Estudo Figurativo, s/d
Anita Tesoriero ( Austrália, contemporânea)
Óleo sobre tela, 40 x 50 cm
Estudo Figurativo, s/d
Anita Tesoriero ( Austrália, contemporânea)
Óleo sobre tela, 40 x 50 cm
Campo de Batalha 5 , 1973
Antônio Henrique Amaral ( Brasil, 1935-2015)
óleo sobre tela, 182 x 234cm
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Sônia Carneiro Leão
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A fruta mais descarada
da espécie vegetal,
exibicionista, safada,
a mais amada,
preferência nacional.
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Nasce, assim, sem respeito,
em qualquer parte,
de qualquer jeito,
em qualquer quintal
onde houver
um sol tropical.
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Em terras baianas,
pernambucanas,
nossa República das Bananas.
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Verdadeiro tesouro:
banana-prata, banana-ouro.
Chiquita bacana.
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Banana querida,
banana amiga,
da nossa barriga.
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Banana brasileira,
te como toda,
te como inteira.
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Em: Respostas ao criador das frutas, Sônia Carneiro Leão, Recife: 2010.
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Sônia Carneiro Leão nasceu no Rio de Janeiro, mas reside em Recife. Psicanalista, escritora, poetisa, contista e tradutora.
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O chupim é um passarinho escuro também chamado de anu ou azulão. Possui um canto suave e melodioso. Mas tem o mau costume de por seus ovos nos ninhos dos outros pássaros. Além disso come as sementes e destrói as plantações.
O chupim era, porém um pássaro bonito e trabalhador. Fazia o seu ninho com capricho e cuidava bem dos filhotes. Mas houve uma guerra entre as aves, de que resultou queimarem o ninho do chupim. Por milagre, o pássaro salvou-se, mas ficou todo preto, sapecado. Lá se foram seus ovos e suas lindas penas!
Daí por diante o chupim ficou preguiçoso. Não quis mais trabalhar. Deixou de fazer o ninho. E passou a por os ovos nos ninhos dos outros pássaros. Por isso, não cria mais filhotes. Quando o censuram por sua preguiça, diz que não faz ninhos porque tem medo de novo incêndio. E assim vai levando a vida. O passarinho mais explorado do chupim é o tico-tico. Coitado! até o chamam, por isso, de engana-tico…
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Em: Leituras infantis, Theobaldo Miranda Santos, 2º livro, Rio de Janeiro, Agyr:1962
Gustave Max Stevens ( Bélgica, 1871 — 1946)
óleo sobre tela
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Gustave Max Stevens ( Bélgica, 1871-1946) – nasceu em Saint-Josse-tem-Noode, e foi aluno de Jean Portaëls na Escola de Belas Artes de Bruxelas. Mais tarde estudou com Fernand Cormon na Escola de Belas Artes de Paris. Participou como expositor do Salão de Arte Idealista de 1896 e do Salão dos Artistas Franceses. TGanhou medalha de bronze na Exposição Universal de 1900. Fortemente influenciado pelos pintores ingleses do movimento Pr-Rafaelita, Gustave Max Stevens contribuiu inúmeras vezes para a publicação L’Estampe Moderne.
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Se estiverdes namorando,
aos beijinhos, no portão,
já sabes, o amor é cego,
porém, os vizinhos, não…
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(Dieno Castanho)
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Na época em que comecei a faculdade era comum acreditarmos no conceito de que grande parte dos artistas – quer nas artes visuais, como nas literárias e outras – estava sempre alguns anos à frente da grande maioria das pessoas, da sociedade em geral. É possível que nas últimas décadas esse assunto tenha desaparecido ou tenha se tornado arcaico: a comunicação instantânea parece desestabilizar o preceito. Quase não temos tempo de digerir o que nos aparece e, ainda, o que é novo hoje já se torna velho em questão de horas.
