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Dona Marocas suspira, ilustração de Maurício de Sousa.
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O suspiro é na verdade
um mensageiro cansado
que vai cheio de saudade
correndo atrás do passado.
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(Antônio Bittencourt)
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O suspiro é na verdade
um mensageiro cansado
que vai cheio de saudade
correndo atrás do passado.
–
(Antônio Bittencourt)
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Liberdade é conviver
com sua própria razão,
sem a ninguém ofender,
nem magoar o coração.
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(Durval Lobo)
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Meu beijo é bem diferente
dos beijos que os outros dão:
eles beijam, simplesmente,
eu… beijo, com o coração.
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(Rômulo Cavalcante Mota)
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Pequeno encanto
Donald Zolan (EUA, contemporâneo)
óleo sobre tela
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Bastos Tigre
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Por sobre as ramas da árvore coleia
A lagarta. E a colear, viscosa e lenta,
O seu aspecto as vistas afugenta
E de tocá-la a gente se arreceia.
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Verde-negra, amarela, azul, cinzenta,
Quando o sol as folhagens incendeia,
Sobe a aquecer-se, e à luz solar, aumenta
O asco de vê-la repulsiva e feia.
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Mas eis que a encerra do casulo a tumba;
Não penseis que, de todo, ela sucumba
No seu sepulcro eternamente presa.
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Qual, do corpo, alma livre, desprendida,
É borboleta: evola-se a outra vida,
Voando feliz, na glória da beleza.
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Em: Antologia Poética, Bastos Tigre, volume I, Rio de Janeiro, Ed. Francisco Alves:1982
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Cochicho, ilustração Anni Matsick.–
Falar mal da vida alheia
é coisa que não convém;
quem tem telhado de vidro
não fustiga o de ninguém…
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(Alberto Isaías Ramires)
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Noite fria… e, em minha rua,
tantos sonhos idealizo,
que vou pisando na lua
em cada poça que piso!
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(Edmar Japiassú Maia)
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Soldadinho de chumbo, s/d
Marysia Portinari ( Brasil, 1937)
óleo sobre tela, 30 x 20 cm
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Manuel Bandeira
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Bão balalão,
Senhor capitão.
Tirai este peso
Do meu coração.
Não é de tristeza,
Não é de aflição:
É só de esperança,
Senhor capitão!
A leve esperança,
A aérea esperança…
Aérea, pois não!
Peso mais pesado
Não existe não.
Ah, livrai-me dele,
Senhor capitão!
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Em: Manuel Bandeira Antologia Poética, Rio de Janeiro, Livraria José Olympio:1978, 10ª edição
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Martins D’Alvarez
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— Que bairro bonito e grande!
Tu me dizes, debruçada
na sacada
da janela
deste meu primeiro andar.
De fato, a rua é um viveiro
de mocidade e de graça,
entre um recanto de praça
e um trapo verde de mar.
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Bairro lindo, na verdade,
o mais belo da cidade.
Mas, nã me digas que é grande…
Não me digas, por favor!
Só eu sei, anjo moreno,
eu que provo o veneno,
como este bairro é pequeno
para abrigar nosso amor.
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Em: Poesia do cotidiano, Martins D’Alvarez, Rio de Janeiro, Edições Clã: 1977
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A primavera, suponho,
que tendo sonhos de amor,
faz, sim,com que cada sonho
nasça em forma de uma flor.
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(Miguel Russowsky)
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Seja qual for o quinhão,
há sempre quem o bendiga;
a migalha do seu pão
é um banquete pra formiga.
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(Ney Damasceno)