Moça lendo próximo a hortênsias, 2007
Susan Knight Smith (EUA, contemporânea)
Pastel
“Sabei que o segredo das artes é corrigir a natureza”
Voltaire (1694-1778)
Moça lendo próximo a hortênsias, 2007
Susan Knight Smith (EUA, contemporânea)
Pastel
Voltaire (1694-1778)
Reading,1900
George Agnew Reid ( Canadá 1860-1947)
pastel sobre papel; 59 x 40 cm
Em louvor aos cosméticos, 1876
Edgar Degas (França, 1834-1917)
pastel sobre papel, 48 x 62 cm
O desenho acima de Edgar Degas havia sido dado como perdido. Esta obra tem uma história cheia de aventuras. Fora comprada por Julián Bastinos em Paris em 1887, das mãos do próprio Degas por três mil francos, como havia sido registrado numa carta para o cantor de ópera Jean-Baptiste Faure. Julián Bastinos levou o desenho com ele para a capital do Egito, Cairo, em 1910, prova disso é o selo da loja em que foi colocada a moldura. Em 1918, quando Julián faleceu, o desenho foi mandado para Barcelona por Antonio J. Bastinos, irmão de Julián.
Passam-se os anos. Em 1934 a obra de Degas é listada entre cento e cinquenta obras de arte da família Bastinos, lista que incluía um quadro a óleo de Goya, de obras confiscadas pelas autoridades governamentais e colocadas, no monastério de Pedralbes por segurança durante a Guerra Civil Espanhola. Um rótulo no verso da obra, mais tarde, mostra que esteve sob o domínio do governo de Franco, como parte do patrimônio nacional pelo Ministério da Educação com os dizeres “recuperado das mãos do nossos inimigos. datando de 1939. O desenho foi então devolvido à família Bastinos em 1940 e logo em seguida vendido no dia 13 de setembro, 1940, por três mil pesetas para o empresário e político Joan Llonch i Salas.
Rótulo no reverso do desenho de Degas.
Até os dias de hoje, a última vez que este desenho em pastel havia sido visto em público foi em 1952, quando Joan Llonch i Salas emprestou-o para uma exposição coletiva na Galeria Gaspar em Barcelona, como aparece também em outro rótulo no reverso do trabalho emoldurado. Até 2021, quando, uma pessoa que visita feiras de antiguidades e mercados de pulgas, compra este desenho rotulado “FALSO” Degas, num sítio de vendas on-line. O lance inicial desta obra foi de €1 (um Euro). Mas acabou comprando por €976. O vendedor, em Sabadell, na Catalunha informou mais tarde que havia herdado esse desenho e que mesmo com a assinatura “Degas” no canto interno, à direita, não havia imaginado que pudesse ser genuíno e que por isso mesmo o colocou à venda mostrando os documentos que havia herdado junto com o desenho da compra deste desenho em 1940 por seu antepassado Joan Salas, um colecionador e antigo presidente do Banco Sabadell.
Agora, devidamente confirmado ser um trabalho original de Degas por experts, que se debruçaram sobre esta obra por alguns anos, a obra comprada por €976 pode valer entre €7 ou €8 milhões, por algumas estimativas ou até €12 milhões, de acordo com estimativas mais otimistas. A notícia deste achado tornou-se pública no final do mês de maio deste ano, pelo diário catalão El Punt Avui. Esta minha entrada no blog está baseada no artigo “Artwork Bought Online for $1,000 Identified as a Long-Lost Degas Worth $13 million” de Jo-Lawson Tancred, para a Artnet Newsletter.
Mulher lendo, c.1927
Julio Gonzalez (Espanha, 1876-1942)
óleo sobre tela, 65 x 50 cm
Museu Nacional Reina Sofia, Madri
Barcos
Paisagem de Fazenda, 1957
Geza Heller (Hungria-Brasil,1902-1992)
óleo sobre cartão, 32 X 41 cm
Paisagem, 2000
João Bosco Campos (Brasil, 1964)
óleo sobre tela, 70 x 100 cm
Leitor, 1986
Gregório Gruber (Brasil, 1957)
aquarela e pastel, 70 x 100 cm
Augusto Frederico Schmidt
Meus avós portugueses no meu sangue
Estão falando há muito, e é assim somente
Que, por vezes, as vozes dos outros sangues
Não se fazem ouvir e não comandam.
Meus avó portugueses são teimosos
E procuram vencer-me transformando
Essas minhas volúpias de erradio,
De vagamundo, em nobres sentimentos.
Querem-me esses avós, do Minho e Douro,
Um ser capaz de amar a terra à antiga,
E nesse amor construir toda uma vida;
Querem-me um crente em Deus e um fiel exemplo
De constância no amor: e, é certo, às vezes,
Isso acontece, mas somente às vezes.
Em: Eu te direi as grandes palavras – seleção poética, Augusto Frederico Schmidt, Rio de Janeiro, José Aguilar:1975, p. 76-77
Retrato, 1936
Adelaide Giannini (Itália, 1898 – ?)
pastel
Beija-flor, 1994
Inimá de Paula (Brasil, 1918- 1999)
pastel, 68 x 87 cm
“Não acredito que haja qualquer cidade no Brasil que interesse tanto o estrangeiro como a Bahia. É a capital espiritual do país, sendo a residência do arcebispo. As igrejas, os conventos e outros edifícios públicos, são de grandes proporções, porém apresentam aspecto provinciano. O povo é alegre e sociável, e, nas minhas extensas viagens por todo o Império, não encontrei em lugar nenhum uma sociedade igual a da Bahia. Na casa do cônsul americano, Sr. Gillmer, está-se sempre seguro de encontrar brasileiros dos mais refinados e bem educados.
……….
A residência do Sr. Gillmer está situada em um agradável ponto da cidade, onde a vegetação e as flores são abundantes. Cada noite as brisas carregam os mais suaves perfumes, e a cada manhã o sol parece revelar novas belezas nos botões que se abrem em lindas flores. Da mesma forma a casa do Sr. Nobre era circundada pela sombra de árvores frutíferas, e seu grande salão semanalmente se enchia de músicos amadores e profissionais, que davam os mais encantadores saraus musicais.
Muito cedo de manhã, olhei da janela da casa do cônsul e vi sobre os ramos de uma árvore de fruta-pão embaixo de mim, um beija-flor quietamente em seu delicado ninho. No meio da folhagem parecia um fragmento de lápis-lázuli circundado de esmeraldas, pois o seu dorso é do mais carregado azul. Em qualquer parte do Brasil vê-se abundantemente essa pequena joia alígera, em suas muitas variedades, ao passo que na América do Norte, desde o México até o 57º de latitude, dizem haver apenas uma espécie de beija-flor. O Sr. Gosse chama, a espécie, de rabo-longo, a joia da ornitologia americana; e bem merece o título se considerarmos os raios de rico verde-dourado, púrpura-escuro, azulado-escuro brilhante, e o magnífico verde-esmeralda, que irradiam dessa joia dotada de asas.
Os machos figuram entre as criaturas mais beligerantes — raramente encontrados sem estar em terríveis combates.”
Em: As Ladeiras e as igrejas (Na Bahia de Todos os Santo, 1855), texto de James C. Fletcher, incluído no livro Coqueirais e chapadões: Sergipe e Bahia, seleção, introdução e notas de Ernani Silva Bruno, Organização de Diaulas Riedel, São Paulo, Cultrix: 1959, pp. 107-8.
NOTA: James Cooley Fletcher missionário, presbiteriano, norte-americano que, em missão evangélica, viveu no Brasil, percorrendo várias de suas províncias entre os anos de 1851 e 1865.