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Leitura, 2005
Maria Sherbinina (Rússia, 1965)
óleo sobre tela, 72 x 80 cm
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“Livros são como abelhas que levam o pólen da vida de uma mente para a outra.”
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James Russell Lowell
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Leitura, 2005
Maria Sherbinina (Rússia, 1965)
óleo sobre tela, 72 x 80 cm
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James Russell Lowell
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Escola em 1879, s/d
Morgan Weistling (EUA, contemporânea)
óleo sobre tela, 100 x 150 cm
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O pano de fundo da semana que passou foi a inépcia do ENEM e de todos os nossos dirigentes quanto ao estado desastroso da educação no país. Não fugindo a um dos objetivos desse blog (auxiliar a quem se dispõe a melhorar o ensino no Brasil) hoje posto um texto, talvez folclórico, talvez não, escrito por um escritor brasileiro que também se preocupava com a educação. Além de ser um bom texto escolar, ele lembra aos nossos governantes que um pouco de humildade e de consideração para com o povo brasileiro estão entre as menores das requisições que ainda fazemos deles. Que visitem as suas escolas e que se lembrem da confiança que depositamos em suas mãos quando os elegemos. A melhoria da nossa educação não é para o futuro, nem para hoje. É para ontem…
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Mário Sette
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Era uma escola humilde de arrabalde: sala ligeiramente caiada, movéis toscos, um desbotado mapa na parede, um crucifixo sobre a banca do professor.
As crianças, filhas de gente humilde, algumas descalças haviam chegado,tomando seus lugares, abrindo os livros, dispondo os cadernos e as canetas.
A manhã nascera ensolarada e bonita.
Pouco depois, o mestre, um senhor esguio, de maneiras calmas, batera palmas como sinal do início dos trabalhos escolares.
Um menino veio dar sua lição de leitura. Outros faziam contas nas pedras.
E, como sempre, o tempo ia passando naquela suave tarefa de aprender, no doce silêncio do arrabalde, raro a raro quebrado pelo pregão de um vendedor de frutas, pelo tropel de um cavalo.
Inesperadamente um carro parou à porta da escola. Aberta a portinhola, desceu primeiro um velho de fardão, e em seguida um homem de sobrecasaca e cartola, de barba loura, com ares muito simples.
O professor, que o vira pela janela, ergueu-se surpreso, exclamando:
— É Sua Majestade o Imperador!
Sabia, como toda gente, ser Pedro II hóspede de Pernambuco, havia dias; não ignorava que o monarca andava visitando os estabelecimentos de ensino, sempre interessado pelo estudo. Mas supor que fosse a modesta escola que regia também honrada com aquela visita, isso nunca supusera. Um recanto de subúrbio, tão longe da cidade, tão pobre!
O Imperador, de chapéu na mão, seguido pelo ministro, entrara na sala, cumprimentara ao mestre e fizera questão de se sentar ao seu lado, como simples inspetor, a fim de assistir a um pouco da aula.
Mostrava-se atento a tudo e balançava a cabeça, risonho, quando os alunos se saíam bem.
Depois, ele próprio, chamou o menino, perguntou-lhe:
— Qual o rio maior do Brasil?
E a outro:
— Faça-me esta conta de dividir.
Ainda a outro:
— Quais são os mandamento da lei de Deus?
Obtidas respostas certas, o monarca, passeando entre as bancas, examinara os cadernos de exercícios, corrigira uma letra, gabara um cursivo, acarinhara as cabeças das crianças que o olhavam cheias de espanto.
Um rei era assim tão bom e tão amigo dos pobres?! Faziam uma idéia diferente da realeza!
Afinal, o Imperador despediu-se, elogiando o professor, prometendo-lhe melhoramentos para sua escola.
Ao sair, o professor quis beijar a mão do soberano, em sinal de respeito, mas o Imperador, com ar de bondade, dispensou-o daquela homenagem dizendo-lhe:
— Os mestres é que precisam de que os alunos lhe beijem as mãos.
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Em: Encantos Literários: antologia, organizado pela Professora Deomira Stefani, São Paulo, Ática: s/d
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Mário Rodrigues Sette (Recife, PE 1886 — 1950) professor, jornalista, contista, cronista e romancista. Veja: www.mariosette.com.br
Obras:
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Ao clarão dos obuses, contos, 1914
Rosas e espinhos, contos, 1918
Senhora de engenho, romance, 1921
A filha de Dona Sinhá, romance, 1923
O vigia da casa grande, romance, 1924
O palanquim dourado, romance, 1921
Instrução Moral e Cívica, didático, 1926
Sombra de baraúnas, contos, 1927
Contas do Terço, romance, 1928,
A mulher do meu amigo, novela, 1933
João Inácio, novela, 1928
Seu Candinho da farmácia, romance, 1933
Terra pernambucana, didático, 1925
Brasil, minha terra! , didático, 1928)
Velhos azulejos, parábolas escolares, 1924
Os Azevedos do Poço,romance, 1938
A moça do sítio de Yoyô Coelho, contos, s/d
Maxambombas e maracatus, crônicas, 1935
Arruar, crônicas, 1948
Anquinhas de Bernardas, 1940
Barcas de vapor, 1945
Onde os avós passaram, s/d
Memórias íntimas,s/d
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Moça lendo no sofá, 1925
Oscar Pereira da Silva ( Brasil, 1867-1939)
óleo sobre tela, 14,5 x 53 cm
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Oscar Pereira da Silva nasceu em 1867, em São Fidélis no estado do Rio de Janeiro. Descobriu seu talento para o desenho desde de cedo e em 1882 começou seus estudos na Academia Imperial de Belas Artes, na cidade do Rio de Janeiro. Foi aluno entre outros de Zeferino da Costa e Vítor Meireles. Ganhou o prêmio de viagem à Europa em 1887. Estabelece-se emParis onde aprimora seus conhecimentos como pintor histórico. dedica-se também à pintura de gênero. Foi o pintor responsável por três painéis no Teatro Municipal do Rio de Janeiro. Foi professor do Liceu de Artes e Ofícios em São Paulo. Faleceu em São Paulo em 1939.
