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Alberto Rafols Cullerés (Espanha, 1892-1986)
óleo sobre tela
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Pateta vira pintor, ilustração Walt Disney.–
O bom pintor, quando pinta
para dar vida à aquarela,
põe mais amor do que tinta
no sentimento da tela.
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(José Lucas de Barros)
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Senhora lendo ao lado de um enorme rododendro, s/d
Anna Boch (Bélgica 1848-1936)
óleo sobre tela, 67 x 106 cm
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Rosalie Anna Boch nasceu em Saint-Vaast, em Hainaut na Bélgica, em 1848. No início de sua carreira usou da técnica pontilhista. Mais tarde abraçou o impressionismo propriamente dito pelo resto de sua carreira. Foi aluna de Isidore Verheyden e também bastante influenciada por Théo van Rysselberghe, que conheceu no Grupo dos XX. Além de trabalhar como pintora, Anna Boch colecionou telas impressionistas de artistas importantes, seus contemporâneos. Além disso, promoveu muitos jovens artistas, inclusive Vincent van Gogh a quem ela admirava por seu talento e que também era amigo de seu irmão Eugène Boch . Vigne Rouge (O vinhedo vermelho), comprado por Anna Boch, acredita-se ter sido a única pintura de Van Gogh vendida durante a vida do artista. A coleção de Anna Boch foi vendida após sua morte. Em seu testamento, ela doou o dinheiro para pagar a aposentadoria de amigos artistas pobres. Faleceu em Bruxelas, em 1936.
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Marcos de Oliveira (Brasil, 1980)
Acrílica sobre tela, 160 x 200 cm
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Acredito que tudo tem o seu tempo. Mas hoje quase duvidei desse aforismo. Imaginem vocês que em maio deste ano recebi, muito gentilmente, um email do ateliê do artista plástico, natural da Bahia, mas radicado em São Paulo, Marcos de Oliveira. Este email veio assim do nada, uma surpresa, um presente. Dava-me os links para que eu pudesse conhecer seus trabalhos, uma bela obra contemporânea.
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Guerreiros da anunciação, 2010-2012
Marcos de Oliveira (Brasil, 1980)
Acrílica sobre tela, 200 x 800 cm
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Mas … Eu estava muito ocupada na primeira metade deste ano. Havia começado a dar um curso novo para mim, onde recentes pesquisas, com novas dados descobertos nos últimos anos, informações interessantes, tinham que ser incorporadas às minhas poucas notas anteriores. A preparação dessas aulas acabou tomando muito mais tempo do que eu havia imaginado. Faltou-me tempo até para o blog que costumo organizar com alguma antecedência. O blog sofreu com um número bem menor de postagens. Mas o curso ficou redondinho, ainda que um pouquinho mais longo do que o imaginado.
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Marcos de Oliveira (Brasil, 1980)
Acrílica sobre tela, 200 x 160 cm
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Aí hoje, decidi que era a hora de mostrar a todos alguns trabalhos do Marcos de Oliveira. Eu me lembrava dele. Não só porque gostei das telas, mas porque coloquei uma foto de uma das telas dele numa pasta do Windows que abro pelo menos uma vez por dia. Mas quem disse que eu encontrava o resto das informações? Procurei nas minhas 5 pen drives com imagens de telas, esculturas, etc (ou vocês acham que eu procuro na hora de postar alguma coisa?) Tenho tudo muito organizado porque é muita informação e pouca memória. Mas quem foi que disse que eu achava? Achei muita coisa que eu deveria ter deletado há tempos. É como voltar ao passado, organizando antigas gavetas de papelada: ideias de artigos, comparações entre uma obra de arte e outra… Notas sobre um futuro curso, uma futura coleção disso ou daquilo… Enfim, entrei numa revisão total dos últimos 5 anos de blogagem.,,, E achei!
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Marcos de Oliveira (Brasil, 1980)
Acrílica sobre tela, 120 x 200cm
Coleção Metrópolis TV Cultura, SP
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E fiquei muito feliz de ter achado porque gostei imensamente de seu trabalho. Gosto de ver as soluções que ele encontrou. É evidente que esta é uma pessoa que já digeriu muita informação artística e conseguiu uma solução criativa, única, que leva a sua assinatura, por assim dizer, entre o abstrato e o figurativo. Se estivéssemos ainda no século XX poderíamos chamá-lo de neo-surrealista. Mas hoje, na segunda década do século XXI, qualquer denominação de “surrealismo” considero anacrônica. É também desnecessário rotular. Além disso, gosto da sua sofisticação no traço e no acabamento.
