Imagem de leitura — Paul Cauchie

11 04 2013

suzanne, paul cauchie

Suzanne, 1923

Paul Cauchie (Bélgica, 1875-1952)

Guache, 50 x 60 cm

Paul Cauchie nasceu em 1875 em Ath, na Bélgica.  Foi uma das figuras marcantes do Art Nouveau na Bélgica, sobretudo por seu trabalho em esgrafito na fachada de residências.  Foi arquiteto, pintor e  decorador.  Estudou na Academia de Belas Artes de Anvers  e depois estudou com Constant Montald em Bruxelas.  Passou grande parte da vida trabalhando na Holanda onde se encarregou da decoração de casas pré-fabricadas.  Faleceu em Etterbeek na Bélgica.





Troca de livros é incentivo à leitura em Moscou

9 04 2013

Ivan Stepanovich Ivanov- Sacachev (Rússia 1926-1980) a student of art history Uma estudante de história da arte, 1972

Ivan Stepanovich Ivanov-Sakachev (Rússia,  1926-1980)

têmpera e guache sobre eucatex, 124 x 100 cm

O jornal Moscou Times traz o aviso de que na noite do próximo dia 19 para 20 de abril, Moscou terá sua segunda  “Biblionoch” — uma noite de incentivo à leitura, onde livros são trocados ou são deixados em lugares públicos para serem apanhados por qualquer pessoa que os queira ler. Tudo feito de maneira anônima.

“Biblionoch” significa noite de livros e nessa noite muitas livrarias e bibliotecas da capital russa irão ficar abertas para o evento, que se pautou nas noites abertas dos museus, um acontecimento já bastante conhecido e divulgado na mesma cidade, chamado  de “Noite dos Museus”.

No ano passado, o evento foi quase improvisado e assim mesmo teve a participação de 30 bibliotecas de Moscou.  E no país mais de 750 organizações tiveram noite semelhante.  Este ano a “Biblionoch” conta com participação de grandes e conhecidas bibliotecas tais como Turgenev e Nekrasov e o Winzavod  Centro de Arte Moderna.

Além disso, haverá diversos jogos e brincadeiras, entre elas uma maratona de leitura que irá determinar que escritores contemporâneos mais contribuiram para a leitura dos residentes de Moscou.  Paralelamente autores mais populares se encontrarão com seus leitores e participarão de uma online conferência.

Não sou contra a celebração da leitura.  Sou a favor de todos os meios possíveis para incentivar a leitura.  Mas duvido muito que os hábitos de leitura e de não-leitura de qualquer pessoa se modifiquem por causa de uma noite. Um dia.  Uma troca de livros.  Isso deveria de ser chamado de “festa de livros” onde variados leitores saem de suas respectivas e confortáveis cadeiras para se auto-congratularem por serem leitores; trocar uma ou outra ideia sobre o que leram sem querer estrelato.  Estrelato não combina com leitura.

A leitura é um hábito. Precisa ser cultivado como um hábito como um vício. É para se fazer constantemente.  Sempre.  Com chuva ou com sol. No inverno e no verão, na rua, no ônibus, em casa. Na biblioteca. No jardim, na viagem, no quarto do hotel. Na sala de espera do dentista.  No fila do banco.  É assim como um vício social: você não pode viver sem.  A diferença entre a leitura e o tabaco é que ela só faz bem.





Imagem de leitura — Gustavo Rosa

8 04 2013

Gustavo-Rosa-leitor, serigrafiaLeitor, s.d

Gustavo Rosa (Brasil, 1946 – 2013)

Serigrafia

www.gustavorosa.com.br

Gustavo Rosa nasceu em São Paulo em 1946.  É pintor, desenhista e gravador.  Reside e trabalha em São Paulo.





