O caboclo, o padre e o estudante conto folclórico do Brasil, Luiz da Câmara Cascudo

10 04 2013

priest-extends

 

Padre, 1977

Fernando Botero (Colômbia, 1932)

Óleo sobre tela

O caboclo, o padre e o estudante

Um estudante e um padre viajavam pelo sertão, tendo como bagageiro um caboclo. Deram-lhe numa casa um pequeno queijo de cabra. Não sabendo como dividí-lo, mesmo porque chegaria um pequenino pedaço para cada um, o padre resolveu que todos dormissem e o queijo seria daquele que tivesse, durante a noite, o sonho mais bonito, pensando engabelar todos com os seus recursos oratórios. Todos aceitaram e foram dormir. À noite, o caboclo acordou, foi ao queijo e comeu-o.

Pela manhã, os três sentaram à mesa para tomar café e cada qual teve de contar o seu sonho. O frade disse ter sonhado com a escada de Jacob e descreveu-a brilhantemente. Por ela, ele subia triunfalmente para o céu. O estudante, então, narrou que sonhara já dentro do céu à espera do padre que subia. O caboclo sorriu e falou:

– Eu sonhei que vi seu padre subindo a escada e seu doutor lá dentro do céu, rodeado de amigos. Eu ficava na terra e gritava:

Seu doutor, seu padre, o queijo! Vosmincês esqueceram o queijo.

Então, vosmincês respondiam de longe, do céu:

– Come o queijo, caboclo! Come o queijo, caboclo! Nós estamos no céu, não queremos queijo.

O sonho foi tão forte que eu pensei que era de verdade, levantei-me, enquanto vosmincês dormiam, e comi o queijo…

Em: Contos Tradicionais do Brasil (folclore) de Luís da Câmara Cascudo, Rio de Janeiro, Ediouro:1967





Quadrinha das borboletas

10 04 2013

borboletas e lagarta Christina RosettiIlustração de Christina Rossetti.

Lá estão as borboletas…
coloridas, no infinito;
nas asas levam facetas
do meu sonho mais bonito!
(Giva da Rocha)




Troca de livros é incentivo à leitura em Moscou

9 04 2013

Ivan Stepanovich Ivanov- Sacachev (Rússia 1926-1980) a student of art history Uma estudante de história da arte, 1972

Ivan Stepanovich Ivanov-Sakachev (Rússia,  1926-1980)

têmpera e guache sobre eucatex, 124 x 100 cm

O jornal Moscou Times traz o aviso de que na noite do próximo dia 19 para 20 de abril, Moscou terá sua segunda  “Biblionoch” — uma noite de incentivo à leitura, onde livros são trocados ou são deixados em lugares públicos para serem apanhados por qualquer pessoa que os queira ler. Tudo feito de maneira anônima.

“Biblionoch” significa noite de livros e nessa noite muitas livrarias e bibliotecas da capital russa irão ficar abertas para o evento, que se pautou nas noites abertas dos museus, um acontecimento já bastante conhecido e divulgado na mesma cidade, chamado  de “Noite dos Museus”.

No ano passado, o evento foi quase improvisado e assim mesmo teve a participação de 30 bibliotecas de Moscou.  E no país mais de 750 organizações tiveram noite semelhante.  Este ano a “Biblionoch” conta com participação de grandes e conhecidas bibliotecas tais como Turgenev e Nekrasov e o Winzavod  Centro de Arte Moderna.

Além disso, haverá diversos jogos e brincadeiras, entre elas uma maratona de leitura que irá determinar que escritores contemporâneos mais contribuiram para a leitura dos residentes de Moscou.  Paralelamente autores mais populares se encontrarão com seus leitores e participarão de uma online conferência.

Não sou contra a celebração da leitura.  Sou a favor de todos os meios possíveis para incentivar a leitura.  Mas duvido muito que os hábitos de leitura e de não-leitura de qualquer pessoa se modifiquem por causa de uma noite. Um dia.  Uma troca de livros.  Isso deveria de ser chamado de “festa de livros” onde variados leitores saem de suas respectivas e confortáveis cadeiras para se auto-congratularem por serem leitores; trocar uma ou outra ideia sobre o que leram sem querer estrelato.  Estrelato não combina com leitura.

A leitura é um hábito. Precisa ser cultivado como um hábito como um vício. É para se fazer constantemente.  Sempre.  Com chuva ou com sol. No inverno e no verão, na rua, no ônibus, em casa. Na biblioteca. No jardim, na viagem, no quarto do hotel. Na sala de espera do dentista.  No fila do banco.  É assim como um vício social: você não pode viver sem.  A diferença entre a leitura e o tabaco é que ela só faz bem.





