Luzinhas voando, poesia infantil de Murilo Araújo

4 03 2012

Ilustração: autoria desconhecida.

Luzinhas voando

Murilo Araújo

Mãe, estás vendo

estrelas voando?

Estrelas voando!

Que lindo, não?!

São verdes… finas…

tão pequeninas!

São lamparinas

da escuridão.

Vão nalgum jogo —

tão pequeninas! —

brincar com fogo

no céu, no chão?

E vêm no escuro…

São anõezinhos,

anões vizinhos

em procissão,

que vêm no escuro

com as luzinhas

das lanterninhas

que têm, na mão?

Os vagalumes!

Mas duas luzes

conheço, lindas

mais que eles são.

As duas luzes,

Mãe, são teus olhos…

Mãe — os teus olhos

têm mais clarão.

Que têm teus olhos

que abrem, tão tenos,

dois céus eternos

no coração?!

Em: Poemas Completos de Murillo Araújo, com introdução de Adonias Filho, Rio de Janeiro, Irmãos Pongetti: 1960, 3 volumes.

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Murilo Araújo – ou Murillo Araújo — (MG 1894 – RJ 1980) jornalista, formado em direito.  Poeta, escritor, teatrólogo, ensaísta.  Veio para o Rio de Janeiro em 1907 estudar no Colégio Pedro II.  Membro do movimento modernista brasileiro.

Obras:

Poesia:

Carrilhões (1917)

A galera (escrito em 1915, mas publicado anos depois)

Árias de muito longe (1921)

A cidade de ouro (1927)

A iluminação da vida (1927)

A estrela azul (1940)

As sete cores do céu (1941)

A escadaria acesa (1941)

O palhacinho quebrado (1952)

A luz perdida (1952)

O candelabro eterno (1955)

Prosa:

A arte do poeta (1944)

Ontem, ao luar (1951) — uma biografia de Catulo da Paixão Cearense

Aconteceu em nossa terra (pequenos casos de grandes homens)

Quadrantes do Modernismo Brasileiro (1958)





Imagem de leitura — Roy Lichtenstein

4 03 2012

Nu lendo com quadro abstrato ao fundo, 1994

Roy Lichtenstein ( EUA, 1923-1997)

Roy Lichtenstein nasceu na cidade de Nova York em 1923.  Apaixonado por jazz, costumava fazer desenhos dos músicos de que mais gostava, mas encarava a arte como um hobby.  Entrou para a Universidade do Estado de Ohio, mas seus estudos foram interrompidos por 3 anos enquanto lutou na 2ª Guerra Mundial.  Em 1946, volta para a universidade e completa o curso de Belas Artes.  Resolve fazer pós graduação na mesma universidade e acaba ficando lá pelos próximos dez anos como instrutor.  Apesar de sua primeira exposição individual ter sido em 1951, Lichtenstein começa a fazer pequenos trabalhos, entre decoração, artes gráficas e até vitrinista para sobreviver depois que se muda para Cleveland.   O sucesso em sua carreira começa em 1965.  A partir de 1970 ele divide sua residência entre a cidade de Nova York e uma casa de campo ao norte do estado.  Morre em 1997 como um dos grandes expoentes da arte Pop no Estados Unidos e um dos grandes nomes da arte mundial no século XX.





Moema, poesia de Raquel Naveira

3 03 2012

Índia Mãe, 2007

Filipe Arruda, (Brasil, contemporâneo)

óleo sobre eucatex, 50 x 60 cm

Filipe Arruda Artes

Moema

Raquel Naveira

Anhangá,

Espírito do mal,

Avisou Moema:

Caramuru partiria com Paraguaçu

Para um reino distante

Do lado de lá.

Moema corre para a praia,

Vê a nau coroada de flores,

As quilhas untadas,

As velas chamando o vento,

Na proa, o amado e a traidora.

O dia começa a ficar triste,

Desde a sombra da tarde,

A inhuma,

Ave noturna,

Voa sobre a cabeça de Moema,

Mulher que não é amada

E que ama.

Ferida,

Tomada de delírio,

Pressentindo a morte próxima,

Atira-se na água

A bela Moema.

