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Festa de Santo Antonio
Camilo Tavares (Brasil,1932)
acrílica sobre tela, 50×40 cm
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Ao redor de uma fogueira,
nas noites de São João,
eu soltei a vida inteira
os meus balões de ilusão!
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(Amélia Ferreira de Carvalho)
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Festa de Santo Antonio
Camilo Tavares (Brasil,1932)
acrílica sobre tela, 50×40 cm
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Ao redor de uma fogueira,
nas noites de São João,
eu soltei a vida inteira
os meus balões de ilusão!
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(Amélia Ferreira de Carvalho)
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Lisbeth Firmin (EUA, 1949)
óleo sobre madeira, 50 x 50 cm
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Jean Rhys
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Paisagem, s/d
Paulo Gagarin ( Rússia, 1885- Brasil, 1980)
óleo sobre tela, 33 x 41cm
Coleção Particular
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Quando de rubro vestida,
me vens, formosa e louçã,
julgo ter, nas mãos prendida,
uma flor de “flamboyant”.
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(Josué Silva)
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Meu sobrinho foi no ano passado à Holanda representando sua escola e o Brasil numa competição escolar de ciências, mais precisamente de robótica. Voltou encantado com muito do que viu, mas falou especificamente das Casas Cubo, em Roterdam. Eu, nunca fui a Roterdam, mas já ouvi falar e muito do movimento Estruturalista na arquitetura que por sinal não é uma coisa nova. As Casas Cubo são um dos muitos exemplos desse movimento na arquitetura e no urbanismo que surgiu na década de 1960 como uma reação ao que se considerou projetos sem vida e impessoais nas tendências de pós-guerra [Segunda Guerra Mundial] dos que vieram a ser chamados de racionalistas formais: Mies van der Rohe, Groupios e Le Corbusier, os maiores expoentes desse movimento.
Projeto do arquiteto Piet Blom (Holanda, 1934-1999) as Casas Cubo são hoje um dos cartões postais de Rotterdam. O projeto de 1978 só foi construído em 1984, como parte de um plano de renovação da cidade.
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As Casas Cubo parecem ser a evolução natural do trabalho de Piet Blom que já havia projetado em 1965 e construído em 1969, uma série de casas em palafitas, uma combinação de unidades de alojamento espaçosos com projetos variados de hotelaria, varejo e apartamentos estúdio; com pequenos estacionamentos, além de parques infantis a que deu o nome de Casbá, lembrando o emaranhado de vielas em volta da praça da Medina dos centros das cidades de colonização árabe no norte da África que têm suas ruas principais cobertas. O Casbá tem um ambiente acolhedor, com cores quentes sobre os telhados e janelas. No meio do complexo há uma praça aberta, decorada como um lugar de encontro com bancos e árvores. Um dos objetivos de Piet Blom nesse projeto era justamente manter o movimento de pedestres ao nível do chão, livre com casas de diversas alturas de telhados sustentadas por palafitas, conceito reminiscente das pilastras usadas por Le Corbusier. O que ficou do projeto Casbá foram as habitações em pilastras que serão sua assinatura em dois de seus projetos, as dezoito casas em colunas em Helmond e as Casas Cubo em Roterdam.
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O complexo habitacional de Helmond foi o primeiro das Casas Cubo a ser construído, tendo em seu centro, formado por quatro cubos, um teatro, Teatro Speelhuis, que seria o centro de atividades culturais do projeto, infelizmente destruído em um incêndio em 2011. O conceito original dessas casas foi uma evolução da Casbá: viver sob um teto urbano, ou seja, a vida comunitária de desenrolando aos pés do nível habitacional. Pelo menos era isso que Piet Blom advogava. Espaço comum urbano conseguido através de uma variante das casas em palafitas. Ele usou uma coluna, para fazer o que chamou de “floresta urbana”: cada Casa Cubo seria a abstração de uma árvore com o tronco como coluna de suporte e a copa como espaço de habitação. Com a repetição desses modelos teríamos então uma floresta ou um bosque urbano onde a vida diária se passaria à sua sombra. Para conseguir o efeito ‘copa” Piet Blom virou o cubo de habitação em 45 graus, e colocou uma coluna de sustentação hexagonal. Dezoito Casas Cubo foram construídas em Helmond, em 1974 e 1977.
