Bendito seja o poeta
que na leveza do verso
enfeita, acalanta, aquieta
toda a angústia do universo.
(Vera Vargas)
Bendito seja o poeta
que na leveza do verso
enfeita, acalanta, aquieta
toda a angústia do universo.
(Vera Vargas)
Cena galante no parque
Franz Xaver Simm (Áustria, 1853-1918)
óleo sobre painel de madeira, 32 x 24 cm
“Eugênio pensava ainda em Margaret. Aquele amor secreto era a melhor coisa de sua vida. Tinha um gosto de romance, um romance que ele escrevia com a imaginação, com o desejo, já que a vida se recusava a dar-lhe um romance de verdade. No silêncio de certa noite, em que o luar lhe entrava pela janela do quarto, ele pensou em Margaret, estendido na cama, de olhos fechados. Imaginou mais um encontro noturno, debaixo das árvores do jardim. (Nessas conversas ele perdia a timidez, era como se a luz da lua conseguisse limpar-lhe o rosto das espinhas e a alma dos pecados, era como se o luar fizesse até o milagre de lhe dar uma voz agradável, parelha e máscula.) Os dois ficaram a contemplar-se em silêncio. Os cabelos dela pareciam de prata. Os dele, de bronze. Um organista misterioso tocava músicas muito doces na capela. Margaret contou-lhe histórias do tempo em que sua família morava na China, onde seu pai fora missionário. Em troca, ele lhe descreveu sonhos, planos de vida.”
Em: Olhai os lírios do campo, Érico Veríssimo, Rio de Janeiro, Cia das Letras: 2005, versão eletrônica.
O jogo de xadrez data aproximadamente dos séculos VI ou VII DC, vindo do desenvolvimento de um jogo chamado chaturanga, jogado em algumas partes da Índia. Depois da invasão árabe da Pérsia, o jogo de xadrez foi adotado pelo mundo muçulmano e eventualmente introduzido na Europa por portos na Espanha e na Itália, por volta do ano 1.000 DC.
O xadrez foi logo visto como excelente treino para estratégia e, portanto, tornou-se parte obrigatória da preparação dos cavaleiros feudais. Talvez seja interessante lembrar quem eram os cavaleiros feudais. Eram guerreiros montados. Lutavam em batalhas e guerras, ou porque estavam submissos a um senhor feudal ou eram guerreiros de aluguel, como mercenários nos dias de hoje, para o senhorio que lhes pagasse melhor. Há na história da Europa medieval diversos nomes de cavaleiros de aluguel que se tornaram famosos e ricos. Muitos deles imortalizados em pinturas e esculturas como é o caso de Sir John Hawkwood, um mercenário inglês (1320-1394) cujas batalhas aconteceram, na maioria, entre diversas cidades-estado da Itália. Uma curiosidade a respeito de mercenários é a própria guarda suíça papal, que originalmente foi formada por mercenários.
Pintura da estátua equestre de Sir John Hawkwood, 1436
(moldura pintada mais tarde, em 1524)
Paolo Uccello, (Florença, 1397-1475)
Afresco, 820 x 515 cm
Santa Maria del Fiore, Florença
Apesar do jogo de xadrez ser considerado uma das sete habilidades que um bom cavaleiro deveria desenvolver, é raro encontrar peças deste jogo ou de qualquer outro jogo da época, em bom estado, principalmente peças que tenham sido usadas antes do século XIII. Mas faz sentido que estas peças tenham sido encontradas nas ruínas de um castelo no sul da Alemanha, no distrito de Reutlingen, em um castelo até então desconhecido. As peças foram encontradas sob os destroços de um muro onde poderiam ter sido perdidos ou escondidos.
