Igreja de Montmagny (Seine-et-Oise)
Maurice Utrillo (França, 1883 – 1955)
óleo sobre tela, 46 x 55 cm
Na velha igreja te ouço
sino alegre … Estás dizendo
que há muito coração moço
em peito velho batendo.
(Lilinha Fernandes)
Igreja de Montmagny (Seine-et-Oise)
Maurice Utrillo (França, 1883 – 1955)
óleo sobre tela, 46 x 55 cm
Na velha igreja te ouço
sino alegre … Estás dizendo
que há muito coração moço
em peito velho batendo.
(Lilinha Fernandes)
Monica pega chuva voltando do mercado, Ilustração Maurício de Sousa.
Rosana Rios
Tenho quatro guarda-chuvas
todos os quatro com defeito;
Um emperra quando abre,
outro não fecha direito.
Um deles vira ao contrário
seu eu abro sem ter cuidado.
Outro, então, solta as varetas
e fica todo amassado.
O quarto é bem pequenino,
pra carregar por aí;
Porém, toda vez que chove,
eu descubro que esqueci…
Por isso, não falha nunca:
se começa a trovejar,
nenhum dos quatro me vale –
eu sei que vou me molhar.
Quem me dera um guarda-chuva
pequeno como uma luva
Que abrisse sem emperrar
ao ver a chuva chegar!
Tenho quatro guarda-chuvas
que não me servem de nada;
Quando chove de repente,
acabo toda encharcada.
E que fria cai a água
sobre a pele ressecada!
Ai…
Burglar Bill, ilustração de Janet Ahlberg.
No carnaval, tem mania
de se vestir de ladrão;
mas, tirando a fantasia,
não muda de profissão!..
(Rodolpho Abbud)
Desconheço a autoria.
Miguel Torga
Sei um ninho.
E o ninho tem um ovo.
E o ovo, redondinho,
Tem lá dentro um passarinho
Novo.
Cartão postal francês.
No instante que precisares
Uma rua atravessar,
Olha bem para os dois lados
Para depois avançar.
Em: 1001 Quadrinhas Escolares, Walter Nieble de Freitas, São Paulo, Difusora Cultural:1965
Sem título, 2014
[No camarote]
Reynaldo Fonseca (Brasil, 1925)
óleo sobre tela
Alvarenga Peixoto
Eu vi a linda Estela, e namorado
Fiz logo eterno voto de querê-la;
Mas vi depois a Nize, e é tão bela,
Que merece igualmente o meu cuidado.
A qual escolherei, se neste estado
Não posso distinguir Nize d’Estela?
Se Nize vir aqui, morro por ela;
Se Estela agora vir, fico abrasado.
Mas, ah! que aquela me despreza amante,
Pois sabe que estou preso em outros braços,
E esta não me quer por inconstante.
Vem, Cupido, soltar-me destes laços,
Ou faz de dois semblantes um semblante,
Ou divide o meu peito em dois pedaços!
Em: Alvarenga Peixoto, Obras Poéticas. Edição da Prefeitura do Município de São Paulo, [Coleção Documentos – Clube da Poesia], 1956, p.29.
Alvarenga Peixoto (Brasil, 1742-1793) advogado e poeta do círculo da Inconfidência Mineira. Foi preso e degredado para a África.
Abelha feliz, ilustração anônima, acredito ser brasileira.
Rosa Clement
A abelha voou, voou.
Queria molhar o pé
e pousou na minha xícara
cheia de leite e café.
A abelha voou, voou.
desenhando um coração.
Queria provar um pouco
da geléia no meu pão.
A abelha voou, voou
Queria voar no céu
e eu que queria provar
um pouquinho de seu mel.
A abelha voltou, voou.
Queria me deixar feliz.
Achou que eu era um doce
e pousou no meu nariz.
(2010)
No campo de golfe, ilustração autor desconhecido.
Quando te chamo de amigo,
Declaro-te pleno apoio:
Não só no que tens de trigo;
Também no que tens de joio.
(Antônio Augusto de Assis)
Sonhando grande
Aditya Phadke (Índia, contemporâneo)
Óleo sobre tela, 76 x 91 cm
A minha vida, sempre inquieta como o mar,
É de renúncia, sacrifício e desencanto:
Enquanto vão e vêm as ondas do meu pranto,
Estende-se o horizonte, além do meu olhar…
Na imensidade azul, fico a cismar, enquanto,
A refletir o céu, vai-se acalmando o mar…
Acalma-se também minha dor, por encanto:
— Já cansei de sofrer! Vou agora sonhar…
Em: Da Costa e Silva, Poesias Completas, Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1985 [edição do centenário] p.295
Desconheço a autoria dessa bela ilustração, capa da revista House Beautiful, de Outubro de 1929.
Querendo colher no outono,
semeei na primavera…
Tu deixaste no abandono
um jardim à tua espera…
(Marília Fairbanks Maciel)