Composição com frutas e objetos, 1943
Ado Malagoli (Brasil, 1906 – 1994)
óleo sobre tela, 60 x 91 cm
Composição com frutas e objetos, 1943
Ado Malagoli (Brasil, 1906 – 1994)
óleo sobre tela, 60 x 91 cm
Leitora
Saturno Buttò (Itália, 1957)
óleo sobre tela
Markus Herz
Paisagem
Georgina de Albuquerque (Brasil 1885 – 1962)
óleo sobre cartão colado em madeira
Cap Ferrat
John Kingsley (Escócia, 1956)
óleo sobre tela, 75 x 75 cm
Assunto pessoal é um livro delicioso! Podia não ser. Trata-se das memórias de Somerset Maugham sobre o período da Segunda Guerra Mundial. Apesar dos trâmites do início da guerra retratados pelo autor, não é um livro pesado. É uma leitura sedutora pela prosa eloquente, fluida, com o gosto de causos contados no fim do dia, na varanda ou próximo à lareira; uma tradução impecável de Leonel Vallandro, que faz o português rolar pelo texto sem nenhuma lembrança do original em inglês, um português correto, formal, como era também o inglês de Maugham; e sobretudo a visão de alguém que apesar de ter vivido grande parte de sua vida fora da Grã-Bretanha manteve alguns traços na escrita que associamos aos ingleses: ironia, soberba, fino senso de humor. Há um ponto de vista definitivamente inglês que diverte mesmo quando é cáustico.
Maugham foi um dos mais importantes escritores da primeira metade do século XX, além de um dos mais bem pagos. Escritor e dramaturgo também trabalhou para serviço secreto britânico quando residiu na Suíça e na Rússia antes da revolução. Morou na Índia e no sudeste asiático durante a Primeira Guerra. Já havia permanecido na infância fora da Inglaterra, quando voltou, aos dez anos, órfão de pai e mãe, estudou no Kings College, e foi fruto de chacota dos colegas de turma, por falar o inglês com alguns erros, já que sua língua mãe havia sido o francês. Nascera em Paris onde seus pais moravam. Talvez toda essa experiência no exterior justifique a facilidade que tem de analisar ingleses e europeus com alguma distância, como vemos nessa obra.

Essas memórias começam quando a Alemanha invade a Polônia e parece lógico que a França seria a próxima a cair no domínio germânico. Maugham, que reside já há tempos em Cap Ferrat, no sudeste do território francês, primeiro escreve alguns artigos sobre a situação na França do início dos anos 30 até mais tarde, por volta de 1940, quando tendo feito contato o serviço secreto britânico, passa a reportar sobre posicionamento e estado das tropas francesas no continente. Os arredores de Nice, na Côte d’Azur, na década de 1930, foram locais onde grandes milionários construíram belas casas de verão e também local onde muitos ingleses, não tão ricos, escolheram para morar, pois suas rendas, aposentadorias, tinham por lá, maior poder aquisitivo do que teriam na Inglaterra. Às vésperas da submissão da França à Alemanha, Maugham e outros ingleses fazem a difícil travessia do Mediterrâneo para a Inglaterra, como refugiados. São viagens de navio difíceis, onde testemunha muito sofrimento e onde vemos que os ricos também tiveram que passar por sofrimento, mortes e restrições raramente lembradas hoje. Ter um relato de primeira mão sobre essa travessia, seus perigos e Londres sob ataque de bombardeios e a reação de seus habitantes é algo valioso e interessante. Muito melhor ainda quando bem escrito com um certo humor e ironia que não suscita melodramas.
William Somerset Maugham
Somerset Maugham adapta sua prosa muito bem ao serviço das memórias. Suas observações sobre as pessoas e acontecimentos que o cercam são tratadas com ironia e temperadas pela precisa observação do ser humano. Mais valiosa ainda é a descrição da época e de seu modo de pensar. Por exemplo aprendemos que se pensava que Hitler estivesse blefando. Por outro lado, Londres sob pressão alemã é relatada vividamente. Mesmo assim é um livro de leitura fácil, agradável, cuja ironia não passa despercebida. O realismo é contido e o momento histórico preservado. É, sim, uma aula de história, mas delicada, leve e atraente. Aprendemos sem sentir. E termina com uma dose de otimismo sobre o futuro da Inglaterra. Recomendo. Está esgotado, no Brasil. Mas vale a pena procurar.
PS: Você encontrará neste blog alguns trechos que achei deliciosos e postei. Eles lhe darão uma ideia da encantadora narrativa.
NOTA: este blog não está associado a qualquer editora ou livraria, não recebe livros nem qualquer incentivo para a promoção de livros.
A promessa, 1950
René Magritte (Bélgica, 1898-1967)
guache e lápis sobre papel, 36 x 45 cm
« …Pela primeira vez na História, quando governos, corporações e indivíduos privados avaliam o futuro imediato, muitos não pensam na guerra como um acontecimento provável. As armas nucleares tornaram uma guerra entre superpotências um ato louco de suicídio coletivo e com isso forçaram as nações mais poderosas da Terra a encontrar meios alternativos e pacíficos de resolver conflitos. Simultaneamente, a economia global abandonou as bases materiais para se assentar no conhecimento. Antes, as principais fontes de riqueza eram os recursos materiais, como minas de ouro, campos de trigo e poços de petróleo. Hoje, a principal fonte de riqueza é o conhecimento. E, embora se possam conquistar poços de petróleo na guerra, não se pode conquistar conhecimento dessa maneira. Desde que o conhecimento se tornou o mais importante recurso econômico, a rentabilidade da guerra declinou e as guerras tornaram-se cada vez mais restritas àquelas regiões do mundo – como o Oriente Médio e a África Central – nas quais as economias ainda são antiquadas, baseadas em recursos materiais.”
Em: Homo Deus, Yuval Noah Harari, tradução de Paulo Geiger, Cia das Letras: 2016, pp 24-25
Orquídeas sobre a mesa, 2013
Renato Meziat, (Brasil, 1952)
óleo sobre tela, 86 x 116 cm
Uma leitura ao pé do fogo
William Mulready ( GB, 1786 – 1853)
óleo sobre madeira, 37 x 30 cm
Jane Austen
Torre da Estação da Luz, 2014
Carlos Eduardo Zornoff (Brasil, 1959)
óleo sobre tela, 100 x 70 cm
Parque da aclimação, 1948
Arnaldo Ferrari (Brasil, 1906-1974)
óleo sobre tela, 30 x 43 cm.
Paisagem Urbana: Av. Paulista
Antonio Augusto Marx ( Brasil, 1919)
óleo sobre tela, 50 x 70 cm
São Paulo Panorama da Vila Conceição, 2011
Série Pluridimensioni
Alessandro Felisberto (Brasil, contemporâneo)
óleo sobre tela, 130 x 202 cm
Viaduto do Chá
Gregório Gruber (Brasil, 1951)
óleo sobre tela, 155 x 200 cm
Teatro Municipal, 2002
Marcos Zechetto (Brasil, 1949)
óleo sobre tela, 40 x 50 cm
Parque do Ibirapuera
Omar Pellegatta (Brasil,, 1925-2001)
Óleo sobre tela 50 x 70 cm
Centro de São Paulo, 2001
Sergio Telles (Brasil, 1936)
acrílica sobre tela, 46 x 38 cm
Vista de São Paulo, 2014
Yugo Mabe (Brasil, 1955)
acrílica sobre tela, 86 x 102 cm
São Paulo
Vicente Mecozzi (Itália/Brasil, 1909-1964)
óleo sobre tela, 27 x 35 cm