Colette Pujol (Brasil, 1913- 1999)
óleo sobre tela, 27 x 34 cm
Ocupações para um dia de tédio, 1910
Frank O. Salisbury ( Grã-Bretanha, 1874-1962)
óleo sobre tela
Grandes começos na literatura, escolha da escritora Ana Maria Machado:
“Foi um número errado que começou tudo, o telefone tocando três vezes, altas horas da noite, e a voz do outro lado chamando alguém que não morava ali.”
Paul Auster, Trilogia de Nova York
Em: Iscas de leitura, Ana Maria Machado, coluna publicada no jornal O Globo de sábado, 27 de dezembro de 2014, 1º caderno, página 16.
Subodh Gupta (Índia, 1964)
aço inoxidável e utensílios de aço inoxidável, 6 x 4 x 4 m
National Gallery of Modern Art, Nova Deli
Maurice Albert Loutreuil (França, 1885-1925)
óleo sobre tela
Grandes começos na literatura, escolha da escritora Ana Maria Machado:
“Ela ficou, mas a gota de sangue que pingou na minha luva, a gota de sangue veio comigo.”
Lygia Fagundes Telles, A noite escura mais eu
Em: Iscas de leitura, Ana Maria Machado, coluna publicada no jornal O Globo de sábado, 27 de dezembro de 2014, 1º caderno, página 16.
Paisagem do Rio de Janeiro com o Palácio Monroe*
Manoel Santiago (Brasil, 1897-1987)
óleo sobre madeira, 47 x 57 cm
*O Palácio Monroe, uma joia da arquitetura brasileira, construção reverenciada por engenheiros e arquitetos do mundo inteiro, tombado, foi destruído para dar lugar a uma praça… e expandir a vista para o Monumento dos Pracinhas, no Aterro do Flamengo. Esta destruição, uma cicatriz na história do Rio de Janeiro, é uma das heranças cariocas do governo Geisel.
Leon Kroll (EUA, 1884-1974)
óleo sobre papel, 49 x 69 cm
Parrish Art Museum, Nova York
Grandes começos na literatura, escolha da escritora Ana Maria Machado:
“Todas as famílias felizes se parecem entre si; as infelizes são infelizes cada uma à sua maneira.”
Leon Tolstoi, Ana Karenina
Em: Iscas de leitura, Ana Maria Machado, coluna publicada no jornal O Globo de sábado, 27 de dezembro de 2014, 1º caderno, página 16.
Hendrickje Stoffels à janela, 1657
Rembrandt van Rijn (Holanda, 1606 -1669)
óleo sobre tela, 76 x 60 cm
Staatliche Museen, Berlim
♦ Sustentado por ácidos e ásperos instrumentos de pintura e de gravura, atento aos corpos sucessivos de Saskia ou Hendrickje e às metamorfoses de Tito, investiga o objeto, os sentidos, a vida imediata ou alegórica — lá fora ou no interno da Bíblia; rejeitando a alternativa do bem e do mal, sob a tensão constante dum pensamento ordenador do caos. Navios da Europa e do Oriente trazem-lhe ouro, pedras raras, telas, tapeçarias e outro símbolos fora da palavra. Depois de abraçar a faixa dos séculos, pela ciência do claro-escuro divide-a. Segurando a vida, explode-lhe energia. Assiste à crucificação, logo depois aborda o Cristo na tenda de Emaús.
♦ Até que circundado de credores, expulso dos florins e das categorias do supérfluo, alinha-se entre párias, despedidos, judeus, renegados, contestadores da lógica. Esgotados os dissensos do filho pródigo e o catálogo dos corpos asteroides ou não, assume ao máximo a densidade da condição humana. Prosseguindo a linha da posteridade de Jó sem assistência no diálogo, procurando em vão, através numerosos autorretratos, identificar-se, entrevendo no último instante o moinho do seu pai a moer o tempo, Rembrandt van Rijn morre, abolido pela restrita memória dos homens que nas ruas aguadas e curvas de Amsterdã repetem este outro mal-entendido: a técnica insistente da palavra “viver”.
Em: Transístor, Murilo Mendes, Rio de Janeiro, Nova Fronteira: 1980,p.216.
Édouard Vuillard (França, 1868-1940)
óleo sobre tela
Museu da Cultura Judaica, Nova York
Grandes começos na literatura, escolha da escritora Ana Maria Machado:
“Tudo no mundo começou com um sim. Uma molécula disse sim a outra molécula e nasceu a vida. Mas antes da pré-história havia a pré-história da pré-história e havia o nunca e havia o sim. Sempre houve. Não sei o que, mas sei que o universo jamais começou. Que ninguém se engane. Só consigo a simplicidade através de muito trabalho.”
Clarice Lispector, A hora da estrela
Em: Iscas de leitura, Ana Maria Machado, coluna publicada no jornal O Globo de sábado, 27 de dezembro de 2014, 1º caderno, página 16.