Imagem de leitura — Dario Regoyos

23 06 2015

 

 

Retrato de Dolores Otaño, 1892, Dario Regoyos (Espanha, 1857-1913), ost, 55 x 35 cm, Museu da Rainha Sofia,Retrato de Dolores Otaño, 1892

Dario Regoyos (Espanha, 1857-1913)

óleo sobre tela, 55 x 35 cm

Museu da Rainha Sofia, Madri

 





Eu, pintor: Piero della Francesca

23 06 2015

 

piero-della-francescaAuto-retrato como soldado dormindo

DETALHE

Ressurreição, 1465

Piero della Francesca (Sansepolcro, 1416-1492)

Afresco e têmpera, 225 x 200 cm

Pinacoteca Comunale, Sansepolcro

 

A obra:

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Esmerado: Tapeçaria Belga, c. 1600

23 06 2015

 

 

71de39ef40a6caacc67465628159a6e6Imperador da antiguidade a cavalo, c. 1600

Tapeçaria de parede em lã e seda

Bruxelas, 298 x 380 cm

 

 





As flores e os pinheiros, poema de Machado de Assis

23 06 2015

 

Guilherme Matter (1904 -1978) plantação de trigo no Paraná.Plantação de trigo no Paraná

Guilherme Matter (Brasil, 1904-1978)

óleo sobre tela

 

 

As flores e os pinheiros

Machado de Assis *

 
Vi os pinheiros no alto da montanha
Ouriçados e velhos;
E ao sopé da montanha, abrindo as flores
Os cálices vermelhos.

Contemplando os pinheiros da montanha,
As flores tresloucadas
Zombam deles enchendo o espaço em torno
De alegres gargalhadas.

Quando o outono voltou, vi na montanha
Os meus pinheiros vivos,
Brancos de neve, e meneando ao vento
Os galhos pensativos.

Volvi o olhar ao sítio onde escutara
Os risos mofadores;
Procurei-as em vão; tinham morrido
As zombeteiras flores.

 

*Este poema é a tradução de Machado de Assis do poema publicado em francês do poeta chinês Tin-Tun-Sing.

 

 

Em: Antologia Poética para a Infância e a Juventude, selecionado por Henriqueta Lisboa, Rio de Janeiro, Instituto Nacional do Livro:1961,p. 173.





Imagem de leitura — Camille Engel

22 06 2015

 

 

Peter Pan in Kensington Gardens, A Backyard Bird Oil Painting by Camille Engel

Será possivel?

[Peter Pan em Kensington Gardens]

Camille Engel (EUA, contemporânea)

óleo sobre painel de madeira, 50 x 45 cm

www.camille-engel.com





Trova do acidente de carro

22 06 2015

 

 

acidente, carro, tintin, hergéTintin observa o resultado dos pneus furados, ilustração de Hergé.

 

Todo “barbeiro” sustenta
que a batida foi assim:
– Veio um poste a mais de oitenta,
na contra-mão, contra mim!…

 

(Izo Goldman)





Nossas cidades — Porto Seguro

22 06 2015

 

 

SERGIO TELLES - Porto Seguro - óleo stela 80 x 50 cm.Porto Seguro

Sérgio Telles (Brasil, 1936)

óleo sobre tela,  80 x 50 cm





O escritor — José Eduardo Agualusa

22 06 2015

 

 

Stanislaw Debicki (Polônia, 1866-1924)

Retrato de leitora de jornal, c. 1900

Stanislaw Debicki (Polônia, 1866-1924)

Lwowska Galeria Obrazów , Varsóvia

 

 

“Escrever é, na essência, mudar de pele. Um escritor tem de se conseguir colocar, o tempo todo, na pele dos outros.”

 

José Eduardo Agualusa

 

Em: “O embrulho da alma”, José Eduardo Agualusa, O Globo, 22/06/2015, 2º caderno, página 2.





Domingo, um passeio no campo!

21 06 2015

 

 

RODOLFO WEIGEL (1907-1987) - Paisagem com Estradinha, óleo stela colado na madeira, 24 X 19.Paisagem com estradinha, s.d.

