Belo belo, poema de Manuel Bandeira

19 08 2014

 

ARTHUR TIMÓTHEO DA COSTA - (1882 - 1923) Ziza no atellier - ost - 65 x 54 - cie - 1919Ziza no ateliê, 1919

Arthur Timótheo da Costa (Brasil, 1882-1923)

óleo sobre tela, 65 x 54 cm

 

Belo Belo

 

Manuel Bandeira

 

Belo belo minha bela

Tenho tudo que não quero

Não tenho nada que quero

Não quero óculos nem tosse

Nem obrigação de voto

Quero quero

Quero a solidão dos píncaros

A água da fonte escondida

A rosa que floresceu

Sobre a escarpa inaccessível

A luz da primeira estrela

Piscando no lusco-fusco

Quero quero

Quero dar volta ao mundo

Só num navio de vela

Quero rever Pernambuco

Quero ver Bagdá e Cusco

Quero quero

Quero o moreno da Estela

Quero a brancura da Elisa

Quero a saliva da Bela

Quero as sardas da Adalgisa

Quero quero tanta coisa

Belo belo

Mas basta de lero-lero

Vida noves fora zero.

 

Petrópolis, fevereiro de 1947.

 

Em: Antologia Poética, Manuel Bandeira, Rio de Janeiro, José Olympio: 1978, 10ª edição,pp: 135-136.

 

 





Imagem de leitura — Hélène Béland

18 08 2014

 

 

Hélène Béland, Canadá, Montréal, 1950) Visita inesperadaVisita inesperada

Hélène Béland (Canadá, 1949)

óleo sobre tela,  60 x 75 cm

Coleção Particular





Nossas cidades — Niterói

18 08 2014

 

 

Lucílio de Albuquerque,  sol -manhã em niteroiManhã em Niterói, Lucílio de AlbuquerqueManhã de sol em Niterói

Lucílio de Albuquerque (Brasil, 1877-1939)

óleo sobre tela,





A chegada da família real, texto de Paulo Setúbal

18 08 2014

 

 

Família real (chegada)2A chegada da família real a Salvador, 1952

Cândido Portinari (Brasil, 1903-1962)

Óleo sobre tela

Pinacoteca da Associação Comercial da Bahia.

 

“O bergantim real, alcatifado de coxins de veludo, com o seu belo toldo de damasco franjado, atracou debaixo do mais quente ribombo de festa. O povo espremia-se no cais. Milhares de espectadores, com avidez mordente, o coração aos saltos, contemplavam, fascinados, a embarcação garrida. Tudo queria “ver o rei”. O Conde dos Arcos, que então governava o Brasil, correu a abrir a portinhola: e do bergantim, muito ataviada de garridices, desceu lustrosamente a família real. Era D. João VI em grande gala. Era D. Carlota Joaquina, com seu fuzilante diadema de predarias. D. Pedro, o herdeiro do trono, principezinho de nove anos, muito vivo, os cabelos crespos e negros, saltou acompanhado de Frei Antônio de Arrábida, o preceptor. Seguia-o o irmão mais moço, o infante D. Miguel, todo de veludo, calças compridas, o gorro apresilhado por um fúlgido broche de pedras. As princesas vinham enfeitadas com primor. Muito lindas. Vestiam sedas dum azul pálido, enevoadas de arminho, com grandes diamantes nas orelhas e altos trepa-moleques nos cabelos. Viera, também, galhardo e belo, um moço arrogante, muito simpático, olhos romanticamente verdes: era o Senhor D. Pedro Carlos de Bourbon e Bragança, infante da Espanha, sobrinho dos regentes.

No cais, fora armado um altar. D. João e D. Carlota, seguidos pelo príncipe e pelos infantes, ajoelharam-se diante dele. O chantre da Sé tomou da água benta e aspergiu ritualmente os reais hóspedes. Tomou do turíbulo de prata e incensou-os  por três vezes. D. João, com fervorosa compungência, caiu então por terra: beijou o Santo Lenho. A corte, prosternando-se, acompanhou-o no beijo tradicional. Depois, ao longo do cais, formou-se um séquito de honra. Lá ia a bandeira, lá ia a cruz, lá iam os nobres, lá ia o clero, lá ia a gente da terra. No meio das alas, carregado pelo Senado da Câmara, franjado de ouro, rutilando ao sol, um imenso pálio de seda: e, debaixo dele, com os seus atavios carnavalescamente vistosos, a deslumbrar a colônia, toda a família real.”

 

Em: As maluquices do Imperador, Paulo Setúbal, São Paulo, Clube do Livro: 1947, pp: 14-15.





Palavras para lembrar — Joseph Conrad

17 08 2014

 

 

Ernst Witkamp( Holanda, 1854 – 1897) mulher lendo em interior, aquarela,  33 x 22 cmMulher lendo em interior

Ernst Witkamp (Holanda, 1854-1897)

aquarela, 33 x 22 cm

 

 

“O autor escreve apenas metade de um livro. A outra metade fica por conta do leitor.”

Joseph Conrad





Domingo, um passeio no campo!

17 08 2014

 

 

Rodolfo Weigel (1907 1987),Paisagem com figura e burrinho, guache 18 x 24. Assinado cidPaisagem com figura e burrinho

Rodolfo Weigel (Brasil, 1907-1987)

Guache sobre papel, 18 x 24 cm





Imagem de leitura — Mai Thu

16 08 2014

 

 

Mai Thu (1906-1980), Jeune fille lisant un poème. Photo Cannes Enchères. Peinture sur soie. Signé en haut à droite; 47 x 56 cm (rousseurs). Lot 400.Jovem lendo um poema

Mai Thu (Vietnã, 1906-1980)

pintura em seda, 47 x 56 cm





Flores para um sábado perfeito!

16 08 2014

 

 

Oehlmayer,Vaso de flores, Óleo sobre Eucatex, 74 x 55 cm.Vaso de flores

Edgar Oehlmeyer (Brasil, 1909-1967)

óleo sobre eucatex, 75 x 55 cm





Imagem de leitura — Gustaf Dalstrom

15 08 2014

 

 

DALSTROM_Gustaf-Sunday-in-Lincoln-Park-resizedGustaf DalstromDomingo em Lincoln Parque, 1931

Gustaf Dalstrom (Suécia/EUA, 1893-1971)

aquarela sobre papel, 30 x 39 cm

 





Rio de Janeiro a caminho dos 450 anos!

15 08 2014

 

 

 

ORTHOF, Geraldo(1903)Rio de Janeiro,1985,ost,54 x73cmRio de Janeiro, 1985

Geraldo Orthof (Brasil, 1903-1993)

óleo sobre tela, 54 x 73 cm