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Marcos de Oliveira (Brasil, 1980)
Acrílica sobre tela, 100 x 190 cm
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Só de flanar virtualmente entre as peças no site e no blog dá para perceber algo de sua trajetória. As cores fortes contrastam com a delicadeza dos detalhes geométricos, onde alguns triângulos até conseguem projetar sombras, como na tela acima. Tudo indica que Marcos de Oliveira se sente confortável, nesse caminho do meio, entre telas de temática mais abstrata, representando engrenagens de máquinas imaginárias, como na Metamorfose II (primeira tela desta postagem), como também na execução de telas tradicionalemnte associadas à figura humana como a Madona, abaixo.
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Marcos de Oliveira (Brasil, 1980)
Acrílica sobre tela, 120 x 200 cm
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Há leveza e deliciosa jocosidade nessa Madona, cujos anjinhos e ela própria lembram as enigmáticas imagens das cartas nobres dos baralhos. Sem deixar as raízes religiosas e também folclóricas dos seus temas, Marcos de Oliveira encontra uma iconografia própria. Ele consegue inserir o seu trabalho numa tradição brasileira, e dialoga com Tarsila do Amaral, Djanira e até mesmo com Rubem Valentim. E sobretudo encontra e honra o seu próprio caminho.
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Marcos de Oliveira (Brasil, 1980)
Acrilica sobre tubo de cartão, 128 x 25 x 25 cm
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Paisagem com sol amarelo, 2000
Aldemir Martins (Brasil, Brasil, 1922-2006)
acríica sobre papel, 18 x 22 cm
Coleção Particular
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Não me surpreende que este romance tenha levado o prêmio de melhor livro em 2007, dentre os Escritores da Commonwealth, e que nesse mesmo ano tenha sido um dos finalistas do Man Booker Prize. O Sr. Pip, já nasceu um clássico. E gerações futuras irão se encantar, aprender e se alimentar nessa surpreendente fonte de sabedoria elaborada por Lloyd Jones.
A história se passa em Bourgainville, arquipélago de Papua-Nova Guiné. O enredo, entrelaçado com eventos reais durante a guerra civil de 1991, chega até nós através dos olhos de Matilda, uma menina-moça. Lloyd Jones foi muito feliz na voz que encontrou para Matilda, a pré-adolescente, que encontramos com aproximadamente 13 anos e que nos seduz por sua candura e inteligência. Seguimos seu crescimento até a idade adulta, físico e emocional. Mas é o tom encontrado para ela, uma harmoniosa combinação da inocência da criança com a voz que amadurece por necessidade, que torna o livro sedutor.
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Inicialmente Matilda não tem meios de entender o mundo que a rodeia; a realidade da guerra civil é incompreensível. Despojadas dos confortos cotidianos, as crianças da ilha encontram em um de seus habitantes, Sr. Watts, uma maneira de se preservarem. Ele se torna professor da criançada, quando já quase nada mais resta no local além da escola vazia, abandonada, cheia de lagartixas e trepadeiras crescendo de encontro às paredes.
Sr. Watts têm métodos diferentes de ensinar e com ele as crianças adquirem meios para lidar com a devastadora realidade que as cerca. Matilda segue seu professor passo a passo e acaba se apaixonando pelo personagem Pip, do livro Grandes Esperanças de Charles Dickens, o livro que todos lêem e relembram.
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Com essa simples e transparente narrativa Lloyd Jones nos entrega uma pequena obra prima sobre o poder da imaginação, sobre as funções da literatura, sobre justiça e dignidade. Tudo através da metodologia de Sr. Watts que seduz com sua paixão tanto seus alunos na ilha, quanto nós leitores mesmerizados. Como subtexto, temos uma vigorosa defesa do papel da literatura na vida de quem a ela se dedica, leitor ou escritor. Através do Sr. Watts aprendemos também que temos diversas vidas, diversos papéis, que vão sendo adaptados às diferentes situações, de acordo com as nossas necessidades. Um saudável e belíssimo manual de sobrevivência através da criação literária.
