Igreja de São Francisco, Florianópolis, década de 1950
Martinho de Haro (Brasil, 1907-1985)
óleo sobre madeira, 58 x 52 cm
Igreja de São Francisco, Florianópolis, década de 1950
Martinho de Haro (Brasil, 1907-1985)
óleo sobre madeira, 58 x 52 cm
Em 2020, a Wikipedia me diz, a escritora italiana Elena Ferrante, que se tornou muito popular na década passada com a quadrilogia napolitana, publicou uma lista de 40 romances escritos por mulheres que ela recomendaria.
Há muito passei da fase de ler um livro pelo sexo de autor. Mas confesso que na década de oitenta do século passado, passei alguns anos, talvez uns cinco anos lendo exclusivamente mulheres, fora os livros que eu lia para as resenhas publicadas no jornal da cidade onde morei nos Estados Unidos.
Sei que cometo uma gafe, para os tempos modernos, ao dizer que há uma diferença na escrita de homens e mulheres. Essa afirmação não é bem vista em muitos círculos. Mas não é o caso aqui de abrir esse assunto. O que quero comentar aqui? A lista de Elena Ferrante. Já li alguns dos quarenta livros, e li algumas das autoras, mas outros livros. Não seria a minha lista de autoras favoritas, mas é uma lista. Como todas as listas, tem alguns vieses fortes, mesmo dentro da seleção de autores mulheres.
Dessa lista li e recomendo
Americanah, de Chimamanda Ngozi Adichie. Não é meu livro favorito dela. Meio sol amarelo é a minha preferência das quatro obras que li da autora. Mas é o mais querido do público.
O Ano do Pensamento Mágico, de Joan Didion
O Amante, de Marguerite Duras
Os Anos, de Annie Ernaux
Amada, de Toni Morrison
O Deus das Pequenas Coisas, de Arundhati Roy
A Porta, de Magda Szabò
Memórias de Adriano, de Marguerite Yourcenar
Um homem bom é difícil de encontrar e outras histórias de Flannery O’Connor, que na lista aparece em inglês, mas está traduzido no Brasil.
Li algumas das autoras, que recomendo, mas li outros livros: Margaret Atwood, Rachel Cusk, Nathalia Ginzburg, Doris Lessing, Iris Murdock, Edna O’Brien.
Alguns livros tenho em casa. Mas eles me intimidam por seus tamanhos generosos: Uma vida pequena e O intérprete de males. Confesso que olho para eles e me pergunto: vou querer mesmo a companhia desse livro pelas próximas quatro, cinco semanas? Olho para as capas, elas não me seduzem. Os pobres volumes voltam para as prateleiras.
Há outras autoras na lista de que não gosto. Em outra ocasião explico porque. Escolham um, pelo menos, da lista como projeto de leitura para 2025. Ainda sobram sete meses neste ano!
Verde
Albert Ramos Cortés (Espanha, contemporâneo)
óleo sobre tela, 51 x 41 cm
Eugène Delacroix
Este é um livro infanto-juvenil com belíssimas ilustrações e texto exemplar passado tanto numa floresta tropical quanto num ambiente urbano. Esse é o terceiro livro da carioca Nancy de Souza. O lançamento foi um grande sucesso. E sim, Nancy já se tornou uma amiga pessoal desde que fizemos um curso juntas.

Paisagem com barco, 1999
Aldemir Martins (Brasil, 1922-2006)
acrílica sobre tela, 130 x 100 cm
Rosa imperial
José Paulo Moreira da Fonseca (Brasil, 1922-2004)
óleo sobre tela, 46 x 55 cm

Marjorie tricotando
[Retrato da esposa do pintor]
Leonard John Fuller, (Inglaterra, 1891-1973)
óleo sobre tela
Coleção Particular

Filhotinho chita com sua mamãe no Zoológico de Dallas.
Pedra da Moreninha, Paquetá, 1966
Gastão Formenti (Brasil, 1894-1974)
óleo sobre eucatex, 15 x 21 cm
A leitura, 1875
Alfred Stevens (Bélgica, 1923-1906)
óleo sobre madeira, 55 x 44 cm
Gato
Carlos Anesi (Argentina-Brasil, 1943-2010)
óleo sobre tela, 90 x 130 cm
“E os olhos do escuro se amarelaram. E se viram escorrer, enxofrinhas, duas lagriminhas amarelas em fundo preto.
O escuro ainda chorava:
– Sou feio. Não há quem goste de mim.
– Mentira, você é lindo. Tanto como os outros.
– Então porque não figuro nem no arco-íris?
– Você figura no meu arco-íris.
– Os meninos têm medo de mim. Todos têm medo do escuro.
– Os meninos não sabem que o escuro só existe é dentro de nós.
– Não entendo, Dona Gata.
– Dentro de cada um há o seu escuro. E nesse escuro só mora quem lá inventamos. Agora me entende?
– Não estou claro, Dona Gata.
– Não é você que mete medo. Somos nós que enchemos o escuro com nosso medos.”
Mia Couto, em O gato e o escuro; Cia das Letrinhas: 2008







