Imagem de leitura — Claude Juppet-Malbet

7 07 2018

 

 

 

Claude Juppet-Malbet (French, 20c).Henriette Morel, 1945. pastel e fusain,

Retrato de Henriette Morel, 1945

Claude Juppet-Malbet





Resenha: “O caminho de casa” de Yaa Gyasi

6 07 2018

 

Titouan Lamazou (Marrocos, 1955)Retrato de Mulher, da exposição Tenebres au Paradis, Africaines des Grands Lacs, aquarelaRetrato de mulher

Titouan Lamazou (Marrocos, 1955)

Aquarela

 

 

É um projeto ambicioso O Caminho de Casa de Yaa Gyasi, com tradução de Waldéa Barcellos, no Brasil. Mas ficou aquém das minhas expectativas dado o volume de aplausos aqui e no exterior à obra. O livro permanece em voga, não por sua qualidade literária, mas pelo fôlego requerido ao abordar o tema: a história de africanos nos últimos  quase 300 anos. Yaa Gyasi contrasta aqueles que permaneceram na África, no século XVIII, com os que, escravizados, chegaram ao Novo Mundo.  Retratadas estão as gerações dos descendentes das meias irmãs Effia e Esi: uma permaneceu na África, outra veio para o Novo Mundo como escrava. Linhagens separadas que se espelham nos dois lados do Atlântico.  “E na minha aldeia nós temos um ditado sobre irmãs separadas. Elas são como uma mulher e a imagem do seu reflexo, condenadas a ficar cada uma de um lado do lago.” [65]

 

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A maior objeção que tenho é o formato.  Ele dá a sensação de uma trama picadinha.  Porque cada capítulo é uma história completa e pertence a um personagem descendente das meias irmãs.  Portanto, não há seguimento. Trata-se, de fato, uma coleção de pequenos retratos, perfis de vidas sofridas, cá e lá, que não dão continuidade, não formam uma história coesa. Este formato leva o leitor a repetidamente consultar as árvores genealógicas dos retratados para se situar na leitura.  Além disso, o romance que se propõe a ser histórico sofre de pesquisa limitada, de descrição superficial dos diferentes costumes, hábitos e até acontecimentos históricos mundiais que ajudariam o leitor a se localizar na narrativa e enriquecer a visão de época. Preocupada em contar a história dos que não têm voz, “ …quando se estuda História, é preciso sempre fazer perguntas. Que história não está sendo contada? De quem é a voz que foi reprimida para que essa voz pudesse se fazer ouvir?” [337] Yaa Gyasi pecou por não posicionar melhor no tempo, nos hábitos e costumes de cada era e de cada terra, o que acontecia, para enraizar a trama no conteúdo geral da história.

 

GYASI-SMYaa Gyasi

 

A coleção de contos, não permite que tenhamos simpatia por qualquer personagem, por mais do que algumas dezenas de páginas; no entanto é rica em acontecimentos, repleta do padecer típico dos séculos XIX e XX, e recheada de lágrimas e sofrimento pessoais para cada um dos diversos personagens.  Se você aprecia um drama sequencial, se gosta de contos variados, que partem o coração, talvez este seja um livro de que goste. Mas não é a obra prima que se descreve no momento.

 

NOTA: este blog não está associado a qualquer editora ou livraria, não recebe livros nem qualquer incentivo para a promoção de livros.





Rio de Janeiro, minha cidade natal!

6 07 2018

 

 

DÉCIO VIEIRA - Guache - 1922 - 1988, série Guanabara, assinada no c.i.d. datada 1971. Adquirido da família do artista com recibo. 75 x 49 cmSem título, 1971

[da série Guanabara]

Décio Vieira (Brasil, 1922 – 1988)

Guache, 75 x 49 cm





Yaa Gyasi: “Entre força e fraqueza”

6 07 2018

 

 

8855bd0cfd37585d5ea658be1f1508a7Metamorfose, 2011

Carol Chen Poun Joe (Suriname, 1989)

acrílica sobre tela, 50 x 40 cm

 

 

“Você quer saber o que é fraqueza? Fraqueza é tratar alguém como se pertencesse a você. Força é saber que cada pessoa pertence a si mesma.”

 

 

Em: O caminho de casa, Yaa Gyasi, tradução Waldéa Barcellos, Rio de Janeiro, Rocco: 2017, página 63





Eu, pintor: Paul Gustave Fisher

5 07 2018

 

 

Paul Gustave Fisher (Dinamarca,) autoretrato, 1909, ost, 41 x 38 cm, col part.Autorretrato, 1909

Paul Gustave Fisher (Dinamarca, 1860-1934)

óleo sobre tela, 41 x 38 cm

Coleção Particular





Lendo: “O museu do silêncio” de Yoko Ogawa

4 07 2018

 

 

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Lendo:

O MUSEU DO SILÊNCIO

Yoko Ogawa

Estação Liberdade: 2016, 304 páginas

 

SINOPSE:

Os museus têm como pressuposto guardar objetos de valor histórico ou científico para fins de exibição pública, de modo a registrar à posteridade a importância que eles tiveram para a humanidade num período determinado. Mas como seria no caso de um museu que tivesse como objetivo preservar lembranças de pessoas que morreram? Essa é a essência da trama proposta pela japonesa Yoko Ogawa neste O Museu do Silêncio, primeira amostra da produção da autora que a Estação Liberdade traz ao público brasileiro.