Os eventos da semana no Rio de Janeiro – a execução de crianças por um homem desequilibrado que havia claramente sofrido de bullying na escola, como mostrou o jornal O GLOBO de hoje. [ “De berço de rua a cova de indigente”, Caderno Especial, página 8] — não nos deixam parar de pensar nesse tipo de abuso. Lendo esse artigo me lembrei dessa questão do artista estar preocupado com algum aspecto social que muitos ainda não sentiram. Lembrei-me de como o autor de um romance, que por estar atento aos passos da sociedade, aos detalhes do dia a dia, projeta no seu trabalho, o entendimento, a discussão ou atualização de assuntos que nem sempre estão na “boca do povo”. Foi pensando nesses passos um pouquinho à frente da sociedade que voltei a minha atenção ao romance de Alonso Cueto, O sussurro da mulher baleia, [Planeta: 2007] já resenhado aqui nesse blog, em 3 de janeiro de 2010: Alonso Cueto brilha com O sussurro da mulher baleia . O romance que foi finalista em 2007 do Prêmio Planeta-Casa América de Narrativa Ibero-Americana, aborda justamente o tópico do bullying na escola e as conseqüências que este bullying pode trazer. Mostra claramente como esse é um crime social, em que praticantes e vítimas sofrem. Também são aqueles que se calam são vítimas. Todos, todos que permitem que o bullying aconteça sofrem. É uma doença social, virulenta e às vezes mortal.
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O sussurro da mulher baleia é uma leitura necessária a quem deseja entender melhor os efeitos prolongados desse sofrimento. Sua narrativa é dinâmica, moderna e não parece, talvez por ser de tão fácil leitura, tratar de um assunto tão importante e de tanto peso emocional. Mas Alonso Cueto consegue mostrar como o bullying é um crime social. Cueto mostra como esses dois lados de uma mesma moeda afetaram duas meninas na escola, que eram amigas. Ele revela também, numa cena final de grande sensibilidade, como essa situação escolar é carregada através da vida de ambas as protagonistas e como o sofrimento de cada uma encontra repercussão na outra, fazendo-as interdependentes emocionalmente. Recomendo mais uma vez a leitura desse romance não só pela atualidade do tema, mas pelo que sabemos ser verdade em casos de sofrimento contínuo de jovens adolescentes. Se você ainda não parou para pensar nesse assunto e se ainda não leu este romance, faça-o. Esta é a hora.
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Aqui fica o meu protesto e aviso aos possíveis clientes que há poucas companhias no mundo que tratam tão mal o cliente que lhe paga R$125.00/mês por um serviço — há exatamente 8 anos!
No dia 29 de março, às 11 horas da manhã– a OI — companhia de telefonia brasileira — SEM AVISO PRÉVIO — cortou o serviço de dezenas — talvez centenas — não sei — de clientes para uma troca de um “armário” em uma de suas subestações. Eu estava entre esses clientes. Fiquei inicialmente sem telefone fixo e sem intenet por 72 horas. Quando o telefone voltou a funcionar no dia 31 de março, à tardinha, a internet não voltou. E não voltou daí por diante.
Tenho 23 números de protocolos pedindo auxílio. Tenho o nome dos técnicos que supostamente viriam a minha casa. Tenho o nome dos atendentes… Mas a cada protocolo a OI ganha 24 horas… porque promete que tudo se resolverá em 24 horas. Nenhum técnico apareceu, nenhum contato foi feito, desinteresse total.
É claro que não estou mais com esse servidor. Faço questão de avisar aos desprevenidos que esta não é uma companhia séria. A OI é uma companhia que não está preocupada com o bem estar da sua clientela, com a manutenção de serviço de qualidade, com atenção ao serviço que presta.
A OI ainda pensa como TELEMAR — companhia governamental que pode satisfazer seus clientes quando e se quiser… — e ainda não entendeu que tem acionistas particulares. Não entendeu que quem presta o serviço são eles e não o consumidor. Contatei o PRO-CON — outro lugar com o telefone perpetuamente ocupado.
Tenho agora acesso à internet através de outra companhia. Infelizmente precisaram de 72 horas para instalar o serviço aqui em casa. Foi tempo demais. E me pergunto se estamos mesmo preparados para sermos a cidade hospitaleira que acolherá dezenas de milhares de jornalistas e turistas que usarão a internet durante os eventos esportivos desta década…
Minhas desculpas ao meus leitores, por esse desabafo, mas a frustração é muito grande.