Imagem de leitura — Jacques-Emile Blanche

30 06 2010

Mulher que lê, c. 1890

Jacques-Émile Blanche ( França 1861-1942)

Óleo sobre tela

Jacques-Émile Blanche nasceu em Paris em 1861 numa família abastada, seu pai era um famoso patologista.  Estudou com o pintor Henri Gervex e Jacques-Fernand Humbert  mas por pouco tempo.  A partir de 1884 o jovem pintor faz várias viagens a Londres absorvendo com gosto a arte de Whistler e Sickert.  A partir de 1887 ele começa a expor regularmente no New English Art Club.  Desenvolveu um estilo próprio e pode ser considerado um pintor autodidata.   Ficou famoso por seus retratos.  Influenciado por ambas escolas francesa e inglesa, e por ter acesso ao meio artístico nos dois  países, tornou-se um dos retratistas favoritos das celebridades de um lado e do outro do Canal da Mancha, reconhecido por ser dono de um estilo bem refinado, elegante e muito próprio.  Morreu em Offranville, nos Alpes Marítimos, em 1942.





Imagem de leitura — Osman Hamdi Bey

19 06 2010

O teólogo, 1907

Osman Hamdi Bey (Turquia, 1842 — 1910)

Óleo sobre tela, 90 x 113 cm

Coleção Feyyaz Berker, Turquia

Osman Hamdi Bey (Istambul, 1842 — Istambul, 24 de fevereiro de 1910) foi  um estadista intelectual, connoisseur das artes e um importante pintor realista turco do século XIX.  Foi também um grande arqueólogo e é considerado um dos pioneiros na profissão de curador de museus na Turquia.   Fundador do Museu Arqueológico de Istambul e da Academia de Belas Artes (Sanayi-i Nefise Mektebi )de Istambul,conhecida hoje como Universidasde Mimar Sinan de Belas Artes.  Osman Hamdi Bey foi um dos mais famosos artistas árabes oitocentistas.  Três de seus trabalhos – O repouso das ciganas, Soldado do Mar Negro à espera, e Morte de um soldado — foram expostos na Exposição Universal de Paris em 1881.   Como diretor do Museum Imperial, em 1882 ele conseguiu desenvolver e redigir novas leis para proteção do patrimônio arqueológico da Turquia.





Imagem de leitura — Yuri Bogatyrenko

16 06 2010

Estudo da esposa do artista lendo, 1959

Yuri Bogatyrenko ( Ucrânia, 1932)

Aquarela sobre papel, 21 x 29 cm

Yuri Kirilovich Bogatyrenko ( Ylovaisk, Ucrânia, 1932),  Acabou seus estudos em filme em 1957, formando-se pela Instituto de Cinema de Moscou onde foi aluno de F. Bogorodski e de Y. Pimenov.  Trabalhou como designer de produção em filmes no Studio de Cinema Odessa onde participou de muitos produções cinematográficas de sucesso na antiga União Soviética.





Imagem de leitura — Paul-Michel Dupuy

10 06 2010

Maré baixa, praia de Villeria, s/d

Paul-Michel Dupuy ( França 1864-1949)

Óleo sobre tela, 58 x 79 cm

Coleção Particular

Paul-Michel Dupuy nasceu em Pau (Basses-Pyrenées) em 1869.  Foi um pintor frances dedicado às paisagens, à pintura de gênero e ao retrato de belas mulheres e crianças em cenas ensolaradas.  Estudou com Bonnat e Maignan e tornou-se membro da Sociedade de Artes Francesas em 1899.  Participou do Salon des Artistes Français, ganhando a medalha de ouro em 1901 e 1902.  Ainda ganhou muitas outras honrarias através de sua longa carreira, culminando com o Cavaleiro da Legião de Honra em 1833.   Muitos de seus trabalhos estão no Museu de Rheims, na França.





Imagem de leitura — Alfredo Valenzuela Puelma

3 06 2010

A lição de geografia, 1883

Alfredo Valenzuela Puelma ( Chile, 1856 – França, 1909)

Óleo sobre tela

Alfredo Valenzuela Puelma, nasceu em Valparaíso, no Chile em 1856.  Demonstrou desde cedo habilidade como artista e estudou na Academia de Pintura de Santiago, sob a orientação de Ernesto Kirchbach e de Giovanni Mochi.  Entre 1881 e 1885 esteve na Europa graças à uma bolsa de estudos.  Voltou ao Chile onde trabalhou com o pintor Pedro Lira, mas logo voltou a Paris onde trabalhou com Paul Laurens.  Foi o primeiro pintor chileno a trabalhar com nus.  Especializado em retratos e na figura humana, Valenzuela Puelma também se dedicou à pintura religiosa e de gênero, nesta última muitas de suas obras mostram o gosto da época  pelo exótico com cenas repletas de um orientalismo sedutor.  Morreu na França em 1909.





Imagem de leitura — Mathias Stomer

27 05 2010

Jovem rapaz lendo à luz de vela, s/d

Mathias Stomer ( Holanda c. 1600- c. 1650)

Óleo sobre tela, 175 x 172 cm

Museu Nacional de Estocolmo,  Suécia.