Coberta de âmbar e espuma,

Grita a amante:

“– Eu te salvei do naufrágio,

Te dei meu corpo virgem,

Te fui doce

E, agora, me dás em troca

O abandono, a traição?

Hão de ser castigados, miseráveis,

Antes que Jaci brilhe no céu,

Encontrarão desgraça no meio dos escolhos”.

Flutua nas ondas da ira,

Amarga como a folha da jurema,

Afunda trêmula

A pobre Moema.

Caramuru abraça a favorita,

Solta as amarras,

A coragem o incita,

A compaixão lhe sugere uma prece,

Um poema.

Em: Stella Maia e outros poemas, Campo Grande, MS; Editora UCDB:2001

Raquel Naveira (Campo Grande, MS 1957) Poetisa, ensaísta, graduada em Letras e Direito, professora no Curso de Letras da Universidade Católica Dom Bosco de Campo Grande (MS), mestranda em Comunicação e Letras, na Universidade Presbiteriana Mackienzie (SP), e empresária de turismo (Pousada Dom Aquino, em Campo Grande – MS), Raquel Naveira destaca-se por seu talento e engajamento nas atividades culturais do centro-oeste brasileiro.  A escritora tem recebido reconhecimento nacional através de inúmeras premiações e várias indicações para prêmios. Em sua obra, são constantes a religiosidade, o misticismo e os temas épicos.

Obra:

Via Sacra, poesia, 1989

Fonte luminosa, poesia, 1990

Nunca Te-vi, poesia, 1991

Fiandeira, ensaios, 1992

Guerra entre irmãos, poesia, 1993

Canção dos mistérios, poesia, 1994

Sob os cedros do Senhor, poesia, 1994

Abadia, poesia, 1995

Mulher Samaritana, 1996

Maria Madalena, prosa poética, 1996

Caraguatá, poesia, 1996

Pele de jambo, infanto-juvenil, 1996

O arado e a estrela, poesia, 1997

Intimidades transvistas, 1997

Rute e a sogra Noemi, prosa poética, 1998

A casa da Tecla, poesia, 1998

Senhora, poesia, 1999

Stella Maia e outros poemas, 2001

Casa e castelo, poesia, 2002

Maria Egipcíaca, poesia, 2002

Tecelã de tramas: ensaios sobre interdisciplinaridade, ensaios, 2004

Portão de ferro, poesia, 2006

Literatura e Drogas e outros ensaios, crítica literária, 2007





Imagem de leitura — Kevin Bielfuss

2 03 2012

Hora dos contos 

Kevin Bielfuss ( EUA, )

óleo sobre tela, 45 x 60cm

www.kevinbielfuss.com

Kevin Bielfuss nasceu nos Estados Unidos.  Estudou na Illinois State University.  Imediatamente após sua graduação trabalhou com artista gráfico para casas editoriais.  Depois de treze anos nesse ofício, libertou-se do vínculo comercial e lançou sua carreira artística como pintor, especializando-se em retratos.  Vive em Chicago.





Quadrinha da boa ação

2 03 2012

Ilustração de Arthur Sanoff.

Viu o ovo despencado
e o repôs na palha fria
ouvindo o belo trinado
da ave que agradecia.


(Eliana Palma)





Imagem de leitura — Aaron Shikler

1 03 2012

John Kennedy Jr. lendo, s/d

Aaron Shikler (EUA, 1924)

óleo sobre tela

Aaron Shikler nasceu em Nova York, nos Estados Unidos em 1922. Estudou na Tyler School of Art na Filadélfia e prosseguiu com seus estudos na Hans Hofmann School.  Tornou-se um dos maiores retratistas de personalidades políticas e de influência nos EUA, tornando-se famoso pelo retrato do Presidente John F. Kennedy que se tornou o retrato oficial da Casa Branca.





Rio de Janeiro, parabéns! 447 anos!

1 03 2012

Hoje recebi um email de uma amiga que continha essa jóia.  Um filme do Carnaval do Rio de Janeiro em 1954. E só foi lançado em 1955. É americano.  As imagens são de excelente qualidade.  E o comentarista se mostra incrédulo com a alegria das festividades dos três dias de folia.  Posto aqui o vídeo para que fique registrado um pouquinho do espírito carioca,