O projeto urbano em Helmond era para ter sido parte da reurbanização da antiga Rue de la Loi. Mas a administração local considerou o projeto muito alternativo e que não se adequava às necessidades do centro de Helmond. Como prêmio de consolação pelo projeto Piet Blom foi convidado a localizar seu projeto no bairro Grande Driene, um bairro novo, nos arredores da cidade. Piet Blom desenvolveu cinco diferentes tipos de habitação. A menor unidade de um único apartamento até uma unidade bem maior como um estúdio para mais de um artista. As unidades maiores têm um terraço espaçoso e dois a quatro quartos. A densidade habitacional alcançada no projeto com esta concepção de casas sobre colunas foi quatro vezes maior do que a conseguida numa área residencial normal. Para um país como a Holanda, cortado por canais, onde a terra para construção tem um valor descomunal, essa economia de espaço é essencial.
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Vista aérea das Casas Cubo em Roterdam.–
A cidade de Roterdam pediu a Piet Blom o projeto de um complexo habitacional que pudesse ser construído acima de uma ponte para pedestres. O resultado foi exatamente as Casas Cubo, cada qual representando uma árvore, resultando numa floresta urbana. As trinta e oito Casas Cubo de Roterdam estão localizadas na Rua Overblaak, ao lado da estação Blaak do metrô. Elas continuam o mesmo conceito desenvolvido em Helmond, mas usam diferentes materiais de construção.
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Casas Cubo de Roterdam, projeto de Piet Blom, vistas debaixo, do nivel praça comunitária.–
As casas se “equilibram” num pedestal hexagonal. Em algumas dessas casa a coluna hexagonal tem uma área para guardados e uma escada dando acesso à habitação propriamente dita, mas em outras, essas colunas têm pequenas lojas. Cada Casa Cubo tem três andares: a entrada à rés do chão; o primeiro andar, que tem um a planta triangular, é onde se encontram a sala de estar e a cozinha – aberta, à americana como se diz no Brasil. Nesse andar as janelas abrem para o andar de baixo, inclinadas para a área comum. No segundo andar estão os dois quartos e um banheiro e o andar cima,que também tem um planta triangular, é usado como uma área extra, quarto de hóspedes, sala ou até como jardim. É aí que essas habitações têm uma ótima vista com janelas na parte piramidal da construção. Todas as janelas e paredes foram construídas num ângulo de 54,7 graus. Cada apartamento tem aproximadamente 100 m², mas só um quarto desse espaço – 25m² pode ser efetivamente usado por causa dos ângulos das paredes e dos tetos.
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Vista de outro ângulo das Casas Cubo de Roterdam.–
Em 2008 parte do complexo de Casas Cubo de Roterdam foi comprado, algumas paredes derrubadas e um hostel oferecendo 243 camas foi instalado no local.
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Foto do interior da Casa Cubo de Roterdam.–
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Sílvio Ribeiro de Castro
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O menino jogou
—————uma pedra
———————–para o alto
–no mesmo instante
——-que uma estrela cadente
riscou o céu e caiu
Mãiê, juro que foi
———————sem querer!
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Em: Poesia Simplesmente, [coletânea de poetas contemporâneos] org. Roberto Pontes, Rio de Janeiro, PS: 1999.
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Uma pausa para agradecer!
Hoje chegamos ao marco de 4.000.000 – quatro milhões de acessos únicos a este blog.
Não sei bem o que pensar ou dizer.
