Igreja Nossa Senhora do Brasil, Urca
Felisberto Ranzini (Itália-Brasil, 1881-1976)
aquarela sobre papel, 50 x 34 cm
Igreja Nossa Senhora do Brasil, Urca
Felisberto Ranzini (Itália-Brasil, 1881-1976)
aquarela sobre papel, 50 x 34 cm
Leitora no jardim, final da década de 1960
Cesare Peruzzi (Itália, 1894-1995)
óleo sobre tela, 33 x42 cm
Januário dos Santos Sabino
Quando o sol já no poente
Perde o brilho, a cor desmaia
E louca vaga gemente
Se desenrola na praia;
Quando alegre o coleirinho,
No galho da pitangueira,
Trina à beira do seu ninho
Doce canção feiticeira;
Quando a flor n’haste pendida,
Mais grato perfume exala,
E a natureza sentida
Como que, cantando fala:
Eu sinto, minha alma então
Divagar na imensidade
Dos cismares da paixão,
Levada pela saudade;
Lembra-me o tempo encantado,
Que eu a teu lado passei…
Ah!… com então enlevado,
No teu amor me inspirei!
Minha vida que então era,
Arruinado jardim,
Transformou-se em primavera,
Teve rosas e jasmim;
E as ondas procelosas,
Do mar de minha existência,
Se acalmaram bonançosas,
Ao teu sorrir de inocência;
Mas agora, — ave sem ninho,
A doudejar no deserto,
Cego em busca do caminho,
Com passo tardio e incerto;
Lembrando esse momento,
De tão venturosa idade,
Só encontro um sentimento,
Uma palavra – saudade!
Revista O Cysne, ano I, nª 1, 1864
Januário dos Santos Sabino (Brasil, 1836?- 1900)
Natureza Morta, 1956
Alberto da Veiga Guignard (Brasil, 1896-1962)
óleo sobre tela, 38 x 55 cm
Flores e fruto
Gladys Maldaun (Brasil, 1941)
aquarela sobre papel, 56 x 38 cm
Lendo na sacada
Bruce Yardley (Inglaterra, 1962)
óleo sobre tela
Luiz Felipe Pondé
Em: Diálogos sobre a natureza humana: Perfectibilidade e Imperfectibilidade, Luiz Felipe Pondé, edição kindle.
Ontem li um artigo da BBC History Magazine sobre o que era comercializado na Rota da Seda. A Rota da Seda foi uma das minhas grandes paixões (acho que ainda é), que gerou leituras extravagantes sobre os caminhos do comércio da Antiguidade em diante. Essa curiosidade sobre esse caminho conhecido muito antes de Cristo foi, provavelmente, o ponto de partida para que um de meus hobbies seja ler sobre o comércio desde a antiguidade, por distração. Para mim é romântico imaginar os quilômetros aos milhares, a que comerciantes atravessando desertos e terras inóspitas, se submetiam para que bens de um lado chegassem ao outro lado da terra até então conhecida.
Estabelecida pelos chineses, da Dinastia Han, a Rota da Seda funcionou muito bem até o século XV. Não tinha o nome de Rota da Seda, Esse é recente. Batismo feito pelo geógrafo alemão, grande viajante e cientista Ferdinand von Richthofen, em 1877.
Muito mais do que seda era comercializado neste longo caminho da Ásia ao Mar Mediterrâneo. Especiarias, metais preciosos, artesanatos, peles, armas e cavalos estavam entra os principais produtos comercializados neste caminho. Seres humanos também eram vendidos como escravos nessa rota. A seda acabou sendo a escolhida por von Richthofen por ser um produto conhecido e fabricado unicamente pelos chineses, ou seja o produto único do ponto de partida ou de chegada daqueles que viajavam por essas terras. Sim, a seda era importante para a Europa, era um item de luxo e vastamente comercializada. Não havia conhecimento de como se fazia seda no mundo ocidental.
Nem todos os itens eram transportados do início ao fim da rota. Havia itens de interesse mais local. Assim como nem todos os comerciantes iam de um extremo ao outro da Rota da Seda. Nada disso. Iam até certo ponto onde comercializavam seus bens com um certo lucro, voltando para o lugar de onde partiram. Ideias também foram aos poucos sendo trocadas de uma ponta do mundo a outra. Acredito que ainda não tenhamos, apesar de todos os estudos já feitos, ideia da dimensão, da importância desse comércio por muitas culturas e nações que até já não existem mais. Hábitos, costumes e até religiões se espalharam pelo mundo graças ao comércio contínuo por mais de quinze séculos entres culturas atravessadas pela Rota da Seda. Vale a pena você conhecer mais sobre esse caminho que levou bens e ideias de um mundo ao outro da Antiguidade à Renascença.
E você já leu sobre a Rota da Seda? Gosta de livros de viagem?
Citando a fada, 2015
Emma Ersek (Romênia, 1979)
Sophia de Mello Breyner
Quando o meu corpo apodrecer e eu for morta
Continuará o jardim, o céu e o mar,
E como hoje igualmente hão-de bailar
As quatro estações à minha porta.
Outros em Abril passarão no pomar
Em que eu tantas vezes passei,
Haverá longos poentes sobre o mar,
Outros amarão as coisas que eu amei.
Será o mesmo brilho, a mesma festa,
Será o mesmo jardim à minha porta,
E os cabelos doirados da floresta,
Como se eu não estivesse morta.
Indecisão
Charles-Louis Baugniet (Bélgica,1814-1886)
óleo sobre madeira
Haynes Fine Art, Grã-Bretanha
Donzela meditando, 1847
Charles West Cope (Inglaterra, 1811-1890)
óleo sobre tela
Victoria & Albert Museum, Londres