Rodolfo Weigel (Brasil, 1907-1987)

óleo sobre tela, colada em madeira, 24 x 19 cm





Das perdas do divórcio…

21 06 2015

 

 

divorcio, willliam hogarthDivórcio

William Hogarth (Inglaterra, 1697-1764)

Gravura

 

 

Das perdas do divórcio…

Pouco se fala nas perdas emocionais do divórcio, fora o casal e seus filhos, se esses existirem. O vazio, a perda vai muito além do parceiro ou parceira. Com o divórcio perde-se também a família maior: os sogros, cunhados, sobrinhos, tios, todos que, um dia, foram considerados membros de uma unidade, de um universo familiar. Esses podem desaparecer de um momento para o outro como se engolidos por um buraco negro. Lá se afunda, no meio do nada, uma constelação de contatos, de alianças, de pontos de amizade e camaradagem.

Ontem soube que a mãe de meu primeiro marido, minha sogra, faleceu. Ela desocupou a posição oficial de minha sogra há muito anos, mas o coração é grande e em uma parte dele ela sempre reinou. Diferente do estereótipo cultural, eu gostava dela. Tomei-a como exemplo não só durante os nove anos do casamento, mas também nos anos que se seguiram, muito tempo depois, quando eu já fazia parte de outro círculo familiar, resultado de um casamento mais feliz.

Conheci minha primeira sogra, quando eu tinha dezesseis anos e namorava seu filho mais velho. Quatro anos depois, quando nos casamos, ela soube participar dos preparativos e ao mesmo tempo se distanciar quando necessário.

Depois de casada encontrei nela fonte de muitos conselhos práticos, de orientação da cozinha às costuras. Aprendi também o valor dos pequenos rituais; de viver sem dar extrema importância ao que os outros pensam; assim como o dar-se permissão por se ter um gosto diferente, um ponto de vista único. Minha sogra tinha um excelente senso de humor; era independente, determinada e ocupava-se nas ações filantrópicas com a mesma energia que dedicava à família. Era justa. Nos quase quatorze anos de convivência, tive momentos de grande aproximação, principalmente nos meses em que morei com ela, enquanto meu marido, fora do país, começava seu curso de doutoramento e eu, aqui, terminava o ano de estudos no Rio de Janeiro. Ela sempre me tratou bem com carinho, atenção, respeito, camaradagem e cumplicidade. Por uma questão de afinidade, ela se tornou, de fato, membro do meu cosmos familiar.

O divórcio, fora do Brasil, de um casal sem filhos, trouxe um abismo sem fundo nesse relacionamento. Os filhos trazem com eles a obrigação de sempre se estar em contato com a família que era. No meu caso isso não foi necessário. Novos casamentos dos dois lados solidificaram a ausência. Ela, meu sogro, meus cunhados desapareceram. Levaram com eles parte das memórias da minha adolescência e todos os meus vinte anos. Minhas reflexões sobre aqueles quatorze anos estão indubitavelmente marcadas por essa família, em parte porque desde cedo me adaptei, por gosto e inclinação, a uma variedade de atividades que nada tinham a ver com a minha família natural, mas que fizeram parte do meu dia a dia como membro desse clã. Perdi, assim como muitas outras pessoas em um divórcio, um bocado das referências pessoais. No meu caso da adolescência até ao adulto maduro.

O vácuo permaneceu como um ponto fraco e dolorido, até a minha volta ao Rio de Janeiro. Um dia, por coincidência, em uma livraria de Copacabana (minha sogra gostava de ler), ouvi a mocinha da caixa tomar o nome da senhora que estava à minha frente na fila. Era ela, minha primeira sogra. Chamei-a, nos reconhecemos e nos abraçamos. Lágrimas e sorrisos se misturaram, as duas se emocionaram. Muitos anos haviam se passado. Mas tanto foi dito naquele abraço! O meu foi repleto de saudades e de carinho. O encontro não durou muito tempo, o bastante para sabermos que ambas haviam sentido falta uma da outra e que ocasionalmente ponderávamos sobre a outra. Honramos nosso passado em comum. Trocamos pequenas informações e alguns telefonemas depois desse dia, nada mais do que meia dúzia, para desejar um Feliz Ano Novo ou Feliz Aniversário. Mas daquela tarde em Copacabana cheguei em casa feliz.  Era disso que eu precisava: nosso encontro finalmente fechou aquele ciclo da vida do qual participamos juntas. Tivemos a oportunidade do adeus. Não foi uma vida, nem tampouco uma semana. Quatorze anos contam, principalmente para uma adolescente à procura de modelos de vida e de comportamento que melhor expressassem seu íntimo. Minha primeira sogra foi importante nessa busca. Por isso mesmo sei que fui privilegiada em conhecê-la. Que a paz esteja com a senhora, D. Léa.

 

©Ladyce West, Rio de Janeiro, 2015.