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Ilustração: Yukié Matsushita
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Que importa não seja sua
a luz de que a Lua é cheia?!…
Quanta gente, igual à Lua,
só vive da luz alheia?!…
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(João Freire Filho)
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Ilustração: Yukié Matsushita–
Que importa não seja sua
a luz de que a Lua é cheia?!…
Quanta gente, igual à Lua,
só vive da luz alheia?!…
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(João Freire Filho)
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Antônio Parreiras (Brasil, 1860-1937)
óleo sobre tela, 180 x 282 cm
Museu Júlio de Castilhos, Porto Alegre
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Carlos Pena Filho
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É o muito esperar que existe em torno
que me destina a ação desbaratada.
A morte é bem melhor do que o retorno
ao nada.
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Não nasce a pátria agora, o sonho mente,
mas, em meio à mentira, sonho e luto
pois sei que sou o espaço entre a semente
e o fruto.
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Em: Melhores poemas de Carlos Pena Filho, seleção de Edilberto Coutinho, Global Editora, São Paulo, 1983, 4ª edição.
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Carlos Pena Filho nasceu no Recife, em 1929. Formado em Direito, pela Faculdade de Direito do Recife, foi poeta, letrista, jornalista, ensaísta para o Jornal do Comércio. Morreu num acidente automobilístico em 1960.
Obras:
O tempo da busca, 1952
Memórias do boi Serapião, 1955
A vertigem lúcida, 1958
Livro geral (obra reunida), 1959
Melhores poemas (póstuma) seleção de Edilberto Coutinho, 1983
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Ilustração Mary Blair.–
Correa Júnior
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A árvore é flor, sombra na estrada,
fruto que a sede nos mitiga.
A árvore é dádiva sagrada:
— dá-nos ao lar, multiplicada,
o leito… a mesa… a porta… a viga!
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A árvore é paz, graça e doçura:
simplicidade, amor, perdão!
Mostra a esperança, na verdura
de cada galho, e a dor obscura
deixa escondida sob o chão.
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O ar purifica, ampara os ninhos:
e sem vaidade, silenciosa,
rica de bênçãos e carinhos,
é, para nós e os passarinhos,
a criatura mais piedosa.
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A árvore é flor, sombra na estrada,
fruto que a sede nos mitiga.
A árvore é dádiva sagrada:
— dá-nos ao lar, multiplicada,
o leito… a mesa… a porta… a viga!
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Ilustração Arthur Sarnoff.–
Por muito amar ninguém morre.
Ama, pois, com todo ardor!
Olha que a muitos ocorre
Morrer por falta de amor…
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(Aparício Fernandes)
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Ilustração Elizabeth Shippen Green.–
Plantei num vaso a esperança,
reguei de amor e carinho,
em vez da flor confiança,
nasceram dores do espinho.
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(Luiz Pereira de Faro)
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Yugo Mabe (Brasil, 1955)
acrílica sobre tela, 60 x 73 cm
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Corrêa Júnior
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São Paulo! Jardim florido
de mil lendas imortais!
Chão vermelho, colorido,
qual manto de ouro estendido
à sombra dos cafezais.
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São Paulo! Vales e montes
por onde em festas, se vê
surgirem ninhos e fontes…
São Paulo! Viadutos. Pontes.
Rios de glória… O Tietê…
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São Paulo! Léguas de asfalto
entre paineiras em flor…
Arranha-céus, no planalto,
e a garoa, lá no alto,
enchendo os céus de esplendor!
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São Paulo! Estradas imensas
onde a lavoura sorri…
Berço de sonhos e crenças!
Quanta poesia condensas!
Quanta fé nos vem de ti!
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Em: Terra Bandeirante: a história, as lendas e as tradições do Estado de São Paulo, 3º ano primário, Theobaldo Miranda Santos, Rio de Janeiro, Editora Agir: 1954.
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Lucídio Corrêa Júnior (Brasil, 1900 – 1940) Nasceu em Curitiba no estado do Paraná. Foi poeta e radialista.
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Aquela grande energia,
de pai sisudo e correto,
o transformou, belo dia,
em cavalinho do neto…
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(Nair Starling dos Santos Almeida)
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Bananal, 2003
João Werner (Brasil, 1962)
óleo sobre tela, 60×80 cm
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Ledo Ivo
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Paisagem, maresia
azul e bananais!
No porão do navio,
o ouro dos litorais.
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Fruto de um paraíso
de mormaço, num alvo
formigueiro de sal
entre negros trapiches.
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O horizonte derrama
cal entre as bananeiras.
São roupas de operários,
cantos de lavadeiras.
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Como as bananas verdes
à luz do cabureto
logo ficam maduras
quaradas pelo sol
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de uma falsa estação,
assim este cargueiro
esplende, no terral,
seu cacheado tesouro.
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E o panorama é de ouro
E o dia sabe a sal.
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Em: Os melhores poemas de Ledo Ivo, seleção do autor, Rio de Janeiro, Global Editora: 1983, 1ª edição.
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Estudo de cabeças, d’après Pieter Paul Rubens, s/d
Arthur Timótheo da Costa (Brasil, 1882-1922)
óleo sobr tela, 30 x 36 cm
Coleção particular
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A Lei Áurea veio em tempo,
dar liberdade total.
Ao africano o contento,
ao brasileiro a moral.
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(José Carlos Gomes)
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Mãe e filho, c. 1930
Walter Beach Humphrey (EUA,1892)
Óleo sobre tela, 68 x 50 cm
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Mamãe, meu grande tesouro,
minha joia preciosa;
o seu carinho vale ouro,
oh mulher maravilhosa!
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(Maria Guiomar Galvão Coelho Leal)