Alguns fatos curiosos a respeito de Pablo Picasso

8 04 2013

self_portrait_1907Auto-retrato, 1907

Pablo Picasso (Espanha, 1881-1973)

óleo sobre tela,  54 x 46 cm

Galeria Nacional de Praga

Para celebrar os 40 anos de morte de Pablo Picasso o jornal inglês The Telegraph publicou em seu portal na internet uma lista de 20 fatos surpreendentes sobre o pintor espanhol.  A lista é interessante, daquele tipo de conhecimento inútil que faz parte de uma boa conversa em mesa de bar.  Achei que seria bom trazer para cá algumas dessas curiosidades para que a semana seja livre, leve e solta!

  • Picasso foi batizado como : Pablo Diego Jose Francisco de Paula Juan Nepomuceno Maria de los Remedios Cipriano de la Santisima Trinidad Matryr Patricio Clito Ruiz y Picasso.
  • Foi uma vez interpelado pela polícia querendo saber se ele havia roubado a Mona Lisa, depois de o quadro desaparecer do Louvre, em Paris, em 1911.
  • Apesar de ter tido muito amores e muitas amantes, Pablo Picasso casou-se só duas vezes.  A segunda quando tinha 79 anos. A noiva tinha 27 anos.
  • A primeira exposição de seus trabalhos foi nos fundos de uma loja que vendia guarda-chuvas.  Ele tinha 13 anos.
  •  Mais quadros de Picasso foram roubados do que quadros de qualquer outro artista.  No momento há uma lista de mais de 500 quadros dele cujo paradeiro é ignorado.

Querendo conhecer outras curiosidades vá até o site do London Telegraph.





Imagem de leitura — Gustavo Rosa

8 04 2013

Gustavo-Rosa-leitor, serigrafiaLeitor, s.d

Gustavo Rosa (Brasil, 1946 – 2013)

Serigrafia

www.gustavorosa.com.br

Gustavo Rosa nasceu em São Paulo em 1946.  É pintor, desenhista e gravador.  Reside e trabalha em São Paulo.





Acalanto de John Talbot, poesia de Manuel Bandeira

7 04 2013

mãe ninando o bebe. frederick richardson, 1975

Ilustração de Frederick Richardson, 1975.
Acalanto de John Talbot

Manuel Bandeira

Dorme, meu filhinho,

Dorme sossegado.

Dorme que ao teu lado

Cantarei baixinho.

O dia não tarda…

Vai amanhecer:

Como é frio o ar!

O anjinho da guarda

Que o Senhor te deu,

Pode adormecer,

Pode descansar,

Que te guardo eu.

Em: Que aconteceu?, Primeiro Livro, Magdala Lisboa Bacha, Rio de Janeiro, Agir: 1962





Descoberta arqueológica: provável centro administrativo de Ur

7 04 2013

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Esta foto, distribuída pela Universidade de Manchester, mostra a placa de barro com um fiel se aproxiamndo de um local sagrado.Foto: AP

Nessa semana arqueólogos britânicos revelaram  ter encontrado um complexo de construções nas proximidades de onde se situava a antiga cidade de Ur, no Iraque.  A estrutura de 4 mil anos provavelmente serviu como um centro administrativo de Ur, capital da Suméria, uma civilização que surgiu há 5 mil anos na Mesopotâmia.   As descobertas do grupo inglês são do período em que Abraão teria vivido no local.

O local está a 20 Km do local onde Sir Leonard Woolley descobriu as fabulosas “Tumbas Reais” de Ur nos anos 20 do século passado.  Nessa época as descobertas surpreenderam o mundo pela construção de alguns salões erguidos à volta de um pátio.  Ur, como sabemos, foi  o último local de residência das dinastias reais do povo sumério, uma civilização fundadora das mais antigas cidades do mundo.

A escavação, que foi feita por cientistas da Universidade de Manchester, liderada  pelo Professor  Stuart Campbell e Dr Jane Moon, revelou uma área do tamanho aproximado de um campo de futebol, ou melhor, 80 metros em cada lado.  O local da pesquisa foi determinado por imagens de satélite, antes mesmo das escavações começarem. Descobertas desse tamanho e tão antigas são raras.

Os objetos encontrados devem ajudar a esclarecer a história das civilizações que ocuparam a região na Antiguidade.  O local, hoje árido e de aspecto desolador, foi o lugar de nascimento das cidades.  Os objetos encontrados foram provisoriamente datados  em aproximadamente 2.000  a.C., ou seja,  da época em que a cidade de Ur foi saqueada e a  última dinastia real da Suméria caiu.