Boicote político no Salon du Livre: um ato de auto-destruição

6 04 2013

Emile Verhaeren écrivant

Escritor Emile Verhaeren, 1915

Theo van Rysselberghe (Bélgica, 1862-1926)

Óleo sobre tela,  46 x 55 cm

Christie’s  Auction House

Ontem estava passando os olhos no jornal Le Monde e encontrei a notícia,[Des écrivains roumains boycottent le Salon Du Livre] já antiga, do dia 22 de março, onde o repórter Mirel Bran narrava  que os escritores romenos boicotaram o Salão de Livro em Paris: a Romênia era convidada de honra.  Terminei a leitura incrédula.  Como?  O que esses escritores imaginam ter feito?  Estão contra a administração do Salão do Livro? Foram mal tratados pelos franceses? Foram ignorados? Não. Nada disso.  Então, o que justifica essa atitude?  Eles protestam.  Não contra os franceses.  Tampouco contra o Salão do Livro. Protestam contra o governo deles.  Queriam denunciar a política do país.

Mas que diabos de leitura eles fizeram que imagina que seus atos teriam um impacto significativo? Esse foi um ato de auto-destruição.  Nada mais.  Quem imaginou e levou avante esta demonstração de resistência ao governo de seu país não entendeu a razão ou a importância da imensa oportunidade que esses escritores tiveram nas mãos, de projetar a sua literatura para o mundo.  Usaram sim o espelho retrovisor, olharam para trás.  Pensaram pequeno demais, portadores de antolhos culturais.

Porque vamos e venhamos: quem conhece a literatura romena?  Outros romenos.  Talvez uns poucos especialistas.  E agora, certamente menos pessoas irão conhecer.  Porque ninguém vai aprender romeno de uma hora para outra, por simpatia.  Esses escritores escolheram não promulgar suas idéias para uma Europa literata, leitora, ávida por novas experiências, por novos autores. Eles fecharam o teatro, cancelaram o espetáculo, depois de venderem  todos os lugares.  Escolheram encolher-se ao tamanho da Romênia. Definitivamente um ato de auto-destruição.  Porque a política local não irá mudar por esse motivo.  Quem imagina isso ainda não viveu tempo suficiente para ser um escritor, para dissertar sobre a condição humana. E perderam a grande oportunidade de terem suas vozes ouvidas por gente que poderia escutá-las com consideração e respeito.

Igualo esse ato ao das grandes ondas de protesto que temos no Brasil na época das eleições quando uns e outros imaginam que ao votar nulo ou em branco calarão ou modificarão a maneira com que a política é tratada no país.  Isso não vai acontecer. Isso é de uma inocência política que chega a doer.  Isso é abster-se na hora em que a sua opinião conta.  É um erro de interpretação do contexto de suas ações. É outro ato de auto-destruição.  Triste constatar que muitos não enxergam a irrelevância dessa postura.  São truques teatrais, mais pantomimas do que uma grande ópera. É engodo, bazófia. Charlatanaria política.  Uma ilusão à qual cabeças pensantes não podem se render.





Palavras para lembrar — Jules Renard

6 04 2013

Emil Rau

Menina lendo no seu quarto, antes de 1936

Emil Karl Rau ( Alemanha, 1858-1937)

óleo sobre tela,  76 x 55 cm

“Cada uma de nossas leituras deixa um grão que germina.”

Jules Renard





Imagem de leitura — Adrien Moreau

2 04 2013

Adrian Moreau (França 1846-1906), No parque,ostNo parque, s/d

Adrian Moreau (França, 1846 – 1906)

aquarela e guache sobre papel, 37 x 27 cm

Adrien Moreau nasceu em Troyes,na França em 1843.  Foi aluno de Isadore Pils. Inicialmente dedicou-se à pintura histórica, a cenas de gêneros de outras eras. Teve bastante sucesso durante sua carreira, suas obras sendo colecionadas por muitos.  Trabalhou também como ilustrador: Candide de Voltaire, em 1893, The Secreto of Saint Louis, de E. Moreau em 1899 são exemplos de seu trabalho como ilustrador.  Morreu em 1906.





Chekhov e o comportamento das pessoas cultas

1 04 2013

konstantin-korovin (Russia 1897-1950) In a Boat 1888 Tretyakov Gallery, Moscou

Em um barco, 1888

Konstantin Korovin (Rússia, 1897-1950)

óleo sobre tela

Galeria Tretyakov, Moscou

Passei os olhos na revista eletrônica Brain Pickings e me deparei com um artigo curioso de Maria Popova baseado nas cartas que Anton Chekhov [Anton Chekhov on the eight qualities of cultured people].  Nesse artigo ela mostra o escritor russo descrevendo, para sua família, as características para se viver numa sociedade culta.  O artigo é bastante charmoso com longas citações escritor.  Não vou tentar traduzí-las, mas as listo abaixo, uma breve apreciação do que lá é dito, como indicativo de seu julgamento. E considerando que essa lista foi feita em 1886, parece incrível que possa continuar sendo relevante.