Você é responsável por essa contagem, que nos coloca entre um dos blogs no Brasil de maior visibilidade no campo da cultura. A você que apoia, que prestigia, que divulga; a você que é seguidor diário, aos leitores que me mandam ideias, que respondem, que comentam, que param por um minuto para pensar e me incentivam participando comigo nessa “loucura” coletiva de pensar a cultura brasileira, aqui fica o meu agradecimento.
ESTATÍSTICAS PARA QUEM QUER SABER O QUE SE PASSA POR TRÁS DAS TELAS:
São 4.000.000 de visitas em 4 anos, nosso aniversário é no dia 16 deste mês.
Primeira postagem: 16/06/2008.
Para um total de 2.367 postagens.
Comentários aprovados: 3.934
Comentários rejeitados: 362
Comentários em SPAM: 7.643
Atual média de visitas diárias: 6.500
Dia com maior nº de visitas: 13 de março de 2012 = 10.412. (Desconheço o motivo)
Durante a semana o blog recebe entre 7.500 a 8.000 visitas de 2ª a 5ª.
As visitas caem consideravelmente de 6ª até domingo à noitinha, quando começam a subir assustadoramente, nas últimas horas do fim de semana.
Dezembro e janeiro são os meses com menor número de acessos.
A grande maioria dos meus visitantes acessa o blog dos seguintes estados: SP, RJ, RS, GO, MG.
90% das visitas diárias são do Brasil. Seguidas por Portugal, em diversas centenas de visitas diárias; Estados Unidos e França, cada qual com quase uma centena de visitas diárias. Outros países que nos acessam regularmente incluem: Alemanha, Argentina, Espanha, Japão e Rússia, em ordem alfabética.
Minha intenção é a divulgação de aspectos da cultura brasileira, um trabalho voluntário. Mostrar a arte brasileira, os textos e poemas brasileiros para aqueles que ainda não tiveram acesso a esses meios de expressão. Em geral algo que me caia nas mãos. Gosto de incentivar a leitura, porque valorizo a educação. Mas, posto o que quero, quando quero. Apesar do sucesso esse é meu espaço. Sou seletiva quanto aos comentários. Mão de ferro, mesmo! Não permito que o blog sirva de plataforma para posicionamentos religiosos ou políticos. Palavras de baixo calão, nem pensar! Tampouco gosto de comentários que visam aumentar a visita a outros blogs. Não faço isso com o espaço de ninguém e não permito que queiram fazer com o meu.
Gostaria agradecer aos professores que selecionaram algumas postagens desse blog para ilustrar suas aulas, sobretudo aqueles que usaram os textos sobre o símbolo das Olimpíadas, os textos sobre as obras de Vik Muniz, e o texto sobre indumentária como processo de individualização na Renascença, todos de minha autoria.
Às crianças: aqui vai um beijinho especial para elas que adoram dinossauros, platipus e poesias. Gostam também dos Filhotes Fofos, postagens que foram feitas com elas em mente. Há um grande carinho também associado às quadrinhas, que na sua maioria são trovas, de conhecidos trovadores brasileiros, mas que parecem mais accessíveis com o nome de quadrinhas. Essa é uma manifestação poética muito nossa [ibérica] que precisa e deve ser incentivada.
Quero também mencionar algumas pessoas que através dos anos têm mostrado apoio a esta peregrina, com comentários, opiniões, acenos de amizade e muito mais ( só o fato de estarem presentes é fenomenal!) Em ordem alfabética, Alexandre Kovacs, Letícia Alves, Lígia Guedes, Luca Bastos, Maria de Fátima Moraes Rodrigues, Nanci Sampaio, Paulo Araújo de Almeida, Regina Porto Valença, Ricardo Antonio Alves, Vera Regina Bastos. E todas as outras pessoas que passam por aqui, muitos dos meus amigos do Livro Errante.
Meu marido precisa de um agradecimento especial: procura erros, dita textos, ajuda muito.
A todos o meu sincero agradecimento. Registro também a grande surpresa pelo sucesso dessa empreitada. Sinto que minha responsabilidade aumenta a cada postagem.
