Imagem de leitura — Henri Manguin

22 02 2013

Henri Manguin (1874-1949) - Le thé à la Flora

Chá na Vila Flora, 1912

Henri Manguin (França, 1874 – 1949)

Óleo sobre tela, 116 x 89 cm

Hahnloser/ Jäggli Stiftung

Henri Charles Manguin nasceu na França em 1874. Fez a Escola de Belas-Artes de Paris, sob o aprendizado de Gustave Moreau.  Inspirado por Matisse de quem foi colega e mais tarde amigo, Rouault e Marquet passa a pintar com as cores dos Fuaves. Foi professor na Academia Ranso.  Viajou  para Nápoles com Marquet. De tempos em tempos ia para Saint-Tropez, e em 1949 estabelece residência definitiva lá. Falece quase depois nesse mesmo ano.





Quadrinha do bom pintor

22 02 2013

artista pintor mickeyMickey quer ser pintor, ilustração de Walt Disney.

O bom pintor, quando pinta
para dar vida à aquarela,
põe mais amor do que tinta
no sentimento da tela.


(José Lucas de Barros)





Manhã na roça, texto de Virgílio Várzea

22 02 2013

EDGAR WALTER (1917-1994)Paisagem com casa de fazenda e animais no interior de Minas,ost,65 X 82. Assinado e datado (1969)Paisagem com casa de fazenda e animais, interior de MG, 1969

Edgar Walter (Brasil, 1917-1994)

óleo sobre tela, 65 x 82 cm

Manhã na Roça

Virgílio Várzea

Uma tênue mancha de claridade argêntea recorta em laca a linha ondulada das colinas verdes. Pouco a pouco, uma poeira de ocre transparente, que se esbate para o alto, cobre todo o horizonte e o sol aponta, deslumbradoramente, como uma gema de ovo flamante. Vapores diáfanos diluem-se lentamente, em meio dos listrões vivos que purpureiam o nascente. Fundem-se no ar tons delicados de azul e rosa; e eleva-se da floresta uma orquestração triunfal. Despertam de súbito, ao alagamento tépido da luz, as culturas adormecidas. Abrem-se as casas. Pelos terreiros, úmidos da serenada da noite, homens de cócoras, em camisa de canjirão na mão, brancos de frio, ordenham as grossas tetas das pacientes e mugidoras vacas, que criam amarradas aos finos paus das parreiras, e que, expelindo fumaça  no ar frígido, ruminam ainda restos de grama numa mansidão ingênua de animal digno. Mulheres de xale pela cabeça chamam as galinhas, com um ruído seco de beiço tremido, fazendo burr e sacodindo-lhes mãos cheias de milho e pirão esfarelado.  Um carro atopetado de mandioca, arrancadas de fresco, empoeiradas de areia, compridas, tortas, com o aspecto e a cor esquisita das plantas que se avolumam e vegetalizam enterradas, chia monotonamente, em direção ao engenho, solavancado pela aspereza do  caminho… E pela compridão majestosa e verde dos alagados e das pastagens, o colorido movimentoso e variado das reses.

 

[Exemplo de vistas movimentadas]

Em: Flor do Lácio,[antologia]  Cleófano Lopes de Oliveira, São Paulo, Saraiva: 1964; 7ª edição. (Explicação de textos e Guia de Composição Literária para uso dos cursos normais e secundário), páginas 59-60.

virgilio varzea1

Virgílio dos Reis Várzea (Brasil,1863 – 1941) escritor, jornalista e político brasileiro. Nasceu em Florianópolis, mas radicou-se no Rio de Janeiro a partir de 1896.  A maioria de suas obras é ambientada em Santa Catarina.  Com Cruz e Sousa publicou o livro Tropos e Fantasias (1885).

Obras:

Traços Azuis, 1884

Tropos e Fantasias,1885, com Cruz e Sousa

Mares e Campos, 1895

Rose Castle, 1895

Santa Catarina: A Ilha, 1900

George Marcial, 1901

O Brigue Flibusteiro, 1904

Nas Ondas





A arte do ensaio muda de cara

21 02 2013

Chatterton-Purdy-PamelaLeitora, s/d

Pamela Chatterton-Purdy (EUA, contemporânea)

www.chatterton-purdyart.com

O  mais recente número da revista New Republic, traz o interessante artigo The New Essayists or the decline of a form, por Adam Kirsch.  Ele demonstra que a morte do ensaio literário, diferente do que se presumia há quase 30 anos, não chegou a existir e que hoje o ensaio está mais vivo do que se poderia esperar. Há um número significativo de volumes de ensaios chegando às listas de mais vendidos.  Algo muito maior do que o sonhado em passado recente. O assunto me interessa porque o ensaio é uma das minhas formas favoritas de leitura e muito já desejei, quando adolescente, pensando que me caberia um espaço nas artes literárias, que esta seria a minha forma de expressão.  Desde os Ensaios de Montaigne, aos de Emerson, aos de Gore Vidal, para dar exemplos genéricos e universais, considero o ensaio como uma forma literária agradabilíssima, em que podemos seguir a maneira de pensar do autor, apreciar seus argumentos e além disso apreciar o estilo e a perspicácia com que um argumento seduz o leitor.  Nem sempre é necessário que se concorde com o autor.  Um bom ensaísta pode ser apreciado pelo método e pela arte literária mesmo que se discorde do conteúdo.