Mathias Stomer, também conhecido com Stom ou Stomma ( Amsterdam c. 1600 – Sicilia depois de 1650) foi um pintor holandes, com formação artística no atelier  do pintor Gerard van Honthorst, que trabahava no estilo caravagista.  Seguiu os passos dos  pintores maneiristas Simon Vouet e Abraham Bloemart.  Mas sua grande dívida estilística vem de Dirck van Baburen e de Hendrick ter Brugghen.   Encontra-se em Roma em 1630, ainda que não se saiba ao certo a data de sua chegada à Itália.  De 1633 a 1639 trabalha em Nápoles e em seus arredores.   Depois se instala na Sicília, onde permanece até a morte.  Lá  é bastante  influenciado por alguns dos mestres da pintura italiana meridional e se  torna  ainda mais adepto dos grandes mestres nos contrates de luz e sombra, estilo que domina com grande mestria.





Imagem de leitura — Pierre Pivet

19 05 2010

O vestido amarelo, s/d

Pierre Pivet ( França, 1948)

óleo sobre tela, 100 cm x 60 cm

www.pierrepivet.com

Pierre Pivet nasceu na Normandia, na França em 1948.  Mudou-se para Paris em 1953 e começou a pintar em 1962, inspirado então pelos trabalhos de Velazquez e de Rembrandt.  Em 1969 ficou órfão de pai e mãe.  Começou então a trabalhar como programador  para uma companhia francesa.  Em 1972 fixa residência nos Estados Unidos e se casa.  Em 1974 retorna à França e completa seus estudos na Academia Port Royal.  Quando emigra para o Canadá em 1983, e se estabelece em Montreal, Pierre Pivet já havia visitado o Marrocos diversas vezes e se encantado com as cores do país.   Apreciador dos Fauvistas , ele retém até hoje a palheta cromática desses pintores.  É atrás de cores também que visita por diversas vezes países da America Central,  na década de 90.





Imagem de leitura — Jean-Baptiste Debret

13 05 2010

Sábio trabalhando no seu gabinete no Rio de Janeiro,  1827 

Jean-Baptiste Debret (França 1768-1848)

aquarela

Fundação Raimundo de Castro Maia, Rio de Janeiro

Jean-Baptiste Debret (Paris 1768 — Paris 1848) foi um pintor e desenhista francês. Integrou a Missão Artística Francesa (1816), que fundou, no Rio de Janeiro, uma academia de Artes e Ofícios, mais tarde Academia Imperial de Belas Artes, onde lecionou pintura.   De volta à França (1831) publicou Viagem Pitoresca e Histórica ao Brasil (1834-1839), documentando aspectos da natureza, do homem e da sociedade brasileira no início do século XIX.





Imagem de leitura — Carl Larsson

6 05 2010

Senhora lendo jornal, 1886

Carl Larsson ( Suécia, 1853-1919)

Aquarela

Carl Larsson nasceu em  Estocolmo, em 28 de maio de 1853, numa família muito pobre.  Seu talento artístico só se desenvolveu aos  treze anos quando  entrou para a Principskolan, um departamento temporário da Academia de Arte.  Lá ele achou difícil se adaptar, sentindo-se  em inferioridade social.  Aos dezesseis anos, foi transferido para  um departamento menor da Academia de Arte, onde aos pouco tornou-se mais confiante, e passou a participar ativamente do grupo estudantil.

Formando-se, dedicou-se à  ilustração de livros, revistas e jornais diários.  Passou anos em Paris sem conseguir muito sucesso até 1882 quando conhecer um artistas escandinavos fora de Paris.  Lá conheceu sua esposa, casando-se em 1883.  Abandonou a pintura a óleo em favor da aquarela  pintando então seus mais importantes trabalhos.  Sua esposa e filhos tornaram-se seus principais modelos. Larsson ficou famoso por aquarelas retratando a vida em família. As coleções Ett Hem (Uma Casa) de 1899, (26 aquarelas);  Larssons (Os Larssons), 1902 com (32 aquarelas)  e o grupo  Åt solsidan (O Lado Ensolarado) de 31 aquarelas foram livros que, ilustrando  a vida simples do campo, tiveram uma enorme influência no design de interior sueco para as gerações seguintes.  Morreu em 1919.





A grande contribuição da internet …

5 05 2010

Pateta lendo, ilustração Walt Disney.

No sábado passado, dia 1º de maio, o jornal O Globo publicou no caderno Prosa e Verso  um pequeno artigo de Guilherme Freitas, intitulado O livro muda para continuar sendo o mesmo, em que o autor apresenta para o público o novo lançamento da Editora Record, Não contem com o fim dos livros, do jornalista francês Jean Philippe.  Este é um livro que reúne diálogos entre o escritor italiano Umberto Eco e o escritor francês Jean-Claude Carrière.    Entre outros assuntos mencionados no livro, Guilherme Freitas ressalta a posição de Jean-Claude Carrière quando este comenta sobre a memória coletiva:

Fascinado pelos critérios subjetivos que regem a transmissão dos saberes ao longo da História,  Carrière diz que o acesso maciço a informações possibilitado pela internet muda nossa relação com o conhecimento.

