Trova da confissão

11 11 2014

 

 

padreIlustração de Maurício de Sousa.

 

Para ter com quem falar

a velhinha sem ninguém

vai ao padre confessar

os pecados que não tem…

 

(José Carlos de L. G.)





Trova dos namorados

9 11 2014

 

amorosos, John Millar WattIlustração de John Millar Watt.

 

No portão os namorados

são como barcos no cais,

pelos beijos amarrados,

querem ir e ficam mais.

 

(Cleonice Rainho)

 





O grilo, poesia infantil de Almir Correia

7 11 2014

 

 

insetosIlustração de livro escolar americano, década se 1960, sem indicação de autor.

 

O Grilo

 

Almir Correia

 

O grilo

gritou no saco

gritou no papo

do sapo

gritou no poço

gritou na cara do moço

gritou no mato

gritou no

sa

………..pato.

 

E de repente

pra espanto da gente

não gritou mais.





A rede, poesia de Martins Fontes

5 11 2014

 

 

REDE Jan van Beers in the haNa rede

Jan van Beers (Bélgica, 1852-1927)

óleo sobre tela, 24 x 35 cm

 

 

A rede

 

Martins Fontes

 

Ao ronronar da rede preguiçosa,

ela, — morena de olhos de ouro, –embala

a esbraseante volúpia que se exala

dos seus vinte e dois anos cor de rosa.

 

Verão. O sol embriaga. Em plena orgia,

fundem-se os cheiros cálidos da terra.

E a moça abre o roupão, os olhos cerra,

e o que espera e deseja fantasia.

 

E a rede para. A viração marinha

Beija-a, lânguida e longa, loucamente…

E ela, os olhos abrindo, de repente,

Fica surpresa, por se ver sozinha!

 

(Volúpia)

 

Em: Nossos clássicos: Martins Fontes, poesia, Rio de Janeiro, Agir:1959, p.66





Trova da madrugada

3 11 2014

 

 

Noite no campo, Sylvie DaigneaultNoite no campo, ilustração de Sylvie Daigneault.

 

Orvalha, e da flor molhada

brota uma lágrima, e corre.

— Silêncio!, que a madrugada

pranteia a noite que morre…

 

(Elton Carvalho)





Trova de Finados

2 11 2014
 ???????????????????????????????Olívia Palito está ansiosa pelo que pode acontecer com Popeye, © E. C. Segar.

 

Dia dos mortos? Balela!

Finados? Tontos assuntos!…

Nem flor, nem cinza, nem vela,

nós todos estamos juntos.

 

(Cornélio Pires)

 





Poema de finados, Manuel Bandeira

1 11 2014

 

 

 

 

George_Edmund_Butler_-_A_roadside_cemetery_near_Neuve_EgliseCemitério de estrada, próximo a Neuve Église

George Edmund Butler (Inglaterra, 1872 – 1936)

aquarela

 

 

Poema de finados

 

Manuel Bandeira

 

Amanhã que é dia dos mortos

Vai ao cemitério. Vai

E procura entre as sepulturas

A sepultura de meu pai.

 

Leva três rosas bem bonitas.

Ajoelha e reza uma oração.

Não pelo pai, mas pelo filho:

O filho tem mais precisão.

 

O que resta de mim na vida

É a amargura do que sofri.

Pois nada quero, nada espero.

E em verdade estou morto aqui.

 

Em: Antologia Poética, Manuel Bandeira, Rio de Janeiro, José Olympio: 1978, 10ª edição,pp: 88-89.





Trova da minha bruxa

31 10 2014

 

bruxa, gato preto, Marie Lawson, Child Life 1935-10Ilustração de Marie Lawson, Revista Child Life, Outubro de 1935.

 

 

Minha sogra, aquela bruxa,
Num fusca mandando brasa,
E eu fico pensando – puxa!
Com tanta vassoura em casa!

 

(Magdalena Léa)





Campestre, poesia de Zalina Rolim

28 10 2014

Aldo Bonadei - Paisagem - Óleo sobre placa - 1964 - 29 x 39 cmPaisagem, 1964

Aldo Bonadei (Brasil, 1906-1974)

óleo sobre placa, 29 x 39 cm

 

Campestre

Zalina Rolim

Longe da estrada, à beira do riacho

que molha os pés revoltos da colina,

vejo-lhe o teto enegrecido e baixo

e a cancelinha baixa e pequenina.

Da chaminé desprende-se um penacho

de fumo branco… Levemente inclina

as verdes palmas sobre o louro cacho,

do coqueiro frondoso, a aragem fina…

Faísca o sol. Do terreirinho à frente

galinhas, patos, debicando o milho,

batem as asas preguiçosamente.

Nenhum rumor de pássaros palpita,

e a roceirinha, adormecendo o filho,

canta lá dentro uma canção bonita.

Em: Criança Brasileira: quarto livro de leitura, Theobaldo Miranda Santos, Rio de Janeiro, Agir:1949, pp, 73-4

 





Trova das Rosas

27 10 2014

 

rosas menina cartão postalCartão postal, início do século XX.

 

Ironia caprichosa

do tempo ao traçar caminhos:

transforma o botão em rosa

e enche a roseira de espinhos!

 

(Pedro Ornellas)