Adam Kirsch lembra, no entanto, que o ensaio mudou de cara. Ele considera quatro livros publicados nos Estados Unidos e descobre que o conceito que tivemos de ensaio já não se aplica.  O ensaio ao que tudo indica passou a ser uma performance e não uma reflexão do autor.  Passou a ser uma crônica, um causo de ficção, deixando para trás aquilo que percebemos no verdadeiro, ou melhor na antiga concepção do ensaio, que é a opinião do autor, que a justifica pelo uso de suas associações, pelo  uso de suas convicções.  O ensaio atual não passa de uma meta linguagem, em que o autor cria um personagem que por sua vez é quem considera diversos aspectos culturais.  Como se Dona Candoca, alterego do colunista Artur Xexeo, com o qual ele expressa opiniões nem sempre das mais eruditas, fosse na verdade a personagem que pensasse e organizasse uma linha de pensamentos e os defendesse.  É o eu de ficção que agora toma o lugar do pensador.  Lembra também que os detalhes do dia a dia do personagem inventado são agora o assunto pelo qual percebemos e debatemos o mundo.   É o reality-show do eu ficcionalizado.  É o tele-ensaio.  Pena.  Para onde foram os pensadores?  Levante-se, por favor, o verdadeiro pensador.

PERGUNTA: Qual é o seu ensaísta brasileiro favorito?

Ah, sim, o meu?  Provavelmente Gilberto Freyre, mas é difícil dizer. Ledo Ivo está muito próximo dele.





Leilão de jardim, poesia infantil de Cecília Meireles

20 02 2013

vendido

Bolinha vende um ramo de flores para Raposo. Ilustração Marjorie Henderson Buell.

Leilão de Jardim

Cecília Meireles

Quem me compra um jardim com flores?

Borboletas de muitas cores,

lavadeiras e passarinhos,

ovos verdes e azuis nos ninhos?

 –

Quem me compra este caracol?

Quem me compra um raio de sol?

Um lagarto entre o muro e a hera,

uma estátua da Primavera?

 –

Quem me compra este formigueiro?

E este sapo, que é jardineiro?

E a cigarra e a sua canção?

E o grilinho dentro do chão?

 –

(Este é o meu leilão.)

 





Curso de História da Arte Moderna em 10 encontros

18 02 2013

2

Mulher com chapéu [Sra. Matisse], 1905

Henri Matisse (França, 1869-1954)

Óleo sobre tela,  79 x 60 cm

Coleção Particular

Curso de Arte Moderna em 10 encontros

Cem anos: do impressionismo à decada de 1970

Historiadora da Arte: Ladyce West  [Peregrina Cultural]

Todas as segundas-feiras das 17:00 às 19:00 horas

Início: 4 de março de 2013

Local: Auditório Helena Lodi, VOZ PLENA

Rua Djalma Ulrich 154, 5º andar, esq. N. Sra. de Copacabana

Informações e inscrições: ladycewest@gmail.com 

Vagas limitadas





Palavras para lembrar — C.S. Lewis

18 02 2013

Min Li

Antes do concerto, 1998

Min Li (China, contemporâneo)

Óleo sobre tela, 77 x 77 cm

www.minlifinearts.com

“Lemos para saber que não estamos sós.”

C.S. Lewis





O bem-te-vi, poema de Reynaldo Valinho Alvarez

18 02 2013

Pássaros na cidade AliceMartinPássaros na cidade, ilustração de Alice Martin.

Bem-te-vi

Reynaldo Valinho Alvarez

Amo tanto esses pássaros da rua,

que vivem como vivo na fumaça,

protagonistas da paisagem baça.

Respiram, como eu próprio, esta mistura,

feita do que há de pior nas criaturas.

No ar, há certo escândalo na graça

com que apesar de tudo, ainda cantam.

O pássaro que passa ara seu vôo

com precisão estética e ultrapassa

o meu próprio desejo de ser livre.

Que preço tem a liberdade? Certo,

o bem-te-vi da esquina, empoleirado

numa antena prosaica, sabe mais

do que posso saber, já que não vôo.

Em: Galope do Tempo, Reynaldo Valinho Alvarez, Rio de Janeiro, Tempo Brasileiro: 1997, p. 79.





Lorenzo Durán, arte com natureza

17 02 2013

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Lorenzo Durán Manuel Silva nasceu em Cáceres em 1969.  Hoje vive em  Guadalajara, próximo a Madri, capital da Espanha.  Depois de tentar várias formas de expressão artística,  desenvolveu uma técnica especial,  semelhante à usada  há séculos no Oriente e também na Europa central, de recorte de papel, para produzir trabalhos em folhas secas, de grande minúcia.

http://www.naturayarte.es

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Lorenzo Duran, 231

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Lorenzo Duran, 162

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Lorenzo Duran, 26

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Lorenzo Duran, article-2219024-158B24BE000005DC-216_966x611Lorenzo Durán.




Palavras para lembrar — Christopher Morley

16 02 2013

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Leitora, 2008

Guy Baron (França, 1946)

Óleo sobre tela, 40 x 80 cm

Guy Baron

“Quando você vende um livro a alguém você não vende só 12 onças de papel, tinta e cola – você lhe vende uma vida completamente nova.”

Christopher Morley