Quadrinha do amanhecer

11 03 2012

Ilustração Maurício de Sousa.

Esperando, apaixonado,
antes que a Lua desponte,
o Sol pinta de dourado
as paredes do horizonte!!!

(Izo Goldman)





Palavras para lembrar — provérbio chinês

10 03 2012

Nu lendo, s/d

Theodor Pallady ( Romênia, 1871-1956)

óleo sobre tela

“Ler um livro pela primeira vez é fazer um novo amigo, ler um livro pela segunda vez é se encontrar com um velho amigo”.

Provérbio chinês





Os pampas, texto de José de Alencar

10 03 2012

Gaúcho na campanha, s/d

José Lutzenberger (Alemanha 1882- Brasil 1951)

aquarela sobre papel, 21 x 29 cm

Museu Ado Malogoli, Porto Alegre.

Os pampas

José de Alencar

“Ao por do sol perde o pampa os toques ardentes da luz meridional. As grandes sombras que não interceptam montes nem selvas, desdobram-se lentamente pelo campo fora.  É então que se assenta perfeitamente na imensa planície o nome castelhano.  A savana figura realmente um vasto lençol desfraldado por sobre a terra, velando a virgem natureza americana.

Essa fisionomia crepuscular do deserto é suave nos primeiros momentos; mas logo ressumbra tão funda tristeza que estringe a alma.  Parece que o vasto e imenso orbe cerra-se e vai minguando a ponto de espremer o coração.

Cada região da terra tem uma alma sua, raio criador que lhe imprime o cunho de originalidade. A natureza infiltra em todos os seres que ela gera e nutre aquela seiva própria; e forma uma família na grande sociedade universal.

Quantos seres habitam as estepes americanas, seja homem, animal ou planta, inspira nelas uma alma pampa.  Tem grandes virtudes essa alma. A coragem, a sobriedade, a rapidez são indígenas da savana.

No seio dessa profunda solidão, onde não há guarida para defesa, nem sombra para abrigo, é preciso afrontar o deserto com intrepidez, e sofrer as privações com paciência e suprimir as distâncias pela velocidade.

Até a árvore solitária que se ergue no meio dos pampas é tipo dessas virtudes.  Seu aspecto tem o  quer seja de arrojado e destemido; naquele tronco derreado, naqueles galhos convulsos, na folhagem desgrenhada, há uma atitude atlética. Logo se conhece que a árvore já lutou com o pampeiro e o venceu.  Uma terra seca e poucos orvalhos bastam à sua nutrição.  A árvore é sóbria e feita às inclemências do sol abrasador.  Veio de longe a semente; trouxe-a o tufão nas asas e atirou-a ali, onde medrou. É uma planta imigrante.

Como a árvore são a ema, o touro, o corcel, todos os filhos bravios da savana. Nenhum ente, porém, inspira mais energicamente a alma pampa do que o homem, o gaúcho. De cada ser que povoa o deserto toma ele o melhor; tem a velocidade de ema ou da corça, os brios do corcel e a veemência do touro.  O coração fê-lo a natureza franco e descortinado como a vasta cochilha; a paixão que o agita lembra os ímpetos do furacão, o mesmo bramido, a mesma pujança.  A esse turbilhão de sentimentos era indispensável uma amplitude de coração imensa como a savana.”





Quadrinha do lírio

10 03 2012

Lírios brancos

Chris Wilmshurst (Inglaterra, contemp.)

aquarela

www.minigallery.com.uk

Olhai os lírios do campo,

e vede quanta brancura!…

No entanto, suas raízes

mergulham na terra escura!

(Zulmiro Vieira)

 





Imagem de leitura — Elisabeth Vigée-Lebrun

9 03 2012

Retrato de Viscondessa de Vaudreuil, 1785

Elisabeth Vigée-Lebrun ( França, 1755-1842)

óleo sobre madeira

Marie Elisabeth-Louise Vigée-Lebrun nasceu em Paris em 1755.  Seu pai, de quem recebeu as primeiras instruções, era pintor.  Depois ela se tornou aluna de Gabriel François Doyen, Jean-Baptiste Greuze, Claude Joseph Vernet, entre outros mestres do período. Tornou-se profissional, pintando retratos profissionalmente, ainda adolescente.  Tornou-se o artistas plástico mais famoso do início a meados do século XVIII.Em 1776, casou-se com Jean-Baptiste-Pierre Le Brun, um pintor e negociante de arte. Vigée-Le Brun deixou um legado de 660 retratos e 200 paisagens. Faleceu em 1842.





Palavras para lembrar — Jeremy Collier

9 03 2012

A pequena lua amarela, s/d

Denis Chiasson (Canadá, contemporâneo)

óleo sobre tela, 60 x 30 cm

“Os livros nos dão apoio na nossa solidão e nos livram de sermos um peso para nós mesmos”.

Jeremy Collier





Trova da língua portuguêsa

9 03 2012

Nossa terra e a terra lusa,

Na doce língua que as liga,

São cordas nas mãos da musa,

Cantando a mesma cantiga.

 –

(Dorothy Jansson Moretti)

 





O lobisomem, texto de Gustavo Barroso

9 03 2012

O lobisomem

Gustavo Barroso

Uma das crenças mais corriqueiras dos nossos sertões é, certamente, a dos lobisomens. Raro é o homem do nosso campo, maximé nas regiões do Nordeste, que piamente não acredita nas façanhas dos lobisomens.

