Trova do meu coração

14 02 2016

 

amor, atração, lendo, revista, parque,Nestor se distrai, ilustração Disney.

 

 

Não bata assim, coração!

Cuidado!… Jamais me assuste,

pois uma nova ilusão

pode ser um novo embuste.

 

 

(Zeni de Barro Lana)





Elogio do Bem, poesia de Cleómenes Campos

10 02 2016

 

colheita de frutasDesconheço a autoria dessa ilustração.

 

Elogio do bem

Cleómenes Campos

 

 

Amigo, faze o bem: esse prazer dispensa

a maior recompensa:

 

— Aqueles frutos saborosos

que o teu vizinho colhe, às vezes, a cantar,

custaram com certeza, os trabalhos penosos

de alguém que já sabia

que nunca em sua vida, os colheria…

 

Mas nem por isso os deixou de plantar.

 

 

Em: Poesia Brasileira para a Infância, Cassiano Nunes e Mário da Silva Brito, São Paulo, Saraiva: 1967, Coleção Henriqueta, p. 87.





Sublinhando…

9 02 2016

 

Jean-Baptiste-CamilleCorot, Young girl reading, 1868, National Gallery of Art, Washington, DC (2)Jovem lendo, 1868

Jean Baptiste Camille Corot (França, 1796-1875)

óleo sobre papelão sobre madeira, 32 x 41 cm

National Gallery, Washington, DC

 

 

“Fechar ao mal de amor a nossa alma adormecida
é dormir sem sonhar, é viver sem ter vida…”

 

 

Menotti del Picchia (Brasil, 1892-1988) em Juca Mulato.

 





Trova do esquecimento

8 02 2016

 

moça com chapéu sentada, buda,Fabius LorenziIlustração de Fabius Lorenzi.

 

 

Existem coisas na vida

Que não posso compreender:

— Como é que sendo esquecida,

Não te consigo esquecer!

 

 

(Maria Thereza de Andrade Cunha)





Domingo, poesia de Olavo Bilac

31 01 2016

 

 

BUSTAMANTE SÁ, Rubens Forte (1907 - 1988) - Figuras no cotidiano, o.s.t. - 46 x 56 cm.Figuras no cotidiano

Rubens Bustamante Sá (Brasil, 1907-1988)

óleo sobre tela, 46 x 56 cm

 

 

Domingo

 

Olavo Bilac

 

 

Domingo… Os sinos repicam

Na igreja, constantemente,

E todas as ruas ficam

Alegres, cheias de gente.

 

Todo um dia de ventura…

Como o domingo seduz!

O homem, cansado, procura

Ter paz, ter ar, e ter luz.

 

Paradas e sem trabalho,

Dormem na roça as enxadas;

Dormem a bigorna e o malho

Nas oficinas fechadas.

 

Também, meninos cansados,

Os vossos livro deixai!

Deixai lições e ditados!

Dormi! Sorride! Cantai!

 

Fechem-se as aulas! E o bando

Ruidoso das criancinhas

Livre se espalhe, voando,

Como um bando de andorinhas!

 

Deus, quando o mundo fazia,

Sete dias trabalhou,

E ao fim do sétimo dia

Do trabalho descansou…

 

 

Em: Poesias infantis, Olavo Bilac, Rio de Janeiro, Francisco Alves: 1949, 17 ª edição, pp- 47-8.





Trova dos livros

15 01 2016

 

 

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Janeiro, um ano de boas leituras.. à frente. WPA Projeto para Bibliotecas, estado de Illinois.

 

Na biblioteca há mil sábios

a nosso inteiro dispor.

Sem querer mover os lábios,

cada livro é um professor.

 

(A. A. de Assis)

 

 





Trova dos teus braços

5 01 2016

 

 

BEIJO ROUBADO, howard chandler christy, 1904Beijo roubado, ilustração de Howard Chandler Christy, 1904.

 

 

Fico em teus braços… Depois,

rogo a Deus, mais uma vez,

que o segredo de nós dois

fique só entre nós três.

 

(Cezário Brandi Filho)





Natal, poema de Heitor Moreira

19 12 2015

 

 

Tarsila do Amaral, 1940 - NatalNatal, 1940

Tarsila do Amaral (Brasil, 1886-1973)

 

 

Natal

 

Heitor Moreira

 

Era noite de gala. Nos silvedos
Rondavam pirilampos indiscretos.
E a luz desses notívagos insetos
Dançava iluminando os arvoredos.

 

Sonambulava a terra e os seus penedos,
Beijados por alíseos desinquietos,
Eram como castelos irriquietos
Pompeando a graça austera dos rochedos.

 

No estábulo da Fé, vagindo ao vento,
Nasce de ventre santo e imaculado
A afirmação cristã do pensamento…

 

E nascera Jesus, para as torturas
De sopesar, sustento desvairado,
As nossas irmanadas desventuras.

 

Em: Ritmos e Rimas, Heitor Moreira, Rio de Janeiro: 1950

 

Heitor Moreira

 

Obras:
Templos de Sonhos, poesia
Ritmos e Rimas, poesia, 1950





Trova dos meus ouvidos

10 12 2015

 

 

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São meus ouvidos dois ninhos

onde guardo, ao meu sabor,

um bando de passarinhos!

– Tuas mentiras de amor.

 

(Lilinha Fernandes)





Poema de Natal, Carlos Pena Filho

8 12 2015

 

 

sinos vermelhos, 1934Sinos, 1934.

 

 

Poema de Natal

 

Carlos Pena Filho

 

 

— Sino, claro sino,

tocas para quem?

— Para o Deus menino

que de longe vem.

 

— Pois se o encontrares

traze-o ao meu amor.

— E que lhe ofereces

velho pecador?

 

— Minha fé cansada,

meu vinho, meu pão,

meu silêncio limpo,

minha solidão.

 

 

Em: Melhores poemas, Carlos Pena Filho, Sel. Edilberto Coutinho, Editora Global:2000, 4ª edição, p.36.