E assim ele lista:

As pessoas cultas, em minha opinião,  preenchem as seguintes condições:

1 – Respeitam a personalidade alheia. Elas não brigam por coisa insignificante e desculpam inconveniências tais como temperatura ambiente, refeição mal feita, brincadeiras de humor duvidoso e a presença de desconhecidos em suas casas.

2 – Têm simpatia para além dos pedintes e gatos.  São sensíveis ao que os olhos não vêem.  Passam a noite em claro para ajudar ao próximo.

3 – Elas respeitam os bens dos outros, e por isso mesmo, pagam suas dívidas.

4 — As pessoas cultas são sinceras e não gostam de mentir, nem mesmo as pequeninas mentiras.  Acreditam que a mentira seja um insulto ao ouvinte e o coloca numa posição inferior à de quem mente.  Não falam demais e, por respeito aos ouvidos dos outros, preferem ficar caladas do que falar.

5 – As pessoas cultas não falam mal de si mesmas para ganhar a compaixão dos outros. Elas não abusam da boa vontade dos outros. Eles não dizem “ninguém me entende”.

6 – Elas não mostram uma vaidade vã. Elas não procuram os diamantes falsos tais como conhecer celebridades, ser reconhecido nos bares… Se fazem um bem não saem por aí divulgando-o, e não se vangloriam de ter entrada em círculos ou lugares onde outros não são admitidos.

7 – Se elas têm talento, elas o respeitam e sacrificam tudo para esse fim.  Têm orgulho de seu talento.  São exigentes.

8 – Elas desenvolvem um senso estético próprio. Elas mantêm higiene rigorosa em todos os aspectos de suas vidas.  Não bebem a toda hora. Elas querem “mens sana in corpore sano” – uma mente sã, em um corpo são.

Espero que todos nós nos lembremos desses conselhos de Chekhov.  Acredito que muitos de nós, quer na vida pública ou privada, possamos dar um renovado lustro em regras tão simples e por vezes tão negligenciadas.





Palavras para lembrar — Alphonse de Lamartine

1 04 2013

Ignace_Spiridon_Portrait_des_jungen_Oskar_Fraenkel_1898

Retrato do jovem Oskar Fraenkel, 1898

Ignace Spiridon (Itália, 1860-1900)

óleo sobre tela

“Todas as grandes leituras marcam uma data na vida”.

Alphonse de Lamartine

 

 





Retrato na praia, poema de Carlos Pena Filho

31 03 2013

Emily Patrick

Joelhos de menina, s/d

Emily Patrick (Inglaterra, contemporânea)

gravura de pintura da artista

www.emilypatrick.com

Retrato na praia

Carlos Pena Filho

Ei-la ao sol, como um claro desafio

ao tenuíssimo azul predominante.

Debruçada na areia e assim, diante

do mar, é um animal rude e bravio.

Bem perto, há um comentário sobre estio,

mormaço e sonolência. Lá, distante,

muito vagos indícios de um navio

que ela talvez contemple nesse instante.

Mas o importante mesmo é o sol, que esse desliza

por seu corpo salgado, enxuto e belo,

como se nuvem fosse, ou quase brisa.

E desce por seus braços, e rodeia

seu brevíssimo e branco tornozelo,

onde se aquece e cresce, e se incendeia.

Em: Melhores Poemas de Carlos Pena Filho, seleção de Edilberto Coutinho, São Paulo, Editora Global:1983, p.80

Carlos Pena Filho

Carlos Pena Filho ( PE 1929-PE 1960) poeta brasileiro.

Obras:

O tempo da busca, 1952

Memórias do boi Serapião, 1956

A vertigem lúcida, 1958

Livro geral, 1959





Imagem de leitura — Clay Olmstead

30 03 2013

Clay Olmstead

Moça lendo, III

Clay Olmstead ( EUA, contemporâneo)

sem indicação de mídia, 61 x 71 cm

www.clayolmstead.com