Natureza morta
Alcides Cruz (Brasil, 1913-1982)
óleo sobre linhão, 56 x 38 cm
Horas de lazer, 1895
Henry Siddons Mowbray (EUA, 1858 -1938)
óleo sobre tela, 30 x 40 cm
Museu de Arte Americana, Smithsonian
Washington DC
Uma leitora, 1996
Francine Van Hove (França, 1942)
óleo sobre tela
“Era Primavera e eu estava em Siena. Entretido o dia inteiro em minudentes pesquisas nos arquivos da cidade, eu costumava flanar à noitinha, após o jantar, pelo caminho agreste de Monte Oliveto, onde, ao crepúsculo, grandes bois brancos, jungidos arrastavam, como nos velhos tempos de Evandro, um carro tosco de rodas maciças. Os sinos da cidade anunciavam a morte serena do dia; e a púrpura do ocaso baixava com melancolia majestosa sobre a cadeia de colinas rasas. Quando já os negros esquadrões de pegas se haviam apossado das muralhas, só, no céu de opala, um gavião volteava, de asas imóveis, por sobre um roble isolado.
Eu caminhava de encontro ao silêncio, à solidão e aos inofensivos espectros que avultavam à minha frente. Insensivelmente a maré da noite inundava os campos. O olhar profundo das estrelas tremeluzia no céu. E, nas sombras, ao redor das moitas, os pirilampos faziam palpitar os seus fachos amorosos.”
Em: O poço de Santa Clara: contos, Anatole France, tradução de João Guilherme Linke, Rio de Janeiro, Editora Civilização Brasileira: 1978, p. 3
Que saudades dos folguedos
dos meus Natais mais risonhos…
em que singelos brinquedos
amanheciam meus sonhos!
João Freire Filho
Você encontrará neste blog diversas fábulas de Leonardo da Vinci. Além de grande pintor, arquiteto e cientista, o gênio da Renascença italiana também ficou conhecido por sua arte de conversar, de contar histórias. Também escreveu e anotou fábulas e contos populares, lendas e anedotas, organizando-as em volumes diversos. Algumas dessas lendas foram traduzidas por Bruno Nardini e publicadas no Brasil em 1972. Transcrevo aqui a fábula A aranha e as uvas do volume de Leonardo chamado: Fábulas, Atl. 67 v.b.) Em: Fábulas e lendas, Leonardo da Vinci, São Paulo, Círculo do Livro: 1972, p.31.
A fábula de hoje, tem uma moral conhecida nossa, sabedoria popular, vinda da tradição latina através de Portugal: Quem o mal deseja a seu vizinho, vem o seu pelo caminho.
Uma aranha observou durante dias a fio os movimentos dos insetos, e notou que as moscas ficavam em torno de um grande cacho de uvas muito doces.
— Já sei o que fazer, disse ela para si mesma.
Subiu para o alto da parreira e, por meio de um tênue fio, desceu até o cacho de uvas, onde instalou-se num pequenino espaço entre duas frutas.
De dentro do esconderijo começou a atacar as pobres moscas que vinham em busca de alimento. Matou muitas delas, pois nenhuma suspeitava que houvesse ali uma aranha.
Porém em breve chegou a época da colheita.
O fazendeiro foi para o campo, colheu o cacho de uvas e atirou-o para dentro de uma cesta, na qual se viu espremido junto com outros cachos.
As uvas foram a armadilha fatal para a aranha impostora, que morreu exatamente como as moscas que enganara.
Livraria
Willy Belinfante (Holanda, 1922-2014)
óleo sobre tela, 30 x 49 cm
O grupo Papalivros leu os seguintes livros em 2020.
Três irmãs, três rainhas, Philippa Gregory
O desvio, Gerbrand Bakker
Os sete maridos de Evelyn Hugo, Taylor Jenkins Reid
Os segredos que guardamos, Lara Prescott
A vida pela frente, Émile Ajar
A paciente silenciosa, Alex Michaelides
Pátria, Fernando Aramburu
Eleanor Oliphant está muito bem, Gail Honeyman
A espiã vermelha, Jennie Rooney
O crepúsculo e a aurora, Ken Follett
A herdeira, Daniel Silva
Trânsito, Raquel Cusk
Todos os anos nas reuniões de dezembro escolhemos as melhores leituras. Cada membro vota nas três melhores leituras do ano, em ordem de preferência. Para cada primeiro colocado são atribuídos três pontos, para o segundo colocado atribuímos dois pontos e um ponto para o terceiro colocado por leitor. Ao final somamos todos os pontos e o livro com o maior número ganha. Sim, em nossos dezessete anos de leituras já tivemos empates. Mas isso não aconteceu em 2020. A preferência neste ano passado dentro de casa, na maioria dos meses, a preferência foram os livros de ficção histórica. Aqui vai então a cédula de votação e o resultado.
Em 3º lugar: Pátria, Fernando Aramburu
Em 2º lugar: Três irmãs, três rainhas, Philippa Gregory
Neste ano de pandemia, houve clara preferência pelos livros de ficção histórica, nem sempre essa é a escolha para esse grupo. Mas é interessante notar que dos doze livros, nove foram mencionados pelos leitores como parte dos três melhores do ano. Isso não é comum. Em geral há um ou dois preferidos e os votos se dividirem mais no terceiro lugar. Muito bom, porque mesmo que alguém não tenha gostado de uma ou duas leituras, foi também capaz de ler um ou dois livros que achou muito bons.
E assim hoje, com no dia que seria nossa festa natalina, nossa votação foi por Whatsapp e o encontro será hoje à noite via internet. Terminamos na telinha do computados o ano de leituras e encontros do Papalivros, que em 2021, completará 18 anos de existência. Boas leituras a todos. Ficam aqui, dessa forma, algumas sugestões para presentes neste fim de ano.
Os livros restantes em ordem de preferência:
4º lugar: Os sete maridos de Evelyn Hugo, Taylor Jenkins Reid
5º lugar, empate: A espiã vermelha, Jennie Rooney e A vida pela frente, Émile Ajar
Ilustração, desconheço a autoria.–
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“Apostemos, disse à lebre
A tartaruga matreira,
Que eu chego primeiro ao alvo
Do que tu, que és tão ligeira!”
Dado o sinal da partida,
Estando as duas a par,
A tartaruga começa
Lentamente a caminhar.
A lebre, tendo vergonha
De correr diante dela,
Tratando uma tal vitória
De peta ou bagatela,
Deita-se e dorme o seu pouco;
Ergue-se e põe-se a observar
De que parte sopra o vento,
E depois entra a pastar;
Eis deita uma vista d’olhos
Sobre a caminhante sorna,
Inda a vê longe da meta,
E a pastar de novo torna.
Olha; e depois a vê perto,
Começa a sua carreira;
Mas então apressa os passos
A tartaruga matreira.
À meta chega primeiro
Apanha o prêmio apressada,
Pregando a lebre vencida
Uma grande surriada.
Não basta só haver posses
Para obter o que intentamos;
É preciso por-lhe os meios,
Quando não atrás ficamos.
O contendor não desprezes
Por fraco, se te investir;
Porque um anão acordado
Mata um gigante a dormir.