Victoria Harchencko (Rússia, 1978)
óleo sobre tela, 123 x 80 cm
Décio Soncini (Brasil, 1953)
acrílica sobre tela, 80 x 80 cm
Coleção Raul Forbes
“A colônia Dona Francisca é um novo empreendimento, cuja origem pode ser exposta em poucas palavras. Em 1843 o Príncipe de Joinville casou-se com Dona Francisca, a irmã do Imperador do Brasil. Recebeu, então, como dote, grande extensão de terras cobertas de matas na província de Santa Catarina. Não faz muitos anos, numa das estações de água da Alemanha, o Príncipe encontrou-se com o Senador Schroeder, de Hamburgo, que lhe propôs um plano para valorizar o seu dote — isto é: conceder uma certa porção das terras para uma companhia, que nela fundaria uma colônia. O Príncipe concedeu nove léguas quadradas, reservando uma certa quantidade de acres para si próprio, nas melhores situações. A companhia se constituiu, e concordou em trazer uns mil e seiscentos colonos com um dado prazo de tempo. De março de 1851 a março de 1855, o número estipulado no contrato havia sido atingido. A maioria dos colonos eram alemães-suíços, embora franceses e alemães estivessem representados por considerável minoria. A vila de Joinville contém cerca de sessenta casas; nas regiões adjacentes há cento e vinte, e outras em construção. Deduzidas as mortes há aproximadamente mil e quinhentos habitantes nessa colônia; por outro lado, há um considerável número de franceses, e franceses-suíços, nas colônias adjacentes fundadas pelo Príncipe de Joinville em suas próprias terras. Dois terços da totalidade dos colonos são sem dúvida protestantes, e o outro terço é constituído por católicos.
Qual será o sucesso da colônia, esperemos para ver. (…)”
Kidder e Fletcher, publicação “O Brasil e os brasileiros“.
Em: Pinheirais e Marinhas, Paraná e Santa Catarina, coleção Histórias e Paisagens do Brasil, seleção de Ernani Silva Bruno, São Paulo, Cultrix: 1959, pp: 62-3
NOTA: James C. Fletcher esteve no Brasil entre os anos de 1851 e 1865, prosseguindo os trabalhos de propaganda do Protestantismo empreendidos vários anos antes por seu colega Daniel P. Kidder.
Jiboia verde, serpente do Amazonas. Foto:Flickr.Essa beleza gosta de dormir enroscada nas árvores. Não é venenosa. É uma serpente constritora, ou seja, mata por enforcamento. Vive de pequenos animais, como roedores, pequenas aves, lagartos e demais répteis. Tem muitos nomes populares: araramboia, cobra-papagaio, jiboia-verde e muitos outros. Mas seu nome científico é Corallus Caninus. É natural da Amazônia.
Edward Lamson Henry (EUA, 1841-1913)
óleo sobre tela, 12 x 17 cm
Galeria de Arte da Universidade de Yale
Natureza Morta, Vaso com flores, 1953
Reynaldo Fonseca (Brasil, 1925)
óleo sobre papel cartão, 63 x 49 cm
Armando Romanelli (Brasil, 1945)
óleo sobre tela, 40 x 50 cm
“A laranjeira da Bahia achou o seu meio ideal não só natural, pela excelência de qualidade,senão de expansão humana industrial. Com efeito, se a Índia deu ao mundo a laranja silvestre, a Bahia deu a laranja civilizada, a princípio a laranja de umbigo e, depois estandardizada em Norte América, a laranja “pera” comercial, que os americanos traduzindo “navel” de umbigo, levaram a Washington, donde o nome “Washington-navel”. Essas baianas “laranjas de umbigo” dizem, provieram das sementes importadas da seleta comum, por “mutação”, na Bahia. Teria aparecido na Quinta do Tanque, em Brotas, no horto dos Jesuítas? Brotas, no Cabula, é, ainda hoje, a terra de eleição das melhores dessas laranjas. Nem Gabriel Soares, nem depois Simão de Vasconcelos se referem às laranjas de umbigo; contudo, no começo do século XVIII, Manuel Botelho de Oliveira já se refere às laranjas “maiores e mais doces”. Luís dos Santos Vilhena (Carta XXª, pag. 754, ed. Brás do Amaral) escreveu, em 1802: “Laranjas são nesta cidade maiores e mais sucosas que em Portugal, e estas de diferentes qualidades, com preferência as chamadas de umbigo”. Mais de dez anos depois, em 1818, von Martius as assinalava também.
Como a laranja industrial viria desta “inovação” baiana? Estêves de Assis diz que, em 1734, o vice-rei Conde de Sabugosa, cumpria ordem do Conselho Ultramarino, mandando se cultivasse a laranja “de lei”, para o que fornecia novas sementes vindas da Metrópole. Mais tarde, em 1748, providenciará o Conde dos Galveias para que o Senado da Câmara nomeasse procurador a orientar os plantadores de “laranjas e limões”. Já teriam aparecido as de umbigo, mais pálidas, maiores, mais doces, o que contrariava o hábito europeu que, ainda hoje, as quer mais vermelhas, menores, mais ácidas, e, então, laranjas “de lei”, isto é, vendáveis na Europa?
São os americanos do norte que vão fazê-las. Em 1873, da Bahia, envia William Sanders a sua amiga Mrs. Elisa C. Tibbets, nos Estados Unidos, duas pequenas mudas de laranjeira, que chegam finalmente a Washington, “navel variety”, e daí, “Washington-navel”. Uma delas é enviada à Califórnia e lá plantada… É a mãe das laranjeiras americanas. (Antes os frades das missões californianas, franciscanos que substituíram, depois da Expulsão, aos padres jesuítas, plantaram laranjeiras nas suas casas religiosas, mas aí ficaram, sem divulgação.)
É da laranja baiana de Mrs. Tibbets que procedem os laranjais da Califórnia, que hoje dão aos Estados Unidos 100 milhões de dólares, metade do orçamento do Brasil…”
Em: Breviário da Bahia, Afrânio Peixoto, Rio de Janeiro, Editora do MEC: 1980, p.123.
Giuseppe Perissinotto (Itália,1881- Brasil,1965)
óleo sobre tela
“Um livro de contos é um livro ligeiro de emoções curtas: deve portanto ser leve, portátil, fácil de se levar na algibeira para debaixo de uma árvore, e confortável para se ter à cabeceira da cama. Não pode ter o formato dum relatório, que, sendo destinado em definitivo a embrulhar objetos, deve ter de antemão o tamanho cômodo do papel de embrulho; nem pode ter o volume dum calhamaço de erudição histórica, impresso com o fim de ornamentar uma biblioteca”
Eça de Queiroz