Flores, porque hoje é sábado!

14 03 2026

Natureza morta, vaso com flores, 1958 

(papoulas)

Carmélio Cruz (Brasil, 1924-2018)

óleo sobre tela, 34 x 23 cm

 

Um vaso de papoulas no jardim, 2003

Raquel Taraborelli (1957 – 2020)

óleo sobre tela, 80 x 100 cm





O riso, Roger Scruton

27 02 2026

Festa em casa II

Randy Stevens (EUA, contemporâneo)

pastel sobre papel, 58 x 71 cm

 

 

 

“Há uma grande dificuldade em dizer exatamente o que é o riso. Não é apenas um som – nem mesmo um som, pois pode ser silencioso. Nem é apenas um pensamento, como o pensamento a respeito de algum objeto como absurdo. Trata-se de uma resposta a algo, que também envolve um julgamento dessa coisa. Além disso, não é uma peculiaridade individual, como um tique nervoso ou um espirro. A risada é uma expressão de diversão, e a diversão é um estado de espírito claramente expressivo e contagioso. O riso começa como uma condição coletiva, como quando as crianças riem juntas por causa de algum absurdo. E, na idade adulta, a diversão continua a ser uma das formas pelas quais os seres humanos desfrutam da companhia uns dos outros, reconciliam-se com as suas diferenças e aceitam suas semelhanças. O riso nos ajuda a superar nosso isolamento e nos fortalece contra o desespero.”

 

 

Em: A cultura importa: fé e sentimento em um mundo sitiado, Roger Scruton, tradução de Sérgio Kalle, LVM Editora: 2024





Hoje é dia de feira: frutas e legumes frescos!

18 02 2026

Natureza morta com peixe e limão, 1952

Danilo Di Prete (Brasil, 1911-1985)

óleo sobre tela, 48 x 71 cm 

 

 

Natureza morta com peixe, 1978

Chen Kong Fang (China-Brasil, 1931-2012)

óleo sobre tela, 70 x 60 cm

 





Flores, porque hoje é sábado…

3 01 2026

Jarra com rosas sobre a mesa, década de 1960

Manoel Santiago (Brasil, 1897-1987)

óleo sobre tela, 46 X 39 cm

Vaso com flores, 1994

Henrique Oliveira (Brasil, 1973)

óleo sobre tela,  46 x 33 cm





Eu pintora: Amélie Lundahl

29 11 2025

Autorretrato, 1888

Amélie Lundahl (Finlândia,1850–1914)

pastel sobre papel





O escritor no museu: Edmond Duranty

4 11 2025

Retrato de Edmond Duranty, 1879

Édgar Degas (França, 1834-1917)

pastel e têmpera sobre tela, 128 x 129 cm

Burrell Collection, Glascow





Hoje é dia de feira: frutas e legumes frescos!

22 10 2025

Natureza morta com cebolas, 1965

Ettore Federighi (Brasil, 1909-1978)

óleo sobre tela, 32 x 40 cm

 

 

 

Cebolas e alhos

Fernando Correa e Castro (Brasil, 1933)

óleo sobre tela , 15x 23 cm





Eu, pintor: Léonard Tsuguharu Foujita

13 10 2025

Autorretrato com gato, 1931

Léonard Tsuguharu Foujita (Japão-França, 1886-1968)

aquarela e nanquim sobre seda, 44 x 34 cm





Resenha: Orbital, Samantha Harvey

8 09 2025

Terra vista da Lua

Veronika Zubareva (Rússia, contemporânea)

óleo sobre tela, 50 x 60 cm

 

 

Há muito tempo um livro não me encanta tanto quanto Orbital de Samantha Harvey, tradução de Adriano Sacandolara [Editora DBA, 2025]. A obra, vencedora do Booker Prize em 2024, é uma cuidadosa ponderação sobre a vida, a Terra, nosso lugar no Universo. Ainda que acompanhemos seis astronautas que orbitam a terra, não há diálogos, não há trama.  Em seu lugar, somos convidados a compartilhar com a autora a visão, o encantamento e o privilégio de, com ela, viajarmos em volta do nosso planeta e nesse trânsito refletir sobre a grandeza do espaço, a pequenez do planeta azul, a fragilidade de nossa existência. 

Não se trata de prosa poética.  Mas o livro é repleto de poesia e do encantamento que poesia provoca.  Com grande sensibilidade atravessamos as dezesseis órbitas que fazem um dia no espaço e que, por sua  vez, designam os dezesseis capítulos do livro. A cada um deles voltamos ao nascer do dia numa parte do planeta, diferente da anterior, ou ao acender das luzes quando a noite chega em algum continente.  Essa forma circular, de voltar e voltar a um ponto semelhante ao do início é usada desde a antiguidade para a meditação.  O círculo sempre esteve ligado à ponderação e introspecção. Os conhecidos labirintos meditativos, desenhados no chão, como o da Catedral de Chartres na França, assim eram para levar o pensamento do andarilho de volta  através de uma espiral circular a um ponto semelhante ao anterior.  É isso que acontece com o leitor em Orbital.  Junto à equipe de astronautas voltamos sempre mais ou menos ao mesmo ponto, mas um pouco diferente.  As ruminações são inescapáveis. 

 

 

 

 

Os continentes passam como as campinas e vilarejos na janela de um trem. Dias e noites, estações e estrelas, democracias e ditaduras. É só à noite, quando você vai dormir, que você se alivia dessa esteira perpétua. E mesmo ao dormir você sente a Terra girar, assim como sente uma pessoa deitada ao seu lado. Você a sente ali. Sente todos os dias que penetram sua noite de sete horas. Sente todas as estrelas efervescentes e os humores dos oceanos e o tropeço da luz contra a pele, e se a Terra parasse por um segundo na sua órbita, você acordaria de sobressalto, ciente de que há algo errado.

Difícil imaginar as incontáveis horas de pesquisa que Samantha Harvey deve ter dedicado a visões da Terra da perspectiva de quem a vê do espaço, nem muito longe, nem muito perto. Suas descrições, suas observações precisas e poéticas são imperdíveis e trazem a sensação de verdadeira experiência. E nos deixam extasiados. Outras tantas horas devem ter sido dedicadas ao estudo da rotina dos astronautas antes e durante os voos, assim como os tipos de pesquisas que são executadas em voo.

Samantha Harvey

Esse livro é uma homenagem à Terra mas é também uma austera e enigmática reflexão sobre nosso papel nesse planeta, nesse Universo.  Ponderação sobre nossa inimaginável necessidade de ir além, de conquistar.  A prosa é belíssima e delicada.  Para os apreciadores da pintura há uma longa reflexão sobre Velazquez e menções sobre Turner.  Mas sobretudo essa ruminação poética sobre o ser humano e seu lugar no universo é profunda, toca a alma e faz pensar.

Com Anton, Roman, Nell, Chie, Shaun e Pietro, os astronautas de diversas nações aprendemos, como Harvey nos diz que:

“A humanidade não é esta ou aquela nação, é tudo junto, sempre juntos, venha o que vier.”

Leia.  Recomendo. 

 





Imagem de leitura: Charles-Clos Olsommer

10 07 2025

Oferenda,1927

Charles-Clos Olsommer (Suíça 1883 -1966)

lápis de cor e pastel, sobre papel,  47 x 35 cm