O xale da avozinha, poesia de Stella Leonardos

11 01 2020

 

 

 

MARIA VASCO (1879-1965). Contemplando a Paisagem, aquarela, 35 X 25.Contemplando a Paisagem

Maria Vasco  (Brasil, 1879-1965)

aquarela, 35 X 25 cm

 

 

O xale da avozinha

 

Stella Leonardos

 

Ela foi. Não volta mais.

Entre as relíquias saudosas

Seu xale.  Dos orientais.

Mil e uma noites sedosas.

Xale cheio de gazais,

De rouxinóis e de rosas.

. . . . . . . . . . . . . . . . . . .

Ela que não sofre mais

O peso de horas penosas,

Ela que amava os gazais

E as noite maravilhosas

— Quem sabe descansa em paz

Entre os rouxinóis e as rosas.

 

Em: Pedra no Lago, Stella Leonardos, Rio de Janeiro, Livraria São José:1956, p. 65

 

 

 





Soneto XXXVIII de Guilherme de Almeida

6 01 2020

 

 

 

Pierre Brissaud (1885-1964 - FrenchIlustração de Pierre Brissaud (França, 1885- 1964)

 

Soneto XXXVIII

 

Guilherme de Almeida

 

Quando a chuva cessava e um vento fino
franzia a tarde tímida e lavada,
eu saía a brincar, pela calçada,
nos meus tempos felizes de menino.

Fazia, de papel, toda uma armada,
e estendendo meu braço pequenino,
eu soltava os barquinhos, sem destino.
ao longo das sarjetas, na enxurrada…

Fiquei moço. E hoje sei, pensando neles,
que não são barcos de ouro os meus ideais:
são de papel, são como aqueles,

perfeitamente, exatamente iguais…
_Que meus barquinhos, lá se foram eles!
Foram-se embora e não voltaram mais!





Mudam-se os Tempos, Mudam-se as Vontades, de Luiz Vaz de Camões

30 12 2019

 

 

 

fe96c006e301af8df88045f34314c428

 

 

Mudam-se os Tempos, Mudam-se as Vontades

 

Luiz Vaz de Camões

 

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,

Muda-se o ser, muda-se a confiança:

Todo o mundo é composto de mudança,

Tomando sempre novas qualidades.

 

Continuamente vemos novidades,

Diferentes em tudo da esperança:

Do mal ficam as mágoas na lembrança,

E do bem (se algum houve) as saudades.

 

O tempo cobre o chão de verde manto,

Que já coberto foi de neve fria,

E em mim converte em choro o doce canto.

 

E afora este mudar-se cada dia,

Outra mudança faz de mor espanto,

Que não se muda já como soía.





Trova do sonho de Natal

22 12 2019

 

 

 

christmas-parlour-e1576987981850.jpg

 

 

Natal da minha velhice…

não sinto qualquer revolta:

– Papai Noel… ah! quem disse

que, em nós, o sonho não volta?

 

(Pompílio O. Vieira)





Soneto de Natal, Alphonsus de Guimaraens Filho

19 12 2019

 

 

 

3 REIS, baseado em xilogravura

 

 

Soneto de Natal

 

Alphonsus de Guimaraens Filho

 

 

É Natal. Foram tantos os Natais…

Pois que é Natal mais uma vez, apreende

esse cântico longo que se estende

por terras, mares, não termina mais.

 

Natal mais uma vez. Uma vez mais,

o menino que só a estrela entende,

os pais que a treva inquieta, ela, a quem rende

a certeza das coisas abissais.

 

Pois que é Natal, pensemos no menino,

apenas no menino. E o contemplemos

no berço onde ora está, tão pequenino.

 

Já quanto aos pais, a meditar deixemos.

Sabem os pais qual a hora do destino.

Fingindo não saber, sonhando olhemos.

 

Em: Todos os sonetos, Alphonsus de Guimaraens Filho, Rio de Janeiro, Editora Galo Branco: 1996





Trova do Natal

1 12 2019

 

 

 

753b4b75

 

 

Que saudades dos folguedos

dos meus Natais mais risonhos…

em que singelos brinquedos

amanheciam meus sonhos!

 

(João Freire Filho)





Quadrinha da floresta

21 11 2019

 

 

???????????????????????????????Chico Bento preparando a terra, ilustração de Maurício de Sousa.

 

O lavrador consciente

Que sabe reflorestar,

Quando tomba uma floresta,

Planta outra em seu lugar.

 

 

Em: 1001 Quadrinhas Escolares, Walter Nieble de Freitas, São Paulo, Difusora Cultural:1965





Trova de Natal

18 11 2019

 

 

Margaret W TarrantIlustração Margaret Tarrant.

 

 

No meu Natal é rotina

deixar tudo no “capricho”:

no peito faço faxina e

jogo as mágoas no lixo!

 

(Élbea Priscila de S e Silva)

 





Trova da separação

7 11 2019

 

 

 

adeus, da janela, Alice HaversIlustração de Alice Havers.

 

 

“Volta!”, eu peço, em voz bem alta!

Antes que a minha ansiedade

faça com que o “sentir falta”

passe a chamar- se… “saudade”…

(Izo Goldman)





“A foca” poesia infantil de Vinícius de Moraes

4 11 2019

 

StacyCurtis19_7aslf4Ilustração Stacy Curtis.

 

 

A foca

 

Vinícius de Moraes

 

Quer ver a foca

Ficar feliz?

É por uma bola

No seu nariz.

 

Quer ver a foca

Bater palminha?

É dar a ela

Uma sardinha.

 

Quer ver a foca

Fazer uma briga?

É espetar ela

Bem na barriga!

 

 

Em: A arca de Noé, Vinícius de Moraes, Livraria José Olympio Editora: 1984; Rio de Janeiro; 14ª edição, página 67-69.