Ilustração de Maurício de Sousa.
Para ter com quem falar
a velhinha sem ninguém
vai ao padre confessar
os pecados que não tem…
(José Carlos de L. G.)
Ilustração de Maurício de Sousa.
Para ter com quem falar
a velhinha sem ninguém
vai ao padre confessar
os pecados que não tem…
(José Carlos de L. G.)
Ilustração de John Millar Watt.
No portão os namorados
são como barcos no cais,
pelos beijos amarrados,
querem ir e ficam mais.
(Cleonice Rainho)
Ilustração de livro escolar americano, década se 1960, sem indicação de autor.
Almir Correia
O grilo
gritou no saco
gritou no papo
do sapo
gritou no poço
gritou na cara do moço
gritou no mato
gritou no
sa
………..pato.
E de repente
pra espanto da gente
não gritou mais.
Jan van Beers (Bélgica, 1852-1927)
óleo sobre tela, 24 x 35 cm
Martins Fontes
Ao ronronar da rede preguiçosa,
ela, — morena de olhos de ouro, –embala
a esbraseante volúpia que se exala
dos seus vinte e dois anos cor de rosa.
Verão. O sol embriaga. Em plena orgia,
fundem-se os cheiros cálidos da terra.
E a moça abre o roupão, os olhos cerra,
e o que espera e deseja fantasia.
E a rede para. A viração marinha
Beija-a, lânguida e longa, loucamente…
E ela, os olhos abrindo, de repente,
Fica surpresa, por se ver sozinha!
(Volúpia)
Em: Nossos clássicos: Martins Fontes, poesia, Rio de Janeiro, Agir:1959, p.66
Noite no campo, ilustração de Sylvie Daigneault.
Orvalha, e da flor molhada
brota uma lágrima, e corre.
— Silêncio!, que a madrugada
pranteia a noite que morre…
(Elton Carvalho)
Olívia Palito está ansiosa pelo que pode acontecer com Popeye, © E. C. Segar.
Dia dos mortos? Balela!
Finados? Tontos assuntos!…
Nem flor, nem cinza, nem vela,
nós todos estamos juntos.
(Cornélio Pires)
Cemitério de estrada, próximo a Neuve Église
George Edmund Butler (Inglaterra, 1872 – 1936)
aquarela
Manuel Bandeira
Amanhã que é dia dos mortos
Vai ao cemitério. Vai
E procura entre as sepulturas
A sepultura de meu pai.
Leva três rosas bem bonitas.
Ajoelha e reza uma oração.
Não pelo pai, mas pelo filho:
O filho tem mais precisão.
O que resta de mim na vida
É a amargura do que sofri.
Pois nada quero, nada espero.
E em verdade estou morto aqui.
Em: Antologia Poética, Manuel Bandeira, Rio de Janeiro, José Olympio: 1978, 10ª edição,pp: 88-89.
Ilustração de Marie Lawson, Revista Child Life, Outubro de 1935.
Minha sogra, aquela bruxa,
Num fusca mandando brasa,
E eu fico pensando – puxa!
Com tanta vassoura em casa!
(Magdalena Léa)
–
Aldo Bonadei (Brasil, 1906-1974)
óleo sobre placa, 29 x 39 cm
–
–
Zalina Rolim
–
Longe da estrada, à beira do riacho
que molha os pés revoltos da colina,
vejo-lhe o teto enegrecido e baixo
e a cancelinha baixa e pequenina.
–
Da chaminé desprende-se um penacho
de fumo branco… Levemente inclina
as verdes palmas sobre o louro cacho,
do coqueiro frondoso, a aragem fina…
–
Faísca o sol. Do terreirinho à frente
galinhas, patos, debicando o milho,
batem as asas preguiçosamente.
–
Nenhum rumor de pássaros palpita,
e a roceirinha, adormecendo o filho,
canta lá dentro uma canção bonita.
–
–
Em: Criança Brasileira: quarto livro de leitura, Theobaldo Miranda Santos, Rio de Janeiro, Agir:1949, pp, 73-4
Cartão postal, início do século XX.
Ironia caprichosa
do tempo ao traçar caminhos:
transforma o botão em rosa
e enche a roseira de espinhos!
(Pedro Ornellas)