Thomas Mann
Auguste Vanderkelen (Bélgica, 1915 – 1991)
guache sobre papel, 12 x 8 cm
O homem com monóculo, 1918
Amedeo Modigliani (Itália, 1884-1920)
óleo sobre tela, 45 x 29 cm
Coleção Particular
“O monóculo do marquês de Forestelle era minúsculo, não tinha aro e, obrigando a uma crispação incessante e dolorosa o olho onde se incrustava como uma cartilagem supérflua cuja presença é inexplicável e a matéria rara, dava ao rosto do marquês uma delicadeza melancólica e fazia com que as mulheres o julgassem capaz de grandes penas de amor. Mas o do sr. de Saint-Candé, cercado de um gigantesco anel, como Saturno, era o centro de gravidade de um rosto que se ordenava a todo instante em relação a ele, cujo nariz fremente e rubro e o lábio carnudo e sarcástico procuravam, com os seus trejeitos, pôr-se à altura dos mutáveis reflexos de espírito com que fulgurava o disco de vidro, e era preferido aos mais belos olhares do mundo por mulheres esnobes e depravadas, a quem fazia sonhar com encantos artificiais e refinadas volúpias; enquanto, atrás do seu monóculo, o sr. de Palancy que, com a sua grossa cabeça de carpa, de olhos redondos, se deslocava lentamente no meio da festa, descerrando de instante a instante as mandíbulas como para procurar orientação, tinha o ar de apenas transportar consigo um fragmento acidental, e talvez puramente simbólico, do vidro do seu aquário, parte destinada a figurar o todo, que lembrou a Swann, grande admirador dos Vícios e das Virtudes de Giotto em Pádua, aquele Injusto ao lado do qual um ramo folhudo evoca as florestas onde se oculta o seu covil.
Em: No caminho de Swann, volume I da obra Em busca do tempo perdido, Marcel Proust, tradução de Mário Quintana.
O cavalo e o burro, 1912
Franz Marc (Alemanha, 1880-1916)
guache sobre papel, 38 x 31 cm
Cecília Meireles
O menino quer um burrinho
para passear.
Um burrinho manso,
que não corra nem pule,
mas que saiba conversar.
O menino quer um burrinho
que saiba dizer
o nome dos rios,
das montanhas, das flores,
– de tudo o que aparecer.
O menino quer um burrinho
que saiba inventar histórias bonitas
com pessoas e bichos
e com barquinhos no mar.
E os dois sairão pelo mundo
que é como um jardim
apenas mais largo
e talvez mais comprido
e que não tenha fim.
(Quem souber de um burrinho desses,
pode escrever
para a Ruas das Casas,
Número das Portas,
ao Menino Azul que não sabe ler.)
Natureza morta, frutas, 1994
Claudio Faccioli (Brasil, 1955)
acrílica sobre tela, 80 x 100 cm
Natureza morta, 1980.
Humberto da Costa (Brasil,1941)
óleo sobre tela, 37 x 45 cm
Mater
Sérgio Martinolli (Itália-Brasil, 1938)
óleo sobre tela, 80 x 60 cm
Antero de Quental
(1842-1891)
Mãe — que adormente este viver dorido,
E me vele esta noite de tal frio,
E com as mãos piedosas ate o fio
Do meu pobre existir, meio partido…
Que me leve consigo, adormecido,
Ao passar pelo sítio mais sombrio…
Me banhe e lave a alma lá no rio
Da clara luz do seu olhar querido…
Eu dava o meu orgulho de homem — dava
Minha estéril ciência, sem receio,
E em débil criancinha me tornava,
Descuidada, feliz, dócil também,
Se eu pudesse dormir sobre o teu seio,
Se tu fosses, querida, a minha mãe!
Orlando, 2024
Nikoleta Sekulovic (Itália-Espanha, contemporânea)
pastel, grafite e tinta acrílica sobre tela, 194 x 225 cm
Fernando Pessoa
Bailarina nº 1
Daniela Grisel Beizaga (Peru-Espanha, contemporânea)
aquarela sobre papel, 22 x 19 cm
Sentido de espera
Daniela Grisel Beizaga (Peru-Espanha, contemporânea)
aquarela sobre papel, 27 x 19 cm
Bailarina nº 2
Daniela Grisel Beizaga (Peru-Espanha, contemporânea)
aquarela sobre papel, 22 x 19 cm
Agosto
Daniela Grisel Beizaga (Peru-Espanha, contemporânea)
aquarela sobre papel, 25 x 18 cm
A escuridão dura só três segundos
Daniela Grisel Beizaga (Peru-Espanha, contemporânea)
aquarela sobre papel, 28 x 19 cm
Último suspiro
Daniela Grisel Beizaga (Peru-Espanha, contemporânea)
aquarela sobre papel, 20 x 27 cm