Jeanne [Cocotte] Pissarro lendo, 1899
Camille Pissarro (França, 1830-1903)
óleo sobre tela
Coleção Ann e Gordon Getty
Jeanne [Cocotte] Pissarro lendo, 1899
Camille Pissarro (França, 1830-1903)
óleo sobre tela
Coleção Ann e Gordon Getty
Cecília Rosslee (África do Sul, contemporânea)
óleo sobre tela
Achei interessante a descrição do valor da paisagem para Karilan Altenberg, escritora britânica, nascida na Suécia, que explicou no artigo, Karin Altenberg: ‘landscape in my novels is not just backdrop – it is both stage and actor’ no jornal The Irish Times, a importância da localização em suas histórias. Para ela, a paisagem é muito mais que o simples ambiente em que a trama se desenvolve, ela é parte intrínseca da história.
“A localização do romance para mim é tão importante quanto a trama. O lugar é um conceito existencial, intimamente ligado ao nosso estar no mundo. Experimentamos nossa identidade, de maneira significativa, através do lugar e da comunidade a qual sentimos que pertencemos: uma espécie de lar arquétipo do qual podemos sempre escapar e para o qual podemos regressar. E todos nós somos, até certo ponto, socializados através de paisagens, nomeando os lugares que nos são conhecidos familiares – é assim que existimos, através de uma cartografia da linguagem e de lugar. E isto é, em grande parte, o que a arte tenta fazer: a classificação e o mapeamento de um lugar de existência.”
Para ela é necessário se infiltrar no ambiente em que sabe que colocará sua história, e só depois de ter assimilado e armazenado as informações do local, ela consegue ver seus personagens interagindo e tomando vida nas histórias que cria.
“Acho que o local que um escritor escolhe para sua narrativa está relacionado à sua sensibilidade. Sou sintonizada – e já observava de perto – o espaço ao ar livre, desde que era criança. Outros escritores podem ser mais conscientes da arquitetura, de interiores ou de paisagens urbanas. Também gosto de olhar para trás e sentir que a paisagem do passado é ao mesmo tempo terrivelmente real e totalmente de outro mundo – uma ficção maravilhosa.”
(tradução minha)
Igreja de Nossa Senhora de Nazaré, 1943
Gastão Formenti (Brasil, 1894-1974)
óleo sobre tela, 54 x 65 cm
Autoria disputada. Charpentier? Thomas J. Richter ?
óleo sobre tela.
Hoje o grupo de leitura Papa-livros completa 12 anos de atividades ininterruptas. Foram 144 livros lidos. Uma grosa. Não é um pequeno sucesso. Num país em que poucos têm o hábito da leitura essa é uma etapa a ser comemorada. Das 20 pessoas ativas 4 estão nele desde o primeiro ano, 3 são “fundadoras” (pertencem desde de o primeiro encontro) e a quarta, a partir do segundo encontro. Mas temos algumas com 11 e 10 anos de grupo, 8 e assim por diante.
O grupo de leitura já passou por muitas transformações. Começou na casa de uma de nós. Hoje se encontra em lugar público. Já fomos um grupo misto, hoje somos só mulheres. Decidimos que preferimos assim. Já tivemos falecimento, divórcio, reconciliação, viuvez, netos, casamentos de filhos, divórcio de filhos, e tudo mais que aparece na vida normal de pessoas normais. No momento, temos um filhote, bebê de menos de 1 ano, Pedro, nosso talismã. Gostamos de festas. Fazemos duas por ano. Hoje e no Natal. O grupo inclui pessoas dos 32 aos 86 anos. Somos católicos, judeus, budistas, ateus e tudo combinado… O que nos une é a vontade de ler. Depois, gostamos das discussões sobre o que lemos. E aos poucos as amizades se estreitam. Mas pense bem, quantos amigos, que não trabalham com você, você vê durante o ano, pelo menos 12 vezes? Garanto que não são muitos. Amizades não aparecem automaticamente, principalmente depois que somos adultos. No nosso caso, amizades vêm com os encontros mensais e encontros que cada um tem com membros do grupo, à parte, durante o mês. Com telefonemas. Com uma foto mandada por email; uma mensagem por celular. Encontros fora do grupo são incentivados, pois só assim as amizades conseguem florescer; se solidificam.
