Quando éramos órfãos, de Kazuo Ishiguro

31 08 2014

 

Mortimer L. Menpes (Austtrália, 1855-1938)A Tea House, Shanghai, circa 1909,Gouache,oil on board,32 x 40 cmCasa de chá em Xangai, c. 1909

Mortimer L. Menpes (Austrália, 1855-1938)

Guache e óleo sobre placa, 32 x 40 cm

 

 

Já faz dias desde que terminei a leitura de Quando éramos órfãos e reluto em resenhá-lo: o livro é mais complexo do que a princípio lhe dei crédito. Quanto mais tento focar em alguma ideias, mais descubro sobre o que é importante; sinal de que é um livro rico em questionamentos. Voltei ao texto duas outras vezes e hoje sei que é um romance muito melhor do que minha primeira impressão.

A prosa aqui é deliberada. O texto é seco e sutil, qualidades que sempre me atraíram em seus romances. Ishiguro é preciso, escolhe a palavra exata e nenhuma outra. Por isso mesmo não se pode ignorar as pequenas deixas que semeia na narrativa. Toda atenção é pouca. Como João e Maria, vamos seguindo as migalhas deixadas na narrativa e se alguma é ignorada, perdida, comida com desatenção, podemos nos perder. Além disso, Ishiguro trabalha as elipses com mestria. E nesta obra chega a mesmerizar com sua habilidade de justificá-las. Para isso usa os desvios da memória de um narrador impreciso.

Memórias são pensamentos subjetivos e inexplicáveis, que se adaptam com frequência às necessidades de quem as recolhe. Não é incomum observarmos duas pessoas que tendo tido uma mesma experiência, lembrem-se de eventos de maneiras diferentes. É justamente por isso que o narrador dessa história, Christopher Banks, que se descreve como um grande detetive em Londres, tendo vivido na Inglaterra por mais de duas décadas retorna a Xangai, onde havia passado sua primeira infância, antes do desaparecimento de seus pais aos oito anos de idade, oferece um enorme leque de possibilidades para a difusão das dúvidas no leitor.

QUANDO_ERAMOS_ORFAOS_1312125237P

 

A evolução do mistério que envolve o desaparecimento dos pais do menino surpreende o leitor e o próprio Christopher Banks. Mas as ruas de Xangai são tão labirínticas quanto as aléias e becos sem saída das memórias de infância. Caminhos escuros percorridos por riquixás improváveis, o bairro dos estrangeiros à beira do campo de batalha durante a guerra sino-japonesa, o tráfico do ópio, tudo leva a mais dúvidas do que a fatos e assim como Christopher saímos dessa Xangai sem a certeza das poucas memórias que nos pertencem.

PD*6200385Kazuo Ishiguro

 

Não tive, no entanto, grande empatia pelo personagem principal que se mantém distante. Suas emoções estão guardadas e ele nos surpreende até mesmo quando se envolve amorosamente. Talvez por sentir que não pertence a lugar algum Christopher Banks mantém um verdadeiro vácuo emocional à sua volta. E nós leitores estamos excluídos por essa mesma distância, apesar de conscientes de seus pensamentos. Há um desconforto emocional.

No final este é um livro que marca, apesar da falta de empatia com o personagem principal. Mas é estupendo pela fabulosa habilidade de Kazuo Ishiguro ao liderar a narrativa através dos descaminhos da memória.





Flores para um sábado perfeito!

30 08 2014

 

 

 

Marcelo Hubner - acrílica sobre tela - 100cm x 100cmFlores

Marcelo Hubner (Brasil, 1969)

acrílica sobre tela, 100 x 100 cm





Imagem de leitura — Paul Gustav Fischer

29 08 2014

 

 

Fischer, Paul Gustave (Dinamarca, 1860-1934) Afternoon readLeitura da tarde, 1905

Paul Gustav Fischer (Dinamarca, 1860-1934)

óleo sobre tela





Imagem de leitura — Diego Alfonso Más

28 08 2014

 

 

Diego Alfonso MasO ginete polonês, 2005

Diego Alfonso Más (Uruguai,1974)

óleo sobre tela,  130 x 73 cm

www.diegoalfonsomas.com





Hoje é dia de feira: frutas e legumes frescos

27 08 2014

 

 

SÉRGIO TELLES,Talhadas de Melancia – 46 x 55 cm OST,Ass. CID e Dat. 1995Talhadas de melancia, 1995

Sérgio Telles (Brasil, 1936)

óleo sobre tela, 46 x 55 cm





Imagem de leitura — Ethel Spears

26 08 2014

 

Ethel SpearsInterior

Ethel Spears (EUA, 1903 – 1974)

aquarela sobre papel,  33 x 43 cm





Nossas cidades — Itaparica

25 08 2014

 

 

Jayme Hora, Paisagem de Itaparica com igreja ao fundo, 1946, ost, 46x55cmPaisagem de Itaparica com igreja ao fundo, 1946

Jayme Hora (Brasil, 1911-1977)

óleo sobre tela, 46 x 55 cm





Trova do galo

25 08 2014

Galo, Mary Ann CaryGalo, ilustração de Mary Ann Cary.

Bem cedinho o galo canta,

molhado ainda de orvalho.

A roça, ouvindo-o, levanta

e entoa um hino ao trabalho.

(A. A. de Assis)

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Imagem de leitura — Hermann Salomon

24 08 2014

 

Herman Salomon, circa 1905, Bedtime reading, ost, 148 x 208 cmLeitura antes de dormir, c. 1905

Hermann David Salomon Corrodi (Itália, 1844-1905)

óleo sobre tela, 148 x 208 cm





Domingo, um passeio no campo!

24 08 2014

 

 

Renê Nascimento,Plantações,80 x 100 cm – AST,Ass. CID e Dat. 1999Plantações, 1999

Renê Nascimento (Brasil, contemporâneo)

acrílica sobre tela, 80 x 100 cm

www.renenascimento.com