Rio de sol, de céu, de mar…

26 01 2024

Rua Conde de Bonfim (Igreja S.Camilo), 1965

José Maria de Almeida (Portugal-Brasil, 1906-1995)

óleo sobre tela, 37 x 54 cm





A solidão e sua porta, soneto de Carlos Pena Filho

25 01 2024

Leitora, 1897

Alexandre Louis Marie Charpentier (França, 1856-1909)

Desenho

Museu de Belas Artes de São Francisco

 

 

A Solidão e Sua Porta

 


Carlos Pena Filho


                                                                                             (A Francisco Brennand)

 

 

Quando mais nada resistir que valha

a pena de viver e a dor de amar

E quando nada mais interessar

(nem o torpor do sono que se espalha)

 

Quando pelo desuso da navalha

A barba livremente caminhar

e até Deus em silêncio se afastar

deixando-te sozinho na batalha

 

Arquitetar na sombra a despedida

Deste mundo que te foi contraditório

Lembra-te que afinal te resta a vida

 

Com tudo que é insolvente e provisório

e de que ainda tens uma saída

Entrar no acaso e amar o transitório.





São Paulo, 470 anos!

25 01 2024

Domingo, Teatro Municipal, década de 1940

José Marques Campão (Brasil, 1892- 1949)

óleo sobre tela, 38 x 46 cm

 

 

 

Avenida Paulista, 2006

Márcio Schiaz (Brasil, 1965)

óleo sobre tela, 60 x 80 cm

 

 

Palácio das Indústrias, 2005

Marcos Zechetto (Brasil, contemporâneo)

óleo sobre tela, 40 x 50 cm

 

 

 

Largo do Tesouro, São Paulo

Nicola Fabricatore (Itália, 1889-1960)

técnica mista – 23 x 32 cm

 

 

Largo de Pinheiros, SP, 1945

Ottone Zorlini (Itália-Brasil 1891-1967)

óleo sobre tela, 27 x 21cm

 

 

 

Avenida Paulista. 22:30, 2017

Rafael Resaffi (Brasil,contemporâneo)

óleo sobre tela 120 x 160 cm

 

Centro de São Paulo, 2001

Sérgio Telles (Brasil, 1936-2022)

óleo sobre tela, 46 x 38 cm





Hoje é dia de feira: frutas e legumes frescos!

24 01 2024

Frutas

Florêncio [José Carlos dos Santos] (Brasil, 1947)

óleo sobre tela, 50 x 70 cm

 

 

 

Natureza morta, 1976

Aldo Cardarelli (Brasil,1915 – 1986)

óleo sobre tela, 70 x 90 cm





Não percam as fotos de Lalla Essaydi

23 01 2024

 

 

As fotografias de Lalla Essaydi andam falando comigo. São fotos cuidadas, abordando de maneira delicada, artística, dentro de tradições tanto da cultura ocidental como da região do Magreb, a condição feminina.  Elas têm me perseguido como fantasmas poderosos de vidas passadas.

Comecei com a foto acima, porque ela para mim representa uma completa junção de referências. Primeiro veio a imagem da Grande Odalisca, de Ingres, que vemos abaixo.  A tela, da coleção do Museu do Louvre, foi pintada em 1814, para a irmã mais nova de Napoleão Bonaparte, Caroline Bonaparte, Rainha Consorte de Nápoles.

 

 

A grande odalisca, 1814

Jean-Auguste-Dominique Ingres (França, 1780-1967)

óleo sobre tela, 91 x 162 cm

LOUVRE

 

 

 

Há aceno óbvio à obra de Ingres que representa justamente a influência francesa na região do Magreb, iniciada no final do século XVIII como parte da Grand Tour das classes mais abastadas da Europa e acentuadas depois das façanhas napoleônicas nas primeiras décadas do século XIX, assim como local para descobertas do exótico tão finamente cultivado pelas sociedades europeias da época.

Ainda que A grande odalisca de Ingres não seja uma obra abertamente sexual, a ideia de uma mulher em um harém, disponível, mesmo com o olhar frio e distante como nesta tela, atiçava a imaginação dos observadores do século XIX, aumentando a curiosidade sensual sobre as possibilidades aventurescas facultativas no Norte da África. A mulher nua, em uma alcova, rodeada por cortinas de seda bordadas, joias de ouro no braço, lenço bordado a ouro no turbã, cabelos adornados por cabuchon de pérolas e pedra preciosa,  com o exótico abano de plumas de pavão e cabo de marfim, narguilé em laca vermelha, anunciando o uso do tabaco ou ópio, apoiado em caixa de joias e ainda o cinto com grande fivela coberta de pérolas e pedras preciosas, displicentemente largado por sobre lençóis de linho, tudo isso, esse luxo e a sugestão de encontros fáceis se insinuavam marcando os discretos prazeres de um harém, exploravam a aventura sensorial do observador, desabrochando numa sedutora expectativa de deleite.

 

 

 

 

Quando comparamos a obra de Lalla Essaydi com a de Ingres, lado a lado, temos finalmente a certeza inabalável da citação visual feita pela fotógrafa marroquina.

