margens eram fundos,tivemos não pouca dificuldade em fazer os animais atravessar a nado.  Ficamos por essa noite na Fazenda das Três Léguas, por ser essa a distância da vila, como o nome indica.  Na manhã seguinte,  após légua e meia de caminho,  chegamos novamente às margens do rio  Manuel Alves, mais fundo e largo do que no lugar onde primeiro o atravessamos: aqui, porém, tivemos a dita de encontrar canoa e, segurando cada qual um dos cabrestos, puxaram os animais a nado, dois de cada vez.  Antes que nossa bagagem fosse transportada para o lado oposto, passou por sobre nós, vinda do  nordeste, grande trovoada que nos encharcou.   À vista disso, pareceu-me que o melhor era seguirmos imediatamente para a primeira casa, légua e meia distante dali, onde pernoitamos.

          A região entre a vila e o rio é quase toda uma planície baixa, de campos abertos, pântanos e tratos de terra escassamente cobertos de árvores.  Alguns belos arbustos florescentes e umas poucas orquídeas terrestres foram colhidas na jornada.

          Deste lugar, em dois dias e meio, vencemos mais de dez léguas para chegar ao Arraial da Conceição.  Na noite de 12 dormimos em uma grande fazenda de criação de gado, chamada São Bento, impedidos que fomos de partir à tarde por motivo de forte tempestade.  Até uma légua do arraial a região ainda é aberta e baixa; ao depois torna-se montanhosa, mas montanhas baixas e por vezes rochosas.  Tão rara é a população desses  distritos, que entre São Bento e o Arraial, em uma distância pelo menos de vinte milhas, só encontramos uma casa.  A maior parte deste distrito apenas se presta à criação de gado; mas há também grande porção admiravelmente propícia a plantações de várias espécies.

Palmeiras Buriti, Quilombo, na Chapada, 1827

Adrien Taunay ( França, 1803- 1828)

Aquarela, 41 x 32 cm

Academia de Ciências de São Petersburgo, Rússia.

 O Arraial da Conceição tem uma população de cerca de CE m almas; mas há no lugar muitas casas, pertencentes a fazendeiros, que só as ocupam ao tempo das principais festas da igreja.  Negros e mulatos formam a maioria da população residente e poucos brancos vimos nos quatro dias em que lá estivemos.

          A vila assenta em uma baixada entre duas colinas, mas a região em torno é geralmente plana.  As casas erguem-se quase todas, em duas ruas compridas, com duas igrejas, uma das quais em ruínas.  A água de que Arraial se abastece vem de pequeno regato; água má, de sabor salobro, que parece ter alguma influência na produção do bócio, tão comum na zona do oeste da serra Geral, que é, até onde pude verificar, cercada de pedra calcária semelhante à que existe em Natividade.  As águas que manam nestas rochas são todas mais ou menos salinas e, onde quer que são bebidas pelos habitantes, aí se encontra o bócio.  Ao longo da parte oriental da serra, ao contrário, raramente se encontram casos desta doença; e aí, pelo menos nas partes por mim visitadas, não há pedra calcária, nem são os riachos impregnados de matéria salina.

          O solo dos arredores da aldeia, em uma extensão de cerca de uma légua, dá evidentes mostras de ter sido escavado em busca de ouro e, por tudo quanto ouvi, muito deste metal aí se encontrou antigamente.

          O pouco que hoje se acha mal compensa os labores da procura.  O solo em que se encontra é de argila e cascalho, restos, evidentemente, de primitivas rochas, onde o ouro aparece ou em partículas diminutas, ou em grãos de todos os tamanhos, chegando alguns deles, ao que se diz, ao peso de várias onças.  Acredita-se também na existência de ricos veios na rocha sólida, que consiste principalmente de quartzo; mas não se podem explorar em profundidade, por falta de meios de remover a água que se acumula.  Informou-me o vigário, talvez com exagero, que a pouca distância da aldeia existe uma mina tão rica, que um pequeno balde de terra dá quase um quarto de onça de ouro.  Disse mais, que a mina não tem mais de vinte pés de profundidade, mas teve de ser abandonada por muito tempo devido ao influxo de uma nascente de água.

          O único meio de se livrarem da água era postar em diferentes alturas certo número de homens que passassem a água de um para o outro em pequenos baldes.  Perguntando-lhes eu por que não faziam uso de bombas, disseram-me que já haviam ouvido falar em tal coisa, mas nunca a tinham visto.  Porque os mecânicos do lugar eram a tal ponto ignorantes, que não sabiam fabricar tão simples instrumentos.

          Do vigário recebi muitas provas de bondade durante minha visita.  Era um homem em extremo benevolente e muito estimado do povo.  Embora avançado em anos, mostrava-se de temperamento ativo, muito mais ativo, com efeito, que o comum da gente de sua classe e da gente de todo o país.

          Era a única pessoa daquelas paragens que assinava um jornal do Rio; mas pela irregularidade dos correios, davam-se longos intervalos em sua entrega.  O vigário deu-me uma apresentação a um dos homens mais influentes nos arredores da vila Arraias e que era seu amigo íntimo.

          Dentro dos últimos vinte anos sentiram-se dois ligeiros abalos sísmicos em Natividade e Conceição, o primeiro em 1826 e o segundo em 1834: o tremor de terra, ainda que de curta duração, foi nitidamente perceptível em ambos os lugares.  Também foram os únicos lugares do Brasil onde soube que tais fenômenos se tinham observado.

          Partimos de Conceição na manhã de 17 de fevereiro, vencendo quatro longas léguas para chegar, quando a tarde estava avançada, às margens do rio da Palma”. ….