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Dante Alighieri, 1499-1502 [DETALHE]
Luca Signorelli (Itália, 1445-1523)
Afresco, Capela de San Brizio
Catedral de Orvieto, Itália
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Fiquei encantada com o curioso artigo de Jennifer Howard, In the Digital Era, our Dictionaries read us, [Na era digital, nossos dicionários nos lêem], publicado esta semana no The Chronicle of Higher Education. Foi só lendo esse artigo que percebi a facilidade com que um dicionário pode hoje ser e estar atualizado. Mas, muito mais interessante do que isso, descobri que os dicionários online, além de monitorar as palavras procuradas pelos visitantes, conseguem saber por que esses leitores procuram, desenvolvendo assim um retrato preciso das preocupações humanas num determinado momento.
Essa interação digital permite que os dicionários se atualizem quase instantaneamente. Além disso oferece um retrato da sociedade, do momento por que as pessoas passam. Desse modo, os dicionários se transformam também em um espelho cultural das sociedades a que servem. Quando grandes calamidades públicas, por exemplo, afetam uma área do planeta a busca por palavras referentes ou usadas nas descrições dos noticiários do acontecimento aumenta. Assim, usando como exemplo os deslizamentos de terra durante a estação das chuvas, poderíamos encontrar procuras no dicionário por palavras tais como: erosão, terraço, fluxo de detritos, e assim por diante. Com esses dados é fácil perceber quando o interesse por um assunto começa assim como o momento em que naturalmente começa a ser esquecido.
Esse retrato da sociedade, de seus interesses e de suas preocupações é de grande valia para os estudos sociológicos. Mas também tem conseqüências que ainda não foram medidas para ações sociais, para política e para o marketing de produtos e idéias. Um bom assunto para não se deixar de lado.
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Homem sentado no tronco de árvore, 1895
Károly Ferenczy (Hungria, 1862-1917)
óleo sobre papelão, 62 x 77 cm
Galeria Nacional da Hungria, Budapeste.
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Lin Yutang
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Uma leitura tranquila, observando Metcalf, 2011
George Van Hook (EUA, 1954)
óleo sobre tela, 51 x 61 cm
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George Van Hook nasceu em 1954 no estado da Pensilvânia, nos Estados Unidos. Sempre apreciou a pintura impressionista. Estudou pintura, formando-se pela Humboldt State University. Passou um ano viajando na Europa onde estudou a pintura de mestres europeus. Ao retornar estabeleceu-se na Califórnia, até casar e formar uma família. Hoje mora e mantem seu estúdio em Cambridge, NY, próximo a Albany.
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Os tormentos do trabalho criativo
Leonid Osipovich Pasternak ( Rússia, 1862-1945)
óleo sobre tela, 63 x 81 cm
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Ezra Pound
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Monge franciscano lendo, 1661
Rembrandt Harmenszoon van Rijn (Holanda, 1606- 1669)
Óleo sobre tela, 82 x 66 cm
Museu de Arte Sinebrychoff, Helsinque, Finlândia
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“A porta abriu-se sem ruído. Ele entrou, e a porta fechou-se de novo, silenciosamente.
O lugar em que o venerando religioso acabava de penetrar, era uma triste cela, sombria e espaçosa, com uma janela gradeada e fechada, e apenas frouxamente esclarecida por uma clarabóia do teto. As paredes, nuas de alto a baixo, tinham uma cor sinistra de osso velho. Em uma delas havia um grande nicho com a imagem da Virgem da Conceição, quase de tamanho natural; a um dos cantos, uma negra estante toscamente feita, pejada de grossos alfarrábios amarelecidos pelo tempo; no centro, uma mesa de madeira escura com um breviário em cima, ao lado de uma candeia de azeite, um pedaço de pão duro e um cilício cru; junto à mesa, um banco de pau”.
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Em: A mortalha de Alzira, Aluísio de Azevedo, publicado pela 1ª vez em 1892, primeiro capítulo, em domínio público.
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Retrato da pintora Julia Beck, 1882
Richard Bergh Malningen (Suécia, 1858-1919 )
óleo sobre tela
Museu Nacional da Suécia, Estocolmo
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No início de fevereiro fiz uma postagem sobre o novo livro de David Shields em que ele discursa sobre o valor da literatura [Qual é o valor da leitura literária?] e minha amiga Nanci, que muito me prestigia lendo com atenção este blog, lembrou que na minha postagem eu havia me esquivado de responder à pergunta título. Pedi a ela um tempinho para responder. Chegou a hora da verdade. Não há uma única resposta. São muitas, assim como muitas fui e sou. A cada fase da vida a leitura literária teve uma ou mais funções.
Livros sempre fizeram parte da minha vida. Cresci numa família de leitores. Não só meus pais eram leitores, mas tios e avós também. Desse modo posso dizer que fui programada para fazer da leitura um hábito para a vida toda. Ponderei sobre a questão e acho que encontrei o meu fio da meada: a leitura literária me permite conhecer o outro, aquele diferente de mim.
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Leitora de horóscopo
Dimitris Voyiazoglou (Grécia/Holanda, contemporâneo)
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Mark Haddon