— O que vemos agora é uma nova forma de erudição.  Não se trata mais apenas de uma questão de saber, mas de ser capaz de discernir aquilo que devemos reter nessa grande massa de informação na qual vivemos.  Isso desperta inúmeras questões.  Cada indivíduo constrói seus próprios filtros?  Ou existem fatores sociais e coletivos que influem nisso?  É um tema fascinante.

Esse é um assunto que me é particularmente caro, principalmente depois que voltei a estabelecer residência no Brasil.  Peço permissão para passar um pouquinho da  minha história pessoal.

 Tio Patinhas foi à biblioteca, ilustração Walt Disney.

Nos primeiros meses que tive contato com uma universidade americana, uma das coisas que mais me surpreendeu, muito antes da internet existir, foi a facilidade de acesso à informação que cada aluno tinha em solo americano.  Não só alunos, mas todos.  Tanto as universidades particulares (conheci de perto a Universidade Johns Hopkins) quanto as do governo (estudei na Universidade de Maryland, governo estadual), — e mais tarde pude verificar o mesmo em outras universidades que entraram para o meu dia a dia, tais como Universidade Duke (privada), North Carolina State University e University of North Carolina at Chapel  Hill (as duas do governo estadual) tinham excelentes bibliotecas abertas ao público em geral,  quer universitários ou não.  Qualquer pessoa podia consultar seus acervos.  Era só uma questão de estar interessado o suficiente para fazê-lo.   Essa democratização do conhecimento na época estava bastante distante da realidade brasileira, assim como ainda está.  Mas foi um aspecto importantíssimo para que eu viesse a entender a sociedade americana de uma maneira diferente do mero visitante, diferente da pessoa que vai fazer um pequeno curso de especialização.  Porque só esse convívio diário com “os templos do saber”  em cidades e estados diferentes conseguem dar a idéia de quão abrangente o acesso ao conhecimento pode ser. 

Parece então muito natural que o maior ímpeto para a democratização do conhecimento, para a democratização de textos, do saber – digamos assim – tenha vindo através de ferramentas eletrônicas – internet, Google, livros digitais e muito mais – criadas por indivíduos estabelecidos  nos Estado Unidos, americanos ou não.

Numa das primeiras visitas minhas ao Brasil depois de estar estudando nos EUA,  marquei um encontro com antigos professores e colegas de turma das duas faculdades que cursei —  uma no Rio de Janeiro e outra em Niterói.  Fiquei  desapontada, na época, com o preconceito que demonstraram ao me dizerem que o ensino nos EUA não poderia se comparar ao europeu.  Na época não quis rebater.  Achei que talvez se tratasse de um pouco de ciúmes, de um pouco de desconhecimento.  Mas, confesso, não voltei a procurá-los.  Hoje, entendo melhor, porque vejo claramente que ainda temos muitas raízes no preconceito que estipula que “conhecimento é para uns poucos iluminados”.  Este preconceito fertilizado e cuidado é perpetuado por uma sociedade que se divide em classes sociais rígidas e em que uma delas se encontra os “intelectuais”—estes que por suas próprias cornetas alardeiam a importância de seus conhecimentos, de suas habilidades de discernimento.  

 —

Ilustração francesa, autor desconhecido.

A memória cultural, a memória coletiva de um povo, só pode identificá-lo, quando o acesso ao conhecimento vai além da propriedade de uns poucos para ser generalizado.  Alguns dirão que o processo democrático não deveria influenciar o que “realmente vale a pena reter” porque as massas não saberão entender o que lhes será de maior valia.  Mas nunca foi assim.  Como  Carrière mesmo reflete no diálogo acima, a retenção do saber sempre passou por critérios completamente subjetivos.  Se olharmos a história da transmissão de pensamentos e idéias, das barreiras impostas por traduções ou falta delas do grego ou do árabe sabemos que mais frequentemente do que gostamos de imaginar, o conhecimento de alguma nova equação, de algum conhecimento científico, dependeu lá atrás, há muitos e muitos séculos, da habilidade de algum monge de traduzir um texto do grego, do orgulho de algum rei ou califa de construir uma biblioteca repleta de preciosos manuscritos de outros povos, por vezes povos conquistados, para abrilhantar o seu reino ou o seu ego.  E muito do que foi passado de geração em geração, principalmente nas culturas orais – como é o caso da nossa —  dependeu, mais do que se admite da memória singular de uma avó, de uma tia, de um antepassado que cantava o seu conhecimento.

Graças à internet e à democratização de tudo que se conhece e do que se pensa ou pensou, não viveremos mais sob a ditadura do conceito de que o acesso a qualquer informação é só para os iniciados.  Graças à internet e ao fácil acesso a informação conseguiremos mudar a cara do Brasil, saber quem realmente somos e decidir sobre aquilo que devemos reter nessa grande massa de informação na qual vivemos.