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Falta de educação, cartão postal de Margret Boriss.
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Não tenho medo, em verdade,
do corisco ou do trovão;
bem mais forte é a tempestade
que trago no coração! …
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(Eva Reis)
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Falta de educação, cartão postal de Margret Boriss.–
Não tenho medo, em verdade,
do corisco ou do trovão;
bem mais forte é a tempestade
que trago no coração! …
–
(Eva Reis)
Leitura no jardim, ilustração de Norman Price, capa da revista St. Nicholas, maio de 1917.
Eugênio de Andrade
São como cristal,
as palavras.
Algumas, um punhal,
um incêndio.
Outras,
orvalho apenas.
Secretas vêm, cheias de memória.
Inseguras navegam:
barcos ou beijos,
as águas estremecem.
Desamparadas, inocentes,
leves.
Tecidas são de luz
e são a noite.
E mesmo pálidas
verdes paraísos lembram ainda.
Quem as escuta? Quem
as recolhe, assim,
cruéis, desfeitas,
nas suas conchas puras?
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Ilustração para o Festival de San Remo, de Walter Molino, Corriere della Sera, Fevereiro 1961.–
Marcados por desenganos,
na busca de um céu aberto,
meus olhos são quais ciganos,
nunca têm destino certo.
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(Ilza Tostes)
Henriqueta Lisboa
Andorinha no fio
escutou um segredo.
Foi à torre da igreja,
cochichou com o sino.
E o sino bem alto:
delém-dem
delém-dem
delém-dem
dem-dem!
Toda a cidade
ficou sabendo.
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Rolo sai no dia dos namorados, ilustração de Maurício de Sousa.–
“Meu bem” — frasinha sem cor
que, assim, nada significa.
Nos lábios do meu amor,
que amor de frasinha fica!
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(Eno Teodoro Wanke)
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Adeus, ilustração de A. E. Marty.–
Saudade… sombra, fantasma!
Coisa que bem não se explica:
— Algo de nós que alguém leva.
— Algo de alguém que nos fica!
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(Soares da Cunha)
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Chuva, ilustração Taro Semba.–
Chuva fina, eu te bendigo;
com teu jeito de tristeza,
és a alegria do trigo,
que põe fartura na mesa.
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(Jaci Pacheco)
Ilustração, desconheço a autoria.
– “Não há mãe melhor que a minha”
diz a filha à mamãezinha.
E a mãe, sorrindo: – “Filhinha,
melhor que a tua era a minha”…
(Lia Pederneiras de Faria)
Ilustração de Frederick Richardson, 1975.
Tão pequenino e, no entanto,
traduz o amor mais profundo;
que nome existe, mais santo,
do que o teu, mãe, neste mundo?
(Cecília Cerqueira Cavalcanti)
Ilustração de Frank Xavier Leyendecker.
Maria Thereza de Andrade Silva
Veio da noite, em voo palpitante,
Perder-se na quietude desta sala.
Num bailado letal e delirante,
Cresta na luz as asas cor de opala.
Voa; já nada enxerga o olhar faiscante.
Ama a luz, e essa luz há de queimá-la.
E, enquanto houver calor, estranha amante,
É cega e embriagada está… Deixá-la!…
Mas brandamente a luz se extingue, e morre…
— Que novo ardor as asas lhe percorre,
Para que dance ainda, alucinada!
Deixá-la. É cega! Que lhe importa a chama?
Inda sente o calor perdido, e ama,
E voa em torno à lâmpada apagada!
Em: É primavera … escuta. de Maria Thereza de Andrade Silva, Rio de Janeiro:1949, p. 93