Ilustração Baskerville, capa da revista Theatre, agosto de 1923.
Longe de ti, meu amor,
morro de tédio e de mágoa,
bem como morre uma flor
posta num vaso sem água.
(Antônio Sales)
Ilustração Baskerville, capa da revista Theatre, agosto de 1923.
Longe de ti, meu amor,
morro de tédio e de mágoa,
bem como morre uma flor
posta num vaso sem água.
(Antônio Sales)
Dia de chuva, Capa da Revista de Domingo do Minneapolis Journal, 1915.
Maria Thereza de Andrade Cunha
Domingo tristonho, de chuva, de vento.
Domingo de tédio, domingo nevoento.
Não vens. Todo o dia te espero, cansada;
Casais amorosos lá vão, na calçada,
E eu fico sozinha. Não vens.
Abandono…
Domingo de tédio, de bruma, de sono.
As mãos muito frias, a fronte pendida,
— Domingo sem cores… Domingo sem vida… —
Vidraça gelada que aos poucos se embaça:
Meu rosto apoiado de encontro à vidraça,
E a rua tão longa, tão triste, tão fria…
— Domingo chuvoso, de lenta agonia…
Em: É primavera… escuta., Maria Thereza de Andrade Cunha, Rio de Janeiro, 1949, p.106.
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Cascão acorda feliz, ilustração Maurício de Sousa.–
Para viver muitos anos,
Somente existe um segredo:
Comer bem, às horas certas,
Deitar e levantar cedo.
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(Walter Nieble de Freitas)
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Quando estou em meu terraço,
olhando os astros risonhos,
a Lua atravessa o espaço,
puxando o carro dos sonhos!
(João Lucas de Barros)
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Ilustração Elizabeth Shippen-Green.
Lá no céu, nuvens brejeiras
fofocando no horizonte,
lembram moças palradeiras,
lavando roupa na fonte!
(Zeni de Barros Lana)
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Turma da Mônica, © Maurício de Sousa.
Para mantê-los me empenho,
porque penso sempre assim:
tendo os amigos que tenho,
eu nem preciso de mim.
(Izo Goldman)
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Ilustração de Jessie Willcox Smith, 1928, para capa da Revista Good Housekeeping.
Quebra-cabeças é a vida,
e as letras peças de amor,
formando, após reunidas
histórias de glória ou dor!
(João Paulo Ouverney)
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Madame Mim dança com um admirador. Ilustração Walt Disney.
Não pisco os olhos ao vê-la
para não correr o risco
de, por momentos, perdê-la,
a cada instante que pisco.
(Orlando Brito)
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Magali e seu gatinho Mingau. Ilustração de Maurício de Sousa.
A saudade, quando ocorre,
sempre causa tanta dor!
Saudade – mal de que morre
quem já morria de amor!
(Walter Waeny)
Aranha, ilustração de Christina Rossetti.
Da Costa e Silva
Num ângulo do teto, ágil e astuta, a aranha,
Sobre invisível tear tecendo a tênue teia,
Arma o artístico ardil em que as moscas apanha
E, insidiosa e sutil, os insetos enleia.
Faz do fluido que flui das entranhas a estranha
E fina trama ideal de seda que a rodeia
E, alargando o aranhol, os elos emaranha
Do alvo, disco nupcial, que a luz do sol prateia.
Em flóculos de espuma urde, borda e desenha
O arabesco fatal, onde os palpos apoia
E tenaz, a caçar os insetos se empenha.
Vive, mata e produz, nessa fana enfadonha;
E, o fascinante olhar a arder como uma joia,
Morre na própria teia, onde trabalha e sonha.
Em: Da Costa e Silva, Poesias Completas, Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1985 [edição do centenário] p.166