Incentivo todos que gostam de ler a participarem ou a formarem um grupo de leitura. Garanto que isso dará uma repaginada na sua vida. É impressionante a pluralidade de reações a um livro, a uma obra, a um enredo. De repente vemos aquilo que lemos de uma forma diferente… Temos tido muito mais pedidos para entrada no grupo do que é possível atender. O ideal são 12 pessoas. Já havíamos aumentado para 15, por concessões a membros. E recentemente, desde novembro do ano passado, passamos a ser 20, quando adotamos os membros órfãos do grupo de leitura Entrelinhas, nascido com a nossa bênção e que se desfez. Ganhamos nós, porque tivemos uma renovada total, não só nas discussões como nas propostas de leitura. Desde o início nos comprometemos a não ler os clássicos tradicionais. Procuramos os livros que acabaram de ser lançados, ou algum que tenha impressionado alguém. Nossas discussões são informais, às vezes pendem para o lado pessoal, às vezes para a análise mais formal. Com frequência falamos de história, de política, de problemas sociais. Muitas vezes de experiências que vivemos. Cada livro traz consigo uma variedade enorme de assuntos que podem ou não ser abordados. Só depende da vontade do grupo. Temos as profissões mais variadas: psicólogos e psicanalista, advogadas, escritora, arquiteta, artista plástica, ambientalista, relações internacionais, tradutora/intérprete, engenheira, mães de família, professoras de ioga, língua estrangeira e outras.
Quando fizermos quinze anos faremos uma grande festa, reunindo todos os membros presentes e passados. Pensando longe? Acho que não. Quando já se leu 144 livros, o que são 36 mais? Nada… uma brisa…
Quero expressar publicamente o meu apreço a todas que contribuíram para mais um ano de atividades e sucesso. Sem a contribuição de cada uma não teríamos sucesso. Em ordem alfabética: Albertina, Ana Maria, Andréa, Chaia, Camille, Cibele, Elizabeth, Fabiana, Gisela, Inez, Léa, Luba, Lucia L., Lúcia S., Magali, Maria Eugênia, Melissa, Mônica, Rosi e Vera. Que venham mais 12 anos. E muitos outros mais. Foi a dedicação de vocês, o comprometimento, a habilidade de se desvencilhar de obrigações uma vez por mês, a boa vontade de muitas vezes ler aquele livro que não agrada, a aceitação de que nem sempre as discussões são interessantes mas continuar para ver no que dá, a aceitação de opiniões contrárias ao que se pensa, e o respeito às decisões sempre democráticas. Por tudo isso, pelo calor humano, pela simpatia com o outro, pelo bom humor, pelo dar-se e receber, por tudo que temos feito juntas, o meu profundo agradecimento. São vocês que fazem o grupo. Eu, só organizo. Aproveito para agradecer também ao nosso garçom favorito, Sr. Deusdeth, por sempre nos dar atenção tomando nota dos detalhes de cada pedido de exceção: “sem alface”, “com queijo”, “sem amendoim”, “posso substituir…”, etc. Não é fácil com 20 mulheres. Enfim estou grata a todos. Pronta, para mais doze aventuras por ano!
Linda Apple (EUA, contemporânea)
óleo sobre tela, 15 x 15 cm
Cravos vermelhos e brancos, 1999
Jonas Federman (Brasil, contemporâneo)
vinil e colagem encerado sobre tela, 56 x 37 cm
Lambert Kriedemann (África do Sul, 1951)
óleo sobre tela
Por que eu falo dos benefícios do fracasso? Simplesmente porque fracassar significa se desfazer de tudo que não é essencial. Deixei de ter a pretensão de ser mais do que eu era, e comecei a direcionar toda a minha energia para a finalização do único trabalho que era importante para mim. Se eu tivesse tido sucesso em qualquer outra coisa, eu poderia nunca encontrar a determinação necessária para ter sucesso naquilo que eu acreditava ser meu.
J. K. Rowling
A tradução é minha, uma fração do artigo Here are the most magical things JK Rowling has ever done
[Ao fundo, a Pedra dos Dois irmãos]
Ricardo Newton (Brasil, contemporâneo)
óleo sobre tela, 120 x 120 cm
Vovó
Cornelis Jetses (Holanda, 1873-1955)
óleo sobre tela
É difícil manter a fé quando as rejeições começam a chegar, mas lembre-se das palavras do escritor norte-americano Joe Konrath que disse em uma ocasião: “Há uma palavra para um escritor que não desiste: publicado.”
[A tradução é minha]
Para ler o artigo todo: LINK