Quadrinha da luz alheia

10 07 2013

marionette imageIlustração: Yukié Matsushita

Que importa não seja sua

a luz de que a Lua é cheia?!…

Quanta gente, igual à Lua,

só vive da luz alheia?!…

(João Freire Filho)





Tiradentes — poema de Carlos Pena Filho

6 07 2013

ParreirasTiradentesPrisão de Tiradentes, 1914

Antônio Parreiras (Brasil, 1860-1937)

óleo sobre tela, 180 x 282 cm

Museu Júlio de Castilhos, Porto Alegre

Tiradentes

Carlos Pena Filho

É o muito esperar que existe em torno

que me destina a ação desbaratada.

A morte é bem melhor do que o retorno

ao nada.

Não nasce a pátria agora, o sonho mente,

mas, em meio à mentira, sonho e luto

pois sei que sou o espaço entre a semente

e o fruto.

Este poema foi musicado por Carlos Marques e faz parte da trilha sonora do filme Carnaval, o aval da carne (de Carlos Marques e Ralph Justino; Rio de Janeiro, 1983)

Em: Melhores poemas de Carlos Pena Filho, seleção de Edilberto Coutinho, Global Editora, São Paulo, 1983, 4ª edição.

carlos-pena-filho

Carlos Pena Filho  nasceu no Recife, em 1929.  Formado em Direito, pela Faculdade de Direito do Recife, foi poeta, letrista, jornalista, ensaísta para o Jornal do Comércio. Morreu num acidente automobilístico em 1960.

Obras:

O tempo da busca, 1952

Memórias do boi Serapião, 1955

A vertigem lúcida, 1958

Livro geral (obra reunida), 1959

Melhores poemas (póstuma) seleção de Edilberto Coutinho, 1983





Canção da árvore, poesia de Correa Júnior

18 06 2013

arvore, mary blairIlustração Mary Blair.

Canção da árvore

Correa Júnior

    A árvore é flor, sombra na estrada,

    fruto que a sede nos mitiga.

    A árvore é dádiva sagrada:

    — dá-nos ao lar, multiplicada,

    o leito… a mesa… a porta… a viga!

    A árvore é paz, graça e doçura:

    simplicidade, amor, perdão!

    Mostra a esperança, na verdura

    de cada galho, e a dor obscura

    deixa escondida sob o chão.

    O ar purifica, ampara os ninhos:

    e sem vaidade, silenciosa,

    rica de bênçãos e carinhos,

    é, para nós e os passarinhos,

    a criatura mais piedosa.

    A árvore é flor, sombra na estrada,

    fruto que a sede nos mitiga.

    A árvore é dádiva sagrada:

    — dá-nos ao lar, multiplicada,

    o leito… a mesa… a porta… a viga!





Quadrinha do amor

1 06 2013

amor, arthur sarnoffIlustração Arthur Sarnoff.

Por muito amar ninguém morre.

Ama, pois, com todo ardor!

Olha que a muitos ocorre

Morrer por falta de amor…

(Aparício Fernandes)





Quadrinha da minha esperança

29 05 2013

plantas, elizabeth shippen greenIlustração Elizabeth Shippen Green.

Plantei num vaso a esperança,

reguei de amor e carinho,

em vez da flor confiança,

nasceram dores do espinho.

(Luiz Pereira de Faro)





São Paulo Moderno, poesia de Corrêa Júnior

27 05 2013

anhangabau-yugo-mabe, 2007, 60x73astAnhangabaú, 2007

Yugo Mabe (Brasil, 1955)

acrílica sobre tela, 60 x 73 cm

São Paulo Moderno

Corrêa Júnior

São Paulo! Jardim florido

de mil lendas imortais!

Chão vermelho, colorido,

qual manto de ouro estendido

à sombra dos cafezais.

São Paulo! Vales e montes

por onde em festas, se vê

surgirem ninhos e fontes…

São Paulo! Viadutos. Pontes.

Rios de glória… O Tietê…

São Paulo! Léguas de asfalto

entre paineiras em flor…

Arranha-céus, no planalto,

e a garoa, lá no alto,

enchendo os céus de esplendor!

São Paulo! Estradas imensas

onde a lavoura sorri…

Berço de sonhos e crenças!

Quanta poesia condensas!

Quanta fé nos vem de ti!

Em: Terra Bandeirante: a história, as lendas e as tradições do Estado de São Paulo, 3º ano primário, Theobaldo Miranda Santos, Rio de Janeiro, Editora Agir: 1954.

Lucídio Corrêa Júnior (Brasil, 1900 – 1940) Nasceu em Curitiba no estado do Paraná.  Foi poeta e radialista.





Quadrinha do pai sisudo

20 05 2013

grandpa

Aquela grande energia,
de pai sisudo e correto,
o transformou, belo dia,
em cavalinho do neto…

(Nair Starling dos Santos Almeida)





O navio cheio de bananas, poesia de Ledo Ivo

14 05 2013

Bananal, 2003

João Werner (Brasil, 1962)

óleo sobre tela, 60×80 cm

www.joaowerner.com.br


O navio cheio de bananas

Ledo Ivo

Paisagem, maresia

azul e bananais!

No porão do navio,

o ouro dos litorais.

Fruto de um paraíso

de mormaço, num alvo

formigueiro de sal

entre negros trapiches.

O horizonte derrama

cal entre as bananeiras.

São roupas de operários,

cantos de lavadeiras.

Como as bananas verdes

à luz do cabureto

logo ficam maduras

quaradas pelo sol

de uma falsa estação,

assim este cargueiro

esplende, no terral,

seu cacheado tesouro.

E o panorama é de ouro

E o dia sabe a sal.

Em: Os melhores poemas de Ledo Ivo, seleção do autor, Rio de Janeiro, Global Editora: 1983, 1ª edição.





Quadrinha da Lei Áurea

13 05 2013

Artur Timoteo da Costa,CabeçasEstudo de cabeças, d’après Pieter Paul Rubens, s/d

Arthur Timótheo da Costa (Brasil, 1882-1922)

óleo sobr tela, 30 x 36 cm

Coleção particular

A Lei Áurea veio em tempo,

dar liberdade total.

Ao africano o contento,

ao brasileiro a moral.

(José Carlos Gomes)





Quadrinha para o Dia das Mães

10 05 2013

Mãe e filho, c. 1930,Walter Beach Humphrey (EUA, 1892)ost,68 x 50cm

Mãe e filho, c. 1930

Walter Beach Humphrey (EUA,1892)

Óleo sobre tela, 68 x 50 cm

Mamãe, meu grande tesouro,

minha joia preciosa;

o seu carinho vale ouro,

oh mulher maravilhosa!

(Maria Guiomar Galvão Coelho Leal)