 

 

 

 

Basta olharmos para as posições das cabeças, os turbãs, deixando aparecer, com descuido, um pouco dos cabelos na testa e frontes; os braços, os de apoio à esquerda assim como os que delineiam languidamente as linhas do corpo da mulher no harém, são igualmente paralelos.  Os pés nas mesmas posições traem as culturas que representam.  Enquanto a obra de Ingres mostra uma mulher com pele lisa, branca sem manchas, como porcelana, até mesmo nos pés, a fotografia de Essaydi exibe os pés com solas cobertas por henna como é de uso típico das mulheres no Magreb, para proteção e bençãos.  Ambas as obras também sugerem o aprisionamento inescapável deste lugar, dessa alcova, onde não há espaço para fuga;  onde ambas mulheres. colocadas do lado oposto ao espectador, se acham na vitrine, digamos assim, de encontro a uma parede fechada, sem abertura, sem ar para respirar.  Na obra de Ingres há um fundo escuro, com algumas nuances tonais.  Será madeira, será azulejo, lajota, pedra?  Não sabemos.  No horizonte da mulher do harém de Essaydi temos um desenho na parede cega.  Parecem tijolos, chapisco ou papelão corrugado.  De qualquer maneira, ela assim como sua companheira francesa de mais de um século de idade, tampouco tem escapatória.

Enquanto a Grande Odalisca trabalha na imaginação sensual do espectador, a jovem no harém marroquino não apresenta qualquer traço de sedução, de prazer carnal.  Muito pelo contrário, ela olha, quase com desconfiança, para quem a observa e seu corpo se mescla com os lençóis, coberto por palavras que poderia usar e com elas distinguir sua existência.  Em escrita cursiva as mensagens, o próprio discurso feminino, ultrapassam os limites das cobertas.  Elas tomam conta do corpo da mulher, espalhando-se como os males liberados por Pandora, sem esperança de contenção.  Elas transformam as costas, os braços, o rosto da odalisca moderna na mesma substância da coberta, insinuando que este corpo é mais um dos objetos presentes no harém.

Mas as associações culturais não param por aí.  O corpo da mulher na obra marroquina lembrou-me também do documentário que Ayaan Hirsi Ali e seu sócio o cineasta Theo Van Gogh produziram que levou ao assassinato de Theo e à perseguição de Ayaan Hirsi Ali, escritora do livro Infiel.  Neste documentário (que pode ser visto no YouTube)  os corpos filmados, também aparecem cobertos de dizeres, que refletem em tudo aquilo que as mulheres pensam e calam, por não terem permissão de se manifestar.  São submetidas à vida que levam sem o direito a objetarem.

 

 

Fotos do documentário mencionado acima.

Portanto, é natural que a belíssima obra de Essaydi tenha me movido e a todos que tiveram oportunidade de observá-la.  Não é só uma obra de grande finesse no tratamento da fotografia e uma  de revolta quieta, de denúncia, como só uma mulher que cresceu, viveu ou recebeu essa cultura de herança poderia fazer.  Vale a pena considerar a obra de Lalla Essaydi.  Procure por ela na internet.  Você ficará encantado com a beleza e a força de suas imagens.

 

 

 

NOTA:

Este texto é um trabalho em andamento…. parte de futura publicação —  Notas da história da arte: observações aleatórias das salas de aula

©Ladyce West, Rio de Janeiro, 2024

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Ladyce West é uma historiadora da arte.  Em sua vida acadêmica, antes de abrir uma galeria de arte e antiquário, dedicou-se ao estudo do surrealismo belga.  Seu livro: Humor, Wit and Irony in the Works of Belgian Surrealists, baseado em tese da Universidade de Maryland, está em processo de tradução para o português. 






Nossas cidades: Itanhaém

23 01 2024

Igreja matriz em Itanhaém, 1964

Alfredo Oliani (Brasil, 1906-1988)

óleo sobre tela 20 x 32 cm

 





Trova de Carnaval

22 01 2024
Ilustração italiana, Pierrô e Colombina

 

 

 

Triste vida a do Pierrô:

sofrer pela Colombina,

que, nos braços de Arlequim,

ri de sua triste sina!

 

(Paluma Filho)





Paisagens brasileiras…

21 01 2024

Paisagem

Eliseu Visconti (Itália-Brasil, 1866-1944)

óleo sobre tela, 24 x 33 cm

 

 

Engenho central, 2015

João Benatti (Brasil, contemporâneo)

acrílica sobre tela, 50 x 70 cm

 

 

Hora do sol, 1927

Jurandir Aguiar (Século XX)

óleo sobre tela, 26 x 32 cm





Em casa: Anahita Amouzegar

21 01 2024

Moça com seu cachorro, 2023

Anahita Amouzegar  (Austrália, contemporânea)

acrílica sobre tela, 50 x 71 cm





Flores para um sábado perfeito!

20 01 2024

Vaso com flores, 1998

Plínio César Livi Bernhardt (Brasil, 1927 – 2004

óleo sobre tela, 35x 40 cm

 

 

 

Vaso com Flores, 1937

Roberto Burle Marx (Brasil, 1909-1994)

óleo sobre tela, 100 x 80 cm