Retrato de duas crianças numa poltrona, lendo
Margery Mostyn (Inglaterra, 1893-1979)
óleo sobre tela, 76 x 64 cm
“Qualquer criança que tenha dois progenitores interessados nela e uma casa cheia de livros, não é pobre.”
Sam Levenson
Retrato de duas crianças numa poltrona, lendo
Margery Mostyn (Inglaterra, 1893-1979)
óleo sobre tela, 76 x 64 cm
Sam Levenson
Dr. Louis Martinet, 1826
Jean-Marie-Joseph Ingres (França, 1780-1967)
desenho a lápis sobre papel, 25 x 32 cm
National Gallery of Art, Washington DC
Paisagem de Friburgo com Araucárias, RJ
Henrique Bernardelli (Chile-Brasil, 1858-1936)
óleo sobre tela, 35 X 76 cm
Mulher sentada ao espelho
Alberto Micheli (Itália, 1863-1952)
óleo sobre tela, 85 x 57 cm
Adalgisa Nery
Lembro-me desse rosto.
Era risonho mas envolvido numa sombra triste,
Sua voz era clara mas sua língua era tímida,
Voz de criança que suga o peito materno,
Língua de mulher após duros fracassos.
Sua fonte era larga e seus cabelos dourados,
Fronte vigiada pelas grandes insônias.
Seus olhos eram vagos,
Vagos em beleza e em fixação.
Tinham nas pupilas o embaciado de que nasceram mortos.
Seu andar era firme e duro
Contrário a toda a fragilidade de seu corpo
Era como o andar do condenado
Subindo para a morte os degraus da guilhotina.
Sua boca era igual
Igual a tantas bocas de mulher,
Apenas depois de seus sorrisos tristes
Notava-se nos lábios um rito de amargor.
Suas mãos eram
Mãos grandes, secas e vividas,
Mãos que afagaram em silêncio
Muitos corpos amados horas esquecidas.
Suas mãos eram como bocas, como olhos,
Como vozes, com vida independente
Antes do corpo ser adolescente.
Eram mãos velhas e tristes
Eram como olhos vividos em pranto.
Às vezes com um movimento de inocência
E logo depois tomavam atitude de degradação.
Eram mãos que usavam alma emprestada
De dedos longos e inquietos
Como inesperados movimentos de serpente
E mudavam-se às vezes num suave tremor de seios de virgem
Tonteada em amor.
Sobre a vida do corpo desse rosto não direi mais nada
Não sei se era boa ou má
Se era maldita ou abençoada
Porque talvez essas formas destacadas que meus olhos viram
Fossem um sonho ou outra visão qualquer
Ou possivelmente seja meu
O retrato dessa mulher.
(1948)
Em: Mundos oscilantes: poesias completas, Adalgisa Nery, Rio de Janeiro, José Olympio: 1962
Colheita do Algodão,1938
Cândido Portinari (Brasil, 1903-1962)
Guache sobre Papel
Colhendo frutas
José Sabóia (Brasil,1949-2025)
óleo sobre tela, 30 x 30 cm
Bule e flores, 2005
Guyer Salles (Brasil, 1942)
técnica mista sobre papel, 57 x 76 cm
Vaso com flores
Carlos Leão (Brasil, 1906-1983)
técnica mista sobre papel, 28 x 41 cm
Quadrado da Urca com vista para o Pão de Açúcar, 1938
Yoshiya Takaoka (Japão-Brasil, 1909-1978)
aquarela sobre papel, 45 x 56 cm
No início deste ano tive uma amiga visitando o Rio de Janeiro, vinda de Goiás. Nem preciso dizer que a cidade a encantou. Faz parte da visita, o encantamento. Mas uma das coisas que ela mencionou especificamente, fora os lugares tradicionais, foram as ruas substancialmente arborizadas. E ainda posso lembrar de seu tom de voz ao dizer com espanto: E vocês ainda põem orquídeas nas árvores de rua!
Nem sempre foi assim. Não posso dizer quando esse hábito começou. Nem onde. Cresci no Rio de Janeiro, na zona sul da cidade e garanto que quando era criança, não fazíamos isso. Já ouvi relatos que foi iniciativa de uma associação de comerciantes de Ipanema que, para embelezar a cidade, e chamar atenção para o bairro, começaram a amarrar orquídeas nas árvores que dão sombra às ruas, árvores plantadas pela prefeitura. Não estamos falando de árvores nos jardins de condomínios. Aliás esses também têm.
Por volta dos anos 90 do século passado era evidente que os próprios cariocas haviam abraçado a ideia de orquídeas penduradas nas árvores das calçadas. Isso, também surpreendeu meu marido, americano, que como a goiana, percebeu a profusão de orquídeas nas ruas como um sinal de que estava num ambiente tropical, algo que soava a seus ouvidos, como um lugar perto do paraíso. Coitado! Anos depois veio morar no Rio de Janeiro e percebeu a realidade! Mas sempre se admirava com as orquídeas em ruas públicas.
Não sei se essa moda causou os supermercados a venderem orquídeas ou se foi o contrário, eles começaram a vender as orquídeas e a moda seguiu a oferta das plantas. Velha questão essa, da galinha e do ovo. Hoje praticamente todos os mercados vendem orquídeas, as mais comuns, e o carioca leva orquídeas à casa de alguém que ele visita, ou presenteia em qualquer ocasião.
Mas orquídeas não são das plantas, as mais fáceis de lidar. Requerem certa quantidade de sombra e alguns fiapos de sol. Precisam de pouca água e gostam de ficar à beira de algum lugar, mais ou menos em situação periclitante, como peitoris de janelas do décimo segundo andar. Essas necessidades são amplamente providas pelas árvores. Então o carioca recebe a orquídea de presente, se satisfaz com ela pelo período de floração e depois dependura numa árvore de rua. Tudo que se precisa é ter um porteiro, ou um empregado do prédio em que você mora, que se disponha a amarrar uma orquídea que já perdeu a sua beleza mas ainda está viva, na parte mais alta da árvore próxima à entrada do seu edifício, no lugar que ele alcançar de uma escada. E voilà, na próxima estação, no próximo período de floração, a árvore estará embelezada por uma, duas, três orquídeas, quantas couberem em seu tronco, plantas que continuarão, felizes, a dar flores entra ano, sai ano. E vivemos, então, sob a distinta impressão de estarmos num paraíso tropical.
Um capítulo interessante
Vicente Palmaroli y Gonzáles (Espanha, 1834-1896)
Óleo sobre madeira, 76 x 51 cm