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Daryl Zang (EUA, 1971)
óleo sobre teal, 80 x 80 cm
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Superfície com azul e branco, s/d
Newman Shutze (Brasil, 1960)
Acrílica sobre tela, 140 x 110 cm
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Lloyd Jones
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“ Existe um lugar chamado Egito – ela disse. – Não sei nada sobre esse lugar. Gostaria de poder contar para vocês sobre o Egito. Perdoem-me por não saber mais. Porém, se quiserem, posso contar-lhes tudo o que sei sobre a cor azul.
Então nós ouvimos sobre a cor azul.
— Azul é a cor do Pacífico. É o ar que respiramos. Azul é o intervalo de ar entre todas as coisas, como as palmeiras e os telhados de zinco. Se não fosse pelo azul, não veríamos os morcegos. Obrigada, meu Deus, por nos ter dado a cor azul.
“É surpreendente como a cor azul está sempre aparecendo”, continuou a avó de Daniel. “É só olhar que você vê. Você pode encontrar o azul espiando pelas frestas do cais em Kieta. E vocês sabem o que ele está tentando fazer? Ele está tentando alcançar as vísceras fedorentas dos peixes para levá-los de volta para casa. Se o azul fosse um animal, ou uma planta, ou uma ave, ele seria uma gaivota. Ele mete o seu bico em tudo.
“O azul tem poderes mágicos também”, ela disse. “Olhe para um recife e digam se estou mentindo. O azul bate num recife e qual é a cor que ele solta? É o branco! Como ele faz isso?”
Olhamos para o Sr. Watts em busca de explicação, mas ele fingiu não notar nossos rostos indagadores. Estava sentado na ponta da cadeira, de braços cruzados. Cada pedaço dele parecia focado no que a avó do Daniel estava dizendo. Um a um, voltamos a nossa atenção para a velhinha com boca manchada de bétel.
— Uma última coisa crianças, e então deixo vocês em paz. O azul pertence ao céu e não pode ser roubado, razão pela qual os missionários grudaram azul nas janelas das primeiras igrejas que construíram aqui na ilha.
O Sr. Watts abriu bem os olhos daquele jeito que já tinha se tornado familiar, como se estivesse acordando. Foi até a avó de Daniel com a mão estendida. A velha estendeu a dela para ele segurar e então ele se virou para turma.
— Hoje nós tivemos muita sorte. Muita sorte. Fomos lembrados que, apesar de não podermos conhecer o mundo todo, se formos suficientemente inteligentes, podemos torná-lo algo novo. Podemos inventá-lo com as coisas que vemos à nossa volta. Só precisamos olhar e tentar ser tão imaginativos quanto a avó de Daniel. – Ele pôs a mão no ombro da velha senhora. – Obrigado – ele disse. – Muito obrigado.
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Em: O Sr. Pip, Lloyd Jones, trad. Léa Viveiros de Castro, Rio de Janeiro, Rocco:2007, pp. 68-69
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Aurélio d’Alincourt (Brasil, 1919-1990)
óleo sobre madeira, 46 x 38 cm
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Stella Leonardos
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Penugem de ave pequena.
No corpo fruta macia.
Na pele fresca açucena.
Na vida raiar do dia.
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Raio de luz, ilumina.
E sendo pássaro e planta
É inocência que germina,
É madrugada que canta.
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Em: Pedaço de Madrugada, Stella Leonardos, Rio de Janeiro, Livraria São José:1956, p.11
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A Virgem Maria, o Menino Jesus e Sant’ Ana, 1508
Leonardo da Vinci (Itália, 1452-1519)
Óleo sobre madeira, 165 x 112 cm
Museu do Louvre, Paris
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Bernardus Johannes Blommers (Holanda, 1845-1914)
Guache sobre papel, 25 x 32 cm
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Bernardus (Bernard) Johannes Blommers nasceu em 1845. Foi treinado primeiro como litógrafo, profissão do pai. Mas se interessou pela pintura e acabou estudando na Academia de Desenho de Haia. Influenciado pelos amigos William Maris e Josef Israels, também pintores, acabou se interessando por retratar a vida dos camponeses, pescadores e suas famílias. Foi uma escolha acertada pois Blommers se tornou um pintor de bastante sucesso na sua terra natal assim como conhecido nos círculos artísticos da Inglaterra, Escócia e Estados Unidos, países onde se encontravam seus grandes colecionadores. Faleceu na Holanda em 1914.