As peças estão em excelente condição e quando examinadas sob microscópio pode ser visto o brilho, causado pela oleosidade, consequência de terem sido manuseadas durante partidas. Quatro peças em formato de flor, a que se atribui o papel de peões, foram encontradas, algumas com traços de coloração vermelha, que pode indicar que um dos grupos do jogo de xadrez tenha sido originalmente feito de peças vermelhas. Um dado com números nos seis lados, exatamente igual aos dados de hoje, também foi encontrado no grupo de peças. Todas ela foram esculpidas em chifres.
Natureza morta com peixes, 2005
Enrico Bianco (Itália-Brasil, 1918-2013)
carvão e acrílica sobre cartão, 56 x 77 cm
Natureza morta
Henri Carrièrres (França-Brasil, 1947)
óleo sobre tela, 30 x 60 cm,
Somos sete lendo o livro do Caldeira. Mas às vezes uma ou outra falta. Não faz mal, quem falta lê sozinha o capítulo perdido e pega o ritmo na semana seguinte. Esta leitura é organizada e dirigida pela leitora, psicóloga, artista plástica Rose Nobre.
Depois da Segunda Guerra Mundial a conhecida biblioteca dos Irmãos Grimm se subdividiu, perdendo sua identidade como um todo. Os livros colecionados pelos autores, que naquela época se encontravam em Berlim se dispersaram, com a divisão da cidade, e acabaram em diversos lugares no mundo. Os Irmãos Grimm haviam trabalhado anteriormente em Kassel, Göttingen e Savigny, mas dedicaram a maior parte do tempo nas pesquisas antropológicas em Berlim. Recentemente duas pesquisadoras da Universidade Adam Mickiewicz, em Poznań na Polônia encontraram vinte e sete obras que haviam pertencido aos autores. Essas obras são de importância para aqueles que se dedicam à pesquisa das obras de Grimm que contribuíram com histórias que encantaram leitores de todas as idades desde de sua primeira publicação em 1812.
Eles se mudaram para Berlim por volta de 1840 quando Frederico Guilherme IV, rei da Prússia, os convidou para dar aulas no Academia Real de Ciências. Tudo indica que os livros da coleção deles foram deixados, após sua morte, para a Biblioteca da Universidade de Berlim, por Wilhelm Grimm, filho de Hermann Grimm.
Boa parte daquela biblioteca ainda se encontra em Berlim e está à mostra em uma reconstrução do escritório dos irmãos. Mas nem todos os livros estão lá. Em 1898, os bibliotecários responsáveis por esse grupo de livros doaram alguns volumes para a Kaiser-Wilhelm-Bibliothek em Poznań, e em 1919 esta biblioteca se tornou parte da nova Universidade Adam Mickiewicz de Poznań. Em 1945, os bibliotecários começaram a dispersar os volumes restantes da original biblioteca dos Irmãos Grimm mandando-os para fora da cidade com a intenção de salvá-los dos últimos bombardeios que eventualmente levaram à derrocada final do regime nazista. Foi retraçando esses passos que as pesquisadoras Eliza Pieciul-Karmińska e Renata Wilgosiewicz-Skutecka foram capazes de encontrar os vinte e sete volumes.
Mas o que foi encontrado? Obras que datam desde o século XV ao século XIX.
Alguns incunábulos. O que é um incunábulo? É um livro impresso nos primeiros tempos da imprensa com tipos móveis.
Algumas gravuras
Alguns livros mais recentes do século XIX.
Há uma Bíblia de 1491, e um livro sobre Carlos Magno, impresso em Lyon do século XVI. Há obras mais recentes de história da Alemanha, livros de músicas e de geografia datando de 1861. Conhecidos por fazerem todo tipo de anotação nos seus materiais de trabalho essa descoberta certamente ajudará àqueles que se dedicam ao estudo dos Irmãos Grimm, às suas pesquisas e ao que pensavam a respeito das obras adquiridas.
Este artigo está baseado na publicação: “Polish University Discovers 27 Books Belonging to the Brothers Grimm” de Vittoria Benzine,para a Newsletter da ArtNet, em 24 de maio de 2024.