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Viagem de trem, ilustração de Margret Boriss.
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Felicidade, vantagem
que todos querem ganhar,
não é bem um fim de viagem,
é um modo de viajar.
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(Eno Teodoro Wanke)
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Felicidade, vantagem
que todos querem ganhar,
não é bem um fim de viagem,
é um modo de viajar.
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(Eno Teodoro Wanke)
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Martins D’Alvarez
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Lá vai a lua…
Lá vai!…
Boiando…
como um limão que flutua.
E eu fico de cá, pensando:
que haverá dentro da lua?
Mas a lua nem me escuta…
fura uma nuvem,
se esconde.
Surge e se põe a me olhar.
Será que de esconde-esconde
ela está me convidando
para brincar?
E a lua
continua…
Lá vai andando,
lá vai!
— Ninguém a está segurando…
Por que é que a lua não cai?
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Em: O mundo da criança: poemas e rimas, volume I, Rio de Janeiro, Delta: 1975, p. 149
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José Martins D’Alvarez (CE 1903-1993) Poeta, romancista, jornalista, diplomado em Farmácia e Odontologia, professor, membro da Academia Cearense de Letras. Nasceu na cidade de Barbalha, Estado do Ceara, em 14 de setembro de 1904. Filho de Antonio Martins de Jesus a de Antonia Leite da Cruz Martins. Fez os estudos primários na sua cidade natal, os secundários, no Liceu do Ceará. Depois de formado em Odontologia. Transferiu em 1938 sua residência para o Rio de Janeiro, onde exerceu, além de atividades na imprensa, atividades no magistério superior.
Obras:
“Choro verde: a ronda das horas verdes”, 1930 (versos).
“Quarta-feira de cinzas”, 1932 (novela).
“Vitral”, 1934 (poemas).
“Morro do moinho” 1937 (romance)
“O Norte Canta”, 1941 (poesia popular).
“No Mundo da Lua”, 1942 (poesia para crianças).
“Chama infinita, 1949 (poesias)
“O nordeste que o sul não conhece 1953 (ensaio)
“Ritmos e legendas” 1959 (poesias escolhidas)
“Roteiro sentimental: geopolítica do Brasil” 1967 (poesias escolhidas)
“Poesia do cotidiano”, 1977 (poesias)
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O xadrez repete a vida
em sucessivas lições:
quando a nobreza é atingida
sacrificam-se os peões.
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(Sinval Emílio da Cruz)
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A Bemvinda Feitosa
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Que boneca tão bonita
Aquela que ontem ganhei!
Pus-lhe um vestido de chita,
Que eu mesma fiz e cortei.
Seu cabelinho é tão louro
Como cabelo de milho.
Minha boneca é um tesouro,
Tem sapatos e espartilho!
Vou lhe fazer uma cama,
Vou lhe bordar um lençol,
Para tão mimosa dama
Farei fronhas de molmol.
Depois, para o batizado,
Hei de arranjar uma festa:
Um altar muito enfeitado,
Em meio de uma floresta…
Convidarei as amigas
Com quem costumo brincar,
E muito lindas cantigas
Hei de com elas cantar.
Há de haver presunto e bala,
Sorvete para a madrinha,
E desse dia de gala
Minha boneca é a rainha!
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Presciliana Duarte de Almeida
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Presciliana Duarte de Almeida (MG, 1867 – SP, 1944) Pseudônimo: Perpétua do Valle. Nascida numa família literária, Presciliana era prima de Júlia Lopes de Almeida e Adelina Lopes Vieira. Vai para São Paulo depois do casamento, onde funda, em 1889, a revista feminista A Mensageira – revista literária dedicada à mulher brasileira. Colabora na revista Educação, em 1902, e na revista A Alvorada, em 1909. Participa da fundação da Academia Paulista de Letras em 1909 onde ocupa a cadeira nº 8, escolhendo a poetisa Bárbara Heliodora, sua trisavó, como patrona. Morreu aos 77 anos, em São Paulo, em 1944.
Obras:
Rumorejos, 1890
Sombras, 1906
Páginas Infantis, 1908
O Livro das Aves, 1914
Vetiver, 1939
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Na velha Estação de Trem,
que a Solidão dominava,
eu acenei a ninguém,
fingindo que alguém chegava…
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(Otávio Venturelli)
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José Paulo Moreira da Fonseca
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Povoaste a paisagem grega
————–guardas um timbre clássico algo de conciso
ágil e jovem — quem negaria? — basta ver-te sobre os abismos
sem receio ou vertigem
—————como a vida
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Em: Antologia Poética, José Paulo M. F., Rio de Janeiro, Leitura: 1968
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Para mantê-los me empenho,
porque penso sempre assim:
tendo os amigos que tenho,
eu nem preciso de mim!
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(Izo Goldman)
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Vista parcial de Ouro Preto, s/d
Mário Agostinelli (Peru 1915 – Brasil, 2000).
óleo sobre tela colada em madeira, 47 x 56 cm
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Antonio Gedeão
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Minha aldeia é todo o mundo.
Todo o mundo me pertence.
Aqui me encontro e confundo
com gente de todo o mundo
que a todo o mundo pertence.
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Bate o sol na minha aldeia
com várias inclinações.
Ângulo novo, nova ideia;
outros graus, outras razões.
Que os homens da minha aldeia
são centenas de milhões.
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Os homens da minha aldeia
divergem por natureza.
O mesmo sonho os separa,
a mesma fria certeza
os afasta e desempara,
rumorejante seara
onde se odeia em beleza.
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Os homens da minha aldeia
formigam raivosamente
com os pés colados ao chão.
Nessa prisão permanente
cada qual é seu irmão.
Valências de fora e dentro
ligam tudo ao mesmo centro
numa inquebrável cadeia.
Longas raízes que imergem,
todos os homens convergem
no centro da minha aldeia.
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Em: Poesias completas (1956-1967), coleção Poetas de hoje, Lisboa, Portugália:s/d
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Rômulo Vasco da Gama de Carvalho , rambém conhecido pelos pseudônimos : Antonio Gedeão ou por Rômulo de Carvalho. (Portugal, 1906-1997) Poeta, professor e historiador da ciência portuguesa. Teve um papel importante na divulgação de temas científicos, colaborando em revistas da especialidade e organizando obras no campo da história das ciências e das instituições. Revelou-se como poeta apenas em 1956, com a obra Movimento Perpétuo.
Obras poéticas:
Movimento perpétuo, 1956
Teatro do Mundo, 1958
Máquina de Fogo, 1961
Poema para Galileu 1964
Linhas de Força, 1967
Poemas Póstumos, 1983
Novos Poemas Póstumos, 1990
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Pensei fazer um feitiço
para esquecer-te, mas vi
que de tanto pensar nisso
é que penso mais em ti.
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(Lilinha Fernandes)
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Mário Quintana
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(Para Érico Veríssimo)
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Primavera cruza o rio
Cruza o sonho que tu sonhas.
Na cidade adormecida
Primavera vem chegando.
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Catavento enloqueceu,
Ficou girando, girando.
Em torno do catavento
Dancemos todos em bando.
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Dancemos todos, dancemos,
Amadas, Mortos, Amigos,
Dancemos todos até
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Não mais saber-se o motivo…
Até que as paineiras tenham
Por sobre os muros florido!
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Em: Canções, de Mario Quintana, Rio de Janeiro, Globo: 1946