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Treme o beija-flor risonho
Numa galha perfumada;
Toda flor nasce do sonho
Nas cores da madrugada.
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(J. Lucas de Barros)
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Conto folclórico, texto de Luís da Câmara Cascudo
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Um bombeiro, um soldador e um ladrão eram muito amigos e resolveram viajar por esse mundo para melhorar a vida. Tinham eles um cavalo encantado que respondia todas as perguntas. Chegaram a um reinado onde toda gente estava triste porque a princesa fora furtada por uma serpente que morava no fundo do mar. Os três companheiros acharam que podiam fazer essa façanha e consultaram o cavalo. Este mandou o soldador fazer um bote de folhas de Flandres. Meteram-se nele e fizeram-se de vela.
Depois de muito navegar deram num ponto que era o palácio da serpente. Quem ia descer? O bombeiro não quis nem o soldador. O ladrão agarrou-se na corda que os outros seguravam e lá se foi para baixo. Pisando chão, viu um palácio enorme guardado por uma serpente que estava de boca aberta. O ladrão subiu depressa, morrendo de medo. Voltaram para casa e foram perguntar ao cavalo o que era possível fazer. O cavalo ensinou que a serpente dormia de boca aberta e quando estava acordada ficava com a boca fechada. Debaixo da cauda tinha a chave do palácio. Quem tirasse a chave, abrisse a porta, encontrava logo a princesa. Os três amigos tomaram o bote de folha de Flandres e lá se foram para o mar.
Chegando no ponto os dois não queriam descer. O ladrão desceu e, como estava habituado, furtou a chave tão de mansinho que a serpente não acordou. Abriu a porta, entrou, foi ao salão, encontrou a princesa, disse que vinha buscá-la e saíram os dois até a corda. Agarraram-se e os dois puxaram para cima. Largaram vela e o bote navegou para terra.
Quando estavam no meio dos mares a serpente apareceu em cima d’água, que vinha feroz. Que se faz? Era a morte certa. – Deixa vir, disse o bombeiro. Quando a serpente chegou mais para perto, o bombeiro tirou uma bomba e jogou em cima da serpente. A bomba estourou e a serpente virou bagaço. Na luta, o bote fura-se e a água estava entrando de mais a mais, ameaçando ir tudo para o fundo do mar.
Que se faz? Morte certa! Deixe comigo – disse o soldador. Tirou seus ferros e soldou todos os buracos e o bote navegou a salvamento até a praia.
Chegaram no reinado recebidos com muitas festas pelo rei e pelo povo. O rei deu muito dinheiro aos três mas o ladrão, o bombeiro e o soldador queriam casar com a princesa.
— Se não fosse eu a princesa estava com a serpente! Dizia o ladrão.
— Se não fosse eu a serpente devorava todos, dizia o bombeiro.
— Se não fosse eu iam todos para o fundo do mar! Disse o soldador.
Discute, discute, briga e briga, finalmente a princesa escolheu o ladrão, que era seu salvador e este pagou muito dinheiro aos dois companheiros. O ladrão casou e mudou de vida e todos viveram satisfeitos.
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Em: Contos Tradicionais do Brasil (folclore) de Luís da Câmara Cascudo, Rio de Janeiro, Ediouro:1967
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Paisagem com lua, 1925
Max Beckmann (Alemanha,1884-1950)
óleo sobre tela
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Jayme Quartin
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Noturno de coruja
vagalume e grilo
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noturno das vacas
silentes mastigantes
pensamentos brotam
do capim gordura
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destacam-se das
sombras
os silêncios profundos
como lontras emergentes
do rio
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pescando delineadas
lâminas em prata
que os antigos
chamavam
de peixe.
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Noturno dos piados
esquisitos no alto
da mangueira
e o cajado
do fantasma
batendo no chão.
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Noturno de brisas.
Noturno de
odores
multifaceiro
veloz e a
cores.
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Nas asas misteriosas
da noite
o vôo do bacuráu!
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Em: Ray-ban, de Jayme Quartin, 1995.