O sonho de dar cabo ao Museu do Silêncio é de uma velha que vive com a jovem filha e um casal de empregados. Um museólogo – narrador da história – é contratado por ela para tirar o projeto do papel. De personalidade hostil e sem o menor traquejo social, a velha tem lá suas idiossincrasias, sobretudo em relação ao tipo de conteúdo que planeja para o museu: as lembranças dos mortos precisam ser representativas do que eles foram em vida. Uma peça de roupa, uma fotografia sorridente – nada disso. Não se trata de preservar lembranças afetivas. Cada objeto do museu precisa ser a metáfora perfeita da existência do finado.

No caso do homem cego, por exemplo, só mesmo seu olho de vidro serve às intenções da velha. E o museólogo – nenhum dos personagens do livro é nomeado – tem que se virar para recolher esse tipo de “relíquia” dos corpos moribundos. Para se familiarizar com essa macabra tarefa, o museólogo conta apenas com a ajuda da filha da chefe, por quem nutre sentimentos paternais… ou nem tanto. E, não bastassem o mau humor e as grosserias da velhota, ele ainda tem de lidar com uma chocante onda de assassinatos de mulheres da região, marcados pela característica comum de apresentar os corpos das vítimas mutilados numa região bem específica.

O Museu do Silêncio é uma obra de suspense, bastante simbólica da produção de Yoko Ogawa, escritora japonesa contemporânea muito saudada no Ocidente. Sua literatura é excêntrica, preterindo tons e temas ternos e etéreos por aqueles mais duros e polêmicos, não raro flertando com o grotesco. Neste livro, ela também opta por ambientar a trama em tempo e local não identificados, o que contribui para diluir os eventuais estranhamentos culturais intrínsecos às suas origens nipônicas, e assim consolidar sua voz de alcance universal.





Hoje é dia de feira: frutas e legumes frescos!

4 07 2018

 

 

Clovis Pescio - Natureza morta - Óleo sobre tela - datado de 1999 - acid - sem moldura - 50x70cmNatureza morta, 1999

Clóvis Pescio (Brasil, 1951)

óleo sobre tela, 50 x 70 cm





“O pranto da inocência”, poesia de José Joaquim Cândido de Macedo Júnior

2 07 2018

 

 

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O pranto da inocência

 

José Joaquim Cândido de Macedo Júnior (1842 – 1860)

 

Quando cismas, donzela, no teu rosto

Que linda per’la suspirando corre!

— Pranto dourado que não diz desgosto,

Que num sorriso no teu seio morre!

 

Mimo dos anjos que tua alma prende

Aos céus ridentes nesse doce encanto,

Lágrimas d’ouro que teu peito incende,

Que o amor celeste se traduz num pranto!

 

E a gota pura vem cantar um hino

Que os anjos n’alma te murmuram rindo,

Pérola branda diz um som divino

Que o peito entoa em murmurejo infindo!

 

Bela — do altar do teu virgíneo seio

Deixa esse orvalho de dulçor correr;

Minh’alma treme nesse brando enleio,

Ai! vai por ele nos teus pés morrer!

 

Chora! a inocência te sorri no choro,

São risos virgens de infantis amores,

São doces hinos de um celeste coro,

Dizem — enleios — mas não dizem dores.

 

Teu pranto puro beberão os anjos

Num doce anseio de inocente medo,

Teu sol — ó virgem — só serão arcanjos

— Teu lábio os beije no infantil segredo.

 

Chora, donzela, de teu níveo seio

Deve esse orvalho de dulçor correr;

Minh’alma treme nesse doce enleio,

Vai por teu pranto nos teus pés morrer!

 

 

Em:  O Espelho: revista de literatura, modas, indústria e artes, n. 2,  11 de setembro de 1859, p.12. da edição em facsímile, Rio de Janeiro, MEC:2008, p. 32.





O verde do meu bairro: Ipê rosa

2 07 2018

 

 

 

gal osorio junho 2018 assIpê rosa em flor, Praça General Osório, Ipanema, Rio de Janeiro.

 

Ipê rosa, [androanthus heptaphyllus] é árvore original das regiões tropical e subtropical. É nativa das Américas Central e Sul, podendo ser encontrada entre o sul do México ao norte da Argentina. Floresce de maio a agosto. Sua madeira é preciosa. Chega a 30 metros de altura e seu tronco pode ter uma circunferência de 90 cm. Precisa de abelhas e pássaros para polinização.





Domingo, um passeio no campo!

1 07 2018

 

 

Rene Silvio Tomczak, Óleo sobre tela, 50x60cmPaisagem

Rene Silvio Tomczak(Brasil, contemporâneo)

óleo sobre tela, 50 x 60 cm