 As escavações começaram no mês passado com seis arqueólogos britânicos e quatro pesquisadores iraquianos na província de Thi Qar, a cerca de 320 quilômetros ao sul de Bagdá. Uma das descobertas é uma placa de uma pessoa com uma túnica esvoaçante se aproximando de um templo: provavelmente um fiel  em culto religioso.  Em seguida o grupo irá analisar os restos de plantas e de animais encontrados no local para ajudar no entendimento sobre os materiais naturais comercializados na época.   A região tinha grande vitalidade econômica há 4.000 anos.  O terreno, provavelmente  pantanoso, porque o Golfo começava muito mais ao norte, proporcionava matéria prima para o comércio marítimo  que era vultuoso:  riquezas naturais eram trocadas entre a Índia e os países da Península Árabe.

De acordo com o arqueólogo britânico, a missão só foi possível graças à relativa estabilidade no sul do país. O time de Campbell é o primeiro grupo de cientistas britânicos a fazer escavações no Iraque desde a década de 1980.

FONTES: TERRA e PHYS-ORG





Trova do pantanal

6 04 2013

Wander melo,TUIUIUS-2009,ast-120x80Tuiuius, 2009

Wander Melo (Brasil, contemporâneo)

Acrílica sobre tela, 120 x 80 cm

http://wmeloarts.blogspot.com.br

Em bando sutil, as garças,

pontilhando o lamaçal,

são quais pérolas esparsas, 

adornando o pantanal.

 –

(Dorothy Jansson Moretti)





Boicote político no Salon du Livre: um ato de auto-destruição

6 04 2013

Emile Verhaeren écrivant

Escritor Emile Verhaeren, 1915

Theo van Rysselberghe (Bélgica, 1862-1926)

Óleo sobre tela,  46 x 55 cm

Christie’s  Auction House

Ontem estava passando os olhos no jornal Le Monde e encontrei a notícia,[Des écrivains roumains boycottent le Salon Du Livre] já antiga, do dia 22 de março, onde o repórter Mirel Bran narrava  que os escritores romenos boicotaram o Salão de Livro em Paris: a Romênia era convidada de honra.  Terminei a leitura incrédula.  Como?  O que esses escritores imaginam ter feito?  Estão contra a administração do Salão do Livro? Foram mal tratados pelos franceses? Foram ignorados? Não. Nada disso.  Então, o que justifica essa atitude?  Eles protestam.  Não contra os franceses.  Tampouco contra o Salão do Livro. Protestam contra o governo deles.  Queriam denunciar a política do país.

Mas que diabos de leitura eles fizeram que imagina que seus atos teriam um impacto significativo? Esse foi um ato de auto-destruição.  Nada mais.  Quem imaginou e levou avante esta demonstração de resistência ao governo de seu país não entendeu a razão ou a importância da imensa oportunidade que esses escritores tiveram nas mãos, de projetar a sua literatura para o mundo.  Usaram sim o espelho retrovisor, olharam para trás.  Pensaram pequeno demais, portadores de antolhos culturais.

Porque vamos e venhamos: quem conhece a literatura romena?  Outros romenos.  Talvez uns poucos especialistas.  E agora, certamente menos pessoas irão conhecer.  Porque ninguém vai aprender romeno de uma hora para outra, por simpatia.  Esses escritores escolheram não promulgar suas idéias para uma Europa literata, leitora, ávida por novas experiências, por novos autores. Eles fecharam o teatro, cancelaram o espetáculo, depois de venderem  todos os lugares.  Escolheram encolher-se ao tamanho da Romênia. Definitivamente um ato de auto-destruição.  Porque a política local não irá mudar por esse motivo.  Quem imagina isso ainda não viveu tempo suficiente para ser um escritor, para dissertar sobre a condição humana. E perderam a grande oportunidade de terem suas vozes ouvidas por gente que poderia escutá-las com consideração e respeito.

Igualo esse ato ao das grandes ondas de protesto que temos no Brasil na época das eleições quando uns e outros imaginam que ao votar nulo ou em branco calarão ou modificarão a maneira com que a política é tratada no país.  Isso não vai acontecer. Isso é de uma inocência política que chega a doer.  Isso é abster-se na hora em que a sua opinião conta.  É um erro de interpretação do contexto de suas ações. É outro ato de auto-destruição.  Triste constatar que muitos não enxergam a irrelevância dessa postura.  São truques teatrais, mais pantomimas do que uma grande ópera. É engodo, bazófia. Charlatanaria política.  Uma ilusão à qual cabeças pensantes não podem se render.





Palavras para lembrar — Jules Renard

6 04 2013

Emil Rau

Menina lendo no seu quarto, antes de 1936

Emil Karl Rau ( Alemanha, 1858-1937)

óleo sobre tela,  76 x 55 cm

“Cada uma de nossas leituras deixa um grão que germina.”

Jules Renard