Na sua opinião, todos os homens muito pálidos, opilados, que eles chamam de “amarelos”, “empambados” ou “comelonges”, transformam-se em lobisomens nas noites de quinta para sexta-feira.  Para esse efeito, viram a roupa às avessas, espojam-se sobre o estrume de qualquer cavalo ou no lugar em que este espojou.  Crescem-lhe logo as orelhas, que caem sobre os ombros e se agitam como asas de morcegos. A cara torna-se horrível, meia de lobo, meia de gente. E os infelizes saem correndo pelas estradas, loucamente, a rosnar, cumprindo o seu fado.

Contam no sertão cearense que uma mulher era casada com um homem “amarelão” e ia uma feita de viagem com ele, a pé, por um lugar deserto. Era noite de quinta para sexta-feira e fazia luar. Estavam hospedados debaixo de uma árvore, onde tinham pendurado as redes. Alta noite, ela, acordando, viu o esposo levantar-se e entrar no mato. Pensou que ele fosse a qualquer necessidade e não ligou importância ao fato. Tornou a adormecer. Acordou com o barulho que em torno fazia uma fera e viu, horrorizada, o monstro meio lobo, meio gente, que avançou para ela e lhe dilacerou furiosamente o xale de lã vermelha com que se cobria. Gritou, apavorada, pelo marido, que custou muito a aparecer.  O tal monstro, felizmente, fugiu ao seu primeiro grito.

O esposo disse não acreditar na história e que tudo não passara de um sonho. Entretanto, ao outro dia, chegando em casa, o homem dormia a sesta. Ela olhou-o uma vez, ao passar junto da sua rede.  Estava de boca aberta e entre os dentes havia fiapos de lã vermelha do seu xale. Fora ele o lobisomem.

Em: Criança Brasileira: admissão e 5ª série, Theobaldo Miranda Santos, Rio de Janeiro, Agir: 1949.

Vocabulário:

Corriqueiras – comuns; habituais

Maximé – principalmente

Piamente – ingenuamente

Espojam-se – lançam-se; rebolam-se

Estrume – esterco, dejeções

Feita – ocasião, vez

Gustavo Dodt Barroso (Fortaleza, CE, 1888 — Rio de Janeiro, RJ, 1959) Advogado, professor, político, contista, folclorista, cronista, ensaísta e romancista. Membro da Acadêmia Brasileira de Letras.





Imagem de leitura — Emanuel Phillips Fox

8 03 2012

O caramanchão, 1910

Emanuel Phillips Fox ( Austrália, 1865-1915)

óleo sobre tela

Emanuel Phillips Fox nasceu em Melbourne, Austrália em 1865. Estudou arte na National Gallery School em Melbourne de 1878 a 1886 com o pintor G. F. Folingsby.  Em 1886 viajou para Paris onde se inscreveu como aluno na Académie Julian. Estudou também na École des Beaux-Arts de 1887a 1890 em Parus onde foi aluno de dois dos maiores pintores clássicos da época:com William-Adolphe Bouguereau e Jean-Léon Gérôme. Adotou, depois disso,  o impressionismo e quando retornou à Austrália em 1892 abriu a Melbourne Art School com Tudor St George Tucker, onde ensinou as idéias e tecnicas que havia aprendido na Europa.  Tornou-se um dos mais influentes pintores australianos do início do século XX.  Faleceu em outubro de 1915.





O verde do meu bairro — a alamanda

8 03 2012

Grade de proteção a um edifício com alamanda.

Cá pelas minhas bandas as trepadeiras ornamentais estão tomando conta dos jardins.  Muito popular vermos, por cima das grades que protegem os edifícios, a  Alamanda, ou como minha avó chamava, Dedal de dama.

Gosto bastante do movimento verde dos jardins aqui no Rio de Janeiro.  Muros e gradís estão cada vez mais bonitos, embelezados por uma grande variedade de trepadeiras,  que nessa época do ano – alto verão — derramam um colorido vibrante por sobre o que poderíamos considerar aspectos menos estéticos das cercas, muros e grades de proteção das casas e edifícios.

A Alamanda é uma ótima planta para esse fim.  Eu mesma, quando morei num outro apartamento, num outro edifício, em Copacabana, coloquei a Alamanda “chorando” da fachada dos meus janelões no 10º andar para o andar de baixo.  Planta de muito efeito ornamental, ela precisa, pelo menos por aqui, de pouca atenção, de muito sol, e não pode ser molhada demais.   No meu caso, num longo patamar de 4 metros de comprimento, ela precisava de um pouco mais de atenção, porque estávamos à beira mar e o ar salgado nem sempre incentiva as plantas a darem o melhor de si.

Suas flores, em formato conico  têm 5 pétalas.

Descobri que ela pode ser encontrada em quase todo o território nacional, menos naqueles lugares – e são poucos – cujas temperaturas podem chegar sistematicamente abaixo de 7º centígrados. Ela é uma trepadeira muito utilizada no paisagismo porque não só tem flores bonitas e abundantes, como porque sua folhagem brilhante e espessa, com folhas ovais, pode ser também bastante decorativa. Precisa ser cultivada em pleno sol, em solo fértil, rico em matéria orgânica e com regas regulares.

Agora, prestem atenção, não deve ser plantada onde criancinhas pequenas e filhotes de animais possam querer experimentar comer de suas belas flores e folhas, porque é uma planta tóxica.

—–

Características:

  • Nome Científico: Allamanda cathartica
  • Sinonímia: Allamanda herndersonii
  • Nome Popular: Alamanda, dedal-de-dama, carolina, alamanda-amarela
  • Família: Apocynaceae
  • Divisão: Angiospermae
  • Origem: Brasil
  • Ciclo de Vida: Perene

Para mais informações consulte aqui: O Jardineiro

 Então, que tal sugerir ao seu síndico o plantio dessa bela trepadeira e embelezar também